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Beleza física e paixão - Divaldo Franco

Postado por Rilvan Batista de Santana 31/05/2015

A luta é o elemento indispensável para o crescimento interior do ser humano, o desenvolver-lhe das aptidões adormecidas, o recurso precioso para o seu engrandecimento. Através do empenho e dos desafios que proporciona, fende a concha do primarismo em que se encarceram os valores elevados e faculta-lhes o desabrochar e o atingir da plenitude.
          Foi através da luta pela vida que os espécimes mais fortes venceram aqueles mais hábeis que ficaram no passado... E quando essa força não provinha do volume ou do peso do corpo, o desenvolvimento da inteligência engendrou os mecanismos de superação de dificuldades mediante astúcia e técnica que colocaram o ser humano na parte superior da escala animal.
          Cessadas as pelejas entre os predadores poderosos e o homem, surgem-lhe as fixações e os conflitos do seu desenvolvimento intelecto-moral, que lhe cumpre vencer, empenhando-se na conquista da saúde emocional e física, de forma a facultar o contínuo crescer das suas potencialidades psíquicas.
          Remanescendo os desejos imediatos, herança das experiências nas faixas mais primitivas do processo de desenvolvimento, esses verdadeiros algozes psicológicos propelem o ser para o atendimento de tais impositivos que o aturdem, deixando-o quase sempre insaciado, mesmo após fruídas as sensações decorrentes do seu gozo.
          A luta que aguarda o ser humano é longa e sem quartel, facultando-lhe a realização dos  objetivos existenciais mas também daqueloutros de natureza espiritual, que são fundamentais para o encontro da saúde integral, da plenitude.
          Uma antiga tradição budista narra que Ananda era um jovem discípulo do Iluminado, que muito lhe dedicava afeição e devotamento, interessado na conquista da paz do Nirvana.
          Sua beleza e a elegância de seu porte haviam feito dele um homem atraente e agradável, que a todos conquistava onde quer que se apresentava.
          Viajando, oportunamente, em um dia de calor, acercou-se de uma fonte generosa à sombra de árvore grandiosa e solicitou a uma jovem mulher que ali se encontrava, lhe fosse oferecida uma concha com água refrescante.
          Tomada de surpresa, respondeu-lhe a estranha: — Não percebes que somos de casta diferente?
          Ele redarguiu: — Eu só conheço uma casta, que é a humanidade...
          Sensibilizada, a impura tomou a água com as mãos em concha e aproximou-as dos lábios de Ananda, que sorveu o líquido com alegria e agradecimento, dirigindo-lhe palavras de amizade e ternura.
          Tocada pela gentileza e pela irradiante beleza do rapaz, a moça correu na direção do lar e pediu à genitora, que se entregava às artes mágicas, para que conseguisse que Ananda se apaixonasse e a pedisse em casamento.
          A mulher experiente elucidou à filha que era muito difícil consegui-lo, considerando o devotamento do aprendiz ao mestre e a sua pureza de sentimentos.
          Atormentada e insistente, a desditosa conseguiu sensibilizar a médium desvairada, que passou a dirigir o pensamento inferior ao rumo do jovem,  insistindo com Espíritos perturbadores para que lhe influíssem no comportamento.
          Posteriormente, Ananda sonhou que se encontrava diante da jovem sensualmente despida, que o atraía, inquietando-lhe os sentimentos disciplinados. Por sua vez, a moça, tomada de desejos doentios, também sonhou com o seu eleito, entregando-se-lhe e impondo-lhe o matrimônio.
          Buda, no entanto, meditando, captou a trama do mal e envolveu o jovem discípulo em ondas de paz, despertando-o para a realidade e atraindo-o de volta ao seu seio.
          Não logrando o desejo inferior, a aturdida acercou-se do mestre e pediu-lhe que facultasse o seu casamento com o moço arrebatador, por quem estava apaixonada.
          Sábio e justo, o antigo princípe lhe disse:
          — Tu o desejas porque ele é jovem e belo. No entanto, após os primeiros momentos de convivência contigo, após utilizar-se das tuas formas, ele seguirá diante, deixando-te. E se isso não acontecer de imediato, a velhice irá corroer-te a beleza, desaprumar-te o passo, fazendo que ele sinta horror por ti.
          Após uma pausa, concluiu:
          — Tu não o amas. Apenas desejas a forma, o prazer, esquecendo-te que aqueles olhos transparentes e brilhantes, que se umedecem com lágrimas, também vertem pus; as suas fossas nasais igualmente expelem secreção apodrecida; o seu ventre guarda dejetos e todo o corpo se transforma com facilidade e rapidez em decomposição.
          “O verdadeiro amor transcende a forma e alcança o ser real que nunca envelhece, nem degenera, permanecendo sempre belo e real.”
          Sensibilizada pelas palavras do sábio, ela pediu-lhe que a iniciasse na busca da iluminação, tornando-se-lhe discípula dedicada.
          Anos mais tarde, quando já conhecia a Verdade, o mestre lhe disse: — Agora já podes consorciar-te com Ananda.
          Ela porém redarguiu: - Já não tenho qualquer desejo de posse. Encontrei a paz interior, na qual estão Ananda e todos os seres aos quais amo, havendo-me encontrado também.
          Essa busca do ser interior que se liberta das paixões constitui a grande luta da vida, erguendo-o das baixadas dos desejos mais perturbadores no rumo dos patamares elevados da consciência.
          Todo um conjunto de observâncias surge convidando à sua sábia utilização, que vai alçando o pensamento e a emoção a mais elevados e nobres níveis de libertação dos desejos e das conquistas de um dia efêmero.
          (...) 

Livro:  O Despertar do Espírito
Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis
LEAL – Livraria Espírita Alvorada Editora

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