Saber-Literário

Diário Literário Online

UM FILHO ADOTIVO DE ITABUNA - JOÃO BATISTA DE PAULA

UM POUCO DE TUDO DO ESCRITOR: JOÃO BATISTA DE PAULA. CEARENSE DA TERRA DA ATRIZ INTERNACIONAL FLORINDA BULCÃO, URUBURETAMA. HOJE, VIVE EM ITABUNA DESDE 1984, ONDE CONSTITUIU SEU PATRIMÔNIO. EXERCEU A PROFISSÃO DE PROFESSOR, JORNALISTA,  E DEDICOU SUA VIDA  À ARTE DE ESCREVER.
AGRADECIMENTOS -  Ao fundador e administrador do Blog Saber-Literário, professor e escritor Rilvan Batista de Santana; ao vereador de Itabuna Milton Santos Gramacho; a empresaria Vitória Santana, Revista Vitória; ao jornalista Adeildo Marques, ex- presidente do Clube dos Poetas do Sul da Bahia; e ao jornalista, escritor e advogado, Vercil Rodrigues, Jornal Direitos; e também a poetisa Eglê Santos Machado, do blog Itabuna Centenária, por me proporcionarem a Boa Fama.

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: A DEUS E A MINHA ESPOSA, EXPEDITA MACIEL, QUE EM TODOS OS SENTIDOS DA VIDA MANIFESTOU SEU APOIO E AMOR.

PALESTRAS -  Autoajuda, mensagens de otimismo e de bem-estar.
TATUAGENS - Jamais.
PIERCINGS - Não combina comigo.
CASAMENTO – União perfeita. Bem casado com a poetisa Expedita Maciel.
QUER FILHOS – Já encontrei uma família pronta.
CIRURGIAS -  Nunca. Continuo na melhor idade.
OSSOS PARTIDOS - Não.
CORAÇÃO QUEBRADO – Algumas vezes, por causa da maldade que reside na mente humana; e restaurado a seguir, por causas dos sentimentos bons e nobres.
DISPARAR UMA ARMA – A arma da Bandeira Rósea do Amor; da bondade, gentileza e da cortesia. Sou fã de filmes de bang-bang, mas prefiro a arte circense.
EXPERIÊNCIAS PARANORMAIS – Não tenho, mas acredito na espiritualidade, principalmente; e que os mortos, estão além-túmulo.
VER ALGUÉM MORRER – Não. Não vi. Já participei de encaminhamento do corpo, para que o Divino Amado Mestre Jesus, pudesse fazer um encaminhamento do mesmo.
JANTAR NUM KARAOKÊ – Não tenho status de vedete, infelizmente sem talento para canto e palco. Gosto de musica do tipo de André Rieu, ou instrumental. Adoro bons restaurantes.
PETS – Acredito que os animais são criaturas de Deus. Aprecio: Gatos, iguanas, um cão, peixes orientais, tartarugas, lagartixas. Adoro contemplar a beleza dos animais. Gosto de visitar Zoológicos.
BRIGA DE BAR – Sou da paz e amor, bem e belo. Não costumo frequentar bares, não. Nunca.
ESQUIAR – Só nas dunas de areia de Aracati e Trairi, no Ceará. Esquiar sentado numa esteira de folha de coqueiro .
ANDAR DE MOTO – Uma maravilha. O perigo mora ao lado, mas pouco importa. Adoro veículos do tipo Land Rouver.
CAIR DE UMA MOTO – Por sorte, nunca. Graças a Deus.
ANDAR A CAVALO - Durante estadia em hotel fazenda, em Itacaré ( Ba). E na fazenda dos meus avós, em Baturité, no Ceará. Não sou muito amante, não.
SER HOSPITALIZADO - Não. Nunca.
DOAR SANGUE – A última vez faz muito tempo.
PRISÃO – Não, graças a Deus. Ave Maria!.
PÔR-DO-SOL NA PRAIA – adoro. Observando na varanda do apartamento, na praia, na cidade.
ESPORTES EXTREMOS - Boxe. Só como torcedor. Adoro caminhar à beira mar. Nada mais.
TRANSPORTES PÚBLICOS - Muitas vezes o ônibus e o táxi.
ACIDENTES DE CARRO - Não.
ACAMPAR –Não. Sempre gostei do luxo e do conforto dos hotéis.
PLANTAR UMA ÁRVORE - Plantei árvores e flores.
ESCREVER UMA CARTA À MÃO –Espalhei milhares de cartas poéticas pelo Brasil, para os amigos e amigas.
ESCREVER LIVROS -  Sim. Eles estão entre nós: Flores para um mundo melhor; Você e Importante; Viva Bem; A Bela Face do Mal; e a Bíblia do Inconveniente- O impossível acontece. Costumo dizer que são livros que geram felicidades.
SAIR NA TV – Tive a feliz oportunidade de ser entrevistado umas quatro vezes, no radio e na televisão, referentes a publicação de meus livros; campanha compaixão animal; campanha flores para um mundo melhor; e campanha do agasalho e presentes de natal para crianças carentes.
HOMENAGENS - Já fui homenageado no Jornal Direitos, com uma página, para eu falar numa entrevista das minhas andanças culturais. Fui homenageado pela Revista Vitoria, Jornal do Estudante. Homenagem pelo Sindicato dos Motoristas, pela CDL, por Associação de Moradores, etc.
BEBEDEIRA – Amo e adoro: água de coco, suco, chá, leite. Não bebo bebida alcoólica. Não deixa de ser relaxante, por que cada coisa tem o seu sabor todo especial.
FAZER UM DISCURSO – Não é minha cara. O melhor que fiz foi ao receber o Título de Cidadão Itabunense, em 1998, na Câmara de Vereadores. Em minha cidade na Câmara de Vereadores e no Colégio que estudei:  o Maria Julia Maia Bonfim, fiz discurso de agradecimento pela rica homenagem. Adoro escrever piadas, mensagens de humor e de autoajuda.  Pura emoção.
SUBIR A UM PALCO – Participei de muitos encontros literários e de campanhas políticas, além de estimular a vida pautada no bem, na honestidade, na sinceridade, ou mais.
ESTÁ APAIXONADO – Sim. Sempre. Apaixonado pela minha esposa, meu lar doce lar. Apaixonado pelos meus amigos e amigas. Apaixonado por Deus,  por saúde e pelo dinheiro. Uma  paixão e um amor que  transformam a paisagem habitual. Se eu mudo, tudo muda. O amor gera felicidade.
VOCÊ AMA MÚSICA – Sim. Em casa, horas e mais horas de música, mesmo ao ler ou escrever. Certa vez organizei um CD com as músicas da minha vida, boleros, instrumentais e mantras.
ACREDITA EM UM DEUS – Creio, sim. Sou devoto da Virgem Santíssima e de Nosso Senhor Jesus Cristo.
FRASE DO DIA – “Não importa os meios, o importante são os fins”. Não gosto, não concordo, desde que  mentir, enganar e a trapacear estejam presentes nos atos e ações..
VOCÊ GOSTA DE NEVE – Demais. A primeira vez que vi nevar estava em Gramado, no Rio Grande do Sul, fazendo turismo. Achei fantástico, completamente mágico, virei criança ao contemplar a beleza da criação e da mãe natureza.
VOCÊ GOSTA DE CHUVA – Sou amante da chuva. Ela me deixa contente. Só não pode ter goteira. Em casa observo pelas vidraças. Adoro também, àquela chuva
 “ molha bobo”.
VOCÊ GOSTA DE DIAS ENSOLARADOS – Vivo em terras ensolaradas: Bahia e Ceará. É espetacular, mas gosto muito de dias frios e chuvosos.

