Saber-Literário

Diário Literário Online

Digressões Literárias
R. Santana

           
          Hoje, acordei com o demônio socrático cutucando-me para escrever sobre os escritores e poetas baianos, em particular, os poetas e escritores regionais e itabunenses.  Não com a mesma determinação de Garcia Márquez: "Quando não escrevo, eu morro. Quando escrevo, também", todavia, celebro a leitura e a escrita, diuturnamente, com gosto e prazer. Acordei com a vontade de produzir um texto “suis generis” sobre a nossa literatura tupiniquim, a priori, quero pedir licença poética e avisar aos nossos poetas e escritores, que não é um ensaio, com referências bibliográficas, estudos aprofundados, mas um texto embasado em minhas impressões e experiências pessoais.
            Também não cultivo o ritual de Georges-Louis Leclerc, conde de Buffon, que usava roupas de estilo com punhos de renda quando ia escrever sobre ciência da natureza.  Como sou, apenas, um escrevinhador sem nenhuma pretensão literária ou científica, meu ritual é modesto: depois do desjejum, com qualquer vestimenta (quase sempre de bermuda), uma cachacinha com limão, um charuto fumegante no canto da boca, um dicionário de lado, começo escrevinhar e conjeturar sobre o mundo e coloco no papel minha produção criativa.
             Não sou amante de literatura erudita que valoriza mais o conhecimento ordenado, metódico, lógico, que a produção criativa, organizada, simbólica, significativa, lúdica, com recursos literários que antecipam e vislumbram. Se um babalorixá, por exemplo, vomita num espesso livro conhecimento acumulado de sua seita religiosa, ou, outro religioso de princípio diferente exagera em sua exegese, prefiro ignorá-los, pois o pensamento flexível, metafórico, sobrepuja o pensamento lógico cheio de amarras.
            Nem sempre quem faz poesia é poeta ou quem escreve texto é escritor, romancista, cronista, articulista, ensaísta, além do conhecimento intelectual, é imprescindível que o poeta ou escritor seja sensível aos elementos da realidade que, transmitidos à sua obra, são capazes de despertar emoções. Hoje, se cultiva o verso livre, não existe mais o compromisso com a métrica, com as formas fixas, com os gêneros épicos, líricos ou dramáticos, assim como as produções textuais não valorizam mais a sintaxe, a ortografia, enfim, a gramática e o estilo como antes, o importante, é transmitir o conteúdo sem censura, sucinto, comunicar-se, e que a interlocução entre pessoas flua com naturalidade... As Redes Sociais contribuem para essa nova linguagem, o Whatsapp, por exemplo, envia mensagens instantâneas, vídeos, fotos, áudios, em tempo de segundos através da Internet, portanto, a escrita erudita é de somenos importância, se não desaparecer com o tempo, certamente, será modificada.
            Dentre todos os estados da federação, a Bahia é um celeiro de poetas,  escritores, artistas, folclore e cultura afro-brasileira, notadamente, no interior dos candomblés. Desde o período Barroco com Gregório de Matos, “Boca do Inferno”, até os dias de hoje, o estado baiano revelou dezenas de homens de letras de primeira grandeza. Seria impossível nomear e analisar todos esses nomes, além de não ser necessário. Esta crônica pretende, apenas, analisar an passant, os poetas e escritores mais recentes: os pré-modernos, os modernos, os contemporâneos e os regionais, ou seja, aqueles de nossa intimidade intelectual.
            Não obstante Sósigines Costa ter nascido no interior, em Belmonte, no início do Século passado, deixou uma obra poética significativa. Sua ”Obra Poética” foi bem recebida pela crítica em 1959, mas foi no seu livro “Iararana” em 1979, que veio a consagração e trata do domínio da terra virgem e inóspita do cacau.
            Porém, escreveu poemas com elementos simbólicos e metafóricos como ninguém: “O Pavão Vermelho”, “A cabeleira da musa”, “Duas festas no mar”, leiamos alguns versos: ... Pavões lilases possuí outrora / Depois que amei este pavão vermelho / os meus outros pavões foram-se embora, então, na “Cabeleira da Musa”: No oceano de tua cabeleira entrevejo / um porto cheio de homens vigorosos / de todos os países... e navios de todas as formas. Baudelaire. No poema “Duas festas no mar”: ... Uma sereia encontrou / um livro de Freud no mar / Ficou sabendo de coisas / que o rei do mar nem sonhava...
                        Sósigenes, certamente, passara para história literária não como um regionalista de parcos recursos, mas um autor de riqueza poética inigualável.
O que diferencia Jorge Amado de Adonias Filho, é o despojamento linguístico do primeiro; o segundo é mais contido, mais seco, menos emoção, cultua mais a língua, tem mais apego pela gramática, menos popular, mais clássico, mas ambos são gênios universais.
Lembro-me que em tempos idos, estudante do curso médio “Científico”, havia certo preconceito com Jorge Amado, aqui, em nossa terra do cacau. Os falsos intelectuais daquela época, rotulavam-no de pornográfico, literatura imprópria para menores de 18 anos de idade, pouco recomendado para pré-adolescentes e adolescentes, subliteratura, mas após produzido para TV, “Gabriela, Cravo e Canela”, pela Rede Tupi 1960 e Rede Globo em 1975, esse estigma desapareceu, hoje, Jorge Amado é lembrado endeusado aqui, ali e alhures.
Li quase tudo de Jorge Amado, seu livro “Tocaia Grande”, quase o devorei, é um livro com conteúdo conhecido já explorado por outros autores: a disputa da terra pelas armas. Embora o assunto da conquista de terra já tenha sido batido e rebatido, a narrativa é inteligível, bem articulada, uma saga de lutas e incidentes.
