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Diário Literário Online

A BORDO DO PEDRO II - Francisco Benício dos Santos
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O sol batendo em cheio sobre a vidraça da minha cabine dá-me o bom dia:
- Levanta-te preguiçoso.
Lembrei-me de meu pai.
Saudades... sempre as saudades apertando-me o coração, estrangulando-me a alma.
Passamos frente a Vitória.
A costa Sul ostenta-se eriçada de picos azuis, como se misteriosa fada a tivesse bordado à renda.
Belo, muito belo! Maravilhoso espetáculo.
Aviões passam velozes sobre o navio, como se fossem gigantescos albatrozes...
Atrás... ficaram as raias da Bahia.
Radiógrafo:
“Castro para Cel. Márcio”.
Saudades, lembranças, abraços. Isauro.
Dra. Nísia – Embaixada /acadêmica – Bordo Bagé – Viagem América.
Saudades muitas saudades abraços. Isauro.
O sol lançando labaredas de fogo brune a superfície marinha de tonalidades viláceas.
E os picos azulinos eretos para o céu de turquesa límpido, puríssimo, sem uma nuvem que lhe empane a beleza e a poesia.
O farol de São Mateus salta ainda lampejos fracos por entre a névoa da mataria costeira.
Os picos vão se sucedendo, eriçados e pontiagudos com a característica das costas sulinas.
Volto ao tombadilho e leio:
“Viagem pelo Pacífico” e vou ficando acamaradado com as cidades e particularidades desta região.
As moças:
- Francamente, estamos intrigadas com o senhor e com o seu mutismo.
- Não dança, não joga, não conversa. Precisamos traze-lo ao nosso convívio.
- Certamente que o farei com prazer e muito gosto, mas, é que me falecem os requisitos exigidos para uma convivência tão gentil e cativante; não danço, não jogo, não canto...
- Haveremos de ensinar-lhe tudo isto  e algo mais importante.
- Terei imenso prazer e serei discípulo atento.
Por enquanto leio apenas, depois, depois...
Desce a noite.
A lua surge do mar, redonda, vermelha, lançando sobre o negror das águas atlânticas réstias prateadas de uma luz macia e baça.
Ao sul, o cruzeiro estende os braços e piscam e piscam...
A via láctea ponteia o céu de focos de luz e, como uma esteira de prata, branqueia os espaços sidéreos.
Vênus e Marte surgem irmanadas, emparelhadas, ofuscadas e trêmulas com a claridade da lua que vai tomando conta do céu, escorraçando todos os planetas, constelações e estrelas, ficando solitária, iluminando a Terra, a sua companheira de jornada pelo infinito.
Um vento frio e gostoso passa sibilante e mansinho, fazendo correr um frescor agradável pelo corpo.
O jazz está na sala estrangulando o espaço e perturbando a quietude da natureza com a brutalidade de sua música canalha.
Bandos de corpos enlaçados passam bamboleando aos remelexos do samba e aos rufos do pandeiro malandro.
Bebedores e jogadores de pôquer estragam o organismo e as bolsas bebendo, jogando.
Eu cismo: admiro a beleza do céu e a inconstância do mar e o brilho da via láctea que como um pálio aberto cintila.  Francisco Benício dos Santos.

Fonte:
(AQUARELAS E RECORDAÇÕES Capítulo XXII)

Ai de ti, Brasil
Araldo Jabor


Ai de ti, Brasil, eu te mandei o sinal, e não recebeste. Eu te avisei e me ignoraste, displicente e conivente com teus malfeitos e erros. Ai de ti, eu te analisei com fervor romântico durante os últimos 20 anos, e riste de mim. Ai de ti, Brasil! Eu já vejo os sinais de tua perdição nos albores de uma tragédia anunciada para o presente do século XXI, que não terá mais futuro. Ai de ti, Brasil – já vejo também as sarças de fogo onde queimarás para sempre! Ai de ti, Brasil, que não fizeste reforma alguma e que deixaste os corruptos usarem a democracia para destruí-la. Malditos os laranjas e as firmas sem porta.
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Ai de ti, Miami, para onde fogem os ladrões que nadam em vossas piscinas em forma de vagina e corcoveiam em “jet skis”, gargalhando de impunidade. Malditas as bermudas cor-de-rosa, barrigas arrogantes e carrões que valem o preço de uma escola. Maldita a cabeleira do Renan, os olhos cobiçosos de Cunha, malditos vós que ostentais cabelos acaju, gravatas de bolinhas e jaquetões cobertos de teflon, onde nada cola. Por que rezais em vossos templos, fariseus de Brasília? Acaso eu não conheço a multidão de vossos pecados???

Ai de vós, celebridades cafajestes, que viveis como se estivésseis na Corte de Luís XIV, entre bolsas Chanel, gargantilhas de pérola, tapetes de zebra e elefantes de prata. Portais em vosso peito diamantes em que se coagularam as lágrimas de mil meninas miseráveis. Ai de vós, pois os miseráveis se desentocarão, e seus trapos vão brilhar mais que vossos Rolex de ouro. Ai de ti, cascata de camarões!

Tu não viste o sinal, Brasil. Estás perdido e cego no meio da iniquidade dos partidos que te assolam e que contemplas com medo e tolerância? Cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras, e deste risadas ébrias e vãs no seio do Planalto. Ai de vós, intelectuais, porque tudo sabeis e nada denunciais, por medo ou vaidade. Ai de vós, acadêmicos que quereis manter a miséria “in vitro” para legitimar vossas teorias. Ai de vós, “bolivarianos” de galinheiro, que financiais países escrotos com juros baixos, mesmo sem grana para financiar reformas estruturais aqui dentro. Ai de ti, Brasil, porque os que se diziam a favor da moralidade desmancham hoje as tuas instituições, diante de nossos olhos impotentes. Ai de ti, que toleraste uma velha esquerda travestida de moderna. Malditos sejais, radicais de cervejaria, de enfermaria e de estrebaria – os bêbados, os loucos e os burros –, que vos queixais do país e tomais vossos chopinhos com “boa consciência”. Ai de vós, “amantes do povo” – malditos os que usam esse falso “amor” para justificar suas apropriações indébitas e seus desfalques “revolucionários”.

Ai de vós, que dizeis que nada vistes e nada sabeis, com os crimes explodindo em vossas caras.

Ai de ti, que ignoraste meus sinais de perigo e só agora descobriste que há cartéis de empresas que predam o dinheiro público, com a conivência do próprio poder. Malditas sejam as empresas-fantasma em terrenos baldios, que fazem viadutos no ar, pontes para o nada, esgotos a céu aberto e rapinam os mínimos picuás dos miseráveis.

Malditos os fundos de pensão intocáveis e intocados, com bilhões perdidos na Bolsa, de propósito, para ocultar seus esbulhos e defraudações. Malditos também empresários das sombras. Malditos também os que acham que, quanto pior, melhor.

A grande punição está a caminho. Ai de ti, Brasil, pois acreditaste no narcisismo deslumbrado de um demagogo que renegou tudo que falava antes, que destruiu a herança bendita que recebeu e que se esconde nas crises, para voltar um dia como “pai da pátria”. Maldito esse homem nefasto, que te fez andar de marcha à ré.

