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ANITA MALFATTI (1889 – 1964)

Postado por Rilvan Batista de Santana 29/05/2017

ANITA MALFATTI  (1889 – 1964)Por Redação11/09/2003

"O que está tão engraçado aqui?" Com esta pergunta Anita Malfatti interrompeu as sonoras gargalhadas que o escritor Mário de Andrade dava ao se deparar com os quadros "O Homem Amarelo", "A Mulher de Cabelos Verdes" e "A Boba", numa exposição da pintora, em 1917. Os dois, juntos à figura de Villa-Lobos, formariam os sustentáculos para a literatura, a música e as artes plásticas apresentadas na Semana de 22.

Eles foram, certamente, os pivôs do movimento modernista brasileiro. É de Anita o desenho de abertura, hoje famoso, do Catálogo da Exposição de 22. Nascida em São Paulo, a 2 de dezembro de 1889, Anita Malfatti era filha de imigrantes. O pai, Samuel, italiano naturalizado brasileiro, era engenheiro e trabalhou em estradas de ferro e na construção civil. A mãe, Eleonora Elizabeth, era americana, poliglota, pintava e desenhava. Exerceria enorme influência na formação da filha. Quando pequena, no entanto, sua mãe não poderia imaginar que a filha um dia se tornasse uma das principais pintoras brasileiras.

Anita sofria de uma atrofia congênita na mão direita e, aos três anos, foi levada para a terra natal do pai em busca de tratamento médico, sem sucesso, porém. Mesmo assim, aprenderia a escrever, desenhar e pintar só com a mão esquerda. Em 1910, Anita foi para Berlim, onde tomou contato com a arte expressionista alemã. Lá, frequentou a Academia Real de Belas Artes e o museu de Dresden, onde teve Lovis Corinth e Bishoff Culm como professores. Voltou para o Brasil, em 1913, e, dois anos depois, iria para os Estados Unidos para freqüentar o ateliê do artista Lovis Corinth. Em 1914, realiza sua primeira exposição individual, nas Mappin Stores, em São Paulo. Ficou nos EUA cerca de um ano, onde estudou com Homer Boss no Independent School of Art (Escola Independente de Arte), berço dos primeiros trabalhos cubistas da América, e voltou novamente ao país, em 1916.

A Anita que surge destas viagens e contatos com as artes destes países é a que abrirá o caminho para o modernismo brasileiro. A exposição onde Mário de Andrade gargalhava, "Primeira Exposição de Arte Moderna no Brasil, 1917-1918", aberta em dezembro de 1917, é o começo do movimento até a eclosão na Semana de Arte Moderna de 22. As risadas do escritor, no entanto, transformariam-se em admiração, amizade e uma intensa troca de correspondências entre os dois. Anos depois, o escritor acabaria adquirindo a tela “O Homem Amarelo”, a qual recebe críticas durante a exposição de 1917 e que, à época, defendida ardorosamente por Mário de Andrade.

Mas a mudança de opinião do escritor paulista não seria acompanhada por outro grande nome da crítica e literatura brasileiras: Monteiro Lobato. Especialmente irritado com a obra da precursora do modernismo, Lobato publicou um artigo que se tornaria célebre: "Paranóia ou Mistificação?" Nele, argumentava que a nova pintura de Anita não representava o brasileiro e sua natureza com fidelidade. Chegava ao ponto de insultar a pintora tachando-a de louca. A critica de Lobato repercutiu entre os modernistas e, pouco depois, Oswald, Mário e Menotti del Picchia saíram na defesa de Anita. Da querela que se seguiu, surgiu a divisão entre conservadores e modernos que iria desaguar na Semana de Arte Moderna, em 1922. Depois de ir à Alemanha, Anita fez, ainda, uma segunda viagem à Europa, proporcionada por uma bolsa de estudos, mas desta vez, fixou residência em Paris.

Na época da Segunda Guerra Mundial, Anita promovia excursões com seus alunos ao Embu, nos arredores de São Paulo. O resultado desses passeios foram obras como "Cambuquinha" e "O Poeta". Anita realizou sua última exposição em 1963, ano em que foi homenageada com a Sala Especial na VII Bienal de São Paulo. Por não querer ser a integrante mais velha do grupo modernista, Anita Malfatti falsificou seu documento de identidade e mentiu sobre seu verdadeiro ano de nascimento. Sempre falava que havia nascido em 1896. O ano verdadeiro, entretanto, era 1889 e quando Anita morreu, no dia 6 de novembro de 1964, estava prestes a completar 75 anos.


Fontes: Anita Malfati e seu TempoDicionário Mulheres do Brasil Folha de S.Paulo

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