João de Paula – Escritor e Jornalista.

Piada Hilária: O Rapaz Esperto e a Moça da Estrada

Um rapaz estava com o carro estacionado em uma estrada a alguma distância da cidade, fazendo o que a maioria dos homens solteiros fazem com garotas que encontram pela estrada e oferecem seus serviços...

Quando as coisas realmente começam a esquentar, a garota diz para o rapaz: "Eu realmente deveria ter mencionado isso anteriormente, mas na verdade sou uma garota de programa e cobro 60 reais".

O cara meio relutante decidiu pagar, e eles continuaram suas atividades...



Depois que eles terminaram, o rapaz acendeu um cigarro, sentou-se no banco do motorista e olhou pela janela.

"Por acaso estamos indo a algum lugar?", perguntou a menina.

"Bem, eu deveria ter mencionado isso antes, mas eu realmente sou um motorista de táxi, e a tarifa de volta para a cidade é de 65 reais!"



Fonte: Tudo por e-mail

O conto das areias

Num reino, distante das altas montanhas, nasceu um rio claro, transparente.

Fez uma longa viagem e, no decorrer de sua existência, percorreu países diferentes, sulcados por vales extensos e férteis.
 
Por fim, chegou diante das areias de um deserto imenso.

Ele tinha encontrado muitas dificuldades que sempre soubera ultrapassar.

Da rocha mais dura fizera seixos lisos e doces que cantavam com ele em sua rota.

Tentou atravessar este último obstáculo do seu jeito habitual. Grande foi sua surpresa quando percebeu que toda a arte e toda a ciência que possuía não tinham agora qualquer utilidade para ele.

Suas águas desapareciam nas areias tão rapidamente como ele as lançava.

Recomeçou, e recomeçou, durante tanto tempo que o desespero o invadiu. Mas ele continuava a lançar suas águas sobre a areia, no imenso silêncio do deserto.

Foi então que, do fundo da areia, se elevou o murmúrio de uma voz que segredou:
– O vento atravessa o deserto, e o rio pode fazer o mesmo.

O rio respondeu que era exatamente aquilo que se esforçava por fazer, e que estava exausto:

– Tudo o que consegui foi me perder um pouco mais a cada tentativa. E estou apenas na borda deste deserto.

– E acrescentou: – O vento pode voar, por isso pode atravessar o deserto.

– Continue a lançar-se com violência, como estava fazendo – disseram-lhe as areias –, e não conseguirá atravessar. Desaparecerá ou se transformará em charco estagnado. Deve permitir que o vento o leve ao seu destino.

Mas como posso fazer isso? – perguntou o rio.

– Aceite ser absorvido pelo vento – respondeu o murmúrio.

Esta ideia não lhe agradou nem um pouco. Além do mais, ele jamais tinha sido absorvido. Tinha medo de perder sua individualidade.

– E uma vez que tiver desaparecido, como recuperar minha identidade? Quando serei novamente um rio?

– O vento, o vento – murmuraram as areias – ele cumprirá sua função. Ele levanta as águas, as transporta por sobre o deserto, e as faz descer como chuva, e esta forma de novo um rio.

– Mas – foi o grito do rio –, como saber se você diz a verdade?

– É assim – recomeçou a voz, do fundo das areias

– E se você não acredita, se transformará em lodaçal. Isso levará alguns anos. Mas, você sabe, um charco é muito diferente de um rio.

– Mas não posso continuar tal como sou agora? – implorou o rio.

– Não, é impossível – murmuraram as areias. – Você não pode conservar sua forma atual. Mas se o seu ser (sua parte essencial) for transportado, ele voltará a ser um rio.

– Mas – lamentou-se o rio –, nem mesmo sei qual é a minha parte essencial.
Não vinha mais nenhuma voz do deserto, que tornou a fechar-se no horizonte.
Então, a voz das areias começou a ressoar na memória do rio.

Estranhas lembranças lhe faziam eco. Como se já alguma parte dele (mas qual?) tivesse sido levada pelo vento.

Parecia que se lembrava de que tudo aquilo devia acontecer-lhe, e que devia cumprir seu destino, mesmo que não tivesse a mínima vontade.

E o rio parou de resistir. Suas águas se elevaram em vapor nos braços acolhedores do vento, que aspirou delicadamente sua parte essencial.

Ele as levou muito depressa, muito longe, e as ergueu muito alto, sobre os cimos, até o longínquo reino das montanhas, muito além do deserto.

Então, o rio tomou consciência de seu ser, onde ressoava o eco de uma voz, vinda das areias:

– Nós, as areias, conhecemos o caminho que se estende, dia após dia, desde o fim dos rios até o longínquo reino das montanhas.

Eis por que se diz: o rio da vida tem um caminho, e seu destino está inscrito nas areias.


Fontes:

Traduzido da coletânea "Cuentos de Oriente para Ninos de Occidente", Editiones Dervish International, A. H. D. Halka, Buenos Aires, 1986



Amizade
Fernando Pessoa




"Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.

Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade 

inquietante.

Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.

Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.

Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.

 Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da 

realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

 Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice.

Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e 

velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril".

Fernando Pessoa


Afrodite
R. Santana

“... Quando a mocidade passar, a sua beleza ir-se-iá com ela, então o Senhor descobrirá que já não o aguardam triunfos, ou que só lhe restam vitórias medíocres que a recordação do passado tornará mais amargas que destroçadas”


Diz a tradição popular que quem conta um conto, aumenta um ponto... Porém, prometo ao leitor que ler este conto que procurarei ser um dos mais fiéis narradores dessa história. Não sei se ela já foi contada por alguém, se foi, espero que ele tenha sido fiel aos fatos. Não me incomodarei se seu estilo for mais rebuscado, mais inteligente, pois não sou um escritor mas um sofrível escrevedor.
Afrodite, bem nascida, bem educada, era a filha caçula de ricos empresários. Sua mãe descendia de uma família de abastados produtores de açúcar e álcool, dona de usinas e imensos canaviais no interior de Pernambuco. Seu pai, de uma família de políticos e empresários da construção civil paulista. Tinha ascendentes ingleses por parte de pai.
Afrodite, como uma deusa da mitologia grega, era linda. Uma morena alta, com formas e expressões faciais bem definidas como se a natureza tivesse esbanjado por capricho, seu estoque de beleza numa só pessoa. Sua beleza atraía e irritava...
Não era má. Era dócil, inteligente e solidária, sem ímpetos e ideais revolucionários. Nunca pensou em mudar o mundo mas viver para amá-lo. Gostava de viver o amor e o prazer sem ser fútil. Não perseguia o prazer e a beleza como fim último. Não era uma hedonista, não era uma radical, o prazer e a beleza eram conseqüências. Enfim, era uma pessoa normal, suas ações e reações eram circunstanciais.
Pela beleza, pelo viço e pela juventude, tinha sido perseguida por muitos mancebos da alta aristocracia paulista. Desde a adolescência, recebia propostas de namoro, de casamento e juras de amor eterno. Tinha a diplomacia no sangue, esgueirava-se dum e doutro sem deixar seqüelas.
Casou-se aos 25 anos com um jovem multimilionário e antes de completar seu trigésimo aniversário, teve três filhos, um homem e duas mulheres.
Seu marido era um engenheiro civil talentoso. Nunca foi empregado do governo. Não gostava da atividade política partidária. Cultivava algumas relações de amizade e comerciais com alguns políticos, por força de contratos que suas empresas tinham com o governo estadual e federal. Contribuía financeiramente, com todos candidatos a cargos eletivos, com potenciais condições eletivas não obstante o partido político dele ser da direita ou da esquerda.
O esposo de Afrodite, o empresário, Arnaldo Sá, deixou este mundo aos 42 anos de vida, vítima de um brutal acidente de automóvel, pela imperícia de um carreteiro, numa ultrapassagem irresponsável, o abateu na contramão.
Na época do desenlace, da tragédia, Afrodite estava à beira dos 40 anos de idade, era mais nova do que o marido uns dois anos. Ficou viúva ainda moça e rica. Nunca tinha enfrentado uma tragédia, o mundo tinha desabado em sua cabeça com a morte do marido. Seu casamento tinha sido por amor, embora sua família fosse menos rica do que a do esposo, era rica e tradicional. Arnaldo tinha sido o seu primeiro macho, os outros tinham sido namorados, pequenos affair e namoricos.
A perda do marido tinha transtornado e transformado a vida de Afrodite. Não que a tivesse se transformada numa mulher dissoluta, namoradeira impudica, desregrada, mas tinha saído da rotina do lar e do trabalho e passado a curtir noitadas de festas e bebedeiras.