Ai de ti Brasil, porque sempre te achaste à beira do abismo ou que tua vaca fora para o brejo. Esse pessimismo endêmico é uma armadilha em que caíste e que te paralisa, como disse alguém: és um país “com anestesia, mas sem cirurgia”.

Ai de vós, advogados do diabo que conseguis liminares em chicanas que liberam criminosos ricos e apodrecem pobres pretos na boca do boi de nossas prisões. Maldita seja a crapulosa legislação que vos protege há quatro séculos. Malditos os compradiços juízes, repulsivos desembargadores, vendilhões de sentenças para proteger sórdidos interesses políticos. Malditos sejam os que levam dólares nas meias e nas cuecas e mais ainda aqueles que levam os dólares para as Bahamas.
Ai de vós! A ira de Deus não vai tardar...

Sei que não adianta vos amaldiçoar, pois nunca mudareis a não ser pela morte, guerra ou catástrofe social que pode estar mais perto do que pensais. Mas, mesmo assim, vos amaldiçoo.

Ai de ti, Brasil!

Já vejo as torres brancas de Brasília apontando sobre o mar de lama que inundará o Cerrado. Já vejo São Paulo invadida pelas periferias, que cobrarão pedágio sobre vossas Mercedes. Escondidos atrás de cercas elétricas ou fugindo para Paris, vereis então o que fizestes com o país, com vossa persistente falta de vergonha. Malditos sejais, ó mentirosos, vigaristas, intrujões, tartufos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas sequem e que água alguma vos dessedente. Ai de ti, Brasil, o dia final se aproxima.

Se vossos canalhas prevalecerem, virá a hidra de sete cabeças e dez chifres em cada cabeça e voltará o dragão da Inflação. E a prostituta do Atraso virá montada nele, segurando uma taça cheia de abominações. E ela estará bêbada com o sangue dos pobres, e em sua testa estará escrito: “Mãe de todas as meretrizes e mãe de todos os ladrões que paralisam nosso país”. Ai de ti, Brasil! Canta tua última canção na boquinha da garrafa.


OBAMA RECEBERÁ $400 MIL POR UMA ÚNICA PALESTRA A BANQUEIROS DE WALL STREET

Em apenas alguns minutos de fala – e se Obama é bom em alguma coisa, é justamente no uso da palavra – o ex-presidente americano vai embolsar mais do que recebia num ano inteiro de intenso trabalho na Casa Branca (quando não estava jogando golfe ou fechando negócios camaradas com o regime opressor iraniano, claro). De acordo com a Fox Business Report, Obama ganhará $400 mil por uma única palestra em setembro. E o pagador é justamente a turma que costumava ser criticada pelo então presidente: banqueiros de Wall Street.
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O democrata, rei da retórica, será o principal palestrante num almoço organizado por Cantor Fitzgerald LP, um banco de investimento de porte médio em Nova York. O time de Obama ainda não confirmou sua presença, e o anfitrião está finalizando detalhes para divulgar a agenda, mas as fontes alegam que o contrato já foi assinado. Será a primeira palestra paga de Obama após deixar o comando da nação.

Muitos já especulavam que o ex-presidente entraria com força no mercado de palestras, mas não estavam certos de qual seria seu cachê médio. Se o valor de $400 mil for confirmado, Obama estará cobrando aproximadamente o dobro do que Bill Clinton costumava receber após sair do governo. E os Clinton, não custa lembrar, são denunciados por manterem uma fundação com laços suspeitos com bilionários interessados no acesso ao Salão Oval.

A escolha do evento, caso confirmada, também coloca Obama em situação delicada em relação aos seus discursos enquanto presidente. Wall Street sempre mereceu críticas do então presidente, por sua ambição desmedida, sua ganância. Pelo visto, cobrar $400 mil de banqueiros por alguns minutos de retórica não é ambição desmedida, tampouco ganância. Deve ser, na cabeça de Obama e demais esquerdistas, um dos atos mais nobres e altruístas do planeta.

Para não variar, a esquerda fala uma coisa e faz outra. Wall Street, não custa lembrar, financiou muito mais a campanha de Hillary Clinton do que a de Trump. O bilionário especulador George Soros é o queridinho das esquerdas no mundo todo, ou ao menos seu bolso generoso para suas causas. A ganância e a desigualdade são sempre atacadas, mas da boca para fora. A única ganância ruim, pelo visto, é a dos outros, a daqueles que não pagam exorbitantes cachês para democratas ou não financiam suas campanhas.

Numa entrevista em 2009 ao programa “60 Minutes”, Obama foi categórico: “Eu não disputei o cargo para ficar ajudando um bando de banqueiros gatos gordos de Wall Street”. Talvez não, apesar de esses banqueiros não terem do que reclamar do governo Obama, que criou uma burocracia interminável com a Dodd-Frank que representou enorme barreira à entrada de novos concorrentes. Mas certamente os banqueiros gordos gostam de Obama a ponto de ajudá-lo dessa forma.

E olha que o ex-presidente nem precisa! Já é um multimilionário, e só com a editora Penguin Randon House, ele e sua mulher Michelle teriam negociado montantes acima de $65 milhões para um livro de memórias. Mas nada disso é visto como um problema para os “igualitários progressistas”. A riqueza só passa a incomodar mesmo quando pertence a algum republicano qualquer, prova de sua insensibilidade e mesquinhez diante de um mundo tão desigual. Como é doce a vida da esquerda caviar!

Rodrigo Constantino
Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.


8 Maneiras de Usar a Cebola como Remédio

A cebola é um ingrediente básico de uma variedade de pratos de todo o mundo. No entanto, ela também oferece benefícios para a saúde que a maioria das pessoas não conhece. Suas qualidades medicinais foram reconhecidas por séculos e ela tem sido usada por seus poderes de cura em várias culturas e civilizações. Se você ainda não conhece os poderes de cura da humilde cebola, vai se surpreender!

A cebola como parte de sua dieta. Existem muitas boas razões para incluir a cebola na sua dieta. Estudos sobre o seu valor nutricional concluíram que elas são eficazes em:

​Reduzir sua suscetibilidade ao câncer de cólon;
​Reduzir sua suscetibilidade ao câncer de próstata;
​Reduzir sua suscetibilidade ao câncer de estômago;
​Melhorar seu humor e qualidade de sono;
Proporcionar mais resistência e estrutura à sua pele e ao cabelo.
As cebolas podem ser incorporadas a uma ampla variedade de pratos, por isso é fácil incluí-las no seu plano de dieta semanal — consumi-las apenas duas ou três vezes por semana já pode fazer uma grande diferença.

No entanto, incluí-las em sua dieta não é a única maneira de usar as cebolas para melhorar a sua saúde. Elas têm diversas propriedades medicinais que podem ser utilizadas para combater várias doenças.

Que propriedades da cebola a tornam um remédio tão eficaz?

Cebolas contêm um composto chamado quercetina, que tem fortes propriedades antibacterianas e a capacidade de combater toxinas. É um poderoso anti-histamínico, anti-inflamatório e pode diminuir os níveis de colesterol. A concentração mais densa de quercetina é encontrada nos anéis exteriores, mais próximos da casca, bem como na parte da cebola que está mais próxima da raiz. Essa substância é tanto na cebola roxa como na brancas e ambas podem ser usadas para fazer esses remédios naturais.