Recentemente, li “Um baiano romântico e sensual”, um livro escrito por João Jorge Amado, Paloma Jorge Amado e Zélia Gattai Amado. Os filhos e a mulher expõem a intimidade e a humanidade de Jorge Amado, desde seu encontro romântico com Zélia, suas ideias políticas, suas viagens pelo mundo, o apego aos filhos, aos netos e, aos seus amigos: Jadelson, Carybé, Pablo Neruda, Gilberto Gil, Caetano Veloso, o poeta Emi Siao, Georges Moustaki, seu editor Alfredo Machado, Carlos Prestes, Anny Claude Basset, Edvaldo Pacote e Fernando Sabino.
Esse livro fecha com o desespero de Jorge Amado quando descobriu sua deficiência visual irreversível e a consequente dificuldade de escrever, de produzir novos romances e a morte.
Adonias Filho morreu aos 74 anos de vida, filho de Itajuípe, fazendeiro de fala mansa, jornalista, romancista, contista, crítico literário e remanescente do Modernismo. Hoje, seus romances são traduzidos para vários países e um dos ícones da nossa literatura baiana e quiçá nacional. Ele e Jorge Amado são expressões máximas de nossa literatura.
Dentre suas várias publicações, destacam-se: Memórias de Lázaro, Luanda Beira Bahia e Corpo Vivo. O primeiro é um livro de memória literária de narrativas jocosas e ziguezagues na trama; o segundo livro, ele aborda as relações do Brasil e África através dos  personagens-irmãos, Caúla e Iuta, ele, filho de Ilhéus, ela uma negra moradora de Luanda, não se conhecem e se apaixonam, nascidos dos dois lados do Atlântico, têm o mesmo pai, o marinheiro João Joanes, uma história dramática e surreal; o terceiro livro Corpo Vivo, narra as lutas e as violências nas terras do cacau. Cajango, seu principal personagem tem sua família assassinada, acolhido pelo padrinho Abílio e criado pelo índio, seu tio Inuri, cresce com sede de vingança, após formar um bando, vinga sua família e termina de mãos dadas com sua mulher Malva, depois que matou seu tio e o irmão dela, Leonel, numa serra inóspita e impenetrável da serra de Camacã. 
Euclides Neto, advogado, criador de cabras, político, ensaísta, cronista e escritor, também, integra o Planeta Letras. Um homem preocupado com os problemas sociais, com a distribuição de terra, quando prefeito de Ipiaú, implantou a “Fazenda do Povo”, dizia que a Reforma Agrária era o meio mais simples de gerar emprego.  Foi Secretário de Reforma Agrária no governo de Waldir Pires, porém, foi como escritor que se notabilizou, inclusive, mereceu de José Saramago o comentário: “... se sei o que é escrever, Euclides Neto é bom escritor”.  Suas produções têm com pano de fundo, as relações dos coronéis do cacau e os trabalhadores.
Euclides Neto, pela qualidade e quantidade de sua obra literária, entra em qualquer lista que se faça dos escritores baianos.
João Ubaldo Ribeiro, filho da Ilha de Itaparica, cresceu em Aracaju, foi professor da UFBa. Os seus livros mais conhecidos: “Sargento Getúlio”, “Política”, “Viva o povo brasileiro”, “O sorriso do Lagarto” e a “Casa dos Budas Ditosos”.
Todavia, a bibliografia do autor é vasta: romances, contos, crônicas, ensaio, antologias, além de adaptações para TV e cinema.
Foi traduzido para o alemão, dinamarquês, espanhol, francês, hebraico, italiano e sueco.
Permita-me o leitor contar uma historinha que ocorreu comigo em Estância, interior de Sergipe, adquiri em Aracaju dois livros do escritor João Ubaldo Ribeiro: “O Sorriso do Lagarto” e “A Casa dos Budas Ditosos”. Li, logo, “O Sorriso do Lagarto”, leitura difícil entre o bem e o mal e, apressei-me para ler o outro livro pelo chamativo do título que me pareceu de base religiosa, que grosso modo, seria traduzido: “pela casa dos budas Felizes”, no entanto, a história é duma mulher devassa, libertina, que usa seu corpo para seduzir seus incautos clientes.
O escritor João Ubaldo Ribeiro apresenta, desde o início, a história como a transcrição de uma gravação que recebeu de CDL, uma mulher de 68 anos de idade, que se apresenta como lasciva, dissoluta, compulsiva consciente de sexo sem culpa: “a vida é pautada pelo apetite sexual, e se resume a foder”, o livro é um texto de perversão, de sacanagem... Embora CDL justifique que escritores e filósofos já tivessem discorridos sobre sexo sem pruridos morais e censura, o sexo é natural, é o prazer maior da vida. 
Depois de lê-lo, a minha sobrinha tomou-me o livro emprestado quase a pulso, então, na casa do sem jeito, roguei-lhe que não o recomendasse aos seus irmãos menores de idade.
Não conhecia o escritor Clodomir Xavier de Oliveira, mas certa feita, eu parei numa “banca” de publicações periódicas e comecei bisbilhotar os jornais e revistas, quando me deparei com “Pulu”, a priori, não me chamou a atenção: o livro tinha algumas páginas coladas e o dorso colado com fita adesiva transparente, mas o preço e a recomendação do jornaleiro que “o livro é de um escritor de Ubaitaba”, aí, eu o adquiri.
Pulu narra a história da região cacaueira na planície do Rio das Contas, uma mistura de ficção e realidade. O autor tem a preocupação de registrar os hábitos locais e Pulu, uma morena ingênua e sensual, é a personagem principal, naquele mundo de roças de cacau e jagunços das terras de Ubaitaba.
O sindicalista, o político e o escritor Clodomir Xavier de Oliveira, será incluído, decerto, na galeria dos grandes nomes da literatura regional do Sul da Bahia para sempre, pois o seu dom ficcionista é raro, seu estilo é simples, inteligível  e, prazeroso para o leitor.
Itabuna é uma terra rica de escritores e poetas. Sou um leitor contumaz, leio quase tudo, principalmente, com o advento da Internet, o acesso às produções literárias ficou muito mais fácil. Ultimamente, os poetas e escritores usam vídeos e textos nas Redes Sociais para divulgarem seus trabalhos, aí, mais fácil fica a leitura, o áudio e a imagem.