Naquela manhã de setembro de 1993, ela tinha acordado de ressaca, mal humorada, indisposta e cansada. Não tinha nascido para libertinagem e licenciosidade. A maioria de suas colegas estavam afeitas àquela vida desregrada e achavam-na prazerosa. Ela não as censurava e não as condenava, tinha aprendido desde cedo “...não julguem e vocês não serão julgados...”, então, “...quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra...” , certamente, um dia, todos serão julgados pelo Criador do Universo.
Ao passar em frente ao espelho, levou um susto: sua mocidade e sua beleza escorriam na calha do tempo!... O tempo era mau, impiedoso, inexorável, infinito e jamais volta. Segue transformando, fazendo e refazendo. Alimenta sonhos, esperanças, constrói vitórias e testemunha derrotas. O tempo é a espada de Deus...

-Espelho, espelho meu... ah, ah, ah!... Tu pensas que irei repetir a pergunta daquela madrasta malvada da Branca de Neve dos irmãos Grimm? Estás enganado. Sei que não sou mais bonita como dantes!
-Oh!... Tu ainda és moça e bela. O quê diriam as feias e as velhas? – perguntou o espelho.
-Espelho tu és insensível e cruel em teu juízo. Não vedes que eu sou uma cópia embotada do passado. As feias nasceram feias, assim devem continuar e as velhas foram vítimas do tempo, Deus deveria lhes ter dado a graça de morrerem jovens e... – foi abruptamente interrompida pelo espelho.
-Senhora, estás blasfemando! Deus é eterno, não é imediato. Ele tem um plano para cada um de nós. A matéria é movimento e envelhece, a alma não!...
-Tu, espelho, não vedes que o homem foi mais generoso contigo que Deus comigo. Tu fostes trabalhado, lapidado e colocado numa linda moldura de mogno. Daqui uma centena de anos, tu poderás refletir a beleza das damas que passarem por aqui, com a mesma singeleza deste momento. Enquanto eu serei pó e à terra voltarei.
-Tu, madame, estás embebida de sentimentos e coisas efêmeras. A beleza e o prazer são efêmeros. Fui lapidado e trabalhado pelo homem, porém, ele poderá me destruir e tirar o meu brilho. O homem é mau e egoísta. Todavia, eu e tu jamais seremos destruídos em nossa essência. O ser é transcendental e eterno – concluiu o espelho.
-Espelho não me venhas com este pensamento aristotélico. Fazes um retrospecto da história e vedes que todos pintores e escultores perseguiram a perfeição em suas obras.
-Senhora, o homem ainda busca o prazer e a beleza como dantes. Acredito que, hoje, ainda mais, existem novos recursos científicos. Os pitanguys, as academias de ginástica e beleza e as enésimas fórmulas de cremes e ungüentos naturais não me deixam mentir – justificou o espelho.
-Tu és um ingênuo. O tempo é inflexível, já vistes que coisa horrível são as mulheres que querem se manter novas? O bisturi tira as rugas, muda as formas, suspende e siliconiza os peitos mas, ele não lhes devolvem o viço, o mimo e o frescor da juventude e não lhes cicatrizam as dores e angústias da alma, continuam velhas... ridículas!...
-Concordo contigo, sou testemunha do queixume delas. Quantas já passaram por aqui tristes e revoltadas? Muitas. Se todas entendessem que sua essência é a mesma, o mundo seria menos lamurioso.
-Espelho, depois nos veremos, bom dia!
-Bom dia, senhora!...


Afrodite passou usar os outros espelhos da casa. Quem iria acreditar nela que aquele espelho falava? Ninguém. Porém, dois depois, rompeu o trato consigo mesmo e resolveu confirmar se aquilo não teria sido produto de sua imaginação, voltou auscutá-lo e nada melhor do que provocar-lhe:

-Não irei mais passar defronte de ti!... Há dois dias que não te procuro e quando volto, vejo um fio de cabelo caindo na minha fronte. Parece-me que gostas de expor os meus defeitos...
-Senhora, não estou enxergando nenhum fio de cabelo branco. Aliás, tua cabeleireira é cuidadosa e profissional. Uma boa pintura resolve o problema.
-Espelho, tu vês aquele retrato?
-Vejo. Não faço outra coisa... ele fica defronte a mim. Vejo que tu eras bem jovem, deverias ter uns 20 anos de idade...

-Enganas-te. Ele foi tirado no dia que completei 25 anos – esclareceu Afrodite.
-Senhora, não diminuir a idade para te agradar. A pessoa tem a idade que aparenta. Naquele retrato, tu aparentas 20 anos ou menos, por isto, prefiro ficar com esta idade.
-Espelho, aquele retrato tem quase duas décadas... já começa desbotar... ele começa dar sinais de envelhecimento... e, tu me dizes que aparento ainda mais nova?...
-Senhora, percebi que a pintura começa desbotar mas o brilho dos olhos, as feições e a aura que existe nele permanecem como no primeiro dia. Eu o estou vendo com os olhos do coração e não com os olhos da crítica!...
-Espelho, em que fonte fostes buscar tanto romantismo? Ainda não percebestes que tudo envelhece e se transforma e me dizes que o brilho, as feições e a aura refletidas naquele pedaço de papel, são os mesmos de quase 20 anos atrás?...
-Senhora, não polemizemos! Talvez tu não alcançastes o meu pensamento ou talvez eu tenha exagerado nas minhas digressões... – desculpou-se o Espelho.
-Ah!!!..
-Pensastes o quê? – perguntou o Espelho.
-Tu és abelhudo! Queres conhecer os meus íntimos desejos?...
-Não!!... Fui criado para refletir o que está fora do ser, dentro dele é uma caixinha de segredo, só o eterno Criador tem esse poder – desabafou o Espelho.
-Espelho, percebo que és arrogante! Não entendes que posso te destruir? Não me leves à loucura!...
-Dorian Gray assassinou o pintor Basil Hallward e esfaqueou o seu retrato numa relação de sadismo, porém, não conseguiu destruir a beleza do quadro, morreu desfigurado e irreconhecível... – disse o Espelho.
-Estás me ameaçando? – perguntou Afrodite.
-Não!... Quero dizer-te que quando me destruíres, os estilhaços de cristais desprendidos de mim, te deixarás desfigurada e não poderei depois refletir tua bela imagem se eu for restaurado.
-Espelho, tu és esperto, tens justificativa pra tudo. Dizes-me então como farei para continuar jovem e bonita?
-Não existe um elixir da juventude. A beleza é um estado de espírito. O belo absoluto não existe é um componente estético e subjetivo duma obra, enquanto isto, a natureza é bela e eterna mesmo velha. Tu nunca conhecestes idosos de uma beleza genuína, plácida?
-Espelho, se eu morresse agora, aqui (apontou a cama), tu serás capaz de registrar, somente, esse estado de espírito que referistes?
-Senhora, como poderei fazê-lo se tu gozas de uma saúde de anjo? Pensas em suicidar-se?...
-Não tenho coragem. Penso em abandonar a vida. Deitar-me naquela cama, saudável e bonita e deixar-me morrer pouco e pouco, sem comer e beber até o último suspiro!
-Senhora, tu levarias muito tempo para morrer, enquanto tu ias definhando, perdendo o viço e o mimo, nos últimos dias, estarias velha e feia!...
-Para que serve os amigos? Tu registrarias o meu melhor momento, a minha melhor imagem. Os meus filhos te colocariam em um quadro de bronze, tu serás a lápide do meu mausoléu!
-Senhora, não possuo livre arbítrio, o poder de escolher a melhor imagem, a última imagem é a que fica. Acho que estarás feia e velha ao partir – o Espelho tentou persuadir-lhe da idéia do suicídio passivo.
-Então, combinemos uma morte súbita. Prometes guardar a minha bela imagem? – insistiu Afrodite.
-Senhora, sabes que não posso escolher. Porém, concedes-me o privilégio de guardar tua bela imagem, agora, para isto, quero tua promessa de não me vedes mais. Quando fores para vida eterna, te refletirei para sempre, não precisas abreviar tua morte!...
-Espelho, farei o teu pedido. Confio em ti. Não sei quanto tempo viverei e não mais te verei. Quando eu morrer, mesmo velhinha e enrugada, providenciarei para que os meus filhos te coloquem e te protejam em meu mausoléu, refletindo-me...