1. Cebolas podem curar cortes

As cebolas são eficazes no tratamento de cortes rasos na pele. Se você se cortar, coloque uma fatia de cebola na área lesada imediatamente. A cebola crua irá prevenir a infecção e limpar a ferida. Em seguida, pegue um pedaço da casca da cebola e coloque-a sobre a ferida, selando-a com esparadrapo. Você vai ver que o sangramento parará rapidamente e a ferida ficará limpa. Se você tem um arranhão ou corte de maior extensão (mas não profundo), utilize gaze e esparadrapo para segurar um pedaço de cebola por cima dele. Você pode manter a cebola na ferida por tanto tempo quanto necessário, apenas certifique-se de trocar a gaze regularmente.

Nota importante: Cortes podem ser sérios e perigosos, principalmente quando infeccionados. Se o corte for profundo, estanque o sangue com gaze estéril ou um pano bem limpo e vá ao pronto-socorro. A sugestão acima serve apenas para pequenos cortes não profundos, e quando não há à sua volta um kit de primeiros socorros ou os produtos médicos adequados para a esterilização do ferimento.​

2. Cebolas podem diminuir a febre

Usar a Cebola como Remédio. Embora possa parecer estranho, colocar uma cebola junto com batatas em uma meia é um meio surpreendentemente eficaz de baixar a temperatura quando você está com uma febre alta!

Fatie algumas batatas e corte uma cebola ao meio. Coloque uma metade da cebola com algumas fatias de batata em uma meia, e a outra metade com mais fatias de batata na outra meia. Em seguida, vista as meias, certificando-se que os vegetais estão pressionados contra a sola dos seus pés. Você vai ver que a sua temperatura diminuirá em um tempo relativamente curto.

3. Cebolas podem curar dor de ouvido e ajudar a remover cera

As propriedades anti-inflamatórias da cebola fazem dela um poderoso combatente à dor de ouvido, que também pode ser usado para amolecer a cera, tornando-a mais fácil de remover. Se você está sofrendo de dor de ouvido, pique uma cebola, pegue a parte interna (a seção dura, no "coração" da cebola) e coloque-a em seu ouvido (com cuidado, sem empurrar para dentro!). Você terá melhores resultados se fizer isso pouco antes de dormir. Se você sofre de acúmulo excessivo de cera com frequência, pode fazer isso regularmente.



4. Cebolas podem combater resfriados

Usar a Cebola como Remédio. Um dos usos mais antigos e reconhecidos da cebola é no combate ao resfriado. Se você sente que está prestes a ficar doente (coriza, dor de garganta etc.), coma uma cebola! Ela é mais eficaz quando comida crua e você deve tentar comer uma inteira (se preferir, use a cebola roxa, que é mais suave e saborosa, misturando-a em uma salada). Outra opção é ferver a cebola e usá-la junto com gengibre e mel para fazer um chá. Isso irá aumentar suas defesas e ajudá-lo a combater o resfriado antes que ele te derrube.

5. Cebolas podem aliviar queimaduras

As cebolas são incrivelmente eficazes no alívio de pequenas queimaduras leves e a receita não poderia ser mais simples. Se você se queimou na cozinha, pegue meia cebola e aplique-a diretamente sobre a ferida. Segure-a no lugar por alguns minutos e a dor começará a diminuir rapidamente.

Para um alívio ainda mais eficaz, misture duas ou três claras de ovo em uma tigela e use-as para cobrir a área afetada após usar a cebola. Mantenha a mistura no local usando uma gaze e as claras formarão uma película protetora que irá acelerar a sua recuperação.

Nota importante: Assim como os cortes, queimaduras podem ser sérias quando intensas ou infeccionadas. Se a queimadura for extensa ou causar bolhas, coloque o ferimento sobre água fria corrente e vá ao pronto-socorro imediatamente. A sugestão acima serve apenas para pequenas queimaduras leves, como as que ocorrem quando, por exemplo, encostamos sem querer em uma panela quente, e quando não há à sua volta um kit de primeiros socorros com os produtos médicos adequados.

6. Cebolas podem aliviar a tosse
O uso da cebola como um remédio eficaz e barato para a tosse é outra prática que existe há séculos. Ela é melhor utilizada junto a alguns outros ingredientes básicos e há diversas coisas que você pode tentar.

Primeiramente, descasque uma cebola e corte-a em fatias grandes. Coloque as fatias em camadas em um frasco de vidro com tampa e jogue açúcar mascavo por cima. Feche a tampa, deixe descansar por pelo menos seis horas e você verá que um xarope irá formar no frasco. Tome uma colher desse xarope com tanta frequência quanto necessário. O açúcar mascavo melhora o sabor e a mistura resultante não tem um gosto muito ruim. Refaça o xarope a cada dois dias, substituindo a mistura antiga por uma nova.

Se você quer uma alternativa, despeje mel sobre a cebola cortada em vez do açúcar mascavo (você pode também usar ambos) e adicione uma pitada de alho ralado para aumentar ainda mais a sua eficácia. Se os sintomas persistirem ou a tosse piorar, consulte um médico!

7. Cebolas podem tratar a irritação nos olhos
Sim, você leu corretamente. Todos os conhecemos a maior característica da cebola: a sua capacidade de nos fazer chorar — e é justamente essa propriedade que faz dela um eficaz remédio para curar a coceira e irritação nos olhos! Se você sente que tem alguma sujeira ou cisco nos olhos, basta cortar uma cebola e deixar a natureza seguir seu curso! Chorando, você vai limpar os olhos e eliminar a causa da irritação. Cuidado para não tocar no olho depois de cortar a cebola e, se o problema persistir, procure um médico especialista.

8. Cebolas podem aliviar picadas de insetos

É aqui que as propriedades anti-histamínicas da cebola vêm a calhar. Se você foi picado por uma abelha ou vespa, aplicar um pouco de cebola ralada diretamente sobre a pele pode ser extremamente benéfico para o alívio da dor.

O anti-histamínico irá impedir uma reação alérgica, ao passo que as qualidades anti-inflamatórias da cebola irão reduzir qualquer inchaço associado. Mantenha a cebola no lugar até que a dor tenha diminuído usando uma gaze, que você deve substituir regularmente.


As informações e sugestões contidas neste site são meramente informativas e não devem substituir consultas com médicos especialistas.

POLÍTICA E MISÉRIA

E por falar com um amigo sobre o fim do Coronelismo, acabamos nos aprofundando nesse assunto maçante de donos do poder, populismo, miséria  e ideologia. Concordávamos que era preciso priorizar o combate à miséria da parcela do povo que vive em situação de pobreza crônica, sofrendo e passando fome. Concordamos também que era preciso acabar com os “robins hoods invertidos”, que roubam dos pobres e os falsos “antônios conselheiros”, esses novos coronéis demagogos que trazem migalhas aos necessitados e enganosas promessas de fartura, criando esperanças e o sonho de viver com um mínimo de dignidade.
 
Após alguns argumentos e contra-argumentos, percebi que estávamos mantendo uma interminável discussão, concordando com a doença diagnosticada, mas discordando da profilaxia de tratamento. Esse tipo de porfia deixa de lado o fato causador da discussão, para cair no lamaçal da abstração. É deixar de lado a solução prática do problema, para cair na tentação de teoriza-lo através da imposição de ideologia.

