Saber-Literário

Diário Literário Online


A cultura do ódio
R. Santana

            Conheci um sujeito na pré-adolescência, brigão e polêmico, pecava pela franqueza, de quando em quando, ele estava envolvido em confusão. Não entendia a causa daquelas desavenças, porque Charqueada de costume, era um negro amigo, fiel, prestativo, solidário e generoso.
Como todo ser humano, ele tinha seus defeitos, dentre esses defeitos, tinha fama de “pavio curto”, que não levava desaforo para casa e temido pelo manejo de seu “Tramontina” de 20 polegadas.
Tinha-lhe certa afeição, pelos seus causos e, por sua proteção. Certa feita, um sujeito surgiu do nada e passou beber na bodega do meu tio Pedro, quando já tinha bebido quase um litro de cachaça e estava de cabeça cheia, quis me dar o calote: alegou que tinha deixado o dinheiro em casa. Passei lhe acompanhar aqui, ali e acolá, nada de chegar ao destino desse sujeito, quando íamos à altura do DNIT (naquela época, capoeira e mata fechada cortada por um caminho), embaixo duma Jaqueira, surge Charqueada: 
- Ei moço, aonde vai com este menino!? – O cara titubeou, tremeu na base (Charqueada tinha quase 1,90 m de altura, os braços enormes e musculosos), apontou o lugar: “acolá, ali perto do...”, o meliante não completou a frase, recebeu uma bofetada em cima das fuças, caiu, levantou, tomou mais bofetadas, e pernas pra que te quero? Sumiu nas perambeiras...
Um dia, eu lhe perguntei:
- Charqueada, por que tanta rixa?
            - Doutorzinho, eu não mexo com as pessoas, elas que mexem com a minha pessoa!
            - Compreendo...
            Hoje, 6 décadas depois, não me sai da cabeça, o significado da frase de Charqueada: “Doutorzinho, eu não mexo com as pessoas, elas que mexem com a minha pessoa”.  Algumas pessoas não conseguem se relacionar com outras de forma natural, são rejeitadas sem motivo, não são simpáticas, não são envolventes, por mais que se esforcem, às vezes, elas se impõem pelo exemplo, pela firmeza e coerência de suas atitudes, mas não aceitas de bom grado, elas sempre são cutucadas de graça, sem motivo significativo. Eu sou um pouco Charqueada, eu não mexo com as pessoas, elas que mexem comigo, como não sei usar um “Tramontina”, Deus deu-me o dom da caneta.
            Em 2017, fui ultrajado publicamente em sites e revistas pela direção da ALITA, daquela época, minha dignidade pessoal foi achincalhada, se tenho algum mérito intelectual foi para Cucuia, eles espalharam a cultura do ódio, muitos confrades viraram-me a cara, fui taxado de “pavio curto”, "Sujeito difícil...",  não participei da primeira revista histórica Guriatã, por mais que me penitenciasse, fui alijado pela entidade que ajudei fundar. O crime que fiz, foi criticar publicamente (não tinha espaço no grupo intolerante e tendencioso), a má gestão desses próceres e lhes sugerir novos caminhos no blog que administro Saber-Literário.
            Por isso, surpreendi-me quando no dia 6 de fevereiro, deste ano, recebi um e-mail do escritor Cyro de Mattos, convidando-me para enviar um texto para 3ª. Revista Guriatã, de chofre, achei que o convite não passava de um “acidente”:

Cyro de Mattos
Escritor e Diretor da Revista Guriatã
Fonte: Google
“Alitanos: Enviei no ano passado vários comunicados aos membros da ALITA para que enviassem colaborações  para o número 3 de Guriatã.
Recebi apenas textos de Sônia Maron, Ruy Póvoas, João Otávio e  Ceres Marylise.
Estou fechando o número 3 da revista, que suponho terá o mesmo nível dos números anteriores ou melhor. 
Mantenho contato com uma gráfica para obter  os custos da edição em torno de 3 mil reais, abaixo  dos das edições  anteriores.
Quem quiser, ainda pode enviar suas colaborações para este número de Guriatã, três páginas no máximo,  ensaio, crônica, conto, menos poesia, até o dia 13 deste mês de fevereiro.” Cyro de Mattos.

Respondi-lhe no mesmo dia:

“Acho que este e-mail para mim foi um "acidente", pois fui "expulso" da ALITA, mas se não foi "acidente", eu tenho 168 contos publicados, poderei selecionar o mais lido e enviar-lhe” Cordialmente, Rilvan Batista de Santana

Mesmo assim, enviei-lhe um pequeno conto infantil, despretensioso, que exalta o amor filial com o título: “O Segredo”, recebi no dia 14.02, o e-mail:

“Seu texto não se encaixa na revista Guriatã, por ser de natureza infantil, destinado ao público infantil. Obrigado.” Cyro de Mattos

            Queixei-me, sabia a priori, que meus textos não seriam publicados, ele respondeu-me:

Lembro que seu texto Jupará foi publicado no número 2 de Guriatá. Foi publicado por suas qualidades. O autor nem sempre acerta no que escreve.  Nem os grandes. Perfeito só Deus. Lerei logo este novo texto de sua autoria.” Cyro de Mattos

