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A mente impulsiva dos jovens – Veja .

Postado por Rilvan Batista de Santana 17/06/2015


A mente impulsiva dos jovens – Veja .


Matéria muito boa e oportuna da Veja sobre os conhecimentos atuais da neurociência e a redução da maioridade penal.
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A mente impulsiva dos jovens – Veja

Filipe Vilicic e Jennifer Ann Thomas


A neurociência explica por que os adolescentes tendem a ser quase sempre imaturos, mais mercuriais e inconsequentes do que os adultos

Quando começa a idade da responsabilidade? Ao longo da história da civilização, a resposta a essa pergunta sempre foi resultado de circunstâncias culturais, precedentes históricos e pura conveniência. Na Grécia antiga, Sólon cravou o início da maioridade nos 21 anos, momento no qual um indivíduo teria atravessado três estágios de sete anos de desenvolvimento, criação mental da filosofia helênica para medir os ritos de passagem da infância até a maturidade. Com o surgimento dos primeiros automóveis, no início do século XX, autorizava-se a dirigir qualquer um que, sentado ao volante, conseguisse pôr os pés no freio — e muitos meninos de 12 anos, de pernas longas, realizavam a proeza. Foi apenas nos anos 40 que estudos de psicologia e reflexos empurraram para mais tarde, 16 ou 18 anos, a habilitação para conduzir veículos motorizados. Nesse vaivém sem precisão, adolescentes viraram adultos da noite para o dia durante a II Guerra, empurrados para o front ou forçados a trabalhar cada vez mais cedo em países de população masculina dizimada. Os avanços científicos, tanto do ponto de vista de estudos do comportamento como de investigação das estruturas cerebrais, permitiram oferecer saídas mais nítidas para distinguir a capacidade de discernimento de jovens e adultos.
Houve extraordinário salto com a possibilidade de flagrar o cérebro em atividade. Nos anos 70, o químico americano Paul Lauterbur — depois premiado com o Nobel em 2003 —inventou a máquina de ressonância magnética. Demorou, contudo, até que a tecnologia se aprimorasse, barateasse e se popularizasse. Só a partir dos anos 2000 os cientistas passaram a escanear regularmente o cérebro de cobaias humanas, em praticamente todo estudo relacionado ao nosso principal órgão. Descobriu-se, então, que o sistema límbico, onde nascem as emoções, está amadurecido, e tem atividade intensa, já na puberdade. Mas é imaturo o córtex pré-frontal, responsável pelo controle dos impulsos, pelas decisões, maestro do chamado “papel executivo” (a capacidade de administrar emoções e tecer planos futuros). O estereótipo do adolescente inconsequente ganhou a partir daí amparo comprovado. É um momento de vida afeito a um misterioso bale bioquímico, de permanente conflito entre o lado emocional, instintivo, e o ordeiro, racional. Para um adulto, salvo descontroles psíquicos, há equilíbrio na disputa. Entre os jovens, os sentimentos costumam vencer a batalha — pelo menos até os 20 anos, um pouco mais. E uma indagação recorrente dos legisladores, apesar das descobertas da neurobiologia, não para de gritar: quando, enfim, não é mais possível ser condescendente com ações desmedidas típicas da juventude?
A ciência ainda não sabe. Se é possível detectar áreas cerebrais ainda verdes e outras prontas, é complicado relacionar a constituição bioquímica de uma pessoa, em determinada idade, com seu comportamento. “Estamos na infância das descobertas do cérebro”, diz Ronald Dahl, professor de pediatria e psiquiatria da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Um caminho, o mais comum, é trabalhar com estatísticas — se jovens de até 16 anos provocam mais acidentes de carro do que jovens de 18 anos, uma alternativa é pensar em mexer na maioridade.
Os anos passam, mas a impulsividade adolescente continua acesa, como a vontade de beijar alguém repentinamente ou acelerar o carro acima da velocidade permitida. Na maioria dos casos, porém, o córtex pré-frontal, já desenvolvido, cuida de peneirar os instintos.
Em consequência disso, as decisões se tomam mais racionais. Seja uma sensata, aceita socialmente, seja a de burlar a lei. O adolescente é como descrito por Shakespeare na peça Conto do Inverno: “Desejara que não houvesse idade entre 16 e 23 anos, ou que a mocidade dormisse nesse tempo, ocupado só em deixar com filhos bastardos as raparigas, aborrecer velhos, roubar e brigar”.

Como não é possível apagar a mocidade, eliminá-la ou atravessá-la sem dilemas nem dor, o melhor é entendê-la, especialmente em seu atribulado convívio com as normas da sociedade. Nesse aspecto, nada é mais ruidoso do que a busca pela idade certa, considerando-se o funcionamento da mente, para determinar a responsabilidade penal. Os adolescentes conseguem distinguir o certo do errado, mas, depois que se decidem pelo segundo, é difícil que desistam. Vão em frente de um modo que um adulto não iria. Mas há um alento: um cérebro novo tem o que se convencionou chamar de “plasticidade”. E hábil para aprender — bobagens, sobretudo —, mas aceita mudanças de ideia. Vale no banco escolar, vale na construção de valores morais. Um criminoso de 16 anos, portanto, é teoricamente mais fácil de ser “recuperado” do que um de 20.
Fonte: http://prosaepolitica.com.br/

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