Saber-Literário

Prof. Rilvan Batista de Santana / Cel.: (73) 98893-9460

 


A produção permanente do caos

Péricles Capanema

Chacina da segurança jurídica. Caso o plenário do STF decida majoritariamente a favor do relatório (e voto) do ministro relator Edson Fachin no julgamento do RE 1.037.365 (a momentosa questão do marco temporal), teremos inevitavelmente, pelos anos afora, a produção permanente do caos no campo brasileiro, graduada apenas segundo conveniências dos movimentos revolucionários e do grupo político que tenha as rédeas em Brasília. Evaporará a segurança jurídica. E com ela desaparecida, cairá o investimento na agricultura, minguará o desejo de poupar e produzir dos produtores rurais, a produtividade despencará, tombarão a geração de emprego e renda. Produção menor, alimentos mais caros nas cidades.

Conceito de índio. O caos começa aqui. O leitor já imaginou qual é o conceito de índio segundo o direito em vigor no Brasil? Quem pode ser chamado de índio no Brasil? Imagine por segundos uma definição, qualquer uma, e depois tome o choque da realidade. O voto do ministro Kassio Nunes Marques no referido RE 1.017.365, esclarece com nítida singeleza a noção: “Índio pode ser entendido como qualquer membro de uma comunidade indígena que seja aceita como tal”. Vive numa comunidade; é aceito por ela como membro. Pronto. É índio. E comunidades indígenas podem existir no mato, nas periferias, no arranha-céu de uma grande capital. Dessa forma, um norueguês imigrante, louro, olhos azuis, com pai e mãe vivendo na Noruega, e que resolva viver (e é aceito) numa comunidade indígena brasileira, sabe o que é, segundo o Direito brasileiro? Índio. E, se ao lado dele, estiverem 100 suecos e 200 dinamarqueses nas mesmas condições? Simples, mais 100 suecos e 200 dinamarqueses índios. Pode ser, claro, um norueguês revolucionário profissional, agitador etc. E que não saiba uma palavra de nenhum dialeto indígena. O professor José Afonso da Silva, citado por Nunes Marques, reforça a tese: “O sentimento de pertinência a uma comunidade indígena é que identifica o índio”.

Moradia dos índios. O caos continua aqui. Onde moram os índios? O ministro Kassio Nunes Marques cita a estatística mais recente que tinha em mãos: “Em 2010, dos 817.963 índios que habitavam o País, 315. 180 já se encontravam em cidades, como indicou o Censo Demográfico realizado pelo IBGE”.

Hoje, a proporção será maior; certamente população majoritariamente urbana. Como viviam nas tabas e cidades? Cita em abono de suas considerações Edson Vitorelli Diniz Lima: “O que se quer afirmar em linguagem mais vulgar, é que o índio não deixa de ser índio por usar calça jeans, telefone celular ou computador”. Bons exemplos, agora. Txaí Suruí [foto ao lado], a índia que representou as comunidades indígenas na COP-26 cursa Direito em Porto Velho. Nasceu lá. A mãe dela (d. Neidinha Suruí) chama-se e Ivaneide Bandeira Cardoso, é filha de seringueiros, mora em Porto Velho desde os 12 anos, não tem sangue indígena, próximo pelo menos, tem 5 filhos, dos quais dois com o cacique Almir Suruí. O seu Almir trabalha em Porto Velho como assessor de ong indigenista. D. Neidinha tem graduação em História, mestrado em Geografia e é doutoranda, também em Geografia — universidade federal. À vera, família de ativistas, que vive do ativismo.

Posse indígena, negotium perambulans in tenebrisMais caos derivado de ativismo extremista, que cavalga irresponsabilidades teóricas e conceitos delirantes. Estes 800 mil índios, dos quais mais de 300 mil vivem em cidades, segundo o censo do IBGE de 2010, têm em geral as preocupações do brasileiro comum (emprego, estudo, diversão). Sofre com o desemprego, assistência precária do Estado, educação ruim. E nas reservas com o garimpo ilegal, invasões, bandos criminosos. Na maioria das vezes, suas preocupações são as de um brasileiro de condições modesta: alimentos, emprego, segurança, educação, crescer na vida. Com base nos institutos do Direito Civil referentes aos vários tipos de posse e à propriedade, v. g.. usucapião, decadência, prescrição, seria possível obter situações vantajosas para os indígenas. Favoreceriam seu crescimento pessoal, prosperidade, inserção e participação na sociedade brasileira. Lembra o ministro Nunes Marques em seu voto: “A posse civil, baseada na teoria objetiva de Jhering, é o exercício de fato, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade (art. 1196 do Código Civil). Consiste na exteriorização fática da propriedade”. Simples e claro. A posse indígena tem como base a teoria do indigenato, adotada pela Constituição Cidadã. É um avantesma. O ministro Nunes Marques tentou — inutilmente, é verdade, talvez por ser tarefa impossível — pôr um pouco de clareza no frankenstein teórico: “A posse indígena não corresponde ao simples poder de fato sobre uma coisa para sua guarda e uso, com consequente ânimo de tê-la como própria. É instituto constitucional embasado na ancestralidade e na valorização da cultura indígena, cuja função é manter usos, costumes e tradições”. Atenção, embasada na ancestralidade. Os índios ali estiveram, têm direitos de ali manter costumes. Inclusive a dona Neidinha, e as centenas de milhares de pessoas em situações análogas, que de indígena nada têm. Tudo é muito contraditório? É. Mas a doutrina sobre a qual descansa a legislação, disse eu, e repito, é um frankenstein. Dá margem para tudo. O próprio ministro Nunes Marques reconhece que, com base nela, todo o Brasil poderia ser transformado em terra de posse indígena: “A teoria do indigenato foi desenvolvida no começo do século XX por José Mendes Junior. Segundo ela, a posse indígena sobre as terras que tradicionalmente ocupam é tida como direito congênito, inato, anterior à criação do Estado brasileiro. […] Em seu grau máximo, a teoria do indigenato teria potencial de eliminar até o fundamento da soberania nacional. Se o índio era senhor e possuidor de toda a terra que um dia fora sua, por direito congênito, como poderia o Brasil justificar o seu poder de mando sobre o território […] em processo de devolução aos legítimos senhores?”