Enviei-lhe mais um texto, desta vez, não escolhi texto infantil, mas um texto filosófico e metafísico sobre o “nada”, “O cadáver”:

E, esse, prezado acadêmico? É um texto de adulto, inclusive, filosófico: uma discussão sobre a morte”.
“Sei, a priori, que nenhum texto meu, será publicado, porém, recebi um e-mail de V. S.ª solicitando a colaboração dos acadêmicos para completar a edição da revista.
Se não for possível não será necessário responder-me...”  Cordialmente,  Rilvan Batista de Santana
Não me respondeu, certamente, não será publicado. A cultura do ódio ainda continua. Lembro-me que a presidente atual me disse no Shopping  Jequitibá, quando manifestei meu desejo de voltar e frequentar às sessões da ALITA: “O senhor não se sentirá confortável, não existe clima...”, e a professora Lourdes Bertol completou: “Fulano e sicrano disseram na reunião: - ele ou nós!”

Acho que eles não leram “O cadáver”, pois, lá diz:

“Ele estava ali estirado, o cadáver, o nada diante do tudo e tudo diante do nada, mas o tudo é o nada... Deus, ó Deus, onde estás que não vês o nada?! Nós todos, somos o nada diante de Ti! O nada é o cadáver, mas o cadáver já foi o tudo e o tudo um dia será o nada! O nada é o que existe..”












Autoria: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons











JOÃO DE PAULA FAZ ANIVERSÁRIO


RESUMO BIOGRÀFICO

NESTE DIA 24 DE FEVEREIRO, SÁBADO, QUEM ESTÁ ANIVERSARIANDO É O JORNALISTA, ESCRITOR E HUMORISTA, JOÃO BATISTA DE PAULA, AUTOR DOS LIVROS: " FLORES PARA UM MUNDO MELHOR" E " VOCÊ É IMPORTANTE"

CASADO COM A POETISA EXPEDITA MACIEL VIANA, JOÃO DE PAULA, VIVE ESCREVENDO MENSAGENS DE AUTOAJUDA E DE OTIMISMO, NO JORNAL DIREITOS, NO SABER-LITERÁRIO E NO RECANTO DAS LETRAS E NO BLOG O PRODUTTOR.

FOI REPÓRTER DA TRIBUNA DA BAHIA, CORREIOS DA BAHIA, ALÉM DE EDITAR VÁRIOS JORNAIS E REVISTAS EM ITABUNA.

NOSSAS FELICITAÇÕES JOÃO DE PAULA, PRESENTE DE DEUS, POR FAZER PARTE DO PLANETA LETRAS, INFORMANDO, ORIENTANDO E ESCREVENDO MENSAGENS DE AUTOAJUDA E OTIMISMO POR UM MUNDO MELHOR, UM MUNDO MENOS INFERNAL.

PARABÉNS!!!











VIAGEM POÉTICA...
 Edson rios

Tempos bravios (de)

mentes sedentas (e)

almas culpadas (com)

pensamentos rasgados...



Na caixa de emails,

nenhum bilhete atrevido!...



Preciso ler aquele livro que ainda não foi escrito,

por mim, buscando tudo de mim...

Quantas vezes você escreveu poesias e alguns não entenderam,

pouco menos compreenderam

as formas angulares que o tema descreveu?...



Se você imagina que pode encontrar alguma pista

do lugar aonde um poeta possa estar a desenhar letras,

mude a direção do teu olhar para além da tua imaginação, e vá!...

Vá para onde os teus sentidos te impelirem...

E quando surgirem os obstáculos que limitam a tua imaginação,

salte-os e mergulhe...

Se a tua mente quiser ir só, nesta aventura,

diga que não,

e peça para que também vá o teu corpo,

a tua alma e o teu espírito poético sejam companheiros...

Tenha a certeza de que irá encontrar facetas que multicolorem cada gesto,

cada verso, cada instante poetizado...

Pensas que já chegou?... Não!...

Siga um pouco mais adiante, dobre à direita,

depois do primeiro sítio estelar,

surgirá à tua frente o jardim suspenso dos poetas agressivos,

dos poetas absolutos,

dos poetas irreverentes,

inconseqüentes e divergentes...

Mas não pense que eles são malvados com as palavras;

o que prezam, independentes e inconseqüentes que são,

é adormecerem com suas consciências tranqüilas...



E então, está vibrando com este mergulho?...

Sei...

Quer ir um pouco mais além do permitido?...

Então vamos...



Está vendo aquela águia dourada plainando sobre aquela colina?...

Quer plainar ao lado dela?

Se quiser, aproveite esta oportunidade única,

corra, alcance a velocidade necessária

para que o teu corpo e a tua mente estejam na mesma sintonia

e plaine na mesma suavidade do vôo da águia...

Atente para quando o teu olhar cruzar com o dela,

não sorria, mantenha a serenidade e a seriedade...

Nesse êxtase sem precedentes,

não demonstre medo,

mesmo sabendo que plainar com uma águia dourada,

sem que ela saiba da tua presença ao lado dela,

é quase que um suicídio premeditado...



Agora, retorne e pergunte ao teu pensamento

o que te levou a aceitar este desafio...

 – Poesia!... Isso mesmo, tudo pela poesia...

