Saber-Literário

Diário Literário Online

Academia de Letras de Itabuna fecha ano com 2ª “Guriatã”

A revista destaca a produção de integrantes da ALITA, além de outros nomes da literatura regional

      A Academia de Letras de Itabuna (ALITA) encerra as atividades do ano de 2016 colocando à disposição da comunidade a 2ª edição da revista Guriatã. Editada pelo escritor Cyro de Mattos, a publicação reúne textos (artigos, poesias, ensaios, crônicas etc) assinados por integrantes da instituição, além de discursos, fotografias e matérias alusivos à trajetória da Academia.
       Nas palavras do editor, “uma academia de letras serve para interagir com a comunidade na promoção e defesa da liberdade de expressão. O ideal que lhe dá suficiência deve consistir na valorização da humanidade nas letras”. Ele ressalta o papel da ALITA – e de instituições afins – para cultivar a importância da língua, da literatura e da comunicação como manifestações voltadas para o conhecimento.
       A segunda edição da “Guriatã”, que contou com o apoio cultural do Grupo Chaves, traz textos assinados pelos seguintes membros da Academia: Aramis Ribeiro Costa, Cyro de Mattos, Carlos Valder do Nascimento, Renato Prata, Aleilton Fonseca, Sônia Carvalho de Almeida Maron, Ruy Póvoas, Ceres Marylise Rebouças, Rilvan Santana, Jorge Luiz Batista dos Santos, Lurdes Bertol, Delile Oliveira, Raquel Rocha, João Otávio, Celina Santos, Margarida Fahel e Carlos Eduardo Passos. Entre os poemas, versos de Firmino Rocha, Telmo Padilha e Valdelice Pinheiro. 

Fonte - ALITA



Nota Editorial
Mais uma vez quero agradecer ao editor da revista acadêmica ‘Guriatã’, o escritor Cyro de Mattos, por ter inserido o texto ‘Jupará’, de minha autoria, na edição de 2016 da prestigiada revista.
Aproveito a oportunidade para conclamar aos acadêmicos da diretoria da ALITA, mais ação administrativa, mais integração com a comunidade, mais projetos comunitários, mais ação política, agregar todos os membros sem tendência de grupo, torná-la mais democrática e mais transparente.
Uma academia não pode e não deve ser, somente, um repositório de reuniões de condestáveis, mas aberta às diversas tendências intelectuais e culturais.  Sua importância se dará à medida que for significativa para comunidade.

Uma academia de letras de uma cidade, de um estado, de um país, expressa o que existe de melhor intelectualmente e culturalmente numa sociedade e deve ser dirigida por um líder não por um chefe. O líder a diversifica e a agrega, o chefe coloca-a aos interesses dos proeminentes de plantão e dos apaniguados. O rosto de uma academia, deve ser o rosto da comunidade...
Hoje, se alguém desavisado perguntar ao cidadão itabunense comum: “O que é Alita?” Ele irá responder de chofre: “Não é a irmã de Carmelita que mora no Pau do Urubu?”, tal sua ineficiência.  Rilvan Batista de Santana. Itabuna, 07 de dezembro de 2016.

SOMOS E SEREMOS COMO NOSSOS PAIS


“Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais”.
        Belchior

Há muitos anos atrás comecei a utilizar o e-mail para fins profissionais na empresa em que trabalhava. Depois, passei a usá-lo também para me corresponder com amigos e parentes. Ainda faço isso e esse meu relacionamento eletrônico pode ser mensurado através de centenas de contatos guardados nas nuvens do servidor.

Mas enquanto permanecia no quase “obsoleto” e-mail, foram surgindo as redes sociais, aplicativos e tantas coisas mais. Minha curiosidade de entrar nelas era detida pela insegurança de operar essa mídia mais “moderna”. Mas aos poucos, comecei a receber insistentes convites de iniciar amizades na rede. Eram parentes, amigos e surpreendentes amizades perdidas na memória do passado longínquo. Superei a natural resistência e entrei nas redes.

Foi um verdadeiro choque cronológico. Graças ao aparecimento de centenas de “amigos dos meus amigos”, vi-me instantaneamente participando de um “admirável mundo novo”. Em meio aos poucos amigos contemporâneos, mergulhei em uma avalanche de jovens e pós-adolescentes surgindo na tela do meu monitor com formação  cultural, estilos, interesses, habilidades tecnológicas e visão de mundo absolutamente inesperados. Entretanto, após o choque inicial, comecei a entender, depois a aceitar e finalmente a gostar da nova turminha.

Porém o impacto foi tão grande que um dia acordei sonhando que conversava com um jovem muito sábio, um guru juvenil que me ouvia com gentil complacência. Eu lhe dizia:


- A experiência não se transmite, só conseguimos transmitir o conhecimento. Repassamos o quê aprendemos através dos meios midiáticos. Temos que aprender lendo, ouvindo e vendo toda a riqueza técnico-cultural existente nos documentos e nos diversos meios de comunicação. É isso o que faz o conhecimento caminhar e a tecnologia correr. Mas a experiência de vida de cada um começa ao nascer a partir do zero. Cada um de nós repete infinitamente as mesmas emoções, sentimentos, medos e alegrias já passados e repassados pelos que vieram antes de nós. A civilização se reinicia na cabeça de cada recém-nascido

O balanço afirmativo de cabeça do meu sapientíssimo jovem interlocutor, mal disfarçava o sorriso compreensivo ante a criatura senil e obsoleta que lhe falava.

Este sonho, produto da minha traumática experiência na Rede Social me relembrou que o simples fato de estar na terceira idade não nos torna nem um pouquinho mais sábios. A provecta idade, pela grande quantidade de tempo vivido, apenas nos permite adquirir maior conhecimento que as gerações mais novas ainda não conseguiram obter. Eis a única e grande vantagem que os muitos anos de vida nos trazem.