Produção do caos. Dorme na curva da esquina um caos agrário tecido com expropriações sem indenização e inseguranças insolúveis. Estará sempre ameaçador no horizonte se dormirem no ponto as lideranças responsáveis. É a espada que paira sobre a cabeça dos produtores rurais. Sobre a cabeça de cada brasileiro.

Tábua de salvação no PL 490. Como afastar a ameaça, que pode estar próxima? Há um modo factível, aprovar o PL 490, que já pode entrar em pauta na Câmara Federal. A nova lei instauraria em larguíssima medida a segurança jurídica no agro brasileiro.

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Como o “metaverso” criará um Inferno virtual na Terra

Um mundo tão solitário, desconectado da realidade e da natureza das coisas, pode alimentar as paixões desenfreadas que odeiam toda restrição moral. Um espaço como este pode rapidamente se transformar de Alice no País das Maravilhas em um asilo de loucos.

John Horvat II

(LifeSiteNews) – O próximo passo na revolução cibernética é o chamado metaverso, uma plataforma de computação poderosa que vai além de qualquer coisa conhecida. Está sendo comercializada como sendo a próxima geração da Internet, facilitando intensas experiências individuais e abrindo novos mercados. Alguns temem que o metaverso agrave os vícios que se veem atualmente nas redes sociais. Outros o veem como uma distração altamente prejudicial, especialmente entre os jovens.

No entanto, ninguém considera as implicações morais do projeto. O metaverso prejudicará as almas. Tragicamente, as pessoas não veem razão para envolver Deus e a moralidade em uma invenção tecnológica aparentemente fora do domínio privado da religião. Pior ainda, o clero não dá sinais de reconhecer o problema. Não está nem mesmo em seu radar.

Porém, o problema está aí. O metaverso é um ataque metafísico à cosmovisão da Igreja. Ele oblitera a natureza de um universo criado por Deus e tornará possíveis atos imorais que ofenderão gravemente o Criador.

Um processo de imaginação e destruição

metaverso deve ser entendido no contexto de um processo de esforço contínuo da modernidade para colocar a humanidade, e não Deus, no centro de todas as coisas.

Na verdade, é uma obsessão da modernidade imaginar novos mundos sem Deus. O Iluminismo introduziu maneiras de levar a realidade ao limite, desenvolvendo novas tecnologias, filosofias e estilos de vida.

Os tempos modernos deram início à glorificação do indivíduo. A sociedade se tornou uma coleção de pessoas, uma “pilha de areia de indivíduos”, segundo Hobbes, cada qual guiado pelo seu próprio interesse e mantido em ordem por um forte estado de direito encontrado em seu Leviatã.

Assim, o individualismo moderno tendeu a destruir as estruturas externas – tradição, costume ou comunidade – que incomodavam o interesse próprio. Destruiu muitos mecanismos morais que facilitavam a prática da virtude em comum. Criou uma ordem acelerada em que o homem se tornou o centro de tudo e a religião foi relegada a um assunto privado.

A pós-modernidade destrói a sociedade

A ordem da modernidade foi destruída pela pós-modernidade da década de 1960, que propôs liberar a imaginação e remover todas as restrições morais. O pós-modernismo levou o individualismo ao extremo por meio do uso de novas tecnologias, filosofias e estilos de vida. A sociedade virou de cabeça para baixo com as drogas psicodélicas, a música rock e a revolução sexual.