Não foi necessário Afrodite ficar velha e feia. Um ano depois foi sucumbida pela mesma tragédia do marido. No retorno do Rio para São Paulo, pela rodovia presidente Dutra, foi dilaceradamente morta por uma vil carreta.
Os seus filhos e parentes, cumpriram o seu último desejo: fixaram na principal parede de mármore do seu mausoléu um lindo espelho que reflete de forma tridimensional sua linda imagem. Todos acham que é uma obra encomendada de um pintor italiano – ela e o espelho sabem que não...
Alguém já tentou roubar o quadro mas foi surpreendido por uma voz de mulher que fala:
-Deixe-o aí!!!...


Autor: Rilvan Baatista de Santana

Licença: Creative Commons

Canções do exílio
Carlos Heitor Cony

"Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá" (Gonçalves Dias). "No Brasil tudo é possível, até o impossível" (Machado de Assis). "No Brasil coqueiro dá coco" (Ary Barroso). "Ah, que saudades que eu tenho da aurora da minha vida" (Casimiro de Abreu). "Antes te houvessem roto na batalha, que servires um povo de mortalha" (Castro Alves). "Quero ser pobre sem deixar Copacabana" (Antonio Maria). "O Rio amanheceu cantando, toda cidade amanheceu em flor" (Braguinha). "O chefe da polícia, pelo telefone mandou me avisar que na Carioca tem uma roleta para se jogar" (Donga). "Copacabana, princesinha do mar, pelas manhãs tu és a vida a cantar" (Tom Jobim).

"Paquetá é um céu profundo que começa neste mundo mas não sabe onde acabar" (Hermes Fontes). "Os inocentes do Leblon não viram o navio entrar. Trouxe bailarinas? Trouxe imigrantes" (Drummond de Andrade). "Vou-me embora, senhora, que me dão para levar? Saudades, penas e lágrimas eu levo para chorar" (Machado de Assis). "Para ver a minha santa padroeira eu vou à Penha de qualquer maneira" (Ary Barroso). Passei por ela na rua Bom Pastor e ela nem soube que eu passei tão perto nem suspeita que segui chorando (eu mesmo).

A Ilha do Governador, como diz a geografia, é cercada de mar por todos os lados. Não tem nenhum governador, mas é o único lugar do mundo que tem o Peitoral Loiola, porque a sua farmácia não se chama Loiola mas Boriloi, nome que nunca foi explicado. Fica no Cacuia, em frente ao cemitério. Ao contrário do mundo, o cemitério tomou o nome do bairro, e o bairro ficou com o nome do cemitério (eu mesmo). "Senhor, eu quero andar na rua do Catete" (Rubem Braga). Devido à violência e às balas perdidas, o carioca pode morrer antes de nascer (segundo os jornais).

Fonte:

Folha de São Paulo (RJ) ABL

DEZ MILHÕES DE MOTIVOS PARA CHAMAR PETISTAS DE LOUCOS FANÁTICOS

Vários pensadores viram que o comunismo era uma seita religiosa adaptada, que em vez de prometer o paraíso celeste, prometia aquele terrestre mesmo. Mas as características eram todas de uma seita, com a ideologia no lugar da religião, mantendo o restante: os crentes, os hereges, os dogmas, os santos, os demônios, o Deus.

O petismo é, no Brasil, o representante maior desse fenômeno. Quem adotar o cinismo como ferramenta e concluir que todos os petistas são simplesmente canalhas e oportunistas estará deixando um lado da coisa de fora da análise. Um lado importante, que explica, por exemplo, como gente pobre, que não ganha diretamente nenhum benefício do PT ou não participa do butim após a pilhagem que a quadrilha faz do estado, permanece como crente fiel da seita.

Quando o juiz Sergio Moro congelou mais de R$ 600 mil da conta particular de Lula, o guru da seita, já era para essa turma pausar para reflexão: que tipo de “pai dos pobres” tem tanto dinheiro em liquidez no banco? Mas mal deu tempo de se criar a dissonância cognitiva e lá veio mais: foram congelados nove milhões de reais de Lula e sua empresa em contas de previdência privada. Nove milhões!

Parêntese para a ironia do número: um milhão para cada dedo do ex-presidente, e mais uns quebrados, o mesmo que ele pegou em anos de prisão na condenação em primeira instância pelo triplex que ganhou como propina no Guarujá. O deputado do PSOL Jean Wyllys, que levou a sério a piada de que Moro deu esta sentença por causa dos dedos de Lula, poderia agora reclamar da quantia congelada também, alegando que se fosse outro teria dez milhões bloqueados. Fecho parêntese.

A notícia deveria ser um choque, um momento de epifania, de despertar, algo como um vídeo de um bispo rindo num iate enquanto ensina seus pastores a pegar mais dinheiro de trouxas para um crente evangélico daquela seita. Mas os petistas não se abalam. Sequer passa por suas mentes como foi que Lula ficou tão rico, e se isso não vai contra toda a sua narrativa igualitária, ou sua imagem de representante da “senzala” contra a “casa-grande”, as “elites”.

Imediatamente após a notícia já tinha petista propondo vaquinha para ajudar o ex-presidente. Isso mesmo: gente pobre disposta a pegar do próprio bolso R$ 10 para contribuir com seu líder, afirmando que tudo não passava de uma estratégia de Moro para que Lula não pudesse pagar seus advogados de defesa. Não vamos esquecer que José Dirceu, também condenado, também milionário, também fez vaquinha e levantou recursos com os petistas.

É preciso convocar psiquiatras, ou melhor, teólogos ou então demonólogos (mais apropriado) para analisar o fenômeno. Só assim é possível compreender a persistência do PT mesmo depois de tudo. Lula é um nababo, que leva a vida de um magnata, em jatinhos particulares, em coberturas na praia, em grandes sítios, entre empreiteiros e banqueiros como “amigos”, tomando os vinhos mais caros, gastando milhões como quem não se importa jamais com o conceito de escassez. E esse sujeito ainda repete que luta pelos pobres contra as elites. E uma ala dos pobres acredita!