Todo mundo sabe disso. Mas navegando pela Internet uma coisa ficou muito clara para mim. Uma grande parte do que sabemos, não tem a menor importância nestes dias atuais. Uma parte significativa dos nossos conhecimentos tecnológicos não tem mais nenhuma aplicação. São coisas tão arcaicas que só servem para provocar risos e surpresa às novas gerações. E, além disso, essa carga ultrapassada de conhecimentos obsoletos nos dificulta o aprendizado das mutantes inovações técnicas, principalmente nas áreas eletro eletrônicas. Nestes setores, libertos de nossas informações inúteis, impúberes crianças da mais tenra idade são mais sábias do que nós. Aquelas dotadas de boa vontade até tentam nos ensinar, mas perdem a paciência com nossa inexplicável dificuldade de entender o quê é absolutamente claro para elas.

A velocidade das novidades tecnológicas e a lentidão como a “velharada” consegue absorve-las, está acabando com o papel de mentor, de conselheiro e guru que os mais idosos possuíam desde as tribos pré-históricas. 

A tecnologia transferiu o foco dos interesses para a juventude. Assim como nós damos pouco valor ao que eles mais valorizam, eles acham estranhos nossos interesses. E nisto são mais tolerantes que nós. Frequentemente desprezamos seus hábitos e conceitos de vida, enquanto eles demonstram aceitar os nossos arcadismos com tolerância e paciência. Como nunca assumi minha caducidade, incomoda-me aquele sorriso complacente e envergonhado, quando expomos nossas opiniões na presença de seus jovens amigos.   

Ainda bem que não perdemos totalmente o respeito de nossos filhos e netos. Respeitam-nos porque nos amam e porque os amamos mais ainda. São agradecidos pela superação que passamos para educá-los da melhor maneira que pudemos. Gostam de nossa dedicação incondicional a eles. Somos seus heróis, mesmo debilitados pela idade. Ouvem nossos concelhos e considerações, mesmo ultrapassados. Levam-nos passear e viajar... Tratam-nos tão bem como a seus animaizinhos de estimação.

Mas, espera aí! Já vi este filme antes. Mesmos sem as fantásticas novidades tecnológicas de hoje, eu tratava semelhantemente aos meus pais e todos os “tiozinhos” da minha juventude. Somente quando minha própria idade me fez vislumbrar a velhice, é que comecei com este lamentável e choroso “papo de velho”.

Nós da terceira idade não temos realmente nada a reclamar, porque temos a sabedoria de vida, adquirida no longo caminho que tivemos o privilégio de seguir, para saber que a evolução humana é feita em círculos. Damos sempre dois passos para frente e um paras trás.

Por isso, somos e sempre seremos muitos semelhantes aos nossos pais.

Mateus Cosentino
Sampa – 07/12/2016.




‘Cadeira da presidência do Senado não pode ser bunker de partido’, diz Aécio

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), fez um apelo à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, para que a decisão definitiva do afastamento do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado ocorra na sessão desta quarta-feira, 7.

Aécio (Foto: banco de Dados)
“Fizemos um apelo ao STF que decida sobre o afastamento de Renan até amanhã”, afirmou o tucano em entrevista coletiva. A pressa do PSDB, principal partido da base do governo Temer, se deve ao fato de que a estratégia dos petistas é justamente jogar com o “caos institucional” instaurado com o afastamento de Renan, ocorrido por medida liminar, para ganhar tempo.

A ideia da bancada do PT é de, no comando do Senado, não realizar sessões no plenário evitando-se dessa forma que seja feita a contagem de prazo para a votação da PEC do teto. “A cadeira da presidência do Senado não pode ser bunker de partido”, disse Aécio.

A votação do segundo turno da proposta está inicialmente prevista para ocorrer na próxima terça-feira, 13. “Queremos que a PEC seja votada independente de afastamento”, emendou o senador. Segundo ele, a bancada do PSDB manterá o quórum na próxima semana para tentar avançar na votação.

Impacto

A possibilidade de se adiar para 2017 a votação da PEC do teto, no entendimento, de consultores do Congresso, não causará nenhum impacto na questão orçamentária. Segundo assessores da Comissão Mista do Orçamento do Congresso, ouvidos pela reportagem, no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, encaminhado pelo Executivo e aprovado em agosto pelos congressistas, já havia a previsão dos efeitos da PEC para o próximo ano. Na LDO, segundo consultores, é como a PEC já “estivesse valendo”.


FONTE: Yahoo Notícias 

TEMPO DE AGRADECER
publicado em musica por Fábio Congiu

Fim de ano, época de colocar os fatos na balança. Não raramente, uma análise dos últimos 12 meses apresenta resultados pouco satisfatórios. Para a cantora Maria Bethânia, no entanto, o saldo de cinco décadas de carreira se resume em duas palavras: abraçar e agradecer. Algumas características e posturas da intérprete baiana – como o absoluto respeito aos seus ideais – podem explicar seu sentimento de gratidão diante da vida e inspirar quem anseia por mudanças

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Quando completou 50 anos de carreira, Maria Bethânia selecionou um tema específico para celebrar a marca: a gratidão. A escolha da cantora revela alguém em paz com sua história e, a despeito dos inevitáveis percalços, satisfeita com sua caminhada, convicta de seus caminhos. Em tempos de fim de ano, porém, não seria ousadia afirmar que poucas pessoas, ao realizar um balanço dos últimos 12 meses, teriam uma sensação de conforto quanto aos próprios passos como a artista baiana demonstra ter com as últimas cinco décadas. O “obrigado” da intérprete – mote do show comemorativo Abraçar e Agradecer, ora perpetuado em DVD – vem, tendo a crer, de pensamentos e atitudes característicos de seu temperamento e de sua postura: o respeito aos seus ideais, o entendimento de dom como missão e a consequente alegria de fazer o que faz.

