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Carolina acalentou e destruiu o coração do escritor

Postado por Rilvan Batista de Santana 01/07/2015


Machado de Assis: Carolina acalentou e destruiu o coração do escritor. Casamento notoriamente feliz, iniciado em 1869, durou até a morte da portuguesa

Quando Machado de Assis estava com 28 anos, chegou ao Brasil a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, que teria vindo buscar abrigo na casa dos irmãos após uma decepção amorosa. Um dos parentes da moça, o poeta Faustino Xavier de Novais, era amigo de Machado. Por essa conexão, se conheceram.

Culta, quatro anos mais velha e com personalidade estável, Carolina logo encantou Machado. Com idade considerada, na época, avançada para casar, os dois se apressaram e realizaram a cerimônia de casamento no dia 12/11/1869.

Unido oficialmente, o casal se mudou para a rua da Lapa. Depois, morou na rua das Laranjeiras e na rua do Catete. Somente em 1884, foi para a casa nº 18 da rua do Cosme Velho, onde ficaria até a morte. O chalé em que Machado e Carolina viveram foi demolido na década de 1930.

“Sabe-se que o casamento deles foi muito feliz”, conta o escritor e estudioso da vida de Machado, Moacyr Scliar. É realmente ponto pacífico entre os especialistas o forte companheirismo dos dois, que não tiveram filhos. Conta-se que Carolina influenciou até na vida literária do marido. “Dizem que ela corrigia os textos dele e contribuiu na transição do romantismo para o realismo”, diz Scliar.

Mas a felicidade que Machado encontrou em Carolina acabou quando ela faleceu em 20/10/1904, dois dias antes de completarem 35 anos de casados. Segundo um dos biógrafos de Machado, o jornalista Daniel Piza, Carolina dizia para amigas que esperava que o marido morresse antes dela porque sabia que ele ia sofrer. E assim foi.

O trauma da perda da mulher fez Machado ficar deprimido, o que agravou problemas de saúde como a epilepsia. Em um escrito do dia 28/9/1908, Mário de Alencar relata o estado do amigo: “Venho da casa de Machado de Assis. Lá estive todo o dia de sábado,
ontem e hoje, e agora estou sem ânimo de continuar a ver-lhe o sofrimento; tenho receio de assistir ao fim que eu desejo não tarde. Eu, seu amigo e seu admirador grande, desejo que ele morra, mas não tenho coragem de o ver morrer.”
Mas a maior demonstração do quanto sentia a falta da companheira foi um soneto que escreveu em sua homenagem:


“A Carolina”
Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa e separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.



Fonte: www.abril.com.br




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