Pela mesma lógica em que a modernidade idolatrava o interesse próprio, o individualista pós-moderno torna o “direito” à autogratificação o único direito absoluto – mesmo quando tal comportamento é autodestrutivo. O individualista pós-moderno busca destruir aquelas estruturas internas – a lógica, a identidade ou a unidade – que impedem a gratificação instantânea. As narrativas “desconstruídas” da pós-modernidade isolaram os indivíduos ainda mais e os levaram a criar suas próprias realidades fora de Deus e de Sua moralidade.

No entanto, a modernidade e a pós-modernidade ainda estavam ancoradas de alguma forma em uma realidade externa da qual as pessoas não podiam escapar totalmente. Havia limitações físicas e ontológicas que mantinham a imaginação sob controle. Um homem poderia identificar-se como algo que ele não era, mas aquele desejo não alterava a realidade. Além do mais, seus sonhos não se tornavam óbvios para todos ao seu redor.

Entrando em uma nova fase de percepção da realidade

A introdução do metaverso está alterando essa dificuldade de mudar a realidade. Ela faz parte do que muitos futuristas chamam de Quarta Revolução Industrial.

Seguindo a trilha da modernidade e da pós-modernidade, o próximo passo no processo é a autoimaginação fora da realidade. Os obstáculos que se interpõem a isso são a maneira atual de perceber a natureza, a existência e o ser.

A próxima onda de inovação e tecnologia permitirá aos indivíduos mergulhar em um mundo de sua própria criação. As pessoas tornar-se-ão avatares, ou seja, ciberrepresentações de homens, mulheres, animais ou coisas que “vivem” na ciberesfera. Serão capazes de estar onde quiserem – seja na lua, no topo de edifícios ou “em um campo de unicórnios”. Esta plataforma pode ser habitada por extraterrestres, anjos, demônios ou qualquer coisa que siga as fantasias envolvidas.

As pessoas farão coisas sobre-humanas em que seus atos aparentemente não terão consequências. Embora isso não vá mudar o que existe, cria a poderosa mentira de que a imaginação de uma pessoa é mais real do que a realidade.

Essa enorme plataforma virtual é muito mais do que uma extensão da Internet, que permite às pessoas acessar a rede mundial de computadores. Esta fase irá “incorporar a Internet, colocando as pessoas bem no meio dela”. Neste novo mundo, reina a imaginação.

Não se trata de ficção científica

Este projeto não é ficção científica. Ele é discutido em veículos da mídia do establishment, tal como The Wall Street Journal. Todas as empresas de mídia social estão colocando suas peças no lugar. Mark Zuckerberg acaba de mudar o nome de Facebook para Meta. Para construir este novo mundo, ele investirá US $ 10 bilhões e contratará 10.000 novos funcionários.

“O metaverso será a maior revolução em plataformas de computação que o mundo já viu – maior do que a revolução da mobilidade, maior do que a revolução da web”, disse Marc Whitten, da Unity Software, em artigo de fundo do Wall Street Journal.

Ele propõe um universo paralelo tridimensional de realidade virtual e aumentada, em que avatares digitais se reunirão em números ilimitados. As pessoas serão equipadas com óculos especiais e até mesmo equipamentos táteis avançados que lhes permitirão sentir e tocar coisas remotas em tempo real. Elas poderão misturar o mundo real com o imaginário.

Daren Tsui, executivo-chefe da Together Labs Inc., declara: “A experiência do avatar parecerá tão real que você dificilmente conseguirá distinguir entre uma reunião virtual e uma reunião física. E a experiência virtual será melhor.”

Criando um mundo de ilusão sem consequências

Existem três problemas principais com o metaverso.

O primeiro é que encoraja as pessoas a se desligarem da realidade, criando um mundo delirante, sem consequências ou significado. As pessoas são livres para desafiar a natureza fazendo coisas impossíveis, como caminhar na lua ou assistir a um jogo de beisebol da posição do arremessador. As coisas mais absurdas se tornam possíveis dentro de um mundo imaginário desvinculado da realidade.

As pessoas não estarão mais presas ao tempo e poderão viajar no que imaginam ser passado ou futuro. Até a morte é superada com avatares e algoritmos que conspiram para trazer de volta pessoas que aparentam ser parentes falecidos ou figuras históricas com as quais se poderá conversar e interagir.

As pessoas serão livres para fazer coisas a outros (que podem ou não existir), e até mesmo cortar seus braços sem consequências. No metaverso, toda fantasia, mesmo a mais macabra, poderá se tornar realidade. Assim, ele abrirá espaços obscuros e sinistros que facilitarão atos pecaminosos ou suas simulações.

Um mundo tão solitário, desconectado da realidade e da natureza das coisas, poderá alimentar paixões desenfreadas que odeiam toda restrição moral. Tal espaço poderá se transformar rapidamente de Alice no País das Maravilhas em um asilo de loucos. A intemperança frenética da Internet e das mídias sociais atuais já está causando problemas psicológicos e sociais. Quão mais exponencial será a capacidade do metaverso de afogar as pessoas em frenesis e depressões?