Dentre os poetas e declamadores populares, gosto de Glória Brandão, Joselito dos Reis, Adeildo Marques, Clovisnaldo Argolo, Genny Xavier, Lourival Piligra Júnior, Expedita Maciel, Gislene Marques, Donaciano Macedo e Zélia Possidônio.
Abre parêntesis:
A mídia itabunense, as academias de letras e as entidades culturais têm sido injustas com o maior escritor de autoajuda de nosso planeta letra tupiniquim, refiro-me ao escritor e jornalista João Batista de Paula, cearense de nascimento e itabunense de coração.  
João de Paula é criativo e inesgotável é sua produção de textos de autoajuda. Possui uma mente fértil, uma veia cômica, é um ás da imaginação, se ele fosse burilado, tivesse um editor competente e patrocínio editorial, seria igualado aos escritores de autoestima deste país e talvez do mundo como: Augusto Cury, Daniel Goleman, Anselm Gron, Simão de Miranda, Cristophe André e François Lelord e padre Marcelo Rossi.
Pra justificar tudo que foi dito no parágrafo anterior, permitam-me transcrever o trecho de um recente texto que enviou para o Saber-Literário:
“Nada é nosso! Nem o vento, nem o sol, nem a lua, nem as estrelas, nem a terra e nem o mar. Podemos até ter o desejo de posse, ou posse deles e achar que somos os donos e proprietários. Pura ilusão!
Tudo passa e estas grandiosas coisas permanecerão como as pedras, que duram muito mais tempo no universo que vivemos.
Então, sejamos homens presentes e de boas ações, porque voga muito mais...”
Li e reli os seus livros: “Viva Bem”, “Você é importante”, “Proibido Ler (A bela face do mal)” e “A Bíblia do Inconveniente (O Impossível Acontece)”.  Além disto, João de Paula é solidário, amigo, não é falso, não é esnobe, é prestativo, ele é gente de bem.
Fecha Parêntesis.
Depois da fundação da ALITA, tive contato literário com Hélio Pólvora, Florisvaldo Mattos, Aleilton Fonseca, Walker Luna e Ariston Caldas. Não os conheço com profundidade, li, apenas, alguns poemas e textos esparsos desses poetas e ficcionistas, todavia, pela biografia, pela obra, são grandes autores do Sul da Bahia e referências literárias obrigatórias. 
Eles devem ser lidos e festejados pelos seus conterrâneos de Itamirim, Uruçuca e Itabuna. Hélio Pólvora morreu o ano passado, mas sempre será lembrado por suas obras e na história das academias, daqui e de Salvador. Na fundação da ALITA houve um episódio que sempre irei me lembrar: - na escolha dos patronos, escolhi Machado de Assis, meu escritor preferido, inclusive, ele é o patrono do Saber-Literário muito antes da academia de letras Itabunense. Hélio Pólvora condicionou seu ingresso à ALITA se o patrono também fosse Machado de Assis, pra não criar empecilho, escolhi Walker Luna, um grande poeta da Região.
Seria injusto, em nosso passeio literário, esquecer as trovas de Francisco Minelvino, as irmãs Marília e Jasmínea Benício dos Santos, o patriarca Francisco Benício dos Santos, autodidata, historiador, deixou: “Aquarela, recordação e autobiografia”, aos textos com graça e humor de José Dantas de Andrade, “Dantinhas”, com os livros: “Espírito da roça”, “Documento Histórico e Ilustrado de Itabuna” e “Itabuna minha terra”, Ribeiro Gonçalves e Oscar Ribeiro Gonçalves com “Jequitibá da Taboca”, Manoel Lins, Antônio Lopes, Adelindo Kfoury e as crônicas diárias e os poemas de Plínio de Almeida.
Jasmínea Benício escreveu 5 livros: “A vida cantada de Francisco Benício”, “Minha Rosa Vermelha”, “Devaneios e Saudade”, “Senhoras de Itabuna que se destacaram socialmente” e “Personagens Populares que marcaram o dia a dia de Itabuna”. Seus textos são cantos, são memórias de sua terra.
Hoje, depois de sua morte, Jasmínea começa ser reconhecida por entidades culturais de Itabuna e intelectuais, mas ela está longe de ser popular, ou seja, ser reconhecida pelo povo.
Marília e Francisco Benício produziram, também, bons textos: textos de viagem, experiências cotidianas e textos bucólicos. Acho que, Marília, Jasmínea e Francisco não ultrapassaram fronteiras, não pela má qualidade de suas produções, mas por terem produzido uma literatura lúdica, um hobby, escreveram, somente, pra colocar no papel suas experiências de Itabuna, do mundo, escreveram pra família e amigos e não para um grande público, isto é, não foram profissionais, foram sempre amadores das letras.
Uma poetisa que ficará na minha memória para sempre enquanto eu existi é Valdelice Pinheiro. Conheci Valdelice na FAFI (Faculdade de Filosofia de Itabuna), na condição de aluno do curso de Filosofia, lembro-me que muitos colegas não desistiram do curso pela ascendência da professora Valdelice Pinheiro. Não que o curso não fosse bom, mas tínhamos compromisso que atender às demandas de mercado e o curso de filosofia, naquela época, não tinha mercado.
Valdelice não é uma poetisa local, regional, mas universal. Pouco escreveu sobre Itabuna, rio Cachoeira e cacau, no entanto, ela fala de emoções, de amor, aqui, ali e acolá: - existência, origem, amor, medo, desencanto, obsessão, tristeza, alegria, Natal, Cristo, ecologia, seca...
Escreveu pouco, afora alguns poemas esparsos publicados em coletâneas e periódicos, em vida fez: “De Dentro de Mim” e “Pacto ou Como São Francisco”.  Em 2014, com o apoio da ALITA e do laboratório LIDI, seus poemas foram reunidos com sugestivo título: “O Canto Contido”.
Meu poema preferido de Valdelice Pinheiro:
“Teoria da origem
Eu vim do musgo
para o clarão de todas as esferas,
Sou astro e relâmpago,
água e flor.
Caminharei nas ondas feito espuma,
serei pó de estrelas
e vento sobre o mar.
Serei alga e musgo outra vez.”