Porque somente a poesia

pode libertar da nossa mente os problemas maiores

que nos oprimem a cada dia...

E agora, quer descer?...

Então, prepare-se para aterrissar...

Mas cuidado com a escolha do lugar que você pousará os teus pés...

Pode ser num lago, num rio, num oceano,

numa floresta escocesa ou então sobre as Muralhas da China...

A escolha é sua...

Mas, se quiser aceitar uma sugestão, vá para casa,

tome uma ducha bem demorada,

prepare um lanche reforçado acompanhado de um nutritivo suco,

e vá para a tua cama...

Depois de satisfeita, com a tua roupa de dormir,

pegue o teu caderno que rascunhas as tuas poesias

e descreva esta viagem...

Escreva, escreva, escreva!...

Mas não se canse tanto

para que o sono não venha visitar a tua mente exausta...

Mantenha o teu corpo em alerta...

E esconda o teu sorriso das lembranças de antes,

ou então, cubra o teu corpo inteiro

e acaricie o teu pensar com um sorriso...



Edson Rios

Fonte: Clube do Poeta do Sul da Bahia





A próxima Quarta Literária prestará tributo às mulheres extraordinárias do Brasil
 Do  Brazilian Voice / Reprodução/ Brazilian Voicee


A Biblioteca Brasileira em Nova York informou que a próxima Quarta Literária, no dia 28, às 6:00 pm, será dedicada às mulheres extraordinárias do Brasil, tendo como exemplo um pouco das vidas e obras de Madalena Caramuru, Carolina Maria de Jesus e Nísia Floresta.

Filha da índia Moema e do português Diogo Álvares Corrêa, Madalena Caramuru foi a primeira mulher brasileira a saber ler e escrever, segundo atestam alguns historiadores, como Gastão Penalva e Francisco Varnhagen. Em 1534, Madalena casou-se com Afonso Rodrigues, natural de Óbidos, Portugal, que segundo Gastão Penalva, foi o responsável pelo ingresso de Madalena no mundo das letras.

Madalena escreveu uma missiva de próprio punho ao Padre Manoel da Nóbrega, no dia 26 de março de 1561, pedindo que as crianças escravas fossem tratadas com dignidade. Oferecida a quantia de 30 peças para o resgate das crianças. Em homenagem a Madalena, os Correios lançaram um selo que simboliza a luta pela alfabetização da mulher no Brasil, em 14 de novembro de 2001.

Carolina de Jesus é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil. A autora viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, sustentando a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis. Em 1958, foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, que publicou o diário de Carolina sob o nome Quarto de Despejo. Com o dinheiro do livro, a autora se mudou da favela. Chegou a publicar outros livros, mas nenhum repetiu o enorme sucesso de sua primeira publicação.

A obra da autora foi objeto de diversos estudos, tanto no Brasil quanto no exterior.

Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, nascida em 1810, foi uma educadora, escritora e poetisa brasileira. É considerada uma pioneira do feminismo no Brasil e foi provavelmente a primeira mulher a romper os limites entre os espaços públicos e privados publicando textos em jornais, na época em que a imprensa nacional ainda engatinhava. Nísia também dirigiu um colégio para moças no Rio de Janeiro e escreveu livros em defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.

Em seu livro “Patronos e Acadêmicos”, referente às personalidades da Academia Norte-Riograndense de Letras, Veríssimo de Melo começa o capítulo sobre Nísia da seguinte maneira: “Nísia Floresta Brasileira Augusta foi a mais notável mulher que a História do Rio Grande do Norte registra”.

O Brazilian Endowment for The Arts (BEA) é um instituto cultural brasileiro, presidido pelo autor e professor Domício Coutinho, e que conta com inúmeros frequentadores. Há mais de uma década, o Brazilian Endowment for The Arts trabalha para promover a literatura, arte e cultura brasileiras em Nova York (EUA). O trabalho é realizado por uma equipe preparada e capacitada para atuar em diversos projetos e se reflete nos produtos de qualidade e de reconhecimento internacional. A BEA fica na 240 East 52nd St., em Manhattan (NY).


Fonte: Geledés


Firmar Metas Por Mais Que Recompensas
Por Robert Tamasy
Que fatores você incluiria ao estabelecer as metas que busca atingir todos os dias? Muitos empresários e profissionais encaram metas e resultados como coisas permanentemente entrelaçadas. Por exemplo, metas podem ser expressas em termos de recompensas esperadas. Entretanto, tal modo de pensar pode se tornar uma visão estreita. 

Max DePree faleceu no ano passado, mas sua sabedoria permanece. Ele dirigiu a Herman Miller, empresa de móveis para escritóriopor várias décadas, buscando dar uma voz que fosse ouvida a cada pessoa dentro da organização.  Em consequência disso a empresa ficou conhecida por sua atmosfera inclusiva e atenciosa. Notável executivo empresarial e autor de cinco livros, inclusive “Liderar é uma Arte” “Leadership Jazz” (algo como o Jazz da Liderança), DePree observou: “Metas e recompensas são apenas partes, diferentes partes, da atividade humana. Quando as recompensas se transformam em nossas metas, estamos apenas buscando uma parte do nosso trabalho.”