Destruição da identidade

A segunda razão para nos preocuparmos com o metaverso é o fato de igualar identidade com escolha. O paradigma pós-moderno já permite que uma pessoa se identifique como outra coisa. No entanto, essa identificação existe apenas na mente da pessoa iludida. O público, de modo geral, consegue perceber a ilusão.

No entanto, o metaverso muda essa percepção. A pessoa se torna o modelo perfeito daquilo que deseja e não pode ser. Ela não precisa ser uma pessoa, mas pode ser um animal, planta ou coisa. Neste mundo de fantasia, a pessoa não precisa ser um único ser, mas pode ser uma cacofonia de seres sem unidade.

metaverso torna possível esta mentira de identificar o próprio ser com a liberdade. O filósofo existencialista Jean-Paul Sartre escreveu que “o homem é liberdade”, o que torna as pessoas essencialmente ilimitadas. Sartre disse, em seu livro O Ser e o Nada“A liberdade nada mais é do que uma escolha que cria para si suas próprias possibilidades”.

metaverso é a realização dessa ideia distorcida de liberdade que se revolta contra as limitações contingentes da natureza humana. Ele busca transformar os indivíduos nos deuses de suas fantasias.

Demolição da metafísica

Porém, o aspecto mais perigoso do metaverso é a demolição da visão metafísica da vida, que conduz a alma ao Criador.

Todo mundo, inclusive as crianças, se envolvem com a metafísica. A natureza humana, especialmente a alma, exige uma compreensão racional de si mesma e do universo. Assim, uma definição clássica diz que a metafísica é uma investigação filosófica dos princípios e causas finais. Ao se engajar na metafísica, os indivíduos buscam a natureza das coisas que existem e as encaixam em uma visão coerente.

Uma verdadeira visão das coisas torna dolorosamente clara a natureza finita e contingente de cada ser humano. No entanto, ao compreender os desígnios da Criação, as pessoas veem que o objetivo da existência transcende as limitações físicas e sociais. Elas procuram seguir este caminho refletido pela natureza rumo ao Criador. Esse processo confere significado e propósito à vida, à medida que as almas se esforçam para atingir seu objetivo final, que se encontra em Deus.

A revolução transumana

As filosofias que informam o metaverso são contrárias a essa visão metafísica clássica. Não há tentativa de compreender a natureza das coisas, mas apenas a experiência ilimitada de eventos aleatórios. Essa noção “transumana” do mundo entende a humanidade como um processo em constante evolução. Klaus Schwab, o engenheiro do Great Reset, descreve esta próxima fase como a “fusão dos mundos digital, biológico e físico”.

A ideia do metaverso é coerente com a visão de Yuval Noah Harari, autor best-seller do New York Times que escreve frequentemente sobre esses assuntos. Ele vislumbra abertamente um futuro sem alma, livre arbítrio, e um ‘eu’ unificado ou Deus. O seu é um mundo algorítmico de experiências aleatórias onde a pessoa é o que quer que venha a ser. Ele afirma que não existem religiões, mas apenas ficções poderosas como o metaverso, onde as pessoas “criarão mundos virtuais inteiros, completos com infernos e céus”.

Harari não está sozinho em acreditar neste futuro assustador. Ele fala por toda uma ala progressista de cientistas, empresários e acadêmicos do Big Data e do Vale do Silício, todos empenhados na tarefa de mudar a natureza e a realidade humana por meio de artifícios como o metaverso. Eles não fazem segredo de sua rejeição da Criação de Deus e da ordem moral.

Rejeitar o metaverso: uma necessidade

Em face do metaverso que se aproxima, essas preocupações são urgentes. Nem todas as suas aplicações conterão uma dose completa de tais planos destrutivos para a humanidade. No entanto, sua direção geral já leva a um admirável mundo novo sem Deus. Tais conclusões não vêm de teorias conspiratórias, mas dos próprios promotores do metaverso, que as revelam abertamente.

Assim, o metaverso deve ser rejeitado porque sua cosmovisão é contrária à da Igreja. É aflitivo que algo tão grande possa aparecer no horizonte e os pastores das almas tenham tão pouco a dizer sobre o assunto. Na sociedade atual sem Deus, a apostasia da prática da Fé é causada muito mais por tais invenções tecnológicas do que por disputas teológicas abstratas.

Igualmente aflitivo é o fato de as pessoas não desejarem ver aonde tudo isso vai levar. A história mostra que, quando a gente dá rédea solta às paixões, acaba no desespero niilista. A experiência esmagadoramente intemperante do prazer do metaverso acabará exigindo as sensações ainda mais intensas da dor existencialista. Assim, o processo de decadência da modernidade seguirá seu curso completo: do autointeresse à autogratificação, à autoimaginação e à autoaniquilação.

Na verdade, um mundo dominado por delírios, pelo absurdo e pela negação do ser, em que o significado (da vida humana) e seu fim são obliterados e governados por uma bizarra fantasia, deve mudar de nome. Os visionários laicos do metaverso estão projetando na Terra, isto sim, um inferno virtual.