Uma das explicações poderia ser a de “mulher de malandro”, aquela que apanha e volta para pedir mais. Ou seja, esses petistas seriam como as namoradas de picaretas que ficam encantadas com o cafajeste e o defendem por aí, como adolescentes apaixonadas, não importa o que eles tenham feito com elas ou com terceiros. Há, ainda, a possibilidade de uma parte do povo se identificar com seu Macunaíma, o herói sem caráter, e ver em Lula aquilo que, no fundo, gostariam de fazer também: se dar bem não importa como. Mas ainda acho que o grosso da explicação é o fenômeno religioso mesmo. Como Gustavo Nogy explicou:

Além dos 600 mil reais, agora a justiça bloqueia aplicações de aposentadoria privada do Lula no valor aproximado de 9 milhões de reais. Quase 10 milhões de reais tem o presidente imaculado que não sabe, não deve, não teme. Que nasceu pobre, cresceu pobre, continua pobre. O lulopetismo depende de credulidade, fidelidade e disciplina. O lulopetismo exige a coragem para apostar alto como um Pascal em bingo; exige a coragem para saltos de arrepiar os cabelos de qualquer Kierkegaard. Tenho admiração por gente assim tão religiosa. Amém.

Não, meus caros leitores, não é possível explicar tudo com base na canalhice. É crucial usar o prisma religioso também. O PT veio substituir as religiões, para muitos, nessa necessidade inata de pertencer a algo maior, de se diluir em meio a um todo de forma a dar propósito para a vida, de abandonar o egoísmo profano em busca de algo mais elevado e sagrado. O problema, claro, é que no caso do PT tudo não passa de uma farsa, um engodo, uma falsa religião, cujos ídolos possuem pés de barro.

Sempre que a religião vai parar na política, aliás, isso acontece. Não é o local para a busca do sagrado, dos santos, da perfeição. O resultado acaba sendo invariavelmente este: a extrema decepção e desilusão para aqueles que conseguem abrir os olhos para a realidade, e um cenário desolador de alienação daqueles mais limitados, fanáticos, que insistem no autoengano, passando vergonha alheia ao defender alguém como Lula em nome dos pobres contra os ricos, chegando ao absurdo de tirar do seu próprio bolso parte do seu dinheiro para ajudar o “coitado injustiçado”.

Sim, aquele mesmo, que tinha 600 mil de bobeira na conta corrente, mais 9 milhões em poupança, fruto de suas “palestras” de fachada para pagar propinas pelas tetas estatais que concedeu aos bilionários empreiteiros, os maiores ícones da tal elite brasileira condenada pelos discursos petistas. Chamar essa gente de burra ou de vendida é ignorar o essencial em muitos casos: são loucos fanáticos mesmo, como aqueles que aderem ao Estado Islâmico.

Rodrigo Constantino



Uma nova e impactante revelação sobre o Santo Sudário que poderia confirmar sua autenticidade.

Trata-se, sem dúvidas, da peça de tecido mais estudada do mundo. Durante séculos o Santo Sudário, ou Sudário de Turim – no qual, segundo a tradição cristã, Jesus foi envolto após ser crucificado – foi objeto de investigações, teorias e escrutínio.

Esquerda: detalhe do Santo Sudário. Direita: uma imagem fotográfica do tecido. Foto: IBT Times
A última investigação conhecida, cujos resultados foram publicados na revista científica norte-americana PlosOne, sustenta a teoria de que o tecido usado como mortalha funerária é verdadeiro.

Elvio Carlino, pesquisador do Instituto de Cristalografia de Bari, na Itália, disse que a peça de três metros de comprimento por um de largura, com uma imagem ligeiramente manchada de um homem que, para os cristãos, representa Jesus, contém minúsculas partículas que revelam um “grande sofrimento” de uma vítima “envolta na mortalha funerária”.

Estas partículas tinham uma “estrutura, tamanho e distribuição peculiares”, acrescentou Giulio Fanti, professor da Universidade de Pádua.




Em um artigo intitulado “Nova evidência biológica dos estudos de resolução atômica no Sudário de Turim”, os pesquisadores afirmam que o sangue no tecido continha altos níveis de creatinina e ferritina, substâncias encontradas em pacientes que sofrem fortes traumas, como a tortura.

“Estas descobertas só puderam ser reveladas pelos métodos desenvolvidos recentemente no campo da microscopia eletrônica,” esclareceu Elvio.

Ele disse que a investigação marcou o primeiro estudo “das propriedades em nano-escala de uma fibra pura extraída do Manto de Turim”.

A análise foi realizada pelo Instituto Oficial de Materiais em Trieste e pelo Instituto de Cristalografia de Bari, ambos sob a liderança do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, bem como do Departamento de Engenharia Industrial da Universidade de Pádua.

Investigações anteriores asseguravam que o tecido era mais recente – da época medieval – e que a imagem havia sido criada por falsificadores. O fato de que o mesmo está manchado de sangue já é considerado incontestável.

Fanti, um dos estudiosos do sudário, acreditava que a imagem representada na mortalha poderia ter sido resultado de uma explosão de “energia radiante”, como luz ultravioleta, raios X ou correntes de partículas que emanam do próprio corpo humano.

O sudário está atualmente em exibição na Catedral de São João Batista em Turim, na Itália. Durante uma visita à cidade em 2015, o Papa Francisco fez uma pausa e uma oração silenciosa diante do Santo Sudário.

Benito Kozman


Fonte: Yahoo Notícias

Minha Ponte, minha vista!
Antonio Nunes de Souza*


No dia 28 de julho
Vou ter o  maior orgulho
Não quero que ninguém me pegue.
Vou correndo para a inauguração
Que vai ser uma sensação
A famosa “ponte de Jegue!”

Bobo vai ser quem não for ver
Bem de perto para crer
Eu vou correndo e me “pico”.
Para mim será novidade
Atravessar minha cidade
Pela ponte do Jerico!

Viva Fernando Cuma
Que sempre faz cada uma
Com festas e muito “reggae”
Dessa vez não foi diferente
Deixando o povo contente
Com a passarela do Jegue!




*Escritor-Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL- antoniodaagral262hotmail.com-antoniomanteiga.blogspot.com

Academia Brasileira de Letras comemora seus 120 anos de fundação e entrega ao historiador baiano João José Reis o prêmio Machado de Assis de 2017

A Academia Brasileira de Letras comemorou seus 120 anos de fundação, dia 20 de julho, quinta-feira, em solenidade no Salão Nobre do Petit Trianon. A Acadêmica e escritora Nélida Piñon, Secretária-Geral da ABL, foi a oradora oficial do evento e exaltou a História da Casa por intermédio dos objetos que contam sua trajetória desde 1897.

“Os objetos espalham-se pelas bibliotecas e pelas salas. Ao vê-los inertes na aparência, compunjo-me, procuro saber que arrebato se escondeu em cada um deles. Entre eles, observo o pince-nez com o qual Machado escrevia. Este pince-nez arfa na Academia Brasileira de Letras. Felizmente alguém o retirou do seu rosto salvando-o de seguir com Machado de Assis para a eternidade”, disse a Acadêmica em seu discurso na cerimônia.

Na mesma solenidade, o historiador baiano João José Reis, um dos mais importantes do Brasil nessa área, autor de diversos livros, entre eles A morte é uma festa, recebeu o Prêmio Machado de Assis de 2017, no valor de R$ 300 mil, e um diploma. O Acadêmico e historiador José Murilo de Carvalho fez a saudação ao vencedor. Também foi dada a palavra ao ganhador do prêmio.