Talvez os títulos de dois de seus outros livros, “Called to Serve” (Chamado para Servir) e “Leading Without Power: Finding Hope in Serving Community” (Liderar sem Poder: Encontrando Esperança em Servir a Comunidade), apresentem uma pista do que DePree queria dizer com a armadilha de considerar metas e recompensas como uma só coisa. As recompensas podem assumir muitas formas, mas geralmente servem apenas ao próprio interesse; estão focadas em maiores compensações, avanços profissionais, prestígio e poder. Ou a empresa estabelece metas apenas para aumentar seus lucros ou expandir sua parcela de mercado. 

Embora tais metas não estejam intrinsecamente erradas, podem nos impedir de abraçar metas de impacto e significado mais amplos, tais como ajudar outros a crescer profissionalmente, de modo a alcançarem seu potencial; ainda que isso implique em obter oportunidades que vão além do seu emprego atual.  Ou então, projetar uma visão para que a companhia se torne um vizinho valorizado na comunidade na qual se insere. Ou ainda desenvolver programas que abordem necessidades específicas tanto dentro quanto fora da organização.  

Essas coisas podem resultar num senso de gratificação, mas não irão necessariamente aumentar os lucros corporativos ou os ganhos anuais de ninguém. Como DePree sugeriu, o estabelecimento de metas não considerando recompensas pode, em última análise, provar que é, poderíamos dizer, mais recompensador. Aqui estão alguns princípios de Provérbios que tratam da importância tanto de dar quanto de receber:

Dar pode ser muito gratificante.  Ás vezes, um ato de generosidade resulta em retornos tangíveis mais tarde. Ou ele pode simplesmente proporcionar a satisfação de prestar ajuda a outros. “Há quem dê generosamente, e vê aumentar suas riquezas; outros retêm o que deveriam dar, e caem na pobreza. O generoso prosperará; quem dá alívio aos outros, alívio receberá.”  (Provérbios 11:24-25). 

Servir aos outros é um ato de serviço a Deus.  Ás vezes temos a tendência de pensar “Alguém vai ajudar essas pessoas”. Em alguns desses casos, Deus pode querer que sejamos nós a proporcionar a assistência necessária. “Quem trata bem os pobres empresta ao Senhor, e Ele o recompensará.” (Provérbios 19:17). 

Estabelecer metas que vão além das recompensas tangíveis testa a motivação.  As linhas que separam certo e errado podem facilmente ser obscurecidas por metas estabelecidas somente com base em recompensas pretendidas. As metas estabelecidas considerando primeiramente os interesses de outras pessoas ajudam a iluminar as motivações internas. “Todos os caminhos do homem lhe parecem justos, mas o Senhor pesa o coração.”  (Provérbios 21:2). 

Questões Para Reflexão ou Discussão   

1. Qual o processo que você usa para estabelecer metas? Você geralmente tenta tornar suas metas mensuráveis e atingíveis?
2. Você concorda com a afirmação de DePree: “Quando as recompensas se transformam em nossas metas, estamos apenas buscando uma parte do nosso trabalho”? O que você entende que ele quis dizer com isso? 
3. Como podemos estabelecer metas que não sejam baseadas em recompensas? Num ambiente onde venda e lucros podem representar a diferença entre sucesso e fracasso, até mesmo sobrevivência, você acha que é realista estabelecer metas sem ligá-las a recompensas específicas?
4. Qual dos princípios extraídos de Provérbios é mais significativo para você? Explique sua resposta.

Nota: Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 16:2;  17:3;  28:27;  31:8-9;  Efésios 2:10; Colossenses 3:17, 23-24.  

Próxima semana tem mais!

Baraúna Consultoria Contábil
MsC Jean Luiz Correia Baraúna
Contador CRCBA 21.323/O
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Medite: “Pais que Levam seus Filhos à Igreja, Dificilmente vão Buscá-los na Cadeia




Rosa de Sharon

Há uma passagem na Bíblia onde Deus nos compara as Rosas de Sharon. Para entendermos essa analogia, temos a seguinte explicação:

Sharon era uma terra de difícil sobrevivência, uma terra no deserto, árida e muito quente.

Mas Sharon tinha a terra ideal para produzir as rosas mais perfumadas que já se viu na terra, onde apenas uma pétala chegaria a produzir uma grande quantidade do mais valioso perfume.

Essas flores possuíam um valor tão alto que os cultivadores na época de floradas costumavam colocar guardas armados para guardar seus cultivos.

As Rosas de Sharon são flores cultivadas em terras difíceis, debaixo de um forte sol escaldante, em meio a terreno pedregoso, cheio de espinhos, onde a água é difícil de encontrar, e os predadores são muitos, pois ela é uma flor muito apreciada.

Meditando na comparação de Deus e as rosas de Sharon assim somos nós para Deus, flores cultivadas no meio das provas, das dificuldades, das angústias, testados no fogo ardente, humilhados pelos que poderiam nos amar, perseguidos por aqueles que não amam a Deus, e não reconhecem em nós a beleza das flores e seu perfume.

E, quando começamos a exalar nosso perfume, muitos tentam roubar nosso dom, nossa linguagem, nossa virtude, a alegria de servir a Deus e a confiança de que venceremos, colocando em nós tristezas que até chegam a muitas das vezes nos afastar do jardim de Deus.