Fonte: ABIM


Deus deu as costas ao homem

R. Santana 

            Léo e Mateus têm uma amizade do outro mundo, diria Chico Xavier se vivo fosse, é que desde que Léo veio ao mundo, Mateus lhe dispensa cuidado e amizade. Agora, que Léo tem 19 anos de idade e Mateus mais de 50 anos de vida, a diferença de idade não os afastou, mas os uniu cada vez mais e não pense algum desavisado que eles pensam da mesma forma, têm as mesmas ideias, Mateus é socialista cristão e Léo agnóstico, positivista, todavia, um compreende o outro: Mateus lhe atribui os arroubos da juventude e Léo lhe atribui a prudência da maturidade.

Naquele dia que não vai muito longe, ambos tiveram um diálogo que despertaria o interesse de qualquer indivíduo ouvi-los por mais bronco e desligado que fosse da vida e das coisas do mundo, Deus em sua providência permitiu que tudo fosse ouvido pelas pessoas em volta e colocado no papel:

- Velho, passei no vestibular de medicina! – começou Léo.

- Medicina, rapaz!?

- Medicina!

- Se tivesse sua juventude, faria filosofia, psicologia, exegese, teologia...

- Maluqueceu Mateus? Eu acredito no que vejo, posso tocar, experimentar e não em elucubrações estéreis, metafísicas, religiosas... Medicina é ciência, dá dinheiro e prestígio social!

- Meu caro discípulo de Hipócrates, não existe conhecimento mais sublime do que o conhecimento de Deus e do homem...

- Não sou ateu, mas não entendo esse Deus insensível que deixa as criancinhas sofrerem nos hospitais de males incuráveis, os pobres morrerem na fila do SUS, crimes hediondos proliferarem impunes, políticos corruptos, ditador em várias partes do mundo, massacrar o seu povo, pastores enriquecerem em nome de Jesus Cristo e os maus prosperam e têm saúde – fez uma pausa e continuou:

- Não comungo com o niilismo de Nietsche, nem com o deísmo de muitos, existe uma energia cósmica inteligente que deu origem ao universo, com leis físicas e biológicas imutáveis, todos nós somos centelhas dessa energia não no aspecto panteísta, mas no aspecto intelectual e consciência moral...

- Bravo, rapaz! Eu sei que tu és um leitor voraz e inteligente, já me arrependi da intromissão que fiz, porém, para mim Deus é o Deus da Bíblia, que celebrou uma Aliança com o homem, e, Jesus Cristo, seu filho unigênito, nos deu sua palavra de ressurreição e vida eterna. Os males decorrem dos pecados humanos, da sua desobediência ao Pai Eterno, mas Deus é amor absoluto, bondade suprema, perdoará o mais infame dos pecadores, desde que ele se arrependa e continue no caminho da retidão. Se fossemos, somente, “centelhas de energia”, qual seria o significado da vida? Nenhum!

- Meu caro Mateus, eu vejo que ao longo dos anos tu não perdeste as ideias atávicas religiosas e atribui os males da vida ao pecado, a desobediência do homem a Deus. Porém, os infortúnios, os sinistros da natureza e as doenças não são castigos de Deus, mas são possibilidades contingenciais e reais da existência do homem e do mundo. Se fosse de acordo o seu parecer, o homem bom seria sempre feliz e o homem mau sempre infeliz!...

- Meu querido Léo, não é dado ao homem conhecer os desígnios de Deus, por isto, eu persevero  em minha fé. Tem razão quando diz que eu não perdi as ideias religiosas dos mais pais e meus avós e não quero perdê-las, elas me fazem bem à alma, ao espírito... Não me interessa conhecer a natureza de Deus, mas tê-Lo comigo a todo instante da minha vida. Nasci na fé, confio nas promessas de Jesus Cristo, concordo com São Paulo, quando diz: “Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação e vã a nossa fé” (1 Cor.15,12-13), portanto, é estéril nossa discussão, é ir a lugar nenhum, não é!? 

- Concordo. Quero lhe lembrar que não puxei conversa religiosa, apenas, vim lhe dar a notícia do meu vestibular. Admiro sua prática religiosa, talvez, quando tiver a sua idade, tomarei o caminho da igreja sem discussão. Não sou ateu, no máximo um agnóstico, um positivista, um racionalista... Porém, não entendi ainda a razão de tanta maldade, de tanta injustiça, de tanto sofrimento, de tanto sinistro, de tanta desgraça... – fez uma pausa e arrematou:

- Meu bom amigo não me queira mal, não pense que é arroubo da juventude, mas faz muito tempo que Deus deu as costas ao homem!...

 





Autor: Rilvan Batista de Santana
Gênero: CONTO

                             


                            Importa Que Escola Você Frequentou?

