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MEU ENCONTRO COM PEDRINHOS

Quando li Caçadas de Pedrinho, do Monteiro Lobato, não gostei nem um pouco, pois vi nele um tipo negativo, um mal exemplo para as crianças, que gera imensas tristezas na vida de todos nós, destruindo a natureza e matando os animais.

Ou seja, a figura do caçador. Lembro-me dos meus tempos de menino na Serra do Paiol, quando as onças comiam alguns bezerros do meu pai e dos sitiantes vizinhos; elas ainda são personagens das mil e uma aventuras dos meus sonhos. Meu coração disparava quando via aquela tropa de gente, armada até aos dentes, saindo para as caçadas. Eu ia no meio da caravana com o rosário escondinho no bolso esquerdo da calça curta, pedindo a meu “São Francisquinho de Assis” que escondesse os animais todos, até as onças, para que não fossem mortos.

Mas era o maior sofrimento quando matavam algum bicho na minha frente: ele demora a morrer, devido à “peninha” no coração infantil; até que descobriram-me chorando escondido ao matarem uma queixada, mãe de uma manada de filhotes, que fugiram desesperados floresta a dentro: nunca mais deixaram-me integrar as hordas assassinas que destruíram a minha Disney World real, a
Serra do Paiol, no Município de Frei Inocêncio, Minas Gerais.

Outro Pedrinho que atraiu a minha atenção foi vítima de seqüestro, ainda no berço da maternidade. O seqüestrador era uma mulher infeliz no casamento, que simulava gravidez até encontrar uma criança para seqüestrar e apresentá-la ao marido como sua filha, tentando “amarrar” o marido, que queria filhos, a despeito dos problemas de fertilidade da esposa.

Fui pesquisando a história dele até ver, com meus próprios olhos, a criminosa atrás das grades. Trata-se da “dita cuja” Vilma Martins, de Goiás, graças a extraordinários esforços da imprensa e da polícia, caçando-a por mais de duas décadas.

Porém, segundo ele, o próprio Pedrinho, tudo acabou bem, pois conseguiu encontrar seus pais biológicos e hoje vive com as duas famílias, gozando de felicidades e sem rancores.

Mas, dia desses, eu estava no Frei, ajudando meus irmãos a cuidarem de nossa mãe, que anda sofrendo males da idade,
 e fui a Valadares; fui levar a minha esposa e meu neto Gabriel à rodoviária para retornarem ao Rio. Chegamos lá no finzinho da tarde e ficamos assistindo ao show de “parapentiuns” do pessoal que pula lá da Pedra da Ibituruna. Inegavelmente, é um verdadeiro entretenimento para os viajantes, uma vez que a “rodoviara de valadarrr” ainda permanece a mesma dos anos cincoenta, com apenas um acréscimo: mendigos e viciados pedindo entre os passageiros.

No entanto, o inusitado não pede licença e salta às nossas vistas: surgiu diante de mim um homem com uns cartazes de desenhos infantis, pacotes e mochila nas mãos, sentando-se a uns três bancos distante. O Gabriel foi direto a ele e começou a incomodá-lo, querendo saber sobre aqueles desenhos, por quê disso e daquilo etc. Chamei o Gabriel, mas não adiantou; o moço interessou-se pelo meu neto e começou a conversar com ele. Logo mostrou-lhe um livro, um livro infantil, com texto e desenhos e pôs-se a ler para ele. Como o Gabriel gosta de contar história, foi logo falando que o “VÔ” lia para ele, lia pra ele desde o berço e o moço puxou assunto e eu esbarrei-me com mais um Pedrinho...

Desta vez não se trata de um Pedrinho caçador nem um Pedrinho sequetrado, mas um Pedrinho pedrinho na vida, mais parecido comigo, meio Severino de João Cabral e desta terra Severina: esta Minas Gerais de lutadores, que vão caçar Américas até nos confins do mundo, seja deixando seu chão, seja arrancando-a do próprio peito.

Meus amigos, eu estou falando é do Elton Antonio Gonçalves de Oliveira. Ele é um escritor, escritor de literatura infantil, autor do livro A História de Pedrinho, com 37 mil exemplares vendidos, vendidos em atividades de fins de semana e feriados, na maioria das vezes de mão em mão, autografando-o para crianças e adultos por esse imenso leste de Minas Gerais, exatamente como aconteceu conosco na rodoviária de Governador Valadares, onde nos encontramos.

Em nossa curta entrevista, perguntei-lhe se tinha blog, site ou outro meio de comunicação, e daí partimos. Trocamos e-mails, ele foi embarcar para Teófilo Otoni, aonde mora no bairro Taquara, e fiquei lendo-o para o Gabriel. Gostaria de dizer-lhe que seu livro já foi para a sala de aula, aonde meu neto estuda e já foi ouvido por mais de vinte crianças, pois a Professora Kátia pede para seus aluninhos levarem livros de história para ela ler para eles.

Mas gostaria de dizer algo sobre A História de Pedrinho, pois considero-o um livro muito especial. O autor teve a preocupação de criar uma obra que se passa na realidade de toda criança, na sua busca por integração social, na sua tentativa de tornar o ambiente escolar criativo e harmônico, no esforça de fazer com que criança e adultos desfrutem da vida conjuntamente naquilo que as brincadeiras possuem de lúdico e construtivo, reunindo faixas etárias indistintamente. Creio que essa é a visão de mundo do Elton, pois o seu objetivo transparece através do texto e das ilustrações. Resta informar-lhe que os desenhos para colorir já se esgotaram, pois as crianças da escola se revezaram colorindo-os com o meu neto Gabriel.

Parabéns Elton!

*

1 Responses to Meu Encontro Com Pedrinhos - Crônica * Antonio Cabral Filho - RJ

  1. Caro amigo ANTONIO CABRAL FILHO, estou com o escritor ELTON A. G. Oliveira bem aqui, ao meu lado. Ele ficou emocionado ao saber que o livro com "A História de Pedrinho" chegou ao Rio de Janeiro, e serviu de base de leitura para toda uma turma de alunos! E gostaria de saber o nome da escola, para encaminhar alguns dos seus novos livros infantis, agora para pintura e desenho. No mais, ELTON lhe agradece pelo belo texto, e que isso só o estimula a continuar na sua missão educativa através da leitura!

     

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