Querida poetisa será que um dia ainda iremos nos encontrar pra falar de filosofia e amor?...
Conheci Ceres Marylise há 40 anos, numa viagem de Itabuna-Ubaitaba, naqueles tempos idos, a nossa preocupação maior não era o canto dos poetas, mas repor as nossas perdas salariais e melhores condições de trabalho no magistério do estado, portanto, nós fomos em missão sindical, não em caráter pessoal.  De lá pra cá, pouco nos encontramos, mas na fundação da ALITA em 2011, nós passamos ter interesses comuns e tive o privilégio de descobrir uma grande poetisa.
 Em 2014, Ceres publicou seu livro: “Atalhos e Descaminhos”. O poeta Paulo Afonso Ramos foi objetivo quando disse:
“A poesia de Ceres Marylise é apaixonante pela pureza que brota em cada verso. Têm metáforas de grande envolvimento que criam uma empatia imediata com o leitor e tem a lucidez de aflorar temáticas quotidianas que são a fonte de nossa vida porque nos correm no sangue por existirmos. A emoção também poderosa que, mais que poesia, é a demonstração inequívoca de estarmos perante uma excelente pessoa com uma sensibilidade apurada.”
“Em alguns poemas nota-se um ritmo musical que fariam deles boas canções.”
Dizer mais o quê?...
Conheci Helena Borborema nos idos dos anos 60, ela ensinava Geografia e História no Colégio Estadual de Itabuna. Ela sobressaia-se de pronto pela elegância e altura (um mulherão), mas nos cativava pela doçura e inteligência. Ela levava o aluno aprender e não decorar, dizia sempre: “... o conteúdo decorado tende ao esquecimento e compromete a aprendizagem”.
Alguns anos depois, ela é secretária de educação municipal, bati em sua porta e pedi-lhe uma bolsa de estudo para faculdade de filosofia (havia passado no vestibular), além da bolsa de estudo, custeou quase todos os livros, justificava essa atitude de Mecenas, que tinha sido um dos seus melhores alunos no ginásio e não podia parar de estudar por falta de dinheiro pra comprar livro.
Helena Borborema deixou “Terras do Sul”, é uma autora bucólica, uma historiadora, cantou e exaltou a beleza do campo, exaltou os costumes e a vida dos camaradas das fazendas de cacau, compreendeu os jagunços, não como heróis, mas produto de uma sociedade perversa e primitiva. Descreveu as manifestações culturais e costumes de sua cidade: o comércio e a indústria de quintal, os mascates, os armazéns, a política dos coronéis do cacau, a euterpe da cidade, as praças, o rio Cachoeira, o folclores, as artes, os cinemas, as novas ruas que avançavam em becos e avenidas, o trem que apitava, o trem que transportava pessoas e cargas e, que eventualmente descarrilava, enfim, o progresso da antiga Tabocas, o progresso de Itabuna. 
Faz-se necessário esclarecer que inclui-la no planeta letra tupiniquim não é gesto de gratidão de um ex-aluno, é o reconhecimento de sua obra, que pouco e pouco, é exaltada pela nossa comunidade e reconhecida na região que já foi do cacau.
Helena Borborema não escreveu ficção, não cultuava a poesia, talvez, pela formação profissional de professora de História e Geografia, acostumada com fatos e datas não com hipóteses, conjeturas, porém, como Cecília Meireles, Rubem Braga e Clarice Lispector, cultivou a crônica e escreveu as melhores do dia a dia do seu tempo e botou no papel, apenas, os causos reais.
Fecho este texto, com os poetas que representam Itabuna lá fora: Firmino Rocha, Telmo Padilha e José Bastos. Na época que não havia Internet, Redes Sociais, Whatsapp, as informações não eram conhecidas em tempo real, foi incrustado numa placa de bronze, na sede da ONU, em Nova York, um poema de um poeta do interior da Bahia, de uma cidade sul-baiana um dos mais significativos poemas da humanidade: “Deram um fuzil ao menino” de Firmino Rocha:
Deram um Fuzil ao Menino - Firmino Rocha: Adeus luares de Maio / Adeus tranças de Maria / Nunca mais a inocência/nunca mais a alegria / nunca mais a grande música / no coração do menino / Agora é o tambor da morte / rufando nos campos negros / Agora são os pés violentos / ferindo a terra bendita / A cantiga, onde ficou a cantiga? / No caderno de números / o verso ficou sozinho / Adeus ribeirinhos dourados / Adeus estrelas tangíveis / Adeus tudo que é de Deus / DERAM UM FUZIL AO MENINO.
Telmo Padilha foi um poeta e jornalista itabunense de mancheia, agraciado com vários prêmios literários, aqui e lá fora, traduzido na Itália, na Espanha, nos Estados Unidos, em França, na Alemanha e no Japão. Telmo deixou uma obra vasta (Girassol do Espanto, Onde tombam os pássaros, Pássaro da noite, Canto Rouco, o Rio, Noite contra noite, etc.), passeou com facilidade em vários gêneros literários, 20 anos já passaram de sua morte, mas ainda é hoje é lembrado nas academias, nos centros de cultura, nas faculdades e no coração do povo simples.
José Bastos é o nosso poeta parnasiano, nasceu no Arraial de Água Preta atual Antique. Seu único livro: “Hora Lírica”, foi reeditado no Cinquentenário de Itabuna. “José Bastos”, hoje, é nome da praça e de rua. Morreu com 32 anos, vítima de tuberculose. Sua poesia é um louvor à natureza, da utopia, da estética do belo.
Enfim, este documento não é um ensaio com referência, autores e datas, para mim, é uma crônica histórica refletida das minhas experiências, quando necessitei de alguma fonte, fi-la com aspas. Tive a pretensão de registrar os escritores e poetas baianos que na minha visão e reflexão são os melhores. Claro que não encerra em si este texto, nem é verdade absoluta, outras pessoas devem ter outras preferencias literárias, outras leituras...




Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Itabuna, 14 de julho de 2017.


DEUS, EU PRECISO DE SUA AJUDA! - Marília Benício dos Santos
Deus, eu preciso de sua ajuda!
 - Márcio, você cai! Não corra, vou chamar sua mãe.
Márcio apesar das advertências da babá corria como um desesperado. Eu da varanda que dava para o jardim onde Márcio brincava, observava-lhe e dava risadas com as suas traquinadas.

Num dado momento, Márcio resolveu subir na goiabeira. Aí, realmente fiquei apreensiva. Ele tinha só cinco anos e disse-lhe de onde estava:
 - Cuidado Márcio.
 - Deixe comigo.
Lá em cima ele conseguiu tirar uma goiaba verde. A babá gritou:
-- Não coma goiaba verde. Vai lhe fazer mal.
Não sei se por que a babá falou ou porque não gostou da goiaba, resolveu jogá-la fora. Não foi uma coisa nem outra; é que a goiaba estava lhe atrapalhando, pois de lá de cima, continuava as suas travessuras passando de um galho para outro.
Numa dessas tentativas, o seu bracinho não conseguiu encontrar o outro galho e ele ficou pendurado só em um braço. Eu e a babá tomamos um susto. Foi naquele momento que ele sentindo o perigo, gritou:
- Deus, eu preciso de sua ajuda!
Na mesma hora ele conseguiu alcançar o outro galho e ficou a se balançar alguns segundos pendurado na goiabeira e em seguida pulou no chão e saiu correndo.
“Deus, eu preciso de sua ajuda”. Quantas lições as crianças nos dão. O grito de Márcio foi realmente uma oração. Durante a nossa vida vivemos tentando passar de um galho para outro. Sirvamos-nos das palavras de Márcio. “Deus, eu preciso de sua ajuda.”
Com certeza, ele virá ao nosso encontro.

Fonte: CARROSSEL
Marília Benício dos Santos
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PREFÁCIO

"Marília escreve como quem canta. Naturalmente.
Em sua prosa fluente e agradável sentimos a vida palpitando, mesmo nos acontecimentos mais triviais. Fragmentos do tempo, suas próprias vivências constituem seu tema predileto, o qual, sob uma aparência singela, representa, em última análise, um diálogo ininterrupto com Deus e com o mundo."

"Não se pense, porém, que se trata de um livro religioso no sentido estrito da palavra. Em momento algum, a autora tenta provar o que quer que seja. No desdobrar de suas reflexões despontam os sentimentos mais intensos do seu coração e Marília possui aquela qualidade tão rara em nosso tempo e tão marcante dos autores místicos: a capacidade de transformar o seu dia a dia em busca constante de encontro entre a criatura e o Criador."


"Lendo este livro, ou melhor, saboreando suas páginas, aos poucos nos apercebemos de que o trivial é, para Marília, o lugar próprio de encontro e de diálogo. Assim, ela nos prende e nos encanta desde o primeiro momento, precisamente pelo fato de que canta a vida, em suas alegrias e em suas tristezas, mas, sempre, na perspectiva feliz da esperança."

O Mercado e o Sábado
Por Jim Mathis

Muitos de nós lutamos com o fato de não termos tempo suficiente para fazer o que é preciso no trabalho. Trabalhadores autônomos têm um desafio ainda maior para conseguirem deixar o trabalho por alguns dias e até mesmo algumas horas. Arrazoamos: nós devemos empregar o tempo que for preciso. Mas, a que custo?

Estudos têm demonstrado que a produtividade cai drasticamente quando não separamos um tempo para descansar – para “afiar nosso machado”. Existe um ditado bastante prático que diz que o meio mais rápido de se cortar madeira é primeiro separando um tempo para se certificar de que o machado está bem afiado. Este princípio se aplica mesmo se você não estiver no ramo de corte de madeira. Quase todas as ideias novas que tive para o meu negócio surgiram quando eu estava de férias ou longe do trabalho, onde eu tinha tempo para ganhar uma nova perspectiva ou descobrir novas coisas a partir de fontes totalmente aleatórias ou não relacionadas com os negócios. 

Essa necessidade de separar um tempo para nos afastarmos do nosso trabalho, nossa vocação, é tão importante que nos é dada até mesmo como uma orientação divina na Bíblia. 

No relato bíblico da criação, Deus criou o mundo em seis dias e depois descansou no sétimo dia. A ideia de descanso no sétimo dia foi compilada quando os Dez Mandamentos foram entregues a Moisés:  “Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum...Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou...” (Êxodo 20:8-11). 

Mais tarde, Jesus tornou mais claro esse mandamento relativo ao sábado, ensinando que honrar o sábado não tem a ver com seguir um conjunto de regras, mas que o dia foi estabelecido para o homem – um tempo de descanso, reflexão e recuperação, um tempo para desacelerar e desfrutar do mundo que Deus criou. “...O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.” (Marcos 2:27). 

Ao longo dos séculos, a ideia do dia de descanso para os cristãos passou a não ser mais o sétimo, mas sim o primeiro dia da semana.  Isso era fonte de conflito e confusão para mim. Deveríamos descansar no sétimo dia, sábado, ou no primeiro dia, domingo? Pensei que talvez nosso calendário estivesse com a legenda errada. Recentemente, entretanto, tomei consciência de que ambos os dias estão corretos. Nós devemos honrar o sétimo dia da semana como o dia de descanso.  Minha esposa chama isso de sábado VERDADEIRO, ou seja, um dia para descansar, recuperar-se, passar tempo com os amigos, fazer uma refeição pausadamente, e apenas apreciar o fato de estarmos vivos. O domingo, então, se torna o dia em que honramos a Cristo e nos lembramos de Sua ressurreição. É um tempo para começarmos a semana oferecendo as suas primeiras horas a Deus, uma espécie de primícias do nosso tempo, de nossa semana. 

Sábado, o sétimo dia da semana, tornou-se o meu dia de descanso.  Domingo, o primeiro dia da semana, tornou-se o tempo de adorar a Deus e começar corretamente a semana. Essa ideia pode parecer radical para alguns, mas serve como teste de nossa confiança no Senhor e na Sua provisão. Como Salmos 127:2 nos assegura, “Não adianta trabalhar demais para ganhar o pão, levantando cedo e deitando tarde, pois é Deus quem dá o sustento a quem Ele ama, mesmo quando estão dormindo.”

Falando de maneira prática, geralmente inicio minha semana na tarde ou noite de domingo, fazendo meu planejamento e deixando algumas coisas prontas para a manhã de segunda-feira. Faz sentido para mim ter a consciência de que descansei no sábado e dediquei as primeiras horas da semana ao Senhor. Então, é tempo de trabalhar até o próximo sábado, o verdadeiro sábado, em termos de descansar, e preparar-me mental, física e espiritualmente para uma nova semana.     

Questões Para Reflexão ou Discussão  

1. Você normalmente consegue descansar o suficiente apesar das demandas do trabalho? Que medidas você adota para evitar que o trabalho consuma toda sua atenção e agenda sete dias por semana?
2. Como você reage ao conceito de observar e manter um verdadeiro sábado dentro do contexto de sua semana de trabalho?
3. Você concorda com a ideia de que Deus instituiu a observância do sábado como um meio prático de assegurar que você tenha o descanso que precisa, e não como uma regra arbitrária e rígida?
4. E se você tiver um trabalho (como médico, policial ou garçom) que exija que você trabalhe no sábado e/ou no domingo? Como assegurar mesmo assim que você tenha o descanso que precisa – o seu sábado?
Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Êxodo 23:10-12;  31:14-16;  Provérbios 3:24;  Eclesiastes 2:23;  5:12;  Hebreus 4:4-11.  

