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Com duro ataque ao governo na TV, Aécio mostra que não vai repetir estratégias de Serra e Alckmin após derrotas



Se tudo sair como alardeado, a propaganda que o PSDB leva ao ar nesta terça-feira em rede nacional será o maior petardo de um partido opositor a um governo em tempos recentes. Não se trata de candidato batendo em candidato em época de eleição. Trata-se de um partido com governadores e prefeitos eleitos acusando de “roubo” um ente da federação e sua sigla.
“O Brasil precisa saber definitivamente quem roubou, quem mandou roubar e quem, sabendo de tudo, se calou ou nada fez para impedir”, dirá o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente da legenda, na TV.
O ex-presidenciável, que brigou cabeça a cabeça pela Presidência na última eleição, dá sinais de que, até 2018, fará todos os esforços para ver a presidenta Dilma Rousseff sangrar em seu segundo mandato. 
O alvo, porém, não é ela, mas quem veio antes e pode vir depois dela: Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a Folha de S.Paulo, o ataque ao ex-presidente partirá de outro ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso. Ele dirá na TV que os problemas da atual gestão começaram no mandato anterior.
A briga remonta às disputas pelo Planalto em 1994 e 1998, e toda a vaidade que envolve o histórico e a rivalidade entre os dois. Quando for ao ar, FHC não será a memória de uma gestão que também sangrava após a reeleição. Não será o presidente acusado de estelionato eleitoral, da desvalorização negada e encadeada do real, da suposta compra de deputados para se reeleger, das privatizações, do caso Sivam.
Para parte do eleitorado, que hoje rescreve o passado tendo como ponto de partida 2002, FHC é a ponte entre um país que funcionava e outro que deixou de funcionar. Balela, mas a ausência de memória e de interesse histórico é a benção de quem atribui a volta dos valores republicanos ao retorno do Rei Sebastião. Esta, porém, é outra história – e nela cabe o presente de uma sigla com seus vidros, coronéis, telhados e pancadaria contra manifestantes e professores.
A estratégia de Aécio pode ser contestada, mas, como narrativa, corre o risco de funcionar. No campo inimigo, as camas de campanha mal foram desmontadas desde a eleição. Enquanto o maior rival prepara o ataque, o PT tropeça na própria perna com uma base parlamentar desarticulada que não se sabe se é governo ou oposição.
Dilma tem outros planos além da retaguarda para cuidar, e estes são traçados entre seu ministro da Fazenda e os executores de fato de seu segundo mandato, os peemedebistas Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros. O ataque tucano ao governo acontece no momento em que petistas e peemedebistas se batem para votar sem dores além das inevitáveis o ajuste fiscal e os cortes no Orçamento. 
Estranho seria se o PSDB não aproveitasse o flanco desguarnecido. Para isso servem as oposições. Os tucanos têm hoje a seu favor imagens recentes de panelaço, as investigações da Lava Jato e as contradições explícitas entre a Dilma Rousseff candidata e a Dilma Rousseff presidenta.
As circunstancias levam os tucanos a subirem o tom à medida que os revoltados online e offline pedem sangue no ringue. Mas não só.
Nas três últimas disputas presidenciais, o governo foi beneficiado pelo silêncio tático de uma oposição que queria e não queria briga. Não que faltassem elementos para a guerra declarada, embora a certa altura (mas nem sempre) fosse suicídio bater na popularidade inimiga. O que faltava era vontade e dedicação.
Apesar do enfrentamento acirrado das urnas, ao término das eleições a relação entre o governo petista e as lideranças tucanas era quase um pacto de não-agressão. Dilma, por exemplo, visitava Minas e tecia elogios ao governador Aécio Neves. O pacto federativo, o interesse nas parcerias e as relações paroquiais pareciam constranger a artilharia opositora, que soava quase sempre como arroto. 
Hoje a situação é bem outra. Derrotados na corrida presidencial, José Serra (duas vezes) e Geraldo Alckmin deixaram o recall das urnas - que também elegeram uma oposição, como repete agora Aécio Neves - para preparar o colchão nas disputas municipais seguintes. Serra perdeu a disputa pela Presidência no segundo turno contra Lula em 2002 e foi eleito prefeito em São Paulo dois anos depois. Alckmin foi ao segundo turno em 2006 e queimou a largada pela prefeitura paulistana em 2008. Serra, novamente derrotado em 2010, queimou o capital político em 2012 quando ensaiou a volta ao comando da cidade. 
Desta vez, o candidato ungido a líder da oposição não parece ter outros planos além de tentar novamente o Planalto em 2018. Não pretende, até onde se sabe, queimar os votos de 2014 em disputas regionais. Em vez disso, tem o comando do partido na mão - diferentemente de Alckmin e Serra pós-eleição – e a memória desbotada das gestões tucanos a seu favor.
impeachment é o bode na sala. Ninguém que tem o caminho pavimentado até 2018 será louco o suficiente para fortalecer os rivais do PMDB, herdeiros diretos da linha sucessória e hoje tão interessados quanto os tucanos no enfraquecimento do governo.
A propaganda tucana, de toda forma, é a construção de uma narrativa que só termina em 2018. Esta narrativa tem um título para a introdução: “Enfim, oposição”. Goste-se ou não, é ela quem tem as armas.

 POR Matheus Pichonelli 

Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado

Fonte: Yahoo

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