Para festejar uma longeva carreira que começou com a artista, ainda menina, aos 17 anos, deixando Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, para substituir Nara Leão, no Rio de Janeiro, na primeira peça teatral de protesto contra o Regime Militar do Brasil – o espetáculo Opinião –, Bethânia não preparou um show de sucessos, retrospectivo – para deleite dos fãs –, nem selecionou um repertório completamente inédito, musicalmente arrojado, de modo a apontar novos horizontes. Escolheu “apenas” interpretar canções e textos que, de alguma maneira, lhe possibilitassem expressar suas ideias e, principalmente, agradecer à música e comemorar a vida. Seguiu estritamente sua apurada e – por que não dizer? – inviolável intuição artística.

Aliás, seguir suas certezas, por menos lógicas ou claras que possam parecer, foi uma constante ao longo de toda a trajetória da cantora. Nos anos 60, por exemplo, em plena efervescência de movimentos artísticos como a Tropicália e a Jovem Guarda, ela não hasteou nenhuma bandeira e rechaçou todos os rótulos em alta na época; mais tarde, no auge do reconhecimento mercadológico, após se tornar a primeira mulher a vender mais de 1 milhão de cópias no Brasil, Bethânia rompeu uma série de discos de sucesso com Ciclo, um álbum totalmente acústico em meio aos sons eletrônicos emergentes na década de 1980; já nos anos 2000, diante de um cenário social cada vez mais urbanizado, barulhento, acelerado e envaidecido pelas novas tecnologias, a artista voltou seu olhar para o interior e passou a produzir CDs minimalistas, quase silenciosos.

Essa convicção e essa fidelidade permeiam todo o repertório de Abraçar e Agradecer, tal qual a entrega de Bethânia ao seu dom. Não por acaso, ela abre o espetáculo com a bela Eterno em Mim, de Caetano Veloso, uma declaração de amor não só à pessoa amada, mas também à música. Somente a voz devotada da artista consegue harmonizar um roteiro tão eclético, que vai da roqueira Gita, de Raul Seixas e Paulo Coelho, à sertaneja Eu, a Viola e Deus, de Rolando Boldrin; da sofisticada Dindi, de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira, à popular Folia de Reis, de Roque Ferreira; da entusiasmada Alegria, de Arnaldo Antunes, à melancólica Silêncio, de Flávia Wenceslau. E para cumprir sua missão, Bethânia cerca-se sempre de músicos virtuoses, junta-se a grandes diretores, cenógrafos e iluminadores, ensaia mais de 40 dias antes de estrear um show e não tolera falhas técnicas ou imperfeições sonoras. Seu canto deve chegar ao público puro como a natureza o criou e cuidou de lapidar.

Se não compreendesse seu talento como a missão de sua vida, dificilmente a entrega da artista ao seu ofício seria tamanha e lhe daria o prazer que transparece dar, a ponto de Bethânia querer louvar tudo. O dom da vida, a espiritualidade, a natureza, o dia a dia, as amizades, a imaginação, a música, o palco, a voz, o público... Até mesmo seus defeitos: “Agradecer aos amigos que fiz e que mantêm a coragem de gostar de mim, apesar de mim”, como frisa no texto de abertura do espetáculo, o mesmo em que, à certa altura, ela se mostra ciente de um descontentamento generalizado nos tempos atuais e ressalta (ou ensina): “Agradecer ter o que agradecer.”

Maria Bethânia está feliz com seus 70 anos de vida e cinco décadas de carreira, enquanto muitos de nós não conseguimos nos equilibrar com as vitórias e as derrotas de 12 meses recentes. Mais do que bens concretos ou sorte, talvez nos falte mesmo uma fé verdadeira em nossos propósitos e sonhos e, consequentemente, satisfação em cumprir com nossos afazeres – sejam eles pessoais, sejam profissionais. Ou nos falte "simplesmente" – na verdade, aqui se encontra o maior desafio – lançar mão de um olhar mais generoso, resiliente, menos maniqueísta, e de uma sensibilidade mais apurada, que permitam a cada um assimilar melhor os motivos diários para abraçar e agradecer.


Fonte:http://obviousmag.org/olhar_das_coisas/2016/maria-bethania-abracar-e-agradecer.html#ixzz4S8YxKpg8


Nóia não, meu filho!
R. Santana

1

           
A casa dela fica no sopé de uma encosta, em um bairro de pobre, de uma cidade grande (leitor não me peça o endereço, é uma história de ouvir-dizer), embora por fora a casa não tivesse um aspecto tão miserável, por dentro, as paredes de bloco estavam sem reboco, esburacadas, lugares ideais para Alexandro, o “Alex”, assim conhecido na roda da malandragem, esconder suas pedras de crack, papelotes, porções de cocaína e quando não abraçava jacaré numa balada de grã-finos, deslocava algumas pílulas de LSD. Foi também nesses buracos das paredes de sua baia que certa feita, os milicos flagraram essa bagulhada, para surpresa de sua mãe, numa batida inesperada.  
A faxineira Matilde, conhecida de algumas casas ricas, aos troncos e barrancos, conseguiu construir o seu casebre, não era escrava do aluguel... Bom papo, amiga da vizinhança, prestativa, nordestina da gema, nos finais de semana, pegava o busão e ia bater coxas nas casas de forró, onde conheceu e enrabichou-se pelo pernambucano Alexandro de Tonha.  
. Além de Alex, Matilde teve mais quatro filhos e, se não fosse a morte prematura de Alexandro de Tonha por um colega de bebedeira, teria o dobro da molecada, pois o negro não deixava sua perereca em paz, era um danado rufião!...