Por Robert J. Tamasy

“Em que você trabalha?” Esta é uma pergunta que comumente fazemos a uma pessoa que acabamos de conhecer, quem sabe durante uma viagem de negócios ou numa cafeteria. É uma forma de travar conhecimento com alguém. As pessoas também perguntam: “Que faculdade você frequentou?” Algumas vezes, estas perguntas surgem durante uma entrevista de emprego. Elas fornecem informações interessantes, mas nem sempre são relevantes para a competência profissional. 

Antes de iniciar minha carreira me inscrevi em uma importante faculdade de jornalismo. Diplomei-me e fiz mestrado em jornalismo, mas aprendi mais sobre escrita e editoração em meus primeiros meses como editor de jornal do que durante todos os cinco anos em que estive na faculdade. Grande parte do conhecimento teórico que acumulei na faculdade não tinha aplicação prática para as minhas responsabilidades de trabalho cotidianas. 

Como Seth Godin, escritor, empreendedor e blogueiro observou: “O campus onde você passou quatro anos trinta anos atrás pouco contribui para o trabalho que você vai fazer. Eis o que importa: a forma como você encara seu trabalho. O que você construiu? O que você liderou?  Como você toma decisões?... Como você age quando ninguém está olhando? Você não é o seu currículo. Você é a trilha que deixou para trás, as pessoas que influenciou, o trabalho que fez.” 

Há muita sabedoria no que Godin diz. Ter o MBA de uma faculdade de economia de destaque ou o diploma de uma prestigiosa universidade parece impressionante, mas não fala das qualidades interiores necessárias para um membro ou líder de equipe de alta qualidade. Nós queremos o relato da trajetória de uma pessoa: o que ela realizou ou as experiências que teve, particularmente as que se relacionam ao trabalho que estão procurando. 

Ainda mais importante do que aquilo que fizemos, eu penso, é a forma como encaramos o nosso trabalho e como nos comportamos quando ninguém está olhando. O livro bíblico de Provérbios tem muito a dizer sobre isso: 

Encarando o nosso trabalho com alto grau de dedicação.  O meio mais seguro de se construir uma carreira de sucesso ou melhorar as metas de uma companhia, é trabalhar com diligência e determinação, reagindo às oportunidades quando elas surgem. “As mão preguiçosas empobrecem o homem, porém as mãos diligentes lhe trazem riqueza.  Aquele que faz a colheita no verão é filho sensato, mas aquele que dorme durante a ceifa é filho que causa vergonha.” (Provérbios 10:4-5). 

Trabalhando com excelência e efetividade.  Uma pessoa que se esforça por alcançar o mais alto grau de qualidade é rara na sociedade atual. Já que muitas pessoas parecem satisfeitas com a mediocridade, trabalhadores habilidosos que têm orgulho do que são chamados a fazer tendem a ser notados. “Você já observou um homem habilidoso em seu trabalho? Será promovido ao serviço real; não trabalhará para gente obscura.” (Provérbios  22:29). 

Priorizando a honestidade.  Às vezes é tentador adulterar informações vitais para obter uma venda ou fechar um contrato, mas como frequentemente lemos nas manchetes ou ouvimos nas notícias diárias, práticas desonestas eventualmente são expostas e suas consequências cobradas. “Os lábios que dizem a verdade permanecem para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um instante.”  (Provérbios 12:19). “Pesos adulterados e medidas falsificadas são coisas que o Senhor detesta.”  (Provérbios 20:10). 

Ficando conhecido pelo compromisso com a integridade.  Outra forma de tentação é comportar-se de forma diferente quando pensamos que ninguém está vendo, em comparação com quando sabemos que nossas ações estão sob escrutínio. Uma pessoa íntegra, porém, é aquela cujo comportamento, público ou privado, permanece o mesmo. “Quem anda com integridade anda com segurança, mas quem segue veredas tortuosas será descoberto.” (Provérbios 10:9). “A integridade dos justos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói.”  (Provérbios 11:3). 

Questões Para Reflexão ou Discussão   

1. Quando conhece uma pessoa, especialmente dentro do contexto profissional, você pergunta em que ela trabalha ou sobre a faculdade que fez? Que nível de importância você atribui a esta informação?

2. Para você, quais são os fatores mais importantes a serem considerados na avaliação para saber se uma pessoa está qualificada para um novo trabalho ou para maiores responsabilidades?

3. Como você descreveria uma pessoa que trabalha sempre com diligência e/ou excelência?

4. Você concorda que honestidade e integridade são qualidades importantes para distinguir-se no mercado de trabalho? Por quê?  Para você, estes traços são comuns atualmente e como são avaliados? 

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Salmos 25:21; Provérbios 12:11,24,27; 13:4, 6; 14:5; 15:9; 20:14; 21:5; 29:10; Tito 2:7-8.

 Próxima semana tem mais!

Piada: Kevin e a secretária

Amigos O Editor: Anna D.

Kevin contrata uma nova secretária.   Poucos dias depois, sua esposa fica sabendo dessa nova contratação e ele enfrenta uma saraivada de perguntas rápidas e suspeitas.  