Percebendo isso, parei o rumo da conversa com a citação de uma entrevista que li no jornal. O repórter perguntou ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: “Professor, por que o PSDB se opõe tão fortemente ao PT, se ideologicamente os dois partidos são tão semelhantes"? Respondeu FHC: “Não brigamos por ideologias, mas pelo poder”. A resposta é surpreendente, mas correta. Se o objetivo é o poder, nem importa a ideologia. Em geral os políticos objetivam o poder, enquanto, para eles, o povo carente é apenas o tema de um discurso demagógico para atingir suas metas eleitoreiras.

Eis aí a essência da “demagogia do poder”: A fragilidade e carência econômica do povo sempre foram estimuladas pelos donos do poder, através de um canto de sereia, com promessas de acabar com a escassez da parcela miserável de uma população que não tem nem condições básicas de sobrevivência familiar. Pois, ante a miséria, apenas as necessidades primárias ocupam suas mentes. Apenas importa a premência de trazer para casa o “pão de cada dia”. Como há de ter aí alguma prioridade, a ideologia, a ética ou a moral?

Claro que é preciso eliminar a ignorância, educar e instruir o povo para dar valor a essas necessidades abstratas não básicas e identificar a bandidagem de colarinho branco para acabar com ela. Mas como preocupar-se com isso, quando é preciso usar todos os esforços para manter cheias as barrigas miseráveis e verminosas da família? Como educar quem não tem o quê comer?

O Brasil é um país pobre. Conforme dados de 2015, cerca de metade da população (46%), ou seja, 95.000.000 de pessoas têm uma renda familiar de até CR$1.356,00. Isso equivale a 22.500.000 de famílias, com um máximo de CR$ 321,00 para cada membro do domicílio. E mesmo com 84% da população vivendo em zonas urbanas o grau de escolaridade é tão baixo que 75% da população mal sabe ler. Isso significa que mais de 150.000.000 de brasileiros são analfabetos funcionais.

Estes números demonstram que combater a miséria não é apenas um ato de compaixão. Deixam claro também que dar oportunidades a essa parcela carente da população é uma necessidade econômica. Essa metade de brasileiros consome entre 3% e 10% do que se produz no mercado Portanto, instrução, emprego e melhores condições de vida não são lutas de quem “gosta de pobre” e nem de quem tem uma “ideologia esquerdista”. A eliminação da miséria é a única via para transformar o nosso Brasil em uma nação desenvolvida e livre da carga da ignorância e dos desvalidos.

Mas em meio às classes mais abastadas da elite e da classe média, muito atrapalham as atitudes de ódio aos menos favorecidos. Por medo ou ignorância, essas minorias confundem a necessidade de acabar com a pobreza, com a pretensão de acabar com os pobres. 

Aliás, foi este tipo de atitude que me estarreceu e motivou a concluir este artigo. Fiquei horrorizado ao deparar em um blog com o seguinte texto:

“Sou classe média alta e ganho CR$ 8.000,00 e odeio os pobres que ganham Salário Mínimo e acham que estão podendo. Confesso que tenho muito ódio e raiva dessa gente pobre ridícula que não tem onde cair morto e adora comprar as coisas no crediário das casas Bahia, curte assistir Ratinho, Sônia Abraão, perdem tempo vendo BBB e frequentam o Pastor Valdomiro. Tenho nojo dessa gente porca que come churrasco grego na rua e arrota caviar”!

Surpreso, quis pesquisar quanta gente pensa assim. Evidentemente não obtive essa quantificação. Muitos pensam, mas não confessam. Temia que tais posturas fossem predominantes “na elite reacionária paulista”, mas o preconceito é mais abrangente, é nacional. Tanto é assim que na busca de “quem odeia os pobres" encontrei um artigo no Site Pragmatismo Político, que reporta algumas posturas preconceituosas publicadas por “dondocas” cariocas. E, após elas, o site conclui:

“O que incomoda a elite não é a perda de direitos, mas de privilégios. Esses privilegiados têm horror em imaginar encontrar o filho do motorista estudando na mesma faculdade que o dele, ou encontrar sua manicure fazendo compras naquela que era a sua loja preferida. (...) Não muda nunca a ideia de ‘apartheid’ social que enche os olhos da classe média alta brasileira, incomodada em ter de respirar o mesmo ar, dividindo-o com segmentos miseráveis e marginais da população”.

O ódio social ou político demonstram a ignorância daqueles que têm medo, não têm argumentos e nem razão.

Mateus Cosentino

Sampa  – 26/04/2017


NÃO QUERER SER PROFESSOR É UMA QUESTÃO DE “EGO”
publicado em sociedade por Paula Peregrina

“[...] a educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens. A educação é, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, e tampouco arrancar de suas mãos a oportunidade de empreender alguma coisa nova e imprevista para nós, preparando-as em vez disso com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum.” - Hannah Arendt (Entre o passado e o futuro)

