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Como eu me reconstruí depois da minha primeira demissão - Flávia Gamonar

Postado por Rilvan Batista de Santana 17/09/2015

Flávia Gamonar
Como eu me reconstruí depois da minha primeira demissão

Outro dia eu publiquei aqui "O que eu aprendi com minha primeira demissão" e apesar de ter escrito um texto enorme, eu me foquei eu falar sobre aquele momento de minha vida.
Depois de um bom tempo deste ocorrido eu consegui enxergar a experiência de uma forma ainda mais ampla. Quando me afastei daquela situação e pude visualizá-la do alto de uma árvore eu entendi como tudo aquilo me fez uma pessoa mais forte e melhor.
Assim que a demissão acontece, mesmo que você esteja desconfiando sobre ela ou que até deseje não estar mais naquele lugar, a depressão pode bater à sua porta. Essa sensação piora quando você nadou, nadou e morreu na praia, ou seja, quando você pensa que tentou ser ótimo funcionário e mesmo assim não foi reconhecido.
Mas hoje eu quero compartilhar algo com você. Por mais difícil que uma demissão pareça - principalmente em relação às questões financeiras e a sensação de derrota, é possível tornar-se uma pessoa mais forte ao passar por ela.
Nos meus primeiros dias de desempregada eu não conseguia acostumar que até que eu conseguisse outro emprego eu acordaria todos os dias sem uma missão diária. Eu não precisava acordar cedo, minhas calças e camisas já não eram mais usadas, a maquiagem que antes era diária agora estava esquecida na gaveta e eu tinha muito tempo de sobra. Lidar com esse excesso de tempo me desesperava!
Às vezes desejamos ter tempo sobrando, mas quando eu o tive pude perceber algumas coisas: não adianta tê-lo se todo mundo com quem eu poderia compartilhar está em horário comercial, trabalhando.
Também não me adiantava muito ter tempo sobrando se eu não podia sair gastando dinheiro com lazer, por exemplo. Dias e noites tornaram-se iguais, eu simplesmente não tinha divisões de compromissos e alternava meu dia entre olhar freneticamente o Facebook e a TV. Foi ai que eu descobri que os meus amigos também estavam trabalhando naquele horário e que não adiantava eu atualizar sem parar minhas redes sociais para desesperadamente ler algo, as pessoas não estavam conectadas para postar.
Comecei a me pegar fazendo bolos de todos os sabores, quase todos os dias. E passei a assistir programas vespertinos de fofoca. Comecei a observar a rotina dos vizinhos, sabia de cor da onde vinha o latido de cada cachorro da vizinhança. Naquela época eu perdi até mesmo a vontade de malhar. E quantas vezes eu pensei que o cansaço do trabalho é que às vezes me fazia ter preguiça de ir à academia.  
A verdade é que minha autoestima estava tão baixa, que nada disso me animava mais.
De fato, ter tempo demais não era nada bom. E isso também nos mostra o ritmo que nos sujeitamos viver e sobre como imaginamos que seja correto viver: sempre trabalhando muito.
Comecei a enviar currículos totalmente desacreditada de mim e com medo de viver de novo tudo que vivi. Se fui demitida, certamente eu era péssima pessoal e profissional e não ia conseguir emprego nunca mais. Então eu passei a esperar ligações o dia todo. E e-mails. Ficava frustrada quando as chamadas eram engano ou alguém querendo que eu trocasse a operadora da TV a cabo (eu já pensava quase em cancelar o serviço!).
Nesse período eu pude refletir sobre todas as vezes em que errei. Todas as vezes em que eu poderia ter feito algo diferente. Percebo que hoje, algum tempo depois da experiência da demissão eu sou praticamente outra pessoa.
É incrível como de um ano para o outro amadurecemos e não desejamos ter o corpo jovem de antes em troca da mente atual. 
Nesse tempo eu também pude dar ainda mais valor às pequenas coisas. Não ter um salário pode fazê-lo refletir sobre detalhes que você sequer percebia antes. Comecei a economizar dinheiro e já não passava mais no mercado à toa. Passei a me comover ainda mais com os senhorzinhos nas filas do mercado comprando uma caixa de leite e um pacote de arroz e muitas vezes, mesmo sem poder esbanjar, eu paguei a compra deles. A minha situação era provisória, mas imagine o que passam as pessoas que vivem situação parecida ou miséria o tempo todo. 
Livre e com tempo sobrando eu poderia pegar meu carro e ir passear por ai. Mas quem é que disse que eu estava a fim de torrar combustível sem saber quanto tempo duraria meu desemprego.
Sempre que assistia TV e ouvia sobre as estatísticas e o crescimento do desemprego eu lembrava que fazia parte daquilo. Eu era mais uma passando por essa situação.
Por várias vezes eu me peguei pensando o que eu ia fazer com tudo aquilo que estudei. Eu morria de medo de nunca mais conseguir emprego na área que gostaria, olhava para meus livros na estante, para meus certificados e para todos aqueles arquivos do computador que eu levei anos salvando pra usar algum dia. E se tudo isso nunca mais fosse usado.
Certo dia enviei meu currículo mais uma vez. E recebi retorno. Não conseguia caber dentro de mim de tanta felicidade. Fiz a entrevista, voltei pra casa torcendo e fazendo todas as promessas possíveis sobre aquela possibilidade e quase não dormi pensando no quanto eu queria aquela vaga. Passei pra segunda fase.
E então, finalmente, no final daquele dia mesmo me ligaram que eu havia passado. Junto com o emprego novo eu ganhei minha auto-estima de volta e a fé que eu havia perdido.
Eu confesso que nos meus primeiros dias imaginei que viveria exatamente igual tudo o que vivi. Mas a boa notícia é que constatei um ambiente novo. Foi muito ver que muitas vezes estamos tão presos a uma situação, sensação ou memória que somos incapazes de achar que pode existir algo diferente. Felizmente existe luz no fim do túnel. A demissão dói, assusta e eu escrevo esse texto pra tantas pessoas que estão passando por ela agora.
Se eu puder te dizer algo, direi o seguinte: essa dor e essa chateação vão passar. Esse momento vai lhe ensinar coisas que nenhuma outra situação ensinaria. Você não é ruim como está pensando que é. E tudo vai dar certo, vai sim!
Esse momento vai te mostrar que o valor do que já não valorizava mais. Vai descobrir quem eram seus amigos de verdade. E mesmo quando voltar a ganhar um salário como antes, não terá coragem de comprar algumas coisas que antes comprava sem nem perceber. A verdade é que ter vivido um momento de baixa autoestima e incertezas, de vergonha de sua família e amigos inclusive, te mostra que às vezes reclamamos à toa.
Não desista! Tente de novo. Assim que um novo dia começar levanta-se, tome um café e volte a buscar um emprego, seja ele em uma empresa ou um negócio próprio. Porque não tentar algo que você faz bem e que pode ser oferecido como um serviço freelance nesse momento. 
Só não passe o dia deitado, triste e cabisbaixo por conta disso. Tenha certeza de que existem coisas muito piores e irreparáveis do que perder um emprego. Essa fase vai passar e você vai vencê-la tornando uma pessoa incrivelmente forte, madura e com a fé recuperada. 
Um abraço,
Flavia
Fonte: LinkedIn 


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