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História do dr. Roberto Arnaldo Niskier

Postado por Rilvan Batista de Santana 09/08/2015

História do dr. Roberto
Arnaldo Niskier

O jornal O Globo está comemorando 90 anos. Segundo seus próprios dirigentes, nove décadas olhando para o futuro. A inspirar os seus passos, a figura emblemática de Roberto Marinho, o Dr. Roberto, como era conhecido. Sua história é a do Globo, que nasceu por inspiração do pai Irineu, no dia 29 de julho de 1925.

Só que o destino fez das suas e, pouco menos de um mês depois, o fundador faleceu, vítima de um infarto. O filho mais velho, com 20 anos de idade, foi obrigado a assumir o comando do empreendimento. Tornar-se-ia o maior empresário de comunicação do país.

Não foi só o jornal. Em 1944 a Rádio Globo iniciou suas operações, para também se tornar líder de audiência. Em 1965 foi a vez da TV Globo, hoje a quarta network do mundo. E aí vem a primeira história que devo contar, ouvida em Angra dos Reis do próprio autor da façanha: “Já tinha mais de 60 anos e resolvi me aventurar pelos caminhos da televisão. Convidei meus irmãos Ricardo e Rogério para sócios. Eles ficaram temerosos. Banquei a TV sozinho”.

Em 10 anos, nas muitas idas à residência da praia de Mombaça, em Angra dos Reis, sempre a convite, bom ouvinte que sou, registrei fatos notáveis. E uma preferência: o Dr. Roberto tinha predileção pelo jornal. Era capaz de falar horas sobre os primeiros tempos do jornal e seus companheiros de experiência. Destaque para Euricles de Matos, Herbert Moses e Alves Pinheiro, este a alma  da redação, nos vários locais em que se situou.

Conheci o Dr. Roberto em encontros sociais, especialmente nas datas festivas das embaixadas. De uma feita, no aniversário da França, levei um puxão de  orelhas por causa da cobertura de carnaval. A TV Manchete, recém inaugurada (1984), ganhou a exclusividade e brilhou intensamente.  Teve audiências incríveis. O Dr. Roberto não perdoou o Adolpho Bloch por causa disso: “Sempre fui amigo do Adolpho, ele não podia ter feito isso comigo.”

Nossa intimidade cresceu com a entrada de Roberto Marinho para a Academia Brasileira de Letras, em 1993. Tudo por obra e graça da perspicácia de Austregésilo de Athayde: “No futuro, vocês sempre se lembrarão de mim por causa disso.” De fato, a partir desse convívio, amiudaram-se nossas idas a Angra dos Reis. Fins de semana gostosos, à beira mar, com papos prolongados, em companhia da minha mulher Ruth e da inesquecível Lili de Carvalho Marinho.

Histórias recorrentes do Dr. Roberto: o orgulho dos três filhos, cada um com seu estilo próprio; as caçadas submarinas, com os amigos Álvaro e Carlos Tavares; a tristeza pela perda do filho Paulo, num desastre na estrada de Cabo Frio; a paixão pela construção civil; as façanhas no hipismo; a ojeriza pela interferência oficial no seu quadro de jornalistas (“dos meus comunistas, cuido eu”) etc. Tudo isso vivido com muita doçura e uma fina educação.           



Jornal do Comercio - RJ, 07/08/2015

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