Emma (esposa de Kevin): "Sua nova secretária tem pernas bonitas?"  

Kevin: "Não percebi direito."  

Emma: "De que cor são os olhos dela?" Kevin: "Não tive tempo de verificar."  

Emma: "Quais são as cores de esmalte que ela usa, metálico, gel ou neon?" 

 Kevin: "Não faço a menor ideia."  

Emma: "Ela tem sotaque local?"  

Kevin: “Eu mal falei com ela, então não sei.”  

Emma: "Como ela se veste?" 

 Kevin: "Muito rapido.".  

 O enterro de Kevin será amanhã às 17 horas.

https://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=16850

À Espera dos Bárbaros

Konstantinos Kaváfis

O que esperamos na ágora reunidos?

É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?

Os senadores não legislam mais?

É que os bárbaros chegam hoje.

Que leis hão de fazer os senadores?

Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo

e de coroa solene se assentou

em seu trono, à porta magna da cidade?

É que os bárbaros chegam hoje.

O nosso imperador conta saudar

o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe

um pergaminho no qual estão escritos

muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores

usam togas de púrpura, bordadas,

e pulseiras com grandes ametistas

e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?

Por que hoje empunham bastões tão preciosos

de ouro e prata finamente cravejados?

É que os bárbaros chegam hoje,

tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores

derramar o seu verbo como sempre?

É que os bárbaros chegam hoje

e aborrecem arengas, eloquências.

Por que subitamente esta inquietude?

(Que seriedade nas fisionomias!)

Por que tão rápido as ruas se esvaziam

e todos voltam para casa preocupados?

Porque é já noite, os bárbaros não vêm

e gente recém-chegada das fronteiras

diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nós?

Ah! eles eram uma solução.










Konstantinos Kaváfis

(Do livro Poesia Moderna da Grécia – Seleção, tradução direta do grego, prefácio, textos críticos e notas de José Paulo Paes – Editora Guanabara, Rio de Janeiro, 1986.)

CANTA, FEDERICO GARCÍA LORCA.

Vai fazer 80 anos em 2016. Federico García Lorca, o poeta pássaro, foi umas das primeiras vítimas dos militantes fascistas durante a Guerra Civil Espanhola. Executado aos 38 anos, deixou uma obra extensa, que fala de amor, solidariedade, paixão ibérica, tragédia humana. Conheça mais e prepare o Sarau.

passaro.jpg Como tendências contemporâneas podem eliminar pássaros e outros animais perigosos.

O assassinato brutal de Federico García Lorca, o poeta pássaro, evidencia e lembra o poder da voz na literatura. García Lorca, além de poeta, foi dramaturgo, pianista, compositor e pintor. Executado na dia 20 de agosto de 1936, aos 38 anos, deixou uma obra extensa e volumosa. Nenhum outro autor espanhol, com exceção de Cervantes, conta com uma bibliografia tão vasta, como lembra W. A. Mello, em Antologia Poética - García Lorca (L&PM, 2005).

Em Morte de um pássaro, Vinicius de Moraes imagina a cena da execução do amigo:

Escaparia à sanha dos caçadores (…), ele, cuja única missão era cantar a beleza das coisas naturais e o amor dos homens; ele, um pássaro (…), em cuja voz havia ritmos de dança. Mas permaneceu em sua atonia, sem acreditar bem que aquilo estava acontecendo (…). As ordens foram rápidas. (...) O sangue cantava-lhe aos ouvidos, o sangue que tinha visto e que não quisera ver, o sangue de sua Espanha louca e lúcida, o sangue das paixões desencadeadas (...), o sangue dos homens que morrem para que nasça um mundo sem violência.

A considerar a violência, o tempo traz conhecimento. O poeta, o escritor, o artista não é aquele que cala. O poder da literatura está na voz, a voz transforma, provoca, muda, amplia o pensamento. Hoje sabemos que matar o artista não silencia a obra. Pelo contrário, ajusta o foco, acende luzes. Por isso, na impotência da bala, inventou-se a tendência, que ainda é forte. Atua sobre o nosso comportamento manada. A tendência aponta o que ouvir, onde olhar, o que dizer, o que calar. E tendência pega de jeito. Pode atrasar, matar no cansaço e no medo do olhar do outro.

Recordar Federico García Lorca é pensar em vida, tempo, espaço, conceitos como liberdade. É uma forma de resgatar poder na memória do mundo. Bom lembrar que, se criamos tendências, podemos também desviar delas e adiantar o passo. Na tentativa do desvio, se pratica o parar para pensar. Por isso, vale sim aumentar o volume e ampliar a voz de todos que contribuem com a literatura, sem esquecer do leitor.


*** Quer saber mais?

Antecipando a agenda de 2016, com tempo de aprofundar, vai uma dica para Sarau Literário: Federico García Lorca, obra, vida e amores interditos. Melhor ainda: sinta a voz do poeta e faça o seu título. Passe pela poesia que aproximou o regional do universal, conheça o dramaturgo de Bodas de Sangre e cheque a relação de idas e vindas com Salvador Dalí. Sobre biografia, busque as obras de Ian Gibson.

