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OS ATALHOS E DESCAMINHOS NA POESIA DE CERES MARYLISE

Postado por Rilvan Batista de Santana 09/12/2015

OS ATALHOS E DESCAMINHOS NA POESIA DE CERES MARYLISE



             Depois de participar de mais de 50 antologias, com publicação de poemas no Brasil e em diversos países inclusive do continente europeu, Ceres Marylise acaba de lançar pela Mondrongo, o livro “Atalhos e Descaminhos”, onde mostra um domínio da linguagem de forma direta e objetiva, sem artifícios. Formada em Pedagogia e Letras, com pós graduação em Linguística , ela considera ler e escrever como um vício e um encontro, tendo colaborado com diversas publicações lusófonas como Fênix, Eisfluências, revista CAOSótica e o jornal Caravela.
          O livro solo  tem como referências o critico Hélio Pólvora, para quem  Ceres Marylise “devolve a poesia ao seu estado natural, emotivo, encantatório – e portanto verdadeiro – de água a escorrer”. Para ele, a sua arte poética transcende os limites do território pessoal, funcionando como uma caixa de percussão e ressonância dos sentimentos expostos pelo cancioneiro geral das nossas vidas.
          Para o escritor e jornalista Antônio Lopes, “ela faz versos como quem ama, deseja dizer isso e ganhar a cumplicidade do leitor”. Destaca ainda, a rima e o ritmo dos poemas, complementados por metáforas de altíssima expressividade, o que acaba mexendo com os sentimentos universais do leitor.
          Maria Sánchez Fernandez, escritora e poeta espanhola, considera que a poesia de Ceres Marylise é rica real e pegada na terra como a vida e o poeta e professor angolano António Castel-Branco vê na sua poética a visão de uma artista que vê o mundo com amor e está em busca da perfeição.
          “Atalhos e Descaminhos’ é dividido  em  oito temas como Sagrado, Espiritual,  Viagem no Tempo, Mulher, Devaneios, A vida como ela é..., In memoriam, onde homenageia os seus mortos depois de uma vida transitória e Quase setenta, onde revela intimista que “minhas histórias, essas nunca se apagarão porque estão gravadas no meu coração e suas cores nunca poderão ser mudadas”, para concluir que anda entre o mergulho e o vôo, entre  a incerteza e o medo da certeza, que são universais.
          Em Sagrado, ela nos remete ao que considera transcendental e a busca da essência de Deus, mas no poema Insignificante, ela admite que “não estava triste, não estava só,/ simplesmente estava/ rodeada do vazio, de nada”.  Em Monlight, a poeta pergunta sobre “o que tens menina lua/nesse jeito tão sutil/ que não consigo pintar/ a alma do teu perfil?” Os poemas também fazem referencias à alienígenas como em Abdução e Cósmica, mas pousam soturnos em Passrinhando, que ganhou inclusive uma bonita versão musical para concluir:
          “Se eu soubesse do teu canto, passarinho;
          minha porta novamente se abriria;
          mão aberta, suavemente te acolheria,
          e facilmente iríamos voar,
          voar...”
          Em Espiritual, Ceres nos revela suas visões interiores e em Viagem, diz: “Trago nos olhos as marcas/ dos meus poentes e auroras;/ nos meus barcos ancorados,/ cores do ontem e do agora.” Também fala da ressurreição e em Racional, nos revela poeticamente: “serei um ponto/ no horizonte/ e inventarei atalhos/ para mim/ caminhando devagar/ pelos caminhos.”
          No bloco da Viagem no tempo, ela diz no poema Saber de Mim, que “as gavetas devem estar abarrotadas/ com tanta coisa inútil e empoeirada,/ poemas murchos, flores ressecadas,/ entristecidos, à espera da amada.” Em O tempo não para, conclui o poema destacando que “passaram a infância e a juventude, a solidão se faz amiga inseparável./A vida então, aos poucos, perdeu o brilho,/ e o tempo foi ficando insuportável.”
          Também não falta tempo para a critica política e social em poemas como Retorno, onde pergunta  sobre “o que fizeram com a nossa cidade?/ Não sei dizer mas com certeza,/ algo cobriu minhas lembranças lentamente/ com tempestades cinzentas de tristeza”.
          Mulher tem como foco o universo feminino e propõe no poema Que minha vida não seja, “que minha vida não seja,/ um canteiro de renúncias/ nem areia movediça/ onde os sonhos/ se afundam.”  Em Asas partidas, fala sobre a opressão feminina em  ‘mulher de burca,/ nunca pude ver o seu riso/ de um pássaro enjaulado/ pelo fundamentalismo:/ resignado soluço/ de uma terrível/ injustiça.”
          Num poema dedicado à vó Carminha, Semente e  lavra, Ceres termina lamentando que ela “voou sem avisar/ deixando a porta aberta/ como um convite/ ou uma despedida.” Há ainda uma homenagem a mulheres como mães e trabalhadoras.
          Devaneios nos fala da vida, da solidão, das incertezas cotidianas e do Tempo de Abandono, indagando, “Que foi feito da luz dos nossos olhos/ que ofuscava até a luz dos dias? Que caminhos tomaram nossas mãos/ que hoje pendem sem sonhos e vazias.”  Há ainda humor no Poema  Trigonométrico, que resgata uma imagem de um primeiro namorado, quando revela “desde quando me entendo/  sofro com a matemática/ na soma dos meus roteiros”, além de revelações sobre o jazz e o blues, que ensina a esquecer a dor.
          Em A vida como ela é, a poeta faz referências às prostitutas, à família, às guerras e à violência generalizada, incursionando no universo dos pistoleiros que também infestaram as cidades do Sul da Bahia – a autora nasceu em Ubaitaba – e ao trágico universo das casas grandes e sensalas, que tinham um quarto para sepultar os escravos mortos, anônimos e sem cruzes, que se transformaram em fantasmas.
(Kleber Torres)  Jornal AGORA  04/12/2015

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