Mas assim como os cultivadores das rosas de Sharon colocam guardas armados, Deus também coloca seus anjos armados com espadas de fogo como guardas dos seus fiéis, pois aqueles que exala perfume são perseguidos pelo adversário, mas são guardados por Deus.

O perfume do cristão é o seu testemunho, seu temor, sua obediência, a capacidade de suportar as provas sem murmurar, é um doce perfume, e ter em si o dom maior, o amor é o mais caro perfume que temos, e por essa razão Deus comparará aqueles que tem essas características as rosas de Sharon.

Somos as flores que produzem o mais valioso perfume: A glória, a obediência, o temor, a consagração, a reverência e toda honra que é dada a um único Deus que fez o céu a terra e tudo quanto neles há!
Perfume esse que o próprio inferno se levanta para tentar roubar.

Mas nada pode te tocar ROSA DE SHARON, porque a teu respeito foi dada a ordem aos anjos para te guardarem em todos os teus caminhos.        


VOCÊ É ESSA ROSA!

(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)



“Eu sou o silêncio do mundo (e tão perto de casa)”, de Luisa Geisler – parte 2

É simpática, é o que eu digo de novo mais alto e mais devagar como se falasse com uma surda. Tem uma história, a Tuca diz, que é a minha favorita. Ela limpa nada da boca O Seu Schmidt casou com uma mulher não da Síria, mas de origem síria. Muita gente fala que ela veio de São Paulo, não sei bem por quê. A Tuca mexe na caneta que ficou na mesa Tu vê que tem umas coisas que se repetem, né? São Paulo, coisa e tal. Enfim, era brasileira, insistia que era brasileira e não ligava muito pra tradição toda. Ficava braba com esse povo que dizia que era italiano ou alemão ou sei lá. A Tuca ergue a caneta e profetiza E imagina se não brigava com o Seu Schmidt que dizia que era alemão mais do que brasileiro?

Faço que sim com a cabeça. 04h17. A Tuca coloca a mão em cima do meu celular Ouve a minha história. Guardo o celular Eu sempre ouço a tua história. Ela continua Então, essa mulher era parada, não falava muito dos familiares de São Paulo, não contava muitas histórias, não usava palavras que vinham de lugares exóticos, como era de se esperar. Interrompo Era de se esperar? Um pouco, era. A única coisa que ela gostava nesse sentido era de comida sírio-libanesa e tal. E ela sempre fazia pro Seu Schmidt, que detestava, xingava, achava uma grande bosta, o que o cara ia fazer? Tento soar calma como a Tuca soa Eles brigavam bastante, não? A Tuca esperava por aquela pergunta Bom, ele não gostava da comida, não gostava das tradições, não gostava dos hábitos, mas gostava da mulher. Digo E ela não gostava do bairrismo, dos resmungos, mas gostava do cara. A Tuca faz que não com a cabeça Tipo isso.
E cadê ela? é o que eu digo. Aí que tá, a Tuca diz, esse é outro ponto da história. Dizem que se matou, dizem que foi internada num hospital psiquiátrico, dizem que ela era professora universitária e conseguiu um trabalho fora do estado. Acho que São Paulo. A Tuca parece feliz de contar a história triste Dizem que morreu atropelada, ou de um câncer fulminante. Dizem que fugiu, ou se matou, ninguém sabe bem. De novo, os pontos: psiquiatra, São Paulo, suicídio e tal. Por isso que esse homem é uma síntese do mundo, sabe? Tento sorrir, mas não consigo Tuca, ele pode ser só um homem de negócios que viu oportunidade.

Me pergunto por que a gente não podia só ir dormir na casa da mãe da Tuca. Me pergunto por que alguém ficaria com alguém apesar de não gostar de nada em torno dessa pessoa, nem tradições, nem hábitos, nem nada. Me pergunto por que, de verdade, alguém precisa criar teorias sobre a vida dos outros. E tão perto de casa.

Fico quieta.
Acho que vocês tão viajando, é o que diria a Tuca adolescente. Achava a história do Seu Schmidt meio triste. Morte é um lance meio triste. Ela falaria “lance”. E inventaria frase em cima de frase. O esquisitão dono seria o velho que tentou se matar e comprou um restaurante porque mandaram. A Tuca adolescente faria contas de quando traria alguém de novo sem os amigos. Aí ia poder contar as histórias do velho que perdeu a esposa num tiroteio com vendedores de tapete. Tapetes voadores. É. Bem melhor.

E ela não achava um problema em cada expressão deslocada, em cada má construção. Uma Tuca que não precisava me explicar as coisas e já abrir um mapa pra mostrar o país porque ela me acha idiota.
Olha ali, é o que eu digo enquanto Seu Schmidt fala um pouco mais alto com dois moleques bêbados que não quiseram pagar os 10%. Não chega a gritar, mas chama a atenção. Os dois apontam pra mesa e reclamam.

Enquanto saem, Seu Schmidt grita um xingamento com muitas consoantes e Eu lamberia aquela mesa ali. Eles já tinham batido a porta.

Quero ir até Seu Schmidt, quero dizer que ele não precisava lamber, que todo mundo tinha tido um dia pesado, que ele fazia um bom trabalho, quis dizer que eu entendo. Quero dizer que sua esposa estaria orgulhosa, Arthur W. Schmidt.