Ouça a música, sinta a poesia

A poesia de García Lorca soa fluida. É o tom de um músico poeta, que nunca perdeu o acento da pequena Andaluzia onde nasceu. Sob o aspecto folclórico e popular, percebe-se o tom da tragédia. A poesia fala da paixão, dos amores trágicos, do humano atormentado. Nessa tensão, a poesia, caracterizada por símbolos, é generosa em cantar a cooperação entre homens e mulheres. Vida e morte são temas recorrentes. Lorca nos leva a um universo de luas, estrelas, magia. O noturno sempre lunar. A lua é símbolo do feminino, mas o poeta sublinha a porção de esterilidade a contornar o seu mundo. Na dramaturgia, percebe-se a proposta didática a sugerir transformações na ordem social vigente.

No mapa do mundo

García Lorca passa a infância num vilarejo em Granada. Muda-se para Madrid durante o período de formação acadêmica. Observe que tanto a obra poética quanto a dramaturgia são pontuadas pelas viagens que García Lorca faz a Barcelona, Paris, Cuba, Buenos Aires, Nova York.

Os biógrafos contam: García Lorca tentou aprender inglês, mas não se esforçou demais. A Grande Maçã não estava ao gosto do poeta, como vemos na obra Poeta em Nueva York, versos do poema Ciudad Sin Sueños:

No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie. No duerme nadie./ Las criaturas de la luna huelen y rondan sus cabañas./ Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan/ y el que huye con el corazón roto encontrará por las esquinas/ al increíble cocodrilo quieto bajo la tierna protesta de los astros./ No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie./ No duerme nadie./ Hay un muerto en el cementerio más lejano/ que se queja tres años/ porque tiene un paisaje seco en la rodilla;/ y el niño que enterraron esta mañana lloraba tanto/ que hubo necesidad de llamar a los perros para que callase.

Entre amigos

García Lorca pertenceu à chamada Generación del 27 e conviveu com os grandes da época. A sua maior influência foi Ruben Dário. Entre os amigos, estavam Amado Alonso, Gerardo Diego, José de Ciria y Escalante, Guilhermo de Torre, Juan Ramón Jiménez, Gregório Martinez Sierra, Pablo Neruda, Monolo Ortiz, Bergamín, Delia, Maria Rosa, Buñuel, Pepín Bello, Salvador Dalí.

Em 1972, Pablo Neruda escreve suas memórias, reunidas na obra Confesso que Vivi. Com uma narrativa leve, bem humorada e consistente nos pesares, Neruda traz fatos de sua vida e dos amigos, entre eles García Lorca. Os dois aparecem em Buenos Aires, onde prestam uma homenagem a Ruben Dário. Observar a personalidade de García Lorca sob o ponto de vista de Pablo Neruda é uma experiência singular.

Percorra a bibliografia

No Domínio Público, estão disponíveis 15 títulos do autor em espanhol, incluindo a peça Bodas de Sangre.

Entre as obras em português, sugere-se a edição bilíngue Obra Poética Completa – Federico García Lorca (Unb, 2004) e Antologia Poética - García Lorca (L&PM, 2005).

Sobre biografia

O irlandês Ian Gibson é considerado o grande biógrafo de Federico García Lorca. Escreveu diversos livros sobre o poeta, entre eles La represión nacionalista de Granada en 1936 y la muerte de Federico García Lorca (Ruedo Ibérico, 1971) e Guía a la Granada de Federico García Lorca (Plaza & Janés, 1989). A editora Globo traz Federico García Lorca - A biografia (2014), com versão de Augusto Klein para o português.

Amores e interditos

Os amores de Lorca entravam em conflito com a moral conservadora de seu tempo. O García Lorca gay sempre foi assunto tabu para amigos, familiares e conhecidos. Por isso, a vida íntima do poeta constitui uma exceção na obra fartamente documentada de Ian Gibson. Nos livros Vida, pasión y muerte de Federico García Lorca (Debolsillo, 2006), Lorca-Dalí, el amor que no pudo ser (Debolsillo, 2004), Caballo azul de mi locura - Lorca y el mundo gay (Planeta, 2009), Gibson apresenta ao leitor um texto hábil e sensível, com foco na análise de poemas, peças de teatro e correspondências.

Vítor Fernandez, no livro Querido Salvador, querido Lorquito (Globo, 2015), visita a correspondência mantida entre García Lorca e Salvador Dalí. Percebe-se que o relacionamento iniciado em 1923 não foi tranquilo, mas a colaboração entre os dois, a compor o Surrealismo na Espanha, enriquece o mundo da arte até hoje.

ÂNGELA BROILO

Ângela Broilo Escritora .

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Sabedoria, Conhecimento e Entendimento

Por Rick Boxx

Se você for igual a mim, deve gastar bastante tempo procurando sabedoria para as muitