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Tempos do BB: Proibido transar em hotel familiar

Postado por Rilvan Batista de Santana 21/05/2015

CONTOS - Tempos do BB: Proibido transar em hotel familiar

Pindaré-Mirim, cidade do interior do Maranhão, 1970. O hoje respeitável autor do Recanto das Letras que vos escreve, apesar de funcionário do BB e ex-estudante de Direito, era um cabra safado, louco por uma cachaça e frequentador habitual de puteiros. Eu dividia um quarto de hotel com o meu colega Soares, por sinal, outro cabra safado.
O velho Lourenço, dono do hotel, era intolerante nessa questão de visitas femininas aos quartos dos rapazes, principalmente à noite. Bradava, enérgico: “Quem quiser trepar, que vá para o motel, pois este é um hotel familiar; quem for flagrado empernado com alguma quenga, vai pra rua na hora!”
Então, num sábado, de madrugada, acordei por causa de uns ruídos estranhos no quarto. Apurei a vista e pude perceber na penumbra que o Soares estava num maior rala-e-rola com uma mulher na sua cama; apenas dois metros separavam as nossas duas camas e por isso pude perceber que o “material” que o Soares atacava era de primeira qualidade. Apesar disso, fiquei indignado e acendi a luz, reclamando:
- Pô, cara, assim não dá! Tu trazes uma mulher pro nosso quarto, contrariando as normas do hotel e quando o velho Lourenço souber, vai nos expulsar do hotel! E eu vou “pagar o pato” também, sem ter nada a ver com essa safadeza! Assustaram-se os dois, a mulher cobriu-se rapidamente, e o Soares procurou contemporizar:
- Qual é, cara, o velho Lourenço só vai saber se tu contares...
- E por que eu não contaria? Isso é uma desmoralização para o nosso quarto e, além disso, estão perturbando o meu sossego!
- Se tu ficares de bico calado, ela transa contigo também. E de graça! Estavam tentando me subornar, mas a carne é fraca. Procurei confirmar com a distinta dama:
- Isso é certo? Tu vais transar comigo também? E de graça? A mulher respondeu com um sorrisinho safado:
- Sim, fazer o quê? É melhor que parar na cadeia por invadir o hotel do velho Lourenço, que é uma fera.
E para alguém que se dizia "obrigada a fazer aquilo em duas camas", a mulher teve uma alegre, formidável e surpreendente performance quando chegou a minha vez... Às 7 horas da manhã, na porta do banco, o Soares lembrou-me:
- Olha aí, cara, não esquece que no próximo sábado é a tua vez. Vê se trazes uma quenga tão boazinha quanto essa, hã?

Antonio Maria Santiago Cabral
Publicado no Recanto das Letras em 23/02/2010
Código do texto: T2102852

http://antoniomaria.prosaeverso.net

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