2

Naquela manhã foi grande o alvoroço na casa de Matilde, o pessoal do Conselho Tutelar, alguns policiais e alguns bisbilhoteiros da imprensa estavam lá, movidos por uma denúncia anônima.
O babado foi barra-pesada, os milicos e o pessoal do Conselho Tutelar flagraram o nóia do Alex preso ao cadeado por uma enorme corrente. Um alcagüete, um vizinho, algum boca-mole, havia denunciado Matilde por maus tratos e cárcere privado do seu filho Alexandro.
Boca-aberta, incapaz de maldade, jamais pensou que por perto houvesse algum dedo-duro que se prestasse denunciar um ato de amor. Acorrentar o filho foi a contragosto, o seu peito doía, o seu coração de mãe sangrava, dilacerava, mas tinha sido do gosto e permissão de Alex, que lhe pedira como único recurso para não ser morto pelos traficantes e noiados na rua, dele dá um rolê, capar o gato...
Condicionou à sua mãe, que o acorrentasse junto da casa de força, não queria ajuda de ninguém no momento de despejar o barro ou lançar mijo no vaso, exigências cumpridas e satisfeitas sem dificuldade, pela pequenez do casebre.
Naquele dia, fotografada de todos os ângulos e posições, transformada num piscar de olhos, em bruxa, mãe desalmada e megera, por aquela gente de paletó e gravata, farda e coturno, vestido e salto alto, pedindo-lhe para explicar o inexplicável, citando-lhe leis e artigos, de muita monta e pouca utilidade, de muito saber e pouco resolver, muito xaveco e pouco dizer, Matilde teria mandado aqueles almofadinhas e aquelas mocréias queimarem a rosca noutro lugar, zoar noutra freguesia, mas o seu chegado Zé Buceta e as ameaças de prisão impediram que ela mandasse os vazarem dali...  


3

Dois meses depois:

-E aí véi, tudo bem?
-Tô a pampa! – respondeu-lhe Alex.
-Tô a fim dum rolo, véi!...
-Arranje um trampo, Joca!
-Só de aviãozinho, mano!
-Fulerage véi, os nóias queimaram o meu filme! – acrescentou:
-Tô na seca mano, com vontade de puxar um beck!...
-Eu tenho aqui uma muamba quer?
-Fulerage, Alé!...
-Mano quem está na seca...
-Paraguai não, mano! Vou pegar um traveco daqui a pouco e queimar... – Alex bufou:
-Bobó só de mulher véi, tem que rolar sentimento, tesão!...
-Papo de elefante, mano! – Alex desconversou:
-Estou bolando um trampo... barra-pesada, vinte e dois... vou precisar de gente sacudida!
-Oie eu aqui mano! Sento o dedo numa boa...  - Alex o interrrompe:
-Si liga, Joca! Nada de presunto, use a cachola e não o dedo, véi!...
-Tá lordaço, mano!!! – irritado.
-Quer peitar os milicos, os gambés, miolo de pote!? – Joca corou.
-Mano, eu não sou mané, fique na moral... – Alex amenizou:
-Véi te considero, deixe de ser salsicha!– completou:
-É money, muito money, muita grana e não couro de rato! – Joca se animou:
-Agora, estou começando ter a moral, véi! É muito money?
-Muito!
-Pode crer, se avexe não Alé, estou aqui véi!...
-Arranje dois guapos, não quero ninguém espichando as canelas!
-Dividido por quatro, mano?
-Já lhe disse que é muito dindin, fita forte, e o entrevero pode ser barra-pesada!
-Deixe comigo Alé, conheço dois cascas-grossa de confiança. E as máquinas?
-Não se avexe, mano! – Joca muda de assunto para agradar o companheiro:
-Tem azarado a mina?
-Puro suco, style mano!... – deu uma risada e advertiu-lhe:
-Cinquenta nove, véi!
-Não se avexe Alé, pode crer!...
Alex e joca pegaram o beco, ficaram na moita uns três meses. Promessa feita, palavra cumprida, Joca conseguiu numa birosca conhecida, entre uma gel e uma birita, arrebanhar para Alex, dois chegados, mais que chegados, dois colados, eternos devedores de sua amizade e favores.
Enquanto Alexandro matutava o seu plano, embrechava-se mais com a louraça Mary, não saía de sua casa, rolava sentimento, tesão e bem querer. Amizade de criança, prazer de adolescente e mais tarde...  amor de adulto.
Mary, moça saitica, puro suco, enrabichou-se desde moleca por Alexandro, um ano mais nova, fazia dele gato e sapato, mais sapato do que gato, ia buscar-lhe em qualquer boca, destemida, até pouco tempo cabaço, jurara pra sua mãe e ia catiando para o seu bem querer, toda vez que ele ia com a mão leve:
-Assim não dar nega!!! – retado.
-Tá de chico...
-Tirando onda comigo, nega!?
-Bote fé!
Alexandro armou para lhe tirar o cabaço, dar uma, ficar e enfiar... Esperou-lhe um vacilo, aproveitou um bate-coxa de sua velha num final de semana e a levou para sua baia, lá lhe encheu o bucho de caipirinha e mais cedo do que pensou e mais tarde que pode agüentar, a loira se abriu mais do que macaxeira-batata.
Agora, sua nega estava estranha, arredia, parecendo facão, choramingando pelos cantos, de cachimbo apagado, não rolava mais sentimento, fubanga sem ser fubanga, mocréia ainda menina. Apagou-se o vulcão que lhe queimava as entranhas, não tinha mais fogo no rabo, desconfiada, exigia-lhe camisinha, não podia mais dizer “tá de chico” ; agora, Alexandro a conhecia pelo direito e pelo avesso:
-Nega, ta me fazendo de mané?
-Não paizinho, é que ando com uns sonhos...
-Sonhos?
-Sim!
-Todo mundo sonha, nega!
-Mas...
-“Mas” o quê?
-Paizinho espichando a canela...
-Tá de miolo mole nega?... Tá dando uma de mãe Creuza?...
-É que tô com medo ocê morrer, tô grávida! – Alexandro quase tem um treco...
-Verdade, nega?
-Verdade, verdadeira!...