Encerrada a solenidade, o Presidente convidou os presentes para assistirem a uma apresentação do Quarteto de Cordas Rio de Janeiro (Ricardo Amado, violino; Andrea Moniz, violino; Dhyan Toffolo, viola; e Ricardo Santoro, violoncelo) e participar do coquetel que se seguiu ao espetáculo.

Saiba mais

O VENCEDOR DO PRÊMIO DE 2017


Graduado em História pela Universidade Católica de Salvador, João José Reis tem mestrado e doutorado pela Universidade de Minnesota e diversos pós-doutorados, que incluem a Universidade de Londres, o Center for Advanced Studies in the Behavioral Sciences, da Universidade de Stanford, e o National Humanities Center.

Também foi professor visitante das seguintes universidades: Universidade de Michigan, Universidade Brandeis, Universidade de Princeton, Universidade do Texas e Universidade de Harvard. Atualmente é professor titular do departamento de História da Universidade Federal da Bahia

Entre seus livros de maior destaque estão: Negociação e Conflito: A Resistência Negra no Brasil Escravista; Liberdade por um Fio: História dos Quilombos no Brasil; Rebelião Escrava no Brasil: A História do Levante dos Malês.

João José Reis recebeu diversos prêmios no Brasil e no Exterior, entre eles: Prêmio Casa de las Americas, do Instituto Casa de las Americas, de Cuba; Ordem Nacional do Mérito Científico na Classe de Comendador, do Ministério da Ciência e Tecnologia e Academia Brasileira de Ciências; Prêmio Jabuti de Literatura (melhor obra de não-ficção com o livro A morte é uma festa), da Câmara Brasileira do Livro.

Fonte: ABL


Um romance brasileiro
Rosiska Darcy de Oliveira

A sentença afirma, ao cabo de longa e cuidadosa investigação, que o herói do povo brasileiro, o defensor dos pobres, o líder dos operários do ABC, o presidente da República estimado mundo afora, sonhava com um tríplex no Guarujá e não hesitou em se dar um de presente, desenhado sob medida, pago indiretamente por dinheiro sujo desviado da Petrobras. Tivesse o episódio, como protagonista, um funcionário público qualquer ou outro politico corrupto, não teria a carga dramática que tem essa condenação.

Acontece que por 40 anos Lula incendiou o imaginário do povo brasileiro e foi depositário das melhores esperanças de redenção de um país terrivelmente desigual, órfão de um “pai dos pobres”. Sobretudo os mais jovens que, com razão, vivem no futuro e se nutrem de utopias, e os mais pobres, a quem pouco resta senão fé e esperança, devotaram ao jovem imigrante nordestino que virou presidente uma admiração, confiança e fidelidade quase religiosas que, ainda hoje, resiste aos trancos da vida real e nega a nudez crua da verdade: o ídolo tinha pés de barro e sonhos de ouro, de grandeza, poder e dinheiro. E nenhum escrúpulo.

Os bons personagens da literatura têm uma alta carga de ambiguidade. Lula foi suficientemente ambíguo para bem compor o personagem principal de uma história que, durante anos, empolgou o Brasil: a incrível aventura de um partido fundado para trazer a justiça social e que, metamorfoseado em uma organização criminosa, que ele é acusado por procuradores de chefiar, saqueia o país. Representou tão bem o seu papel que ainda hoje é difícil distinguir o que nele é verdade ou ficção. Talvez nem ele mesmo saiba, à força de trocar de bonés, enganando a todos, ora amigo cúmplice de Emílio Odebrecht e companheiro de Léo Pinheiro, ora herói dos sem-terra.

O que ele certamente sabe é que quer voltar ao poder, ar sem o qual não respira e, a qualquer custo, escapar da prisão. Decadência de um personagem que se apresentou como redentor de um país gigante e dramático, percebido como um herói e que acaba condenado por um tríplex de mau gosto que um empresário rico e vigarista lhe deu de gorjeta.

Quem o condenou foi um juiz muito jovem, de primeira instância, um anônimo juiz de Curitiba, homem de classe média, admirador do juiz Giovanni Falcone, que comandou a operação Mãos Limpas na Itália, assassinado pela máfia. Saído do nada, como cabe aos personagens que vão crescer na história, imbuído de uma ideia obsessiva de bem cumprir seu dever de garantidor da lei, Sergio Moro vai puxando os fios que pouco a pouco desfazem uma gigantesca teia em que se moviam, soberanos, os ricos e poderosos, homens criados e afeitos à impunidade, assaltantes contumazes dos cofres públicos disfarçados de políticos, ministros e presidentes.

Nessa teia moviam-se também, em promíscua cumplicidade, as lideranças daquele partido que ia salvar o país.

A cada capítulo desse romance é um herói que se revela bandido, um empresário que se revela mafioso, um mafioso que se torna ministro. Sergio Moro empolga seus pares, multiplicam-se os juízes e procuradores atentos à corrupção. São poucos os políticos influentes que ainda não foram chamados a se explicar.

Nas páginas atuais do romance, apesar de condenado Lula ainda se mantém viável como candidato a voltar à Presidência. Pesquisas de intenção de voto, no entanto, mostram aquele anônimo juiz de Curitiba, o que o condenou à prisão, como capaz de derrotá-lo nas urnas se candidato fosse. Mas não é. O que anda pensando e sentindo, de fato, a maioria do povo brasileiro? Os próximos capítulos dirão.

De todo modo, o que esse romance conta é a trágica história de um povo traído em suas esperanças, perplexo, que tem agora que viver o luto pelos salvadores da pátria condenados por crime comum. Que aprende duramente a viver sem mitos, a pensar pela própria cabeça e fazer escolhas encarando sua dura realidade, aquela em que o país mergulhou, a pobreza, o desemprego e a violência, por conta do saque que os salvadores da pátria, nas sombras, organizaram.

Em todo bom romance, o desfecho é surpreendente. Surgirão novos personagens, inesperados ou até agora secundários, que trarão um pouco de felicidade a essa terra tão castigada? Ou, ao contrário, estará ela condenada à repetição de um destino maldito, ser a presa de impostores?

Fontes:
O Globo / ABL



                                        Mais um aniversário da cidade!
                                             Antonio Nunes de Souza*

Faltando apenas uma semana para o maior evento festivo de nossa cidade, que é seu aniversário, os reboliços já começaram a circular, principalmente na área política, onde os interesses são grandes daqueles que estão no poder esbravejarem as obras que foram realizadas em suas gestões, as que estão em andamentos e, logicamente, as que virão e já foram programadas para suas futuras inaugurações.
Essa ladainha é tão repetida a cada ano que, para o próprio povão, já não entusiasma mais. E, antes desse discurso dos prefeitos, tem os “enche rolas” dos vereadores que, para capitanear votos para suas reeleições, dizem que tais obras foram solicitadas por eles, atendendo as reivindicações do povo que o elegeu, enxertaram outras que ainda não foram programadas e iniciadas por falta de licitações, ou verbas estaduais e federal. Pelo que os senhores estão vendo, nosso evento maior serve mesmo para que os políticos desabrochem em mais promessas e mentiras nos palanques, tentando e conseguem ludibriar o pobre povo que já se acostumou e se acomodou a ser agraciado com esse palavreado cheio de “farofas e papos de jacaré”!

Para não dizer que não haverá alguma parte destinada a alegria da população, teremos os desfiles civis, militares e estudantis, que, com suas bandas e alegorias, alegram as criancinhas, deixando-as embevecidas, balançando bandeirinhas e com uma bola de gás na outra mão.
Esses desfiles, embora repetitivos e com promessas abstratas, sempre deixam lembranças em nossas mentes, uma vez que, os adultos se distraem levando suas crianças, e a juventude aproveita para suas normais paqueras nos shows musicais noturnos, que são indispensáveis para marcar as administrações.
Dependendo do grau de cultura e cidadania dos prefeitos e suas bancas de vereadores, consegue-se ver também alguns eventos paralelos ligado a literatura, saúde, ou educação que, normalmente, são patrocinados por empresas privadas, obviamente, para alcançar seus interesses financeiros e simpatia popular!