Ele senta no lugar onde os dois guris tinham ficado e encara as bandejas que deixaram. Depois de passar a mão por cima da mesa, começa a juntar os guardanapos e embrulhos soltos. Coloca a nota fiscal dentro de uma embalagem maior, dentro dos copos, dentro de um papel, outro dentro do outro dentro do outro. Resmunga. Junta uma grande bolota de lixo.
Ele é todos os sofrimentos possíveis e nenhum, é o que eu digo enquanto termino meu último minikibe com cremily. E enquanto a Tuca me conta da turminha de adolescentes que vinha junto na primeira-filial-do-Habib’s-no-Rio-Grande-do-Sul, penso em todos os motivos que nos faziam estar ali naquele momento. Eu, a Tuca e o Seu Schmidt, todos unidos por aquelas cadeiras plásticas e aquele luar porto-alegrense-que-eu-queria-que-fosse-de-Tóquio, com nosso sentimento de estar longe-mas-nem-tanto de quem a gente quer. Negamos a ressaca da manhã seguinte, que provavelmente já vinha. Eu, a Tuca e o Seu Schmidt com desejos de quebrar-um-par-de-pratos-só-que-só-tínhamos-de-plástico.

Eu acho.

Essa coisa de luar e tal. Olho pra faixa de luz que vem da rua e deixa um amarelo por cima das nossas bolsas na cadeira. Qual seria a frase mais profunda que daria pra pensar? Algo que combinasse com os hologramas. Algo que alguém fosse citar algum dia. Imagina se a Tuca cita algum dia. Algo sobre a luz da rua dentro da luz das lâmpadas fluorescentes, como se fossem vidas dentro de vidas. Não tem um filme que é um lance assim? Um com sonhos.

Mas eu não sou inteligente o suficiente pra isso e, se fosse, a Tuca não ia gostar de qualquer forma.
Aquilo é uma barata? A Tuca ficou na soleira da porta. Onde? Ali, ela apontou pra geladeira. Não, eu ri, é um holograma na parede.

Ela ficou sem falar comigo por uns três dias.
Aham, é o que eu digo. A Tuca fala sobre como são engraçadas essas pessoas sobre quem se criam teorias. Mas ninguém sabe nada. Ela boceja com as mãos sobre a boca Será que ele sabe que o pessoal falava isso dele? Faço que não com a cabeça.

Ainda acho que a gente podia dormir na casa da mãe da Tuca, aliás. Mas quem sabe ela não saiba que tá tão perto.
Oi, o que tu falou? é o que eu digo. Mas não ouvi muito bem. Porque éramos nós três ali. Deixo a ideia afundar um pouco e resolvo sorrir para o Seu Schmidt de volta no caixa. Quando volto pra olhar o dono do Habib’s, ele conversa com um garçom. Falam, talvez, de instalar câmeras de segurança, ou de contratar alguém pra cuidar da saída. Talvez Seu Schmidt reclame de não poder ir pra casa dormir. Talvez ele xingue o funcionário. Talvez ele queira estar ali, mais do que eu e a Tuca. Tenho certeza de que ele — e eu e a Tuca e a mãe da Tuca — não passamos de um holograma na parede. Me viro pra Tuca, que conta da vez que os pais dela pegaram ela e essa gurizada bebendo, algo assim. Acho que faz sentido agora.

Fonte:
Este conto foi retirado do livro: GRANTA


Num quer ajudar a pagar a escola do filho, diz que não tem obrigação.


Então Mané segura o textão:
Vamos falar aqui de um assunto complicado, quase todo mundo aqui tem pais separados.
Como dizia a canção de ninar, mamãe foi pra roça e papai? Papai foi passear.
Pensando nessa realidade sacana enquanto papai tá tirando uma panca com uma beca bacana,
Mamãe tá contando moeda pra comprar umas bananas.
E nem é de vez em quando, hey pivete num se engana a fome com carinho não se sana.
Mãe solo no Brasil, Itabuna, Agonia.
Tem muito macho bom de da carreira, mas ruim na correria.
Eu mama aqui no corre de descolar a janta, digo teus migues não mais me encanta.
Dizia assim : Eu amo o meu filho se pode-se pegava todo dia. 
Ai pivete, var repete, repete pra vê se cola.
Só te digo uma parada: Pensão não é esmola.
Sabe quanto custa o quilo de feijão que eu carrego na sacola?
Pensão não é esmola.
Sabe quanto custa mensalidade do guri na escola?
Pensão não é esmola.
Quanto você gasta num rock passando a bola?
é isso, não é esmola 
Ai pá chega a hora de comprar as coisas do colégio.
Ai que lindo ser mãe do filho dele deve ser um privilegio, ( ele paga pensão) 
Corre lá, corre eu e vejo tu e teus amigos dizendo de 250 paus tão me sustentando 
E a saúde, moradia, água potável, lazer, escola quem é que tá botando ?
Mochila, lápis, livro, matricula, camisa, bermuda, meia, cueca merenda e sapato.
A pergunta é quem é que paga o pato?
Quer saber de uma cansei de passar pano pra quem passa pano.
Tá fazendo meu cotidiano ficar insano.
Só paga pensão quem fez o filho se o moleque não é teu fica na sua e assim eu não pilho.
Que eu tô enchendo o meu pente da tua equipe de indigente alimentando tua mente carente e fingindo que tu chegas a ser pai.
Pai não é pra “ajudar’ é pra criar, alimentar, educar e pá”.
Já falei tanto né, mas você nunca aprendeu, mas relaxa chefe a vida é uma escola.
Mas grava bem o meu refrão: PENSÃO NÃO É ESMOLA.