Professor - Sociedade dos poetas mortos.jpg

Em uma sociedade que manifesta um crescente pavor do conhecimento, nada mais natural do que a proporcional desvalorização da profissão responsável (ou que, ao menos, deveria ser) pela multiplicação desse ente pernicioso! Assim, também, nada mais natural que em uma sociedade que rechaça o saber, a estupidez seja adorada – é uma consequência lógica, basicamente matemática. E como um sintoma dessa “sofiofobia”, ser professor tornou-se sinônimo de fracasso, de falta de opção, da “via mais fácil”, embora nada de fácil tenha nesta profissão.
Ser professor, na verdade, tem muitas formas de ser, assim como em outras profissões: do geral ao específico, ser um professor de filosofia não é como ser um professor de arte, ser um professor de alfabetização não é como ser um professor de microbiologia. No entanto, poucos consideram essas singularidades do saber e do fazer quando se trata de educação. É certo, apenas, que é preciso desconfiar dos professores, esses frustrados que querem corromper a raça humana!
Sem pretender tomar um exemplo como generalização, acho particularmente curioso o caso das artes. Ouço muito dizer (muito mesmo!), que o professor de artes é sempre um artista frustrado. Pois, analisando os fatos, muitos dos grandes artistas (isso falando apenas em termos do passado), dos mais marcantes foram, de alguma forma ou literalmente, professores, mestres... então, de onde é que vem essa fala afinal? Não sei. Mas desconfio que vem dessas máximas que são criadas para deteriorar algo que ameaça, alguma vingança mesquinha, algo dessa natureza que, então, pela repetição, se naturalizou, mas o sentido nunca houve para dizer que se perdeu.
De um modo geral, escuta-se muito ainda da desvalorização econômica desses profissionais que, por vezes, causa a impressão de que são os profissionais mais miseráveis do mundo no que se refere aos salários. Novamente, os fatos contradizem o discurso. Realmente, vivemos em um tempo, que como a maioria dos outros tempos, talvez todos os tempos, desvaloriza a maior parte das profissões e dos profissionais a não ser por exceção das posições privilegiadas. Pesquisem sobre os salários mais comuns para graduados em direito, psicologia, comunicação e outras profissões que não são tão “mal vistas” – que podem, pelos mais ingênuos, até mesmo serem consideradas prestigiadas –, e verão que a diferença não é tão grande.
Pior, se fizermos uma média honesta entre o tempo de trabalho, os salários, férias e outras questões, em muitos casos, o professor sairá com a melhor. Lugares privilegiados também existem para professores (pasmem!), com graus de dificuldade semelhantes às demais profissões – tudo uma questão de suportar uma árdua carreira acadêmica, por exemplo. Também o professor sairá com a melhor quando se trata da oferta e da procura, já que não é possível que uma sociedade civilizada funcione sem esse famigerado profissional e, apesar de tudo, ainda somos uma civilização. Por fim, há muitos formados em outras áreas que se renderam à prática na educação, sim, por falta de opção, infelizmente.
E se há realmente um problema no que diz respeito ao professor, esse problema está justamente nisso: o de que tenha se tornado uma profissão tão receptiva para os que não têm outra opção, mas também não têm a menor intenção em levar a sério a missão de introduzir e mediar o caminho de outros indivíduos nos universos do saber. Há muitos dos que sequer sabem lidar com pessoas e a formação, tantas vezes sucateada, não ajuda muito nisso. É que somos uma civilização que ainda precisa de professores, mas não queremos que eles sejam “professores demais”. Isso iria atrapalhar o esquema.
Afinal, se as pessoas entendessem bem de oratória, não se enganariam tão facilmente com discursos persuasivos, mas intelectualmente desonestos. Se elas entendessem bem de estratégias de marketing, não seriam tão facilmente convencidas a consumir o que não precisam e, por vezes, o que não querem. Se fossem capazes de se autoconhecer, o que seriam dos livros de autoajuda, dos coachings, das fábricas de chocolates? É que queremos ser civilização, mas não queremos ser civilização demais.
E nesse contexto em que se joga peteca com a educação, dizer-se professor não é motivo de orgulho ou de elogios fáceis. Não se ouve dizer do melhor “mestre” fulano ou ciclano, como de um jogador de futebol ou de uma celebridade qualquer. Não se chama um professor com grau de doutorado de doutor como se chama de doutor um advogado ou um médico (sem grau de doutorado). No máximo, tem-se reconhecimento como intelectual, o que não necessariamente significa ser um professor “foda”, porque a prática de ensinar e a produção de conhecimento através da escrita são coisas completamente diferentes, embora, devessem ser, em algum nível, indissociáveis.
Daí, faz tempo que ser professor não se trata, quase nunca, de uma questão de desejo, de gosto ou, se quiser assim chamar, “vocação”. Porque, na verdade, já não se escolhe muito as profissões conforme a inclinação, mas conforme o prestígio social que elas poderão oferecer. Apesar da ilusão dos salários, não são eles que ditam as regras, caso contrário, vários cursos que se encontram lotados estariam esvaziados. É o prestígio mesmo: uma questão de ego. Nenhuma família faz festa quando o filho passa em uma licenciatura, em pedagogia ou afins, como fazem festa para um que passou no direito, na medicina, na engenharia. Não importa que alguma dessas áreas possam estar saturadas em sem perspectivas realistas de construção de carreira, não importa que ele vá ser um péssimo profissional porque não quer nem um pouco aquilo. Importa o orgulho, a vaidade, poder encher a boca para dizer que o filhote passou em tal curso “superconcorrido”. É realmente preocupante que as escolhas profissionais estejam sendo realizadas de forma tão irracional... o resultado está por todos os lados, para quem quiser ver.
Quanto ao professor e o seu destino cruel, aos que querem defender a profissão, encontram seus méritos, suas delícias, seus reconhecimentos. Travam suas batalhas como tantos mais. Ignoram esse discurso cheio de vazios. Sabem bem que melhor ensina quem também sabe fazer bem e não tem nada de “frustrado” nisso. Frustrados existem em todas as áreas, inclusive nas não profissionais. Olha o “amor”, problema de todos os tempos, fábrica de frustrados em atacado. Mas não se tem tanto demérito no dizer estar apaixonado quanto se tem no dizer ser professor.
E aos que aceitam o desafio, ainda acumulam funções. Porque professor mesmo está sempre experimentando, fazendo paralelo, pesquisando, inventando. Há professores de várias profissões, há professores de vários modos de ser professor. Um profissional multifuncional, que exige a mais sofisticada tecnologia ser-humana. Mas é tanta a difamação acerca desse ser, que começaram até a inventar outros nomes para “disfarçar” tamanha necessidade desses sujeitos que ameaçam tanto quanto a inteligência artificial: instrutor, monitor, treinador, oficineiro e por aí vai. Deveria haver uma diferença clara entre essas áreas de atuação e a atuação de um professor, mas veja as propostas carregando essas novas nomenclaturas e compare. As fronteiras movediças canibais da indistinção engolem cada vez mais as diferenças da prática em boa parte dos casos. Muda-se o nome, muda-se a percepção. Sabemos disso. Se amanhã todos começam a te chamar por um nome diferente do seu, sua identidade será ameaçada e, com a sua desestabilização, tantas outras disfunções emocionais virão.
Em tempos de egos fragilíssimos, importante mesmo é fazer isso: desintegrar, denigrir, sujar, abalar a imagem dessa figura de “poder” que já ocupou lugares sociais bastante privilegiados. Há quem pense que tais mudanças são consequência de uma libertação. Mais ingenuidade para o nosso acervo, que desmoralizar uma “figura de poder”, que continua a ocupar um “lugar de poder” é libertação. Porque, sim, o professor continua a ocupar um lugar de poder, dentro de uma instituição de poder, mas tão desmoralizado, que é fácil a partir da sua figura instaurar ideologias que não são proferidas por ele, culpas que não são suas, mas que se utilizam de sua imagem enquanto intermediário. Ele pode até não ter “poder”, mas é um instrumento de. Um bode expiatório poderoso!
Para escapar dessa lógica perversa seria necessário amar muito a profissão, dominá-la, compreendê-la o suficiente para dançar tango com ela. Mas, uma vez tão desmoralizada, poucos egos se arriscam sequer a considerar que gostariam de ser professores. Vão apenas no último caso. Vão sem preparo, vão sem querer, sem abertura. Não possuem empatia com aqueles outros que estão ali “dependentes” de sua atuação, entram na sala de aula como se entrassem em um ringue. Os bodes expiatórios perfeitos. E os aprendizes, ensinados de antemão a desvalorizar a figura do professor, a desconfiar dela – não de forma crítica, mas de forma dogmática –, a acreditar que a informação basta, isso somado a todos os hormônios e tragédias cotidianas que todos passam, aguardam dopados de adrenalina o soar do primeiro round.
Mas não há produção ou multiplicação de conhecimento sem amor, sem empatia, sem respeito. A vitória não está com nenhum desses lutadores ocupando lugares aparentemente desiguais: está com aqueles que querem perpetuar a estupidez. Está com aqueles que querem controlar o saber, permitindo apenas uma quantia aceitável de conhecimento esparramado como lubrificante da máquina social, mas que, de um modo geral, gozam dos benefícios da ignorância. Enquanto a educação mantém-se funcionando como um ringue de luta e o professor é o “lutador” em quem ninguém aposta, não querer ser professor é uma questão de ego. Ninguém quer ser projetado como perdedor. E nisso, embora não apenas por isso, seguimos diariamente perdendo nossas batalhas... seguimos juntos para o fundo do poço. Ao menos nisso, estamos irremediavelmente unidos.

 


PAULA PEREGRINA
Estrangeira de todos os lugares, estrangeira de mim. Porque o estranhamento revela sutilezas que a familiaridade ignora...