Esse é, nada mais nada menos, que um vídeo tape de todos os anos, que nos submetemos aos interesses políticos, como cordeirinhos amestrados.
Contudo, de qualquer forma, temos um dia de feriado, onde aqueles que realmente trabalham para o engrandecimento da comunidade, tem a oportunidade de descansar um pouco das suas labutas!

Parabéns Itabuna querida! Que esse seja um ano um pouco diferente do que foi descrito acima, e tenhamos novidades e obras representativas que orgulhem o nosso crescimento!


*Escritor-Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL –antoniodaagral26@hotmail.com-antoniomanteiga.blogspot.com




Confraria Dos Bibliófilos do Brasil - Aniversário de 20 Anos




Muita convicção, nenhuma prova: o raio-X da sentença de Moro no 'caso triplex'

Na quarta-feira, dia 12 de julho, foi publicada a sentença do Juiz Federal Sérgio Moro que condenou o ex-presidente Lula a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, consistentes na acusação de que ele teria recebido um apartamento triplex no Guarujá (SP) como contraprestação de corrupção em contratos firmados entre a Petrobrás e a construtora OAS.
 
A condenação consagra a tese da acusação, a qual, no entanto, não conseguiu provar documentalmente o registro do imóvel, bem como desprezou a prova de inocência, isto é, a série de garantias de hipoteca e cessão fiduciária que tornavam impossível outro destino do apartamento que não fosse a pura e simples venda. Além disso, a sentença de Moro ignorou mais de 70 testemunhas que negaram a existência do crime. Leia a sentença na íntegra.

Para facilitar a compreensão, o Justificando preparou um raio-x da decisão que tem mais de 200 páginas, bem como contextualizou as afirmações de Moro de acordo com as teses de acusação e defesa, explicando a relevância prática de cada argumento. Confira:


Atenção: Se quiser entender questões jurídicas diretamente ligadas à causa, pule para a parte “Teses”, que começa com o debate sobre a super competência

Nas primeiras páginas, Moro dedica seus argumentos para supostamente refutar a tese de que estaria sendo parcial – tese esta defendida tanto pela defesa, quanto por vários juristas que acompanham o caso – e que ele instrumentalizou seus poderes de juiz e o processo para uma “guerra jurídica” frente ao acusado. O termo entre aspas é uma forma de Moro dizer com outras palavras sobre o lawfare, uma das teses centrais da defesa que trata da utilização da lei e do poder judiciário para perseguição política.

Vários episódios foram destacados para levantar o lawfare e a consequente suspeição do magistrado, como a (i) divulgação dos áudios entre Lula e Dilma para a Rede Globo, a (ii) determinação de grampo telefônico no escritório de advocacia do ex-presidente, apesar de dois ofícios da Telefônica avisando-o da excentricidade da medida, (iii) a decisão de condução coercitiva do réu que sequer havia sido intimado para depor, (iv) a “entrevista do power point” realizada por Deltan Dallagnol, (v) a “animosidade” entre julgador e a defesa, entre outros.

(i) Sobre o áudio vazado para a Rede Globo, Moro preferiu se justificar com os mesmos argumentos utilizados à época, quando o falecido ministro Teori Zavascki, então no cargo no STF, utilizou um discurso duro para condenar o que o magistrado fez com o sigilo telefônico dos ex-presidentes, expondo-os em rede nacional por uma conversa cujo conteúdo não teve consequência jurídica, mas que foi o suficiente para inflamar as manifestações pelo impeachment na derrocada final do governo Dilma.

Apesar do tom utilizado contra o magistrado, os ministros do STF quando julgaram a conduta de Moro proferiram uma contraditória decisão de devolver para o magistrado todo o processo, inclusive a interceptação tão contestada, para julgamento. Na sentença do Triplex, o magistrado ressalta que o fato da corte ter devolvido o processo a ele eliminaria qualquer alegação por parte da defesa.

Não satisfeito, o magistrado logo após enfrentar as críticas do Supremo em sua sentença, passa novamente a fazer considerações acerca do teor da conversa, reafirmando dessa vez sua convicção desfavorável em relação ao réu e favorável à sua conduta. Em outras palavras, pediu desculpas antes, mas depois justificou o que fez como se certo fosse, pois, nas suas palavras, o Judiciário não poderia ser guardião de “segredos sombrios”: “não deve o Judiciário ser o guardião de segredos sombrios dos Governantes do momento e o levantamento do sigilo era mandatório senão pelo Juízo, então pelo Supremo Tribunal Federal”.

Ao final, Moro escreveu sobre as conversas íntimas divulgadas que expunham a família de Lula. O caso mais notório ocorreu com a divulgação do áudio da ex-primeira dama Marisa Letícia que, em conversa telefônica privada com seu filho, manifestava repúdio aos paneleiros. Após o falecimento da primeira dama, aumentaram as críticas ao juiz em razão da desnecessidade dessa exposição gratuita da intimidade. Para Moro, contudo, “há, é certo, alguns diálogos que parecem banais e eminentemente privados, mas exame cuidadoso revela sua pertinência e relevância com fatos em investigação”.

Ler mais
(ii) Sobre o grampo no escritório de Advocacia Teixeira Martins, a defesa apontou como exemplo prático de lawfare o sistemático grampo nos telefones dos advogados. No caso, uma matéria da revista eletrônica Conjur, em março de 2016, apontava que todo os 25 advogados do Teixeira Martins – banca que advogava para o ex-presidente – foram grampeados no telefone central do escritório. Vale dizer que Roberto Teixeira, sócio do escritório, teve seu telefone pessoal interceptado.

Em sua defesa, Moro afirmou que não sabia que o telefone grampeado era da defesa do ex-presidente e que queria grampear apenas uma empresa de palestras que operaria no mesmo número e que, na sua opinião, tinha ligação com o crime investigado.

Ocorre que logo após a determinação do grampo, a Telefônica oficiou o juízo de Curitiba por duas vezes para alertar sobre gravidade da medida, afinal escritórios de advocacia são protegidos por lei, mas foi ignorada. Para os advogados de Lula, o grampo no escritório e no telefone pessoal do sócio foram parte de um monitoramento das estratégias que seriam utilizadas e configuraram em um grave atentado ao direito de defesa.

Na sentença Moro afirmou que precisava investigar a empresa de palestras e que não se atentou aos ofícios da Telefônica, que não foram analisados com atenção ante as “centenas de processos complexos” julgados na Vara. Em resposta, a própria Conjur o lembrou de que ele tem uma equipe para julgar os casos e que, por determinação do TRF-4, ele não recebe nenhum outro processo que não seja ligado à operação.

Sobre o telefone pessoal, Moro justificou o grampo no celular do Advogado do Presidente Roberto Teixeira por ele ser, na visão do magistrado, suspeito pelo crime de lavagem de dinheiro. A última informação apurada pelo Justificando, no mês de junho, era no sentido de que grampo ainda está ativo por decisão judicial e, desde então não há notícia de sua revogação.

(iii) Sobre a condução coercitiva sem que houvesse uma intimação para depor, como evidente prática de lawfare, uma vez que formou-se um grande espetáculo em torno da oitiva de Lula, Moro negou que se tratava de uma perseguição contra o ex-presidente. Na época, o caso teve grande repercussão e críticas ao arbítrio do magistrado.