Próxima semana tem mais!


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Medite: “Pais que Levam seus Filhos à Igreja, Dificilmente vão Buscá-los na Cadeia


Estrela de Belém!
Antonio Nunes de Souza*

Gosto, adoro e sinto-me realizado, quando com o esforço da minha mente, consigo fazer, ou escrever, algo diferente dos clichês habituais e existentes, que percorrem o mundo, sem mudanças, sendo repetidos desgastantemente, muito embora sejam sentenças, ou frases que exprimem um desejo sublime!

Estou referindo-me a expressão enraizada mundialmente, dita e ouvida, principalmente lida, de FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!

Creio que, com algum esforço, posso chegar a conclusões de iguais valores, sem que seja necessário tornar-me repetitivo!
Talvez, baste apenas uma petulância mental, misturada com a inspiração, imaginação e o bem querer que, sem esperar, surge, repentinamente, algo que substitui esse jargão milenar, por algo novo, espontâneo e de bom gosto!

Quando há 2017 anos nascia o menino Jesus Cristo, cuja filiação seja a dignificante da Bíblia Sagrada, porém, também contestada sua origem de ser filho do Espírito Santo, através do Anjo Gabriel, ainda céticos e descrentes, dizem, pecaminosamente, que apenas Maria foi estuprada por um soldado romano, sendo que também existe uma corrente, que acredita apenas que Ele é mais um filho do carpinteiro José!

Essas hipóteses vem atravessando, milhões de anos, mas, cada dia que passa, sua crença é fortalecida de uma forma exorbitante que, podemos dizer, sem medo de errar, que esse homem que viveu apenas 33 anos foi um gênio miraculoso, que só podemos na pior hipótese, dizer que é um filho de Deus!

Quando a Estrela de Belém iluminou o céu, servindo de trilha para seus devotos, os 3 reis Magos (Gaspar, Melchior e Baltazar), que na verdade eram príncipes, seguiram a direção da estrela, levando presentes para o novo senhor, filho de Deus, que nascia em uma manjedoura, ou estribaria, numa improvisada cama de capim, ainda cercado por diversos animais!

Que podemos dizer de um homem nascido nessas circunstâncias, perseguido pela ira dos invejosos e inimigos e conseguiu sobreviver, distribuir as suas palavras, professar a fé divina e morrer pela humanidade?
Temos, com justiça, de reconhecer a sua superioridade, respeitá-lo mais que tudo e, logicamente, reverenciá-lo no seu aniversário.
Vamos esquecer um pouco dos festejos profanos de bebidas, comidas e presentes caros e abundantes e, como um justo comportamento, ir a missa, levar nossas orações, agradecer a Deus por ter mandado seu filho para morrer por amor a humanidade!

Esse será o melhor ato natalino que você poderá proporcionar a você mesmo e aos seus familiares, provando reconhecer a dádiva que Deus nos mandou! Você fazendo tudo dessa forma, não tenho como deixar de ser repetitivo e dizer de coração: TENHA UM FELIZ NATAL!

Quanto ao ano novo, esse para mim, não tem maiores valores a não ser de uma continuidade de datas, onde poderemos ter melhores ou piores dias. Creio que, seguramente, independe de Deus. Seu comportamento, seus esforços, suas perseveranças e lutas, certamente, abrirão portas para que você entre com todo brilho. Tenha, aliado as coisas que falei, muita fé que tudo acontecerá! Mesmo sem considerar algo sacrossanto, posso me voltar ao velho chavão: TENHA UM PRÓSPERO ANO NOVO!

Com essas palavras quero desejar tudo de bons aos meus amigos, leitores, parentes, aderentes e todos que gostam, ou não, de mim!


Antonio Nunes de Souza* - Escritor-Membro da Academia Grapiúna de Letra-AGRAL




CAMA DE MENTIRAS
Nem sempre a sinceridade prevalece.
João Batista de Paula

Existem Políticos, empresários e falsificadores, mentirosos e traidores, que vivem burlando à lei, parecem que dormem dia e noite em Cama de Mentiras. E o cidadão comum acaba caindo nas ilusões... Nem por isso, devemos deixar de amar e erguer a bandeira da paz e da sinceridade.

Vamos acreditar no amor, na sinceridade e na verdade, para que possamos vivenciar dias melhores. Sermos ricos de Amigos e irradiar o que é belo, com sentimentos de elevados níveis.

A sinceridade deve prevalecer sempre entre flores e espinhos, luz e escuridão, dor e alegria, riqueza e pobreza. Em determinadas situações a gente deve usar o bom senso; para não magoar as pessoas e nem causar sofrimentos, nem ser portadores das más notícias. Nosso papel é o de gerar felicidade, bem-estar, equilíbrio das coisas e gerar a gratidão com nossos procedimentos.

No conjunto de procedimentos e atitudes para conseguirmos atravessar o caminho do mal e chegar do outro lado da ponte, temos que fazer e praticar  bondade e  a sinceridade, que são base de qualquer relacionamento. O amor é o que voga muito mais, com o respeito sempre aos nossos semelhantes e a verdade que agrada a Deus.

Na zona de conforto a gente vive como pode; mas, na cama de mentiras acabamos traindo nossos sentimentos; sonhando com o que não devemos, pensando além do comum, nem sempre estando  em comunhão de pensamentos com os nossos parceiros e parcerias, amigos e colaboradores.

Por que mentimos tanto? Uns dizem sim, outros dizem não. Uns dizem amor, outros dizem ódio. Uns defendem a luz, outros preferem a escuridão. Uns dizem eu te amo; outros dizem não.


A cama de mentiras é feita por cada um de nós, sem remorso, sem arrependimento. E na verdade o que importa é a beleza de sentimentos, sem conflitos, sem mentiras, sem o falso testemunho. Não culpamos os políticos e nem os mentirosos, trapaceiros e contadores de estórias, não.

O amor e a verdade devem prevalecer sempre no nosso dia-a-dia, para que possamos segurar firmes na corda da salvação.