4

            O quarteirão fervilhava de policiais, suas viaturas fechavam todas as ruas ao redor, ninguém entrava, ninguém saía, lá, dentro do Banco do Povo  BPtrês adultos e um moleque crescido, de revólveres em punho, deixavam em pânico, em polvorosa, os clientes, os jovens, os menos jovens e os idosos, enquanto a polícia de megafone apelava e advertia-lhes para o perigo que eles e os reféns estavam expostos, não admitiam negociar, não atenderiam de forma alguma às suas exigências, que a saída, o bom senso, seria, eles libertarem os reféns e renderem-se à prisão:
            -Rapazes soltem os reféns e entreguem-se, os seus direitos lhes serão assegurados!!!
            -É lero-lero, atendam aos nossos pedidos!!!
            O desgaste era visível, há mais de três horas, eles estavam nessa demanda: a polícia não cedia e os bandidos não transigiam e os reféns de medo morrendo...
            As mães dos bandidos foram chamadas, a polícia usou os apelos da mãe do bandido mais novo, pois parecia o mais recalcitrante e que mantinha o controle dos demais:
            -Filho, se entregue! Sua mulher tá grávida, você vai ser pai!...
            Este último apelo mexeu com o adolescente: “você vai ser pai!...” entrou como uma lâmina afiada no seu peito. Dezesseis anos incompletos e pai, não sonhou aquilo, não sonhou ser bandido, sonhou ser doutor ou jogador, sonhou sair daquela vida de miséria, deixou a vida lhe levar, quase não teve pai, toda vida teve mãe-pai, velha guerreira, sua heroína, heroína sem placa, anônima, mas de muita história e lição de vida, escrava e mãe de escravos ainda não alforriados duzentos anos depois, pelos mais afortunados: “merda!...” – pensou.
            Novo burburinho, alguma coisa iria acontecer e aconteceu: um rapazola empunhando um 38, escondido atrás de uma jovem, rendia-se, ia entregar-se, dessem-lhe segurança, tudo estava perdido:
            -Paz!!!
            Porém, o seu apelo não levou um minuto, alguém escondido não se sabe onde, deu um tiro de fuzil e acertou o coração da jovem escudeira, simultaneamente, o jovem bandido atirou na testa do homem do megafone, caindo em seguida, crivado de balas!...

5
            Duas mulheres se descabelavam em cima do corpo do jovem Alexandro Crispiniano Filho, quando um velho policial tentou confortá-las:
            -Senhoras, menos um nóia, menos um criminoso na sociedade... – Matilde o interrompeu:
            -Nóia não, meu filho!!! – as lágrimas caiam copiosamente dos seus rostos...

Autor: Rilvan Batista de Santana
Gênero: conto.

P.S:
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (você deve citar a autoria de Rilvan Batista de Santana).Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
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Dueto: Nídia Costa Reis & Eglê S Machado

Peço licença para invadir sua página e enviar-lhe outra "brincadeira" que já publiquei no Facebook tempos atrás. Você pediu e aí vai:
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Há alguns anos, escrevi esta história empregando expressões populares muito conhecidas. Ela foi bastante comentada e apreciada, e tema de um programa na rádio São João del-Rei, do qual participei ao vivo, como convidada.
Um rapaz nasceu onde Judas perdeu as botas e sempre andou de déu em déu. Sua vida foi difícil. Comeu o pão que o diabo amassou, mas nunca entregou a rapadura.
 