Em sua defesa, ao argumentar na sentença o juiz afirmou que a questão de levar coercitivamente quem sequer foi intimado é “polêmica” no direito. Ocorre que não se trata de uma polêmica, pois sequer há algum jurista que defenda a legalidade teórica de prática como essa, a não ser o próprio Juiz Federal e a força tarefa do MPF.

Em todo caso, ele justificou que, no contexto específico da Lava Jato, fazia sentido essa determinação, a fim de que agentes policiais não fossem expostos a algum risco. De outro lado, Moro argumentou que o tempo teria lhe dado razão, pois houve uma concentração de militantes no Aeroporto de Congonhas, para onde o ex-presidente foi levado por um grande aparato policial para ser ouvido.

Quanto às argumentações, vale lembrar que Lula já foi ouvido por dezenas de vezes a convite do Poder Judiciário e nenhum episódio foi tão conturbado quanto a oitiva coercitiva e o interrogatório em Curitiba.

(iv) Sobre o famigerado power point, que gerou a denúncia que conseguiu a presente condenação, o magistrado argumentou que tal episódio não representa o “lawfare“, pois, na sua visão, ainda que a linguagem de Deltan Dallagnol e seu Power Point fossem criticáveis, tal fato não teria efeito prático para a ação penal, onde o que importaria seriam, em tese, as peças processuais produzidas.

O debate gira em torno do dia em que Deltan convocou toda a grande imprensa para, em rede nacional, fazer uma apresentação de slides de power point com uma série de adjetivações a Lula. “Ainda que eventualmente se possa entender que a entrevista não foi, na forma, apropriada, parece distante de caracterizar uma “guerra jurídica” contra o ex-Presidente”, afirmou o magistrado.

Embora Moro tenha argumentado que a conduta do Procurador não influiu na ação penal, vale dizer que Deltan Dallagnol foi o Procurador responsável por acusar Lula até o fim do processo e já anunciou que vai recorrer da decisão para aumentar a pena.

v) Sobre a animosidade do Juízo frente aos advogados Moro aproveitou sua sentença para reclamar do comportamento da defesa. Na sua visão, foi uma comportamento rude: “este julgador sempre tratou os defensores com urbanidade, ainda que não tivesse reciprocidade” – queixou-se. Entretanto, as audiências mostraram o contrário, uma vez que raros foram os momentos nos quais a participação da defesa foi bem vinda, como ficaram nítidos em episódios marcantes, como quando ele debochou do ex-presidente nacional da OAB José Roberto Batochio para que ele fizesse concurso para juiz.
Mas o mais rumoroso caso gira em torno da intervenção do advogado e assistente de acusação da Petrobrás René Ariel Dotti quando ele cassou, aos berros, a palavra da defesa que debatia com Moro sobre uma pergunta feita a Lula. Para o magistrado, a censura foi ótima, como pode ser lido na referência feita ao “renomado e veterano advogado criminal René Ariel Dotti“. No meio jurídico, no entanto, o cenário foi outro: diversos criminalistas de renome fizeram um desagravo para os advogados Cristiano Zanin Martins, Valeska Teixeira Martins e Fernando Fernandes, bem como foi publicado artigo do criminalista de renome mundial Juarez Cirino dos Santos em tom crítico às condutas de Moro e René.

Ao final desse trecho da sentença, Moro vangloriou-se de ter sido sereno, pois, na sua opinião, ele poderia se quisesse tomado “providências mais enérgicas”: “poderia o Juízo ter tomado providências mais enérgicas em relação a esse comportamento processual inadequado, mas optou, para evitar questões paralelas desnecessárias, prosseguir com o feito” – afirmou contra as alegações de lawfare.


Fonte: Yahoo Notícias
Lula Marques/AGPT





Fonte: Facebook

LULA E BANDIDOS À SOLTA, TUDO A VER
Por Percival Puggina

 Se você ainda não ouviu falar em desencarceramento, prepare seus olhos, ouvidos, nariz e garganta para o que vem por aí.
 Nada disso é recente, tudo está entre as causas da nossa insegurança e precisa de Lula em liberdade para que o processo se complete. Lula atrás das grades sinaliza o capítulo final de uma era na política brasileira, encerrando muitas carreiras, idéias e militâncias impulsionadas pela energia que dele emanava.
 
Desencarcerar? Soltar presos? Polícia prende, justiça solta? Agenda pelo desencarceramento? Que diabos é isso? Os promotores de Justiça do MP/RS, Diego Pessi e Leonardo Giardin de Souza, abriram a janela sobre o tema. Ambos são autores do livro “Bandidolatria e Democídio, ensaio sobre garantismo penal e criminalidade no Brasil”. Em recente artigo, chamam a atenção para a existência de uma tal “Rede Justiça Criminal, ente fantasmagórico que diz reunir oito ONGs preocupadas com o sistema criminal brasileiro (prisaonaoejustica.org). Dentre as reivindicações da abnegada militância, destaca-se a inarredável proibição de prender, pois cadeias superlotadas geram “mais violência”, sendo necessário apostar em mecanismos que dificultem a prisão ou induzam a soltura de criminosos”. Tudo que você quer, não é mesmo, leitor?

Em novembro de 2013, essa rede criou uma Agenda pelo Desencarceramento. Seus autores consideram “chegada a hora de reverter a histórica violência do país contra as pessoas mais pobres e, com seriedade, fortalecer a construção de um caminho voltado ao horizonte de uma sociedade sem opressões e sem cárceres”. Para isso, pontuam as seguintes metas:

• suspensão de qualquer investimento em construção de novas unidades prisionais;
• restrição máxima das prisões cautelares, redução de penas e descriminalização de condutas, em especial aquelas relacionadas à política de drogas;
• ampliação das garantias da execução penal e abertura do cárcere para a sociedade;
• vedação absoluta da privatização do sistema prisional;– Combate à tortura, desmilitarização das polícias e da gestão pública.

Enquanto os brasileiros convivem com níveis de violência e insegurança superiores aos de regiões em guerra, influentes organizações assombram a sociedade com tais propostas. Por quê? Marxismo em grau máximo.

Para ideologias coletivistas, o indivíduo é um anacoluto, uma inconsistência na gramática marxista, onde somente o coletivo tem importância. O indivíduo é descartável por ser portador de interesses conflitantes com os do coletivo onde deveria estar inserido. Por isso, a Sibéria, os gulags, as clínicas psiquiátricas. Por isso, para a turma do desencarceramento, violência não é praticada por quem está nas ruas roubando, matando, estuprando, apavorando a sociedade; violenta é a sociedade que encarcera aqueles a quem, antes, “excluiu”. O criminoso seria produto geneticamente inevitável dessa sociedade que só será curada pelo mergulho no socialismo (é assim que eles chamam o comunismo). De modo simétrico, está tudo na Teologia da Libertação, absolvendo, o pecado individual em nome de um impessoal e coletivo pecado social que só se redime com os “oprimidos, conscientizados, lutando por sua libertação”.

Cansei de escrever e dizer que era exatamente isso que estava por trás da leniência da legislação, da falta de investimentos no sistema prisional, da inoperância do Fundo Penitenciário Nacional; que era exatamente isso que promovia a superlotação e a gritaria dos militantes de direitos humanos ante o desejado produto de sua estratégia: solta todo mundo que assim não dá.


Agora, tanto o método quanto a finalidade estão muito claros, com agenda redigida por seus articuladores, que, obviamente, permanecem à sombra de suas ONGs. Durante 13 anos de governo petista, essa estratégia foi determinante da crise que nos levou à condição de 11° país mais inseguro do mundo, com o maior número de homicídios e 19 das 50 cidades mais violentas do planeta. Por enquanto. O fim da era Lula é o fim desse macabro programa.

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