Viva o amor. Viva a sinceridade. Viva a Verdade. Viva a paz. Viva a beleza de sentimentos que deve prevalecer na cama de Mentiras.





Que falta nesta cidade
Gregório de Mattos e Guerra

 Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.

.
Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.

Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao Demo o povo asnal,
Que estima por cabedal,
Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as tem nos aposentos?... Sargentos.

Os círios lá vem aos centos,
E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.

E que justiça a resguarda?... Bastarda.
É grátis distribuída?... Vendida.
Que tem, que a todos assusta?... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça.
Que anda a Justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia?... Simonia.
E pelos membros da Igreja?... Inveja.
Cuidei que mais se lhe punha?... Unha

Sazonada caramunha,
Enfim, que na Santa Sé
O que mais se pratica é
Simonia, inveja e unha.

E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões e putas.

O açúcar já acabou?... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Logo já convalesceu?... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal cresce,
Baixou, subiu, morreu.

A Câmara não acode?... Não pode.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
É que o Governo a convence?... Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,

Não pode, não quer, não vence.



Fonte: poema de domínio público / YouTube

Google
Juntos Marco Lucchesi

Uma parte do país respira com escassa quantidade de oxigênio.  Outra, só não foi desenganada pelas virtudes heroicas de nosso povo, na obstinação dos democratas, os que defendem a Constituição. Ou talvez, e mais simplesmente, porque os astros do zodíaco se apiedaram de tantas e seguidas desventuras.

A sociedade civil, a despeito da crise, e por ela instigada, amplia laços de cooperação no trabalho, nas escolas, na internet, como teoriza Richard Sennett, para enfrentar o vazio de poder e a ausência do Estado. As iniciativas contam com um largo espectro de ação e diversidade. Não aparecem na mídia, mas nem por isso perdem brilho e rigor.

Imagine-se uma escola no meio do deserto, quase esquecida, dotada de escassos recursos, a que se contrapõe um ousado corpo docente. Passadas dezesseis portas de ferro, segue um caminho cercado de estreitos e compridos pavilhões, onde ressoam “gritos, preces, maldições”.

Um verdadeiro oásis emerge das vísceras do presídio de Bangu 3, cujas penas ultrapassam duzentos anos.

Preservo o nome da escola e exalto o trabalho dos professores, dentro e fora da sala, na biblioteca, o laboratório de computadores off-line e o surpreendente ateliê. As pinturas são fortes, dotadas de um acento expressionista, na paisagem da terra ancestral, na ambiência de um mundo pobre e reinventado. Nas cores intensas como as de um velho calendário, cujos dias passam entre morte e renascimento. Vi no ateliê um Manet selvagem, um Degas rude e naïf, uma pequena história da “arte bruta” e seus derivados. Não fui até lá para apreciar os quadros, mas para alcançar, através deles, uma biografia, uma atmosfera de quando eram meninos sem casa, sem escola ou quintal.  Recuperar as biografias anônimas de nossos irmãos torna-se urgente. Compreender o passado para fundar novos tempos verbais.

Dois jovens, voz e violão, cantam Toquinho. Os livros e um conjunto de origamis. A leitura nas escolas carcerárias ultrapassa a média nacional. Muitos vieram das ruas e só na prisão descobriram sabão, mesa e talheres. “Quando sair daqui, vou ser jornalista” diz Jorge.  “Prefiro matemática”, confessa Antônio, “ajudo os colegas a calcularem o tempo que falta para o fim da pena”.

Tantas gerações condenadas ao crime, dotadas de talento, habilidade e inteligência. Quem pagará a conta de tal desperdício? Quando foi que perdemos a potência criadora desses jovens, marcados pela fome e o abandono, atraídos pela vida curta e rentável do tráfico de drogas, exilados, quem sabe, do futuro?

A reposta é demasiado complexa e nela estamos implicados até o coração. Admitida a hipótese, devemos ampliar a matrícula das escolas prisionais, dobrar o número de professores, construir salas de aula. Não podemos condenar duas vezes. O drama social não se resolve na masmorra.

Juntos, lado a lado, numa dinâmica de cooperação, com a reconquista do território, boa parte do Brasil pode ensaiar novas bases democráticas.    

Fontes:

O Globo
http://www.academia.org.br/artigos/juntos


P. S.:  Diretoria da ABL, eleita para o exercício de 2018, toma posse no dia 14 de dezembro, quinta-feira, às 17 horas, no Salão Nobre do Petit Trianon
A nova Diretoria da Academia Brasileira de Letras, eleita no dia 7 de dezembro passado, toma posse, em solenidade no Salão Nobre do Petit Trianon (Avenida Presidente Wilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro), na próxima quinta-feira, dia 14 de dezembro, às 17 horas.
A solenidade segue o seguinte roteiro: Abertura da sessão pelo Presidente da ABL, Acadêmico Domício Proença Filho. A seguir, a mesa é composta pelos integrantes da Diretoria atual: Presidente, Domício Proença Filho; Secretária-Geral, Nélida Piñon; Primeira-Secretária, Ana Maria Machado; Segundo-Secretário, Merval Pereira; e Tesoureiro, Marco Lucchesi.
A Secretária-Geral apresenta o Relatório do ano de 2017.  O Presidente, então, faz seu discurso de despedida. Logo após, dá posse à nova Diretoria e convida Marco Lucchesi para discursar já como Presidente.
 Fonte: ABL

15 Hábitos Diários Que Danificam Nossos Rins

Você sabia que é possível viver uma vida bastante normal, com apenas 20% da sua função renal? É por isso que um declínio gradual e danos aos rins muitas vezes podem passar despercebidos por um longo período. Às vezes, até mesmo hábitos comuns podem causar danos aos rins e quando os problemas são finalmente descobertos, pode ser tarde demais.

Os rins são órgãos incríveis. Eles produzem hormônios, filtram o sangue, absorvem minerais, produzem a urina e mantêm um equilíbrio saudável entre acidez e alcalinidade. Cuidar dos seus rins é cuidar da sua saúde e bem-estar. Aqui está uma lista de hábitos que você deve evitar:

1. Beber refrigerantes 


Um estudo conduzido em funcionários que trabalham na Universidade de Osaka, no Japão, descobriu que beber dois ou mais refrigerantes por dia (tanto normais como "zero") pode estar ligado a um maior risco de doença renal. O estudo incluiu 12.000 pessoas, e descobriu-se que aquelas que bebem maiores quantidades de refrigerante possuem proteína na urina, o que é um dos primeiros sinais de danos nos rins. No entanto, a detecção prematura pode reverter a doença com o tratamento adequado.

