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DO POBRE B. B.- Bertolt Brecht

Postado por Rilvan Batista de Santana 20/08/2015

DO   POBRE   B. B.
 
 Eu, Bertolt Brecht, venho da Floresta Negra.
Minha mãe me trouxe para a cidade ainda em seu ventre.
O frio da floresta ficará em mim até o dia de minha morte.
 
Nas cidades de asfalto estou em casa. Desde o início
Abastecido com os últimos sacramentos:
Jornais, tabaco e aguardente.
Desconfiado, contente e preguiçoso até o fim.
 
Sou gentil com as pessoas. Uso 
um chapéu-coco como eles costumam fazer.
Eu digo: estes animais têm um cheiro estranho.
E digo: isso não importa, eu também tenho.
 
Pelas manhãs, em minha cadeira de balanço
Uma mulher ou outra às vezes faço sentar
E observando-a calmamente lhe digo:
Em mim você não deve, você não pode confiar.
 
À noite, alguns homens se reúnem em minha volta
E entre nós “gentlemen” é o tratamento vigente.
Colocam os pés sobre minha mesa 
E dizem: tudo vai melhorar. E eu não pergunto: –  quando ?
 
Na luz cinzenta da aurora mijam os pinheiros,
E seus parasitas, os pássaros, começam a gritar.
Por esta hora na cidade eu esvazio o meu copo,
Jogo fora o charuto e vou dormir, inquieto.
 
Uma geração leviana, nós nos fechamos em casas
Que acreditávamos indestrutíveis. (Assim 
Construímos aquelas imensas caixas na ilha de Manhattan
e as antenas compridas que conversam por cima do Atlântico. )

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