fonte/Jucineia Prussak
































Autora:  Thay Petit








Eu sou o silêncio do mundo (e tão perto de casa) – parte 1

Para esta semana selecionamos um conto de Luísa Geisler publicado na revista Granta. Com uma escrita fluída e arrebatadora, Geisler convoca o frescor para participar da festa. Este conto também será dividido em duas partes: hoje a parte 1 e amanhã a parte 2. Aproveite!

 “Eu sou o silêncio do mundo (e tão perto de casa)”, de Luisa Geisler – parte 1

Eu não gosto muito do Habib’s, é o que eu digo para a minha namorada-que-talvez-seria-minha-esposa-se-não-fôssemos-um-casal-lésbico enquanto ela já desce do carro. Aqui vai ser muito legal, ela responde, e acrescenta que o McDonald’s é mais longe e mais caro. Fico em silêncio. Se continuar, talvez ouça um pequeno discurso sobre o imperialismo americano na indústria do fast-food. Estamos perto da casa da mãe dela, e eu não quero incomodar mais.
A tua mãe não mora por aqui? é o que eu digo baixo demais pra Tuca ouvir. Talvez ela tenha ouvido e não tenha respondido. Talvez ela não tenha ouvido. Me desequilibro pelo estacionamento por causa do salto (e do álcool), o que faz com que a Tuca (de alpargatas) fique uns dois metros na frente. Depois que a gente começou a namorar, nunca mais vi a mãe da Tuca. E a gente deve completar uns três anos de namoro.
Essa é a Tuca foi o que alguém me disse em algum momento em algum canto da festa de outro alguém. Ela tinha cabelos e unhas curtos, falava palavrão demais, sustentava um olhar de tédio que só ia embora quando abria uma lata de cerveja. Ia se formar em algo que envolvia Política (com P maiúsculo), o que me fez pensar que ela era do Povo das Sociais, em vez de lésbica.
Pode ser uns cinco minikibes com cremily, duas bib’sfihas de cheddar com pepperoni e dois bolinhos de bacalhau, é o que eu digo pro atendente que parecia branco demais pra precisar trabalhar num Habib’s. Acho o comentário engraçado e cogito contar pra Tuca, mas ela ia me chamar de reacinha, como ela às vezes chama e, de tanto chamar, nem parece ofensa.
A comida demorou mais do que se a gente tivesse pedido tele-entrega, é o que eu digo quando a Tuca volta com as bandejas. Agradeço logo em seguida e a chamo de a melhor namorada do mundo, muito gentil, muito atenciosa, que esperou a comida em pé porque eu não podia por causa do salto. Não que ela seja a melhor namorada do mundo, mas é atenciosa. Ela resmunga que o sistema era tão podre a ponto de te fazer pagar 10%. Só pra buscar comida no balcão. Quero discutir, mas canso antes.
Cê sabe que tudo isso é uma ilusão, né? foi o que a Tuca me disse pela sétima cerveja. Tinha começado a quinta latinha falando da Política Externa do Oriente Médio, passou pra xiitas e passou pra ilusão da religião. A coisa aquela do ópio. Na sétima cerveja, tudo era uma ilusão e um holograma. Não só um holograma, mas um holograma na parede. Ela se concentrava muito na parede. Porque a parede importava tanto quanto o holograma (ali começava a oitava cerveja). Ela ficou um tempo nisso. Disse que a gente aceita as imagens tão fácil, mas não percebe que nós estamos dentro disso. A gente interpreta, e o que a gente entende em geral tá errado. A ilusão.
É bom até, é o que eu digo enquanto tomo minha Coca-Cola Zero. A Tuca ri e pergunta se eu vi aquele homem. Alto, loiro, de rosto quadrado e que, se eu chegasse perto o suficiente, deveria cheirar a chucrute ou a alguma palavra em alemão. Atrás do balcão, ele faz contas (rabiscos?) num caderninho.
Ele parece ocupado, é o que eu digo. Apoio os ombros na mesa amarela e dura, o fato de estar perto da janela me agrada. A decoração do restaurante entra na faixa esperada da falta de criatividade filial. A luz das casas e dos carros e dos postes atravessava o vidro ao lado da mesa e dava um clima meio Tóquio-de-madrugada-tipo-daqueles-desenhos-japoneses. Tóquio-de-madrugada-tipo-daqueles-desenhos-japoneses, só que engordurada e com umas rachaduras no plástico.
Tu parece não querer soar como tu mesma, né? foi o que eu disse quando enchi o saco. Eu me acostumaria com a Tuca tentar soar como alguém que ela não era, usando palavras que não pertenciam a ela, tipo “tergiversar”, “conluiar” e “filhadaputice” (numa palavra só). Não me acostumaria com a ideia do holograma. Boa parte da monografia dela era algo com isso, do holograma. Aliás, a monografia inteira dela era papo de bêbado. Não falo isso como uma filhadaputice (!), mas como verdade. Falei isso pra ela naquele dia naquela festa daquela pessoa e falei isso na primeira vez em que ficamos (meses depois) e falei isso antes da seleção do mestrado com um tema que seguia a mesma linha de pesquisa. Ela, aliás, ganhou bolsa com o tema de bêbado.
Aquele cara é um ícone nesse bairro, é o que a Tuca diz depois de comer por um tempo. Ele tá aqui desde os meus 15 anos, sabe? Sei — respondo, mas não sei.
Esse homem é uma síntese do mundo, é o que a Tuca me diz. Quero perguntar onde estava o feminismo-contra-o-sistema-e-o-imperialismo dela, mas (de novo) a gente tá meio perto demais da casa da mãe dela.