Nídia Maria da Costa Reis:
 Certa vez, arranjou um emprego, mas foi fogo de palha. O patrão despediu-o e ele saiu com uma mão na frente e outra atrás. O rapaz continuou seu caminho. Encontrou um homem assentado debaixo de uma árvore com cara de quem comeu e não gostou. Quis puxar conversa. O homem não estava disposto e, diante da insistência do rapaz, perdeu as estribeiras e partiu para a ignorância. O rapaz deu no pé.
Ao longe, viu uma fazenda e resolveu pedir pousada. Ao chegar, achou que ia tirar a barriga da miséria porque a cozinha estava sortida. A dona da casa era uma unha de fome e dizia que as coisas estavam pela hora da morte. Deu-lhe uma xicrinha de café puro e mandou-o picar a mula. Ele não gostou e começou a xingar a dona que ouviu cobras e lagartos.
Nesse instante, apareceu o dono da fazenda e resolveu mostrar ao rapaz com quantos paus se faz uma canoa. Olhou para ele e começou a rir de sua boca de chupar ovo. Disse-lhe que ganharia comida só no dia em que na galinha nascesse dente. A única coisa que poderia ganhar era um pouco de água que o passarinho não bebe. O rapaz respondeu que não era seu irmão de opa e que ele estava chorando de barriga cheia. O dono nem abanou o rabo e saiu.
O rapaz pensou: “É, desse mato não sai coelho. Vou cantar em outra freguesia.
Chegou a uma cidade depois de uma longa caminhada. Ele tinha mesmo fôlego de sete gatos. Aproximou-se de um mercadinho e entrou. Começou a examinar as mercadorias porque não podia levar gato por lebre. Ele achou que as mercadorias estavam na bacia das almas e ficou com água na boca. Perguntou ao dono se podia comprar fiado. Alguém gritou de longe: “Não vende não porque ele não apaga nem fogo na roupa”. Era um leva-e-traz que ele conhecia e gostava de fazer tempestade num copo d'água. O dono do mercadinho era um água morna e deixou-o escolher alguma coisa para comer. Aí, caiu a sopa no mel. O rapaz pensou: “Vou aproveitar enquanto Braz é o tesoureiro”. Encheu a sacolinha e foi saindo. A moça do caixa disse-lhe que ele devia vinte reais. “Eu sei. Você quer ensinar o Pai Nosso ao seu vigário?”, respondeu ele. A moça disse: ”Vá pagando e vá saindo. Aqui é assim: tretou, relou, o pau cantou”.
O dono chegou e pôs água na fervura. Dirigindo-se ao rapaz, disse: ”Você quer ir para a cidade dos pés juntos ou quer ficar para semente?” E continuou: ”Sabe de uma coisa? Dê-me esta sacola. Você é muito atrevido e vai ficar a ver navios. Se ficar cheio de nove horas, vou chamar a polícia e você vai ver o sol nascer quadrado.
O rapaz, que estava com a orelha pegando fogo, respondeu. “Não quer receber os vinte, não é? Sua alma, sua palma. Não vou me vender caro, nem meter os pés pelas mãos. Não adianta remar contra a corrente. Vou sair desta espelunca antes que esta história termine em pizza...”

Nídia costa Reis

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Amiga Nídia Costa Reis, esse rapaz é meu conhecido:

O ADEMAR!

Eis que o caldo engrossou para o Ademar!
Porém já que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, ele,  teimoso igual uma mula acabou se arranjando. A sorte que não tá nem aí para os errados  lhe deu uma mãozinha. E ele conseguiu  se mancar e procurar fazer da natureza força  depois de concluir que santo de casa não faz milagre  e resolveu  sair de fininho  rumo a outra fazenda bem distante desta, com muita fartura de trabalho e alimento.
Como quem é do chão não quer colchão demorou para acostumar-se com a nova vida, para depois   passar a dar duro confiando que de grão em grão a galinha enche o papo.  Afoito, sempre agiu como seu pai, pois quem sai aos seus não degenera. A velha Benta vivia afirmando: tal pai, tal filho!
Conseguiu fazer boas amizades, é belo, veste-se bem e é admirado.
Eglê S Machado

Como  em  terra de cego quem tem um olho é rei, ele começou  um novo tempo. Chegou à conclusão de que águas passadas não movem moinhos, e começou a sonhar com uma companheira para formar família. Logo estaria enfeitiçado por alguma das muitas moças da fazenda e redondezas; o tempo inteiro observava as meninas pensando em fazer a melhor escolha, já que macaco velho não mete a mão em cumbuca. Detesta a solidão embora afirme que antes só do que mal acompanhado.
Nos vilarejos vizinhos sua intenção de casar-se deixou em polvorosa as mocinhas casadoiras, e os mancebos invejosos. Dom Juan do pedaço, Jaime, tropeiro de profissão nota a animação da Ritinha, sua fã que suspirava pela sua pessoa e agora nem lhe olha e vive em constantes cochichos com as amigas. Lembrando-se da sua avó que dizia cochilou, cachimbo cai tratou de ser mais delicado com a Ritinha e no seu coração ameaçava o intruso apelidava-o de tucano rico de pena e bico e não entendia o que sua apaixonada esperava do forasteiro, se nem ao menos o conhecia. Enfim, pensou, cada cabeça, uma sentença e decidiu que no final da semana falaria com os pais da menina, assumiria compromisso de noivado, já que mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
Sorriu   prometendo que na primeira oportunidade diria na cara do rival: quando você ia buscar os cajus, eu já vinha com as castanhas.
O nosso Ademar que conseguiu economizar alguns reais resolveu deixar a fazenda para montar um comércio de artigos femininos, ou um armarinho, a fim de melhor manter contato com as moças, saber sobre suas famílias e quem sabe encontrar sua cara metade.
Encontrou um pequeno ponto comercial na rua principal da vila de Mutuns, que, se o dono estivesse disposto a fazer uma pequena reforma e cobrar um aluguel justo, o alugaria até conseguir seu próprio imóvel. Qual não foi o seu espanto ao descobrir que Lucilo, seu amigo de adolescência e lupanares há cinco anos, era o proprietário do imóvel.
Lucilo ficou contente por vê-lo, mas lamentou estar de viagem para  João Pessoa. Iria encontrar uma rica paraibana  que estava enrabichada por ele e lhe enviara uma passagem de avião exigindo sua presença. Como o costume do cachimbo é que põe a boca torta Lucilo estava de malas prontas, disposto a mais uma aventura, desta vez com uma mulher de cabelo nas ventas que lhe prometia chamego, diversão e tripa forra todos os dias; segredou ao amigo: mulher de bigode nem o diabo pode.
Ademar ainda tentou dissuadi-lo: rapaz,  cuidado, em terra que eu não vou, feijão bota na raiz, lá é muito seco, terra que filho chora e mãe não vê...  No que o amigo, retrucou: ham, quem desdenha quer comprar... Não se avexe não   que vaso ruim não se quebra. Cê fica com minha casa, monta seu armarinho, não me paga nada e ainda assino documento de doação, tudo em nome dos nossos bons tempos.
Ademar  viu que teria de gastar algum dinheiro com a reforma, mas ficou contente e concluiu que de cavalo dado não se olha a muda.
Lucilo partiu (a bem da verdade pesaroso por deixar a vila e os amores). Já no avião decolando deu um muxoxo e pensou: ora, vão-se os anéis ficam os dedos...
. . . .
Casa reformada, armarinho montado, freguesia conquistada, sem concorrente à altura, o Ademar já planejava adquirir o terreno baldio ao lado, onde construiria uma boa casa assim que escolhesse a mulher que se tornaria sua  cara metade. Já observara e se informara de vida pessoal, familiar e financeira da maioria das moças da vila, seu coração ora pendia para uma, ora para outra, mas permanecia ainda pulando de galho em galho.
. . . .
O tropeiro Jaime já montara casa, a Ritinha já estava com o enxoval pronto, faltando alguns detalhes de acabamento. O noivo lhe pedira para acompanha-la quando fosse comprar algo para o enxoval e sempre a levava ao armarinho  de um amigo que um dia lhe ajudara e assim uma mão lavada lava a outra, explicava.
Na Capelinha da Assunção corriam os proclamas, toda a Vila se engalanava para o evento.
Ademar não estranhava não ter sido convidado, pois há poucos  meses o noivo esteve no armarinho jogando conversa fora e falou do seu casamento próximo. Quando lhe foi oferecido crédito para alguma compra respondeu irônico palavras sem nexo sobre buscar cajus e trazer castanhas, deu-lhe as costas por resposta  e afastou-se dizendo que ri melhor quem ri por último.  Ademar não entendeu tal reação e comentou consigo mesmo: cada doido com a sua mania...
. . . .
Ritinha, meio desanimada estava diante da sua mãe que lhe tirava as medidas para a confecção do seu vestido de noiva. Dona Lara já escolhera o tecido branco e junto com a filha escolhiam o modelo com cauda não muito longa para economizar tecido, mangas compridas  e decote discreto, com enfeites que deveriam escolher  em um dos  armarinhos da Vila.
Como  o noivo não pode tomar conhecimento de detalhes do vestido da noiva ou vê-lo antes do dia do casamento, dona Lara resolveu acompanhar a filha para as compras dos aviamentos e já a caminho optou pelo armarinho do Ademar por ser o seu estoque de qualidade sabidamente superior ao do concorrente. Ritinha lembrou à mãe que o Jaime sempre fez questão de comprar no armarinho do amigo, mas dona Lara pensou um pouco e disse à filha: aí é que a porca torce o rabo, quero o que há de melhor na vila para  seu vestido de noiva e várias vezes já fiz compras no armarinho do seu Ademar que é muito educado e sempre me dá um bom desconto.  Vamos para lá, pois quem muito dorme pouco aprende oxente!