2. Fumar

Não é surpresa que o fumo tem sido associado a aterosclerose (o estreitamento e endurecimento dos vasos sanguíneos), o que influencia o fornecimento de sangue a todos os órgãos do corpo, incluindo os rins. De acordo com um estudo publicado no Clinical Pharmacology and Therapeutics, apenas 2 cigarros por dia são suficientes para dobrar o número de células endoteliais (células que revestem as paredes dos vasos sanguíneos) presentes em sua corrente sanguínea. Este é um sinal de dano arterial.Além disso, o Jornal da Sociedade Americana de Nefrologia faz referência a diferentes estudos realizados na última década que ligam o tabagismo à diminuição da função renal.

3. Deficiência de Vitamina B6


A função saudável dos nossos rins também depende de uma dieta saudável, especialmente uma que contém certos nutrientes. De acordo com um estudo realizado na Universidade de Maryland, uma deficiência de vitamina B6 aumenta o risco de formação de pedras nos rins. Para ter rins saudáveis, é preciso ingerir pelo menos 1,3 miligramas de vitamina B6 em sua comida todos os dias. As melhores fontes dessa vitamina são peixes, fígado bovino, batatas, vegetais amiláceos, grão de bico e frutas não cítricas.


4. Falta de exercício


Outra boa maneira de proteger os seu rins é fazer algum exercício. Um estudo abrangente publicado em 2013 no Jornal da Sociedade Americana de Nefrologia descobriu que mulheres na pós-menopausa que se exercitam possuem 31% menos risco de desenvolver pedras nos rins.

5. Deficiência de magnésio

O magnésio ajuda o nosso corpo a absorver e assimilar o cálcio. Se nós não temos uma quantidade suficiente de magnésio, possuímos uma sobrecarga de cálcio e, mais uma vez, temos pedras nos rins. Para evitar que isso aconteça, adicione vegetais em folhas, sementes, e castanhas ou nozes à sua dieta. Outra boa fonte de magnésio é o abacate.

6. Sono de baixa qualidade


Eu adoro uma boa noite de sono - e meus rins também! De acordo com a publicação Science Daily, a perturbação crônica em nosso sono pode causar doenças renais. Segundo o Dr. Michael Sole, cardiologista e professor de Medicina e Fisiologia da Universidade de Toronto, tecidos renais se renovam durante a noite enquanto estamos dormindo e, por isso, quando não conseguimos dormir sem interrupções constantes, os rins sofrem danos diretos.

7. Não beber água


Uma das coisas mais importantes para o nosso rins é a hidratação. Se nós não temos água suficiente em nosso sistema, começamos a acumular toxinas em nosso sangue, porque não há líquido suficiente para levá-las através dos rins. A National Kidney Foundation recomenda beber pelo menos 10-12 copos de água todos os dias. Uma maneira fácil de verificar se você está bebendo o suficiente é através da cor da sua urina. Se ela é escura, você precisa de mais água.

8. Não esvaziar a bexiga com frequência


Quando você sente vontade de urinar - vá! Obviamente, não estamos sempre em um lugar onde podemos ir ao banheiro imediatamente, mas se você continua "segurando" por muito tempo, isso irá aumentar a pressão da urina em seus rins, o que pode levar à insuficiência renal ou incontinência.

9. Consumo excessivo de sal

O sódio é um nutriente importante, mas é também um desastre quando ingerido em quantidades excessivas. O excesso de sal irá aumentar a sua pressão arterial e colocar um monte de pressão sobre os seus rins. Recomendamos limitar-se a não mais do que 5,8 gramas de sal por dia. Portanto, largue o saleiro!

10. Consumir muita cafeína




Nós geralmente bebemos mais cafeína do pensamos. Cafés, chás, refrigerantes... Antes que você perceba, seu corpo está cheio de cafeína todos os dias, o que faz com que a sua pressão arterial suba e os seus rins sofram danos.

11. Abusar de analgésicos

Muitos de nós temos uma rotina diária de tomar medicamentos. Quando sentimos dor, nossa primeira reação é geralmente tomar um remédio. Eles ajudam, mas você deve pensar duas vezes antes de tomá-los. Todos os medicamentos têm efeitos colaterais, e muitos deles causam lesões renais ou hepáticas. Uma boa opção, são analgésicos naturais. Clique aqui para ler mais sobre isso. Dito isto, alguns medicamentos devem sim ser consumidos, o que nos leva ao próximo ponto...

12. Não tomar os medicamentos que precisa


Se você sofre de hipertensão arterial e/ou diabetes do tipo 2, duas condições muito comuns hoje em dia, você provavelmente irá também sofrer danos nos rins. Não deixe de tratar essas condições e tome seus remédios diários para reduzir a pressão arterial e controlar seus níveis de insulina. Sem eles, é quase garantido que você vai sofrer danos nos rins.

13. Consumir muita proteína

De acordo com um estudo realizado na Universidade de Harvard, uma overdose de proteína na nossa dieta pode causar danos aos rins. Quando nós digerimos a proteína, nosso corpo produz um subproduto - a amônia, uma toxina que os seus rins precisam neutralizar. Isso significa que quanto mais proteína nós consumimos, mais duro nossos rins trabalham, o que, em certo momento, pode levar à insuficiência renal. Cuidado com essas dietas da moda
baseadas no alto consumo de proteínas.

14. Não tratar infecções comuns

Todos nós ficamos com preguiça de vez em quando, e ignoramos um simples resfriado ou uma gripe. Entretanto, isso pode levar o nosso corpo à beira da exaustão. Estudos têm mostrado que as pessoas que não descansam ou tratam suas infecções muitas vezes acabam com doença renal.

15. Consumo excessivo de álcool

Isso todo mundo sabe - as toxinas do álcool danificam o fígado. Os seus rins "odeiam" lidar com elas. De acordo com o Kidney Health Australia e o Fundo Renal Americano, uma boa maneira de evitar a insuficiência renal é beber álcool em moderação.



Fonte: http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=6680

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