PREFEITO DE ITABUNA QUER FAZER VEREADORES PREJUDICAR PROFESSORES

Fernando Gomes não quer saber de professor com salário maior que varredores de ruas em Itabuna. O prefeito de Itabuna, Fernando Gomes (DEM), fez no início do ano, a Câmara Municipal aprovar a criação de cargos CCE, com salários de R$ 11 mil e CCE 2, com salário de R$ 10 mil, sem especificar suas funções e considerar o fato do município está submetido a uma crise financeira, com a arrecadação caindo e tal "cabide de emprego" ir na contramão da difícil situação de pré-falência em que o prefeito disse ter encontrado a prefeitura. Mas há um adágio, afirmando que "a corda sempre quebra do lado dos mais fracos" e o prefeito resolveu reduzir despesas reduzindo em 65% as gratificações dos professores com funções de direção. A justificativa é que a redução é necessária sob pena de inviabilizar investimentos como reajustes, formação continuada, reformas e merenda. Ora bolas, não seria mais justo e ético, parar de desperdiçar o dinheiro público, com salários de marajás, para parentes e aderentes inúteis aos interesses do povo itabunense? Ainda não data determinada, para este projeto prejudicial aos professores, ser votado pelos vereadores. Entretanto, já é possível indagar, se haverá algum vereador com subserviência e disposição para votar a favor de um projeto tão prejudicial aos professores e a educação de Itabuna. Aqui também cabe outra pergunta: O que é melhor para a sociedade itabunense, a prefeitura valorizar e aumentar os salários dos professores, ou criar cargos com salários de R$ 11 mil e R$ 10 mil, sem especificar suas funções, para parentes e aderentes? Quero crer que o bom senso prevalecerá e nenhum dos atuais 21 vereadores se submeterá à condição de "virilhador", que é referente a quem está pendurado no saco do prefeito.

Blog do Val Cabral

Fonte: http://valcabral.blogspot.com.br/

Você já viu um jardim mais bonito que o de Monet? Seu jardim florido e a lagoa de lírios eram a principal fonte de inspiração para o artista famoso. Monet se apaixonou por Giverny, perto de Paris, quando viu a cidade em uma viagem de trem. Ele finalmente decidiu se instalar aqui em 1883 e por 43 anos o artista chamou este lindo lugar de casa.




A melhor época para visitar os jardins é de abril a outubro. Mas para ver o jardim em toda a sua glória você deve ir em julho, quando as flores estão em plena floração. Caminhe ao longo dos pequenos caminhos alinhados com canteiros de flores, e aprecie as cores e cheiros surpreendentes.  Arcos de ferro também marcam o centro do jardim. A bela casa de Claude Monet



Cores variadas transformam esse lugar no paraíso...


Monet nunca se interessou por um jardim bem cuidado. Ele sempre preferiu que suas flores e uma grande variedade de cores crescessem e se misturassem livremente.

 O cheiro de lavanda é prevalente em todos os jardins.


Os lírios na água são talvez seja a parte mais marcante do jardim.





Julho e Agosto é a época de temporada dos lírios na água em Giverny - por isso certifique-se de verificar essas questões antes da sua visita.




Este jardim é realmente belo. Não é mesmo?


A lagoa é cercada por um rio que flui através dos jardins...

Colecionador de estampas japonesas, Monet foi inspirado a construir uma ponte verde japonesa em seu jardim rodeado de salgueiros e flores brilhantes, tornando-o um dos lugares mais bonitos deste jardim belíssimo.




A icônica ponte japonesa é, sem dúvida, um destaque dos jardins de Monet.

Não são apenas os jardins de Monet que atraem muitos turistas para Giverny. A casa também é deslumbrante. Monet viveu lá até sua morte em 1926 e os móveis são exatamente o mesmo que ele usou por muitos anos. As pinturas, no entanto, são reproduções. Ao visitar a casa de Monet, você terá a chance de admirar seu quarto, o de sua esposa Alice, uma sala de estar, uma despensa, o primeiro estúdio de Monet, sua cozinha e uma sala de jantar. Admire os tons suaves de rosa e verde no interior da casa.








Uma vista incrível dos jardins.


A bela casa de Monet






Na foto acima. você vê o quarto de Monet. Sua esposa Alice, tinha seu próprio quarto ao lado.




Os jardins recebem mais de 500.000 visitantes a cada ano.A melhor época para visitar os jardins de Monet
Uma vista incrível dos jardins pode ser visto a partir da casa.






Uma sala de jantar amarela brilhante.
Panelas de cobre estão penduradas ao longo das paredes da cozinha.

O primeiro estúdio de Monet é retratado aqui, que se transformou mais tarde em um quarto de fumantes. Uma fotografia moldada de Monet e de sua esposa Alice.
Os jardins ficam mais lotados à tarde, embora as multidões tendem a diminuir à medida que o tempo de fechamento se aproxima. Se você planejar sua visita no início da manhã ou no final da tarde provavelmente não encontrará uma fila para entrar na casa de Monet.Fonte das imagens e conteúdo



Fontes: Kelly C. / Tudo por e-mail

Mistérios de Curitiba
Merval Pereira

O possível adiamento do depoimento de Lula ao Juiz Sérgio Moro decorre do receio de manifestações populares em Curitiba ou sinaliza que Lula pode ser preso a qualquer momento? A Polícia Federal pediu esse adiamento por que, como alega oficialmente, quer mais tempo para organizar o esquema de segurança na cidade, ou está juntando mais provas contra o ex-presidente? Foi uma vitória de Lula? Foi uma demonstração de medo de Moro?
 
Nenhuma explicação oficial faz sentido. Desde março a data está marcada, e os organismos de segurança tiveram tempo suficiente para organizar seus esquemas preventivos. Se foram surpreendidos com uma movimentação acima do normal dos militantes petistas, serviços de informação e segurança não são.

Difícil entender a comemoração dos petistas e aliados, pois a situação de Lula fica cada vez mais fragilizada a cada depoimento, como os de João Santana e Monica Moura dados ontem no processo do Tribunal Superior Eleitoral, ou do próprio ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, que demonstrou uma intimidade com Lula e sua família que não pode ser negada, pois quando foi levado coercitivamente para depor, o próprio ex-presidente admitiu que era amigo de Léo Pinheiro.

Evidentemente são ex-amigos agora, mas Lula procura atenuantes para as acusações, alegando que o ex-presidente da OAS as fazia por que está negociando uma delação premiada. Claro que com isso procura também deslegitimar as palavras de Léo Pinheiro, mas as evidências são muitas.

A possibilidade de Lula vir a ser preso nos próximos dias existe, diante da denúncia de que ele orientou seu amigo a destruir qualquer prova que ligasse o pagamento de propinas ao triplex do Guarujá. Aconteceu assim com o ex-senador Delcídio do Amaral, diante de uma gravação explosiva em que relatava as manobras para impedir que Nestor Cerveró denunciasse Lula.

O fator surpresa, naquela ocasião, foi fundamental para que o Senado aprovasse sua prisão. Já no depoimento de Léo Pinheiro, a divulgação do vídeo tirou o impacto da revelação, feita diante de advogados diversos e procuradores do Ministério Público. Creio que só se surgirem novas provas – será isso que a Polícia Federal busca? – se justificaria a prisão de Lula neste momento.

Assim como não acredito que o Juiz Sérgio Moro esteja preparando a prisão do ex-presidente para o dia do depoimento, a não ser que Lula perca o controle e afronte sua autoridade, no que também não acredito. Seria uma atitude irresponsável que não o ajudaria em nada, ao contrário.