Ela tem que saber que a gente tá perto da casa da minha sogra. É meio óbvio que ela saiba. Quer dizer, todo mundo sabe onde a própria mãe mora. Não é possível que não.
Esse homem é uma síntese do mundo, é o que a Tuca me diz. Quero perguntar onde estava o feminismo-contra-o-sistema-e-o-imperialismo dela, mas (de novo) a gente tá meio perto demais da casa da mãe dela.

Ela tem que saber que a gente tá perto da casa da minha sogra. É meio óbvio que ela saiba. Quer dizer, todo mundo sabe onde a própria mãe mora. Não é possível que não.
Mas eu tenho certeza que vi uma vaga no estacionamento, é o que ela dizia. Eu respondia que provavelmente tinha sido um holograma na parede. Ela dizia que não achava o controle remoto, eu perguntava se ela tinha certeza que o controle remoto existia. Não era só um holograma na parede? Mas não tinha parede no sofá, então não podia ser. Esse é até hoje o melhor jeito de irritá-la.
Não é estranho que ele seja um dono de um Habib’s polacão desse jeito? é o que eu digo, e quase me puno por dizer “polacão”. Mas a Tuca nem nota Esse cara veio de Brochier, o sobrenome é Schmidt, sabe? Schmidt. Tem lá naquela placa de pequena-em-presa, micro-empresa, qualquer coisa. Tem lá o nome do proprietário, Arthur W. Schmidt.

Esse cara, tento algo, de uma certa forma, é uma espécie de reflexo da multiculturalidade brasileira atual. Tipo, ele é o passado conservador se orientalizando. A Tuca dá uma mordida na bib’sfiha Não viaja. Não falo mais porque percebo que tinha falado uma merda gigantesca.

Ela riu Tem diversas teorias de por que esse cara tem um Habib’s, um troço árabe, sei lá. Imagina um bando de adolescente remelento que vinha aqui todas as noites, se entupir de gordura e criar teorias. Era foda, sabe? Pelo menos eu me divertia. Tem uma teoria de que a filha dele fugiu pra Síria, ou casou com um sírio, ou pesquisa a Síria na usp, de qualquer forma, a filha tá distante e tem algo a ver com a Síria.
Cês já experimentaram colocar o nome dele no Google? é o que eu digo.Vamos fazer isso em casa, a Tuca puxa uma caneta da bolsa e escreve na mão: schmidt. Outra teoria, a Tuca continua, é que esse homem tentou se matar. Não deu certo, porque né? ela ri. Continua explicando O psiquiatra falou que só liberaria ele se tivesse um projeto de velhice. O projeto de velhice do Seu Schmidt foi uma filial do Habib’s. É um bom plano, penso, embora não diga porque sei que a Tuca não acha um bom plano. A Tuca sorri olhando para o Seu Schmidt Não apenas uma filial do Habib’s. Essa foi a primeira filial do Habib’s do Rio Grande do Sul, tu sabia? Não, eu não sabia. Ela faz que sim com a cabeça. Até um apelidinho a loja tem, não é simpática? Eu sorrio É simpática.
Eu sou a bebedeira do mundo, foi o que a Tuca disse olhando pra algumas pessoas conversando sobre um tema qualquer. Isso foi em algum momento naquela mesma festa daquela mesma pessoa. Quando conheci ela. Daí ela se levantou e me puxou pela mão.
Na rua, se sentou num degrau da varanda e olhou pra grama, e eu me perguntava por que tinha ido junto. Ela tentava vomitar, mas só saía aquele barulho de garganta. Ela repetiu que era a bebedeira do mundo, e eu me repetia a pergunta de por que deixava a desconhecida me puxar pra fora.

Senti que perdi um sapato desconfortável quando ela foi pra casa. Mas nos apropriamos daquela maneira de entender sentimentos. Todo mundo era passível de redução: a bebedeira do mundo, a vontade de soneca do mundo, os filmes do Fellini do mundo, a tecnologia do mundo. A mãe dela era a carência do mundo. O meu pai, o jogo de futebol do mundo. Tantos mundos tão simples. Isso era a gente, acho.

Não é o tipo de coisa que se possa dizer pra alguém que fala “tergiversar”. Mas era a gente.
Amanhã, a parte final dessa história.



Este conto foi retirado do livro:Granta 12 - Líbano e Síria
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