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Três anos depois, a vila novamente em polvorosa, a Capelinha da Assunção  engalanada, proclamas já corridos, a casa construída vizinha ao armarinho do Ademar  pintada de branco com janelas verdes parecia cenário de contos de fadas, Lucilo e a sua Paraíba mais uma bela  pré-adolescente convidados  especiais.  Até a Bandinha da escola foi escolhida para tocar a marcha nupcial no casamento da Ritinha, a professora mais querida com Ademar, o maior comerciante da Vila.
. . . .
E os amigos do Jaime até hoje não entenderam como o tropeiro teve a coragem de picar a mula, abandonando a tropa na estrada, desistindo de um casamento praticamente aos pés do altar.
Alguém comentou que um estradeiro muito parecido com o Jaime  foi  visto na feira livre de uma cidade distante lendo suas histórias de Cordel. Uma boa plateia  às gargalhadas aplaudia o poeta, principalmente quando  ele repetia sem cansar que:  fogo ladeira acima, água ladeira abaixo e mulher quando quer, não tem quem segure!...

Eglê S Machado


Fonte: Itabuna Centenária Arte e Cultura - ICAL


As Vantagens de Ser Autêntico
Por Rick Boxx

Como você se sente quando suspeita que uma pessoa não está sendo autêntica, genuína – quando aparentemente esse indivíduo está representando, apresentando uma “fachada” com o objetivo de causar determinada impressão no interlocutor daquele momento?

Tal comportamento algumas vezes é descrito como “hipocrisia”.  A raiz desta palavra vem do grego e é usada para identificar um ator, alguém que usa uma máscara, como ocorria nos tempos antigos.  Quando assistimos a um filme ou a uma representação teatral ao vivo aceitamos que alguém proceda desta maneira porque este é o trabalho dos atores.  Eles precisam exibir personagens bastante diferentes daquilo que realmente são, mas nós compreendemos perfeitamente o que significa “atuar”.

Entretanto, observar tal comportamento na vida cotidiana não é tão justificável.  Nós queremos que as pessoas sejam autênticas – digam claramente o que pretendem dizer e sejam quem realmente são – e não se apresentem com falsidade para causar o efeito desejado.  Geralmente observarmos essa contradição no cenário político – representantes oficiais ou candidatos fazendo discursos em que dizem exatamente o que acreditam que a audiência quer ouvir.  Mais tarde, se pesquisas de opinião pública indicarem uma mudança de posição, eles passam a dizer coisas totalmente diferentes.

Evidentemente, isso também ocorre no mundo profissional e empresarial.  O ex-ceo da United Van Lines, Rich McClure, compartilhou francamente em um de nossos eventos que certo dia, ele estava conversando com algumas pessoas próximo à mesa de seu assistente.  Depois que as pessoas se foram, seu assistente lhe disse:  “As pessoas podem dizer quando você está sendo autêntico e quando não está.”

Rich se sentiu culpado, porque o assistente estava certo.  Ele simplesmente estava representando para aquelas pessoas, tentando impressioná-las e provocar determinada reação.  Isso ficou óbvio para seu assistente – e provavelmente para as pessoas com quem falava também.  Rich aceitou com humildade a repreensão bem intencionada e se determinou a aprender com o episódio e agir de forma diversa no futuro.

Ser autêntico em todas as nossas interações – seja no ambiente de trabalho, em casa ou na comunidade, nem sempre é fácil.  Nós queremos que as pessoas pensem o melhor a nosso respeito e podemos nos sentir tentados a dar uma impressão falsa de nós mesmos, de nossas companhias ou produtos se acharmos que isso pode ajudar a alcançarmos o resultado desejado.  Contudo, as pessoas podem detectar a falta de sinceridade quando não estamos sendo genuínos.  “Usar uma máscara” na vida real pode provocar consequências bem desfavoráveis.

Por este motivo a Bíblia fala frequentemente sobre a importância de ser autêntico, garantindo às pessoas que não estão “comprando gato por lebre”.  Salmos 15:1-2 ensina: “Senhor, quem habitará no Teu santuário?  Quem poderá morar no Teu santo monte?  Aquele que é íntegro em sua conduta e pratica o que é justo, que de coração fala a verdade.”

Outra passagem fala do benefício de ser autêntico, alertando contra a tentativa de iludir ou enganar:  “Quem anda com integridade anda com segurança, mas quem segue veredas tortuosas será descoberto.”  (Provérbios 10:9).

No ambiente de trabalho, a despeito das circunstâncias externas, todos nós devemos nos esforçar para sermos conhecidos por nossa autenticidade.  Como Provérbios 24:26 declara, “A resposta sincera é como beijo nos lábios.”

Perguntas para Reflexão ou Discussão 

1.   O quanto é importante para você saber que as pessoas com quem trabalha são autênticas e não estão tentando causar uma falsa impressão sobre si ou seus negócios com suas palavras e ações?
2.   Você considera  palavras ou ações não genuínas ou autênticas como hipocrisia?  Por quê?
3.   Qual sua reação se alguém o confrontasse quando não estivesse sendo autêntico, como fez o assistente de Rich McClure?  Você aceitaria a crítica construtiva?
4.   Que medidas devemos adotar para nos certificar de que não estamos “usando uma máscara” no ambiente de trabalho?

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: I Samuel 16:7;  Provérbios 11:3;  20:14;  21:6;  29:5;  Mateus 5:33-37; 23:27-28.

Próxima semana tem mais!

MsC. Jean Luiz Correia Baraúna
Baraúna Consultoria Contábil
Contato: (73) 3613-7771/99133-1845/98869-3561/99949-7771

Medite: “Pais Que Levam Seus Filhos à Igreja, Não Vão Buscá-los na Cadeia”













Treme a velha carcaça socialista europeia

                 A eleição de Donald Trump apavorou a esquerda europeia. Na Itália ela ainda treme. Treme mais do que o solo de suas cidades abaladas pelos vários e recentes terremotos. A esquerda italiana foi profundamente sacudida. Seus círculos dirigentes fazem um reexame de ideias e programas. Não é difícil. Esse exame é forçosamente superficial e expedito, pois de ideias o socialismo europeu, e em particular italiano, há muito caiu na indigência do pauperismo ideológico: nada têm de novo a apresentar. Repetem os surrados slogans de fracassados programas de um século atrás.

            O mais importante jornal italiano, “Corriere della Sera”, fez abertamente campanha por Hillary Clinton. Embora se dizendo imparcial – é claro –, como todo grande órgão da imprensa, sua subserviência à esquerda vai bem além da mera simpatia. No entanto, em sua edição de 18 de novembro, à primeira página, um artigo de fundo escreve que os socialistas de todos os matizes, incapazes de compreender as aspirações da opinião pública, se dilaceram em conflitos internos. Comunistas acusam socialistas. E estes, com esquálidas lideranças incapazes de discernir novas perspectivas, se atolam no pântano de teorias peremptas. Em outras palavras   ̶  e em termos brasileiros   ̶  eles estão como os líderes do PT, embora fora da cadeia.

            Poucos dias depois, o mesmo “Corriere della Sera”, à mesma primeira página, volta a verter lágrimas bem quentes sobre a sepultura política de Hillary e da esquerda europeias.  Um de seus mais cotados jornalistas se incumbe de lançar um pouco de fumaça sobre a ruína esquerdista alegando a concomitante desgraça da direita atuante no Velho Continente. Ambas, diz aquele jornalista, não sabem o que fazer neste momento. Devem inventar novos argumentos, se quiserem ainda manter vínculos com seu eleitorado. Ambas estão em processo de desagregação dos laços que ainda mantinham com a opinião pública. Afirmações estas que, na pena de um simpatizante socialista, tomam o sabor de amarga confissão. Trata-se, sobretudo, do esvanecimento da velha esquerda. A direita entrou no artigo como fumaça a embaciar a visão. Pois os conservadores europeus vêm obtendo contínuas vitórias nas urnas e plebiscitos: a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, a oposição da Holanda, Áustria e Hungria ao socialismo europeísta, a Suíça em sucessivos plebiscitos se distanciando da União Européia, a recente vitória na França do mais conservador dos pré-candidatos à eleição presidencial pelo partido centrista confirma a tendência antissocialista.

            A esquerda europeia treme aos rugidos de Trump. E este tremor é sua maior prova de fraqueza. Pois ela está tiritando diante de uma figura fantasmagórica na qual não se vê estabilidade de ideias, nem coerente programa de governo. Por isto precisamente: porque as esquerdas não sabem o que são ideias firmes, e desconhece a lógica de governo.



* Nelson Fragelli e colaborador da Abim


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