O comportamento da defesa do ex-presidente é muito próximo, em diversas ocasiões, de uma afronta à autoridade do Juiz Sérgio Moro, que tem conseguido se manter frio diante das provocações. Fazer a mesma pergunta diversas vezes, de maneira diferente, é costumeira forma de a defesa tentar protelar a decisão final.

Arrolar 87 testemunhas de defesa é claramente um desafio e outra tentativa de ganhar tempo, e Moro caiu na esparrela ao exigir a presença de Lula em cada um dos interrogatórios. Nada indica que tenha poder para tal, e a única coisa que conseguiu foi mostrar a motivação protelatória da defesa, mas deu margem a que fosse acusado mais uma vez de perseguidor de Lula.

Para o ex-presidente, o melhor cenário é ser condenado em segunda instância a tempo de ser impedido de concorrer às eleições de 2018. Posaria de vítima e não correria o risco de ser derrotado. Ninguém leva a sério a pesquisa da CUT/Vox Populi que indica Lula como vencedor do primeiro turno. É só uma pressão política contra sua prisão.

Mesmo que fosse correta, é preciso ser muito ingênuo para acreditar que Lula, com todas essas acusações, especialmente depois das delações dos executivos da Odebrecht, conseguirá manter essa pretensa popularidade numa campanha presidencial acirrada como a que se aproxima. 

O que é grave é esse ambiente de confronto que está sendo armado para o dia do interrogatório. Afinal, Lula é intocável? Está acima das leis?  

O Globo / ABL



E LULA ACORDOU NUM SÍTIO QUE NÃO ERA DELE… - Percival Puggina

Para contar desde o começo essa história do sítio de onde Lula se autodespejou, eu preciso começar por seu personagem mais estranho – Fernando Bittar. Ele é dono de um local aprazível onde não chegava telefonia celular. A propriedade precisava de cuidados e reformas para cuja execução não dispunha de renda suficiente. Mas não se deixou abater por isso.
 
Disposto a transformar o Santa Bárbara num pequeno paraíso serrano, para onde nunca ia nem iria, o remediado Bittar, em vez de pedir orçamento para três empreiteiros e escolher o de menor preço, como faríamos nós, perguntou a seus universitários botões: qual é a maior empreiteira do país, universitários? E os botões, em coro lhe responderam: a Odebrecht. Não havendo discordância entre os informantes, Fernando decide. Que seja a Odebrecht.

A poderosa construtora de hidroelétricas, portos e rodovias, despacha engenheiros para Atibaia. E a obra foi feita, ficando pronta bem antes da Linha 6 do metrô de São Paulo. Mas faltavam detalhes. Se alguma vez na vida você tentou falar com empresa de telefonia celular por telefone, deve saber o quanto isso é difícil. Imagine, então, conseguir dela a instalação de uma torre, só para você, em meio aos matagais e matacões de despovoada serra. Impossível? Não ao Fernando. Ele ligou para a OI e conseguiu sua torre. Também a velha cozinha não estava legal. Era preciso melhorar aquela parte da casa. Para a impressionante e complexa tarefa, nosso herói chamou outra grande empreiteira, a OAS, terceira no ranking das maiores do país.

Agora, pasmem. Quando tudo ficou pronto, num lance de fazer inveja a João Pedro Stédile, o ex-presidente Lula irrompe no Santa Bárbara, sem foices nem bandeiras vermelhas, com aquela entourage que a nação lhe disponibiliza vitaliciamente para que nunca mais na vida necessite ir até a adega buscar uma garrafa. E de tudo, a partir daí, usou e abusou em 111 visitas até seu autodespejo.

Gostaria de haver assistido aquela alvorada de uma nova consciência na alma de Lula. Só pode ter sido algo assim. Veja se não. Ele acordou, esfregou os olhos, contemplou assustado seu entorno, sacudiu a galega até despertá-la e disparou: “O que estamos fazendo aqui, mulher? Não me chamo Fernando e não moro em Atibaia! Vamos embora deste lugar!”. E se foram para nunca mais voltar.

Nem Luiz Inácio, nem Fernando. Só alguns milhares de garrafas de vinhos finos, se não resgatadas, dormem serenas na fria encosta da Serra do Itapetinga.

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/e-lula-acordou-num-sitio-que-nao-era-dele/

A CONDIÇÃO HUMANA NO CONTO A IGREJA DO DIABO, DE MACHADO DE ASSIS
publicado em literatura por Jonathas Rafael

Machado de Assis (1839-1908) foi e ainda é um dos literatos mais importantes do mundo. Passados mais de 100 anos de sua morte, seus escritos ainda continuam sendo fonte inesgotável de pesquisa. Por meio da arte, da sua arte, conseguiu dissecar a condição humana de uma maneira até então desconhecida. Escancarou, sem pedir permissão, sem usar de delicadezas hipócritas, o íntimo do ser humano. Resultado: ódio e amor intensos, duas manifestações de afeto inseparáveis, em relação à sua pessoa.
Machado de Assis.jpg Machado de Assis (1839-1908), de Academia Brasileira de Letras (Domínio Público). Fonte da Imagem: Wikimedia Commons.

Por meio do conto “A igreja do diabo”, publicado originalmente no livro Histórias Sem Data, em 1884, Machado de Assis escancarou, sem pedir permissão, sem usar de delicadezas hipócritas, o íntimo do ser humano. Fez com que seus leitores se enxergassem em seus escritos. Não é por menos que se tornou uma das obras literárias mais importantes do autor.

“A igreja do diabo” foi dividido em quatro capítulos. No primeiro capítulo, “De uma ideia mirífica”, conta-se que o Diabo, sentindo-se humilhado, teve uma ideia admirável: fundar uma igreja. Fazendo isso, a disputa não seria mais desigual, pensou ele, porque a partir de então seria “Escritura contra Escritura”. Consequência: todas as religiões seriam destruídas. No entanto, não poderia colocar seu objetivo em prática sem antes comunicar a Deus, e rapidamente voou em direção ao céu com seu ódio (Assis, 1884/1994, p. 2-3).

No segundo capítulo, “Entre Deus e o Diabo”, o diabo comunicou a Deus que iria fundar uma igreja, utilizando como justificativa o fato de ele estar fatigado com sua desorganização, e que o céu aos poucos se tornaria uma “casa vazia, por causa do preço, que é alto”. Aproveita para dizer que lhe comunica a decisão por lealdade, e não ser acusado de dissimulação. Deus, por sua vez, advertiu o Diabo que, na verdade, ele estava apenas comunicando sua intenção, e não a legitimando, e lhe pediu mais explicações. O Diabo, esforçando-se por ocultar seu ódio, disse que, após séculos de observação, concluiu que a condição humana é ambígua. Os que fundamentam suas vidas nas Escrituras Sagradas são os mesmos que usufruem das delícias do pecado. Os que demonstram ter compaixão pelo próximo são, na verdade, misantropos. Agem de tal modo senão por interesse próprio. Deus, furioso por causa da conclusão a que chegou o Tinhoso, ordenou-lhe que fosse embora e fundasse sua igreja. Nesse momento, os serafins começaram com os cânticos e ele caiu como um raio na terra (Assis, 1884/1994, p.3-4).

