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DEUS MORREU! - CERES MARYLISE

Postado por Rilvan Batista de Santana 28/08/2015


 
CERES MARYLISE

DEUS MORREU!

Deus morreu!
Que descanse em paz
para não ver mais guerras,
desamor e violência.
Abortado, nem pôde nascer!
Fez-se e não cresceu, morreu!
Terão que recriá-lo novamente,
sem clonagem e mais humano,
numa noite de amor universal.
Não acreditam, eu bem sei,
mas o mundo inteiro
é um grito de aflição.
Deus morreu,
e se ELE era AMOR,
foi preciso morrer
para que o HOMEM
pudesse, afinal,
prevalecer!

DAI-NOS ALMA, SENHOR!

Lágrima escondida na clausura
Dos olhos já cansados do infinito.
Que não cura o silêncio e a amargura,
Que não é queixa e não emite um grito.

Aquela que não dá trégua e consolo,
Que traspassa, cega e atormenta.
Que não tenta mostrar-se, ficar nua,
E faz a pena interminável e lenta.

Cântaros secos a assomar aos olhos
Estáticos, vazios e sem brilho.
Que enche o coração e o consome
Na dor que chega sem mandar aviso.

Manancial retido na garganta
Que no silêncio do ser não se dilui.
Onde não nasce o alívio da esperança
Mas sempre vem aos olhos e não flui.

A que não podem ver, porque escondida
Na angústia incessante e rotineira.
É preciso meu Deus, que haja alma,
Mas muitos não têm alma para vê-la!


REENCONTRO
(visita à antiga casa paterna)

Não mandem calar minha saudade agora,
busquei o mundo, passei muito tempo fora.
Ponham copos nesta mesa abandonada,
onde jogamos cartas e destinos.

Não abram as janelas já tão carcomidas
pelo tempo passado - pó da vida,
desta casa que gentil me abrigou
nas algazarras inocentes de menina.

As gavetas devem estar abarrotadas
de tanta coisa empoeirada e restos,
poemas murchos, flores ressecadas,
entristecidos, à espera de algum gesto.

Não acendam a luz, meus pés conhecem
o vício dos degraus, os corredores,
as portas que abrem sempre suas asas
aos quartos amplos e acolhedores.

Ouço risos de crianças pela sala,
sempre correndo em busca de emoção
ou sentadas em colchões já desbotados,
deslizando num já gasto corrimão.

Nas paredes há sombras que estremecem
com o bater dos corações, velhos rumores,
que um dia preencheram minha infância
e nunca me mostraram dissabores.

Quero sentar-me no colo da mamãe,
adormecer com histórias do papai,
e despertar ao som dos passarinhos
que cantavam saltitantes nos beirais.

Agora parto, saciada de fantasmas;
são eles que abrem a porta do jardim
e ternamente beijam minhas faces.
Já vou, já vou! Só vim saber de mim.

Fonte: Academia de Letras de Itabuna - ALITA

1 Responses to DEUS MORREU! - CERES MARYLISE

  1. Agradecida, amigo.

     

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