No terceiro capítulo, “A boa nova aos homens”, o Diabo colou em prática a ideia de fundar sua igreja rapidamente, com “uma doutrina nova e extraordinária”. Contou a todos que era o Diabo, para terem outra representação dele em seus imaginários, e prometeu dar a “seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos.”. Disse-lhes ser o pai de todos. A partir de então, as virtudes seriam outras, “que eram naturais e legítimas”. A soberba, a luxúria, a preguiça, a avareza, a ira, a gula e a inveja se tornaram as virtudes mais preciosas. Além disso, fez com que todos preferissem as coisas perversas às sãs. A fraude e a força se tornaram os braços dos homens. A venalidade recebeu atenção especial, todos poderiam vender tudo, até mesmo seu caráter, sua moral, sua fé, sua alma, seu sangue, vender a si mesmo. A calúnia gratuita não foi proibida, mas qualquer tipo de respeito foi julgado ilegal; somente a adulação era permitida em seu lugar. A solidariedade e o amor ao próximo foram proibidos, porque não eram coesos com a nova doutrina. Ao próximo, indiferença, ódio e desprezo, nada mais. Aliás, era permitido amar o próximo apenas quando este fosse mulher alheia (ASSIS, 1884/1994, p, 4-6).

No quarto e último capítulo, “Franjas e Franjas”, o Diabo percebeu que seu objetivo estava funcionando. Sua igreja foi abençoada, aos poucos foi enchendo de franjas de algodão, que preferiam as usufruir das delícias do pecado a seguir os fundamentos das Escrituras. O Diabo se enalteceu. No entanto, tempos depois, o Diabo percebeu que a maioria de seus fiéis estava praticando furtivamente virtudes proibidas. Os gulosos estavam comendo poucas vezes por ano. Os avaros davam esmolas. Os gastadores restituíam certas quantias. Os fraudulentos se entregavam. O ladrão retribuía. O trapaceador se confessava. O Diabo, então, decidiu observar melhor a situação, e concluiu que se achava mais grave do que imaginava. Desesperado, ansioso e com muita raiva, voou rumo ao céu para pedir explicações a Deus (Assis, 1884/1994, p. 6). Este, por sua vez, com complacência e sinceridade, disse-lhe: “— Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda, como as de veludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradição humana.” (ASSIS, 1884/1994, p. 7).

Analisando o conto em questão, torna-se nítido que Machado de Assis objetivou afirmar que a contradição e a transgressão são partes integrantes do ser humano. Se há contradição e se há transgressão, há ser humano. Ao fazê-lo, vai ao encontro das conclusões a que Freud chegou por intermédio do desenvolvimento de sua ciência: a psicanálise.

Para Freud, todo ser humano é contraditório em suas ligações afetivas, já que as instâncias consciente e inconsciente estão em contínuo conflito. A grande parte, ao mesmo tempo em que demonstra ter, conscientemente, amor, respeito, afetividade, fidelidade a quem se acha ligada, na verdade, inconscientemente, oculta uma hostilidade desconhecida (Freud,1912/2013, p. 58). Em suas próprias palavras: “Essa ambivalência se acha, em maior ou menor grau, na constituição de todo indivíduo.” (FREUD, 1912/2013, p. 58).

Machado de Assis, por sua vez, também afirma isso, no segundo capítulo, ao deixar entender por meio da personagem Diabo que o ser humano é ambíguo, e isto não é recente. Causou certa confusão no Diabo, ao observar que os mesmos indivíduos que se satisfaziam com as delícias do pecado eram os mesmos fiéis que adoravam Deus e seguiam suas Escrituras; que os que assistiam o próximo, não se passavam de oportunistas que buscavam a difícil aprovação do outro. Estava tudo desorganizado, afirmava o Diabo, já que o ser humano se passava por quem não era, empreendia ações que não condiziam com seus objetivos verdadeiros (Assis, 1884/1994).

Dizendo isso, é importante se perguntar por qual motivo se preferiu a igreja fundada pelo Diabo à de Deus, em primeira instância. Para responder a isso, não é preciso ler nas entrelinhas do conto, porque está explícito por Machado, no segundo capítulo. Por meio do Diabo, o autor afirma que é por causa do preço ser alto para fazer parte dela, ou seja, era necessário reprimir, mais e mais, todos os desejos íntimos e pouco revelados. E, segundo o que havia observado há século, concluiu que isso não era a que aspirava a maioria. Agia-se dissimuladamente senão para fugir de punições e conquistar a Retribuição Divina (Assis, 1884/1994).

Mais uma vez Machado se comunica com Freud. Este, por consequência de suas análises, chegou à conclusão de que o ser humano, para viver em sociedade, tem de reprimir todos os seus desejos destrutivos, inconscientes, mas isso lhe custa caro. Sendo obrigado a reprimir seus mais íntimos desejos, está em conflito interno contínuo. Ele tem de buscar, então, satisfazer de alguma maneira seus desejos de maneira que sua cultura aceite. Resultado: não satisfação completa dos desejos e neuroses (Freud, 1930/2011).

Nesse sentido, a Igreja do Diabo, legitimada como uma instituição possível de se fazer parte, torna-se uma via de satisfação substitutiva dos desejos até então reprimidos. Foi pela possibilidade de fazer verter seus desejos mais íntimos que tantos indivíduos fizeram parte dela. E é isso que se quer: satisfação dos desejos. A satisfação dos instintos é muito atraente, promove felicidade, sacia carências e é acolhedora, advertiu Freud (1930/2011).

Para finalizar, é importante se perguntar por qual motivo, então, a igreja do Diabo se encheu e, tempos depois, esvaziou-se, sendo que a maioria, transgredindo suas leis, tornou a praticar as virtudes antigas, pertencentes à igreja de Deus. Talvez por causa de o ser humano possuir em sua constituição uma inclinação à transgressão, oriunda das relações com o pai primevo. A transgressão em alguns se mostra mais graves, e estes acabam por ser punidos ao conviverem na cultura. Freud, usando como exemplo a Religião, lembra que quanto mais se evita pecar, mais o desejo de pecar se intensifica. Com isso quis dizer que quanto mais uma coisa é proibida, mais ela se torna alvo dos desejos. E, quando essa coisa se torna objeto de satisfação, tempos depois se torna fonte de uma satisfação escassa (Freud, 1930/2011). Nada mais nada menos do que uma contradição especificamente humana.

Referências
Assis, Machado de. A Igreja do Diabo (1884/1994). In: Assis, Machado de. Histórias Sem Data (1884/1994). Obra Completa, de Machado de Assis. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. p 2-7. Vol. II. Disponível em: http://machado.mec.gov.br/images/stories/pdf/contos/macn004.pdf Acesso em: 05/04/2017.
Freud, Sigmund. (1912/2013). Totem e tabu: algumas concordâncias entre a vida psíquica dos homens primitivos e a dos neuróticos. (1ª ed.) São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras.
_____________. (1930/2011). O Mal-estar na Civilização. (1ª ed.) São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras.



Foto: Publicação (Obvious)
 JONATHAS RAFAEL

A língua é parte integrante do ser humano: constitui sua identidade. Por sê-lo, não é estável, muito pelo contrário, é viva. A língua é metamorfose...


Fonte: http://obviousmag.org/palavras_desassossegadas/2017/a-condicao-humana-no-conto-a-igreja-do-diabo-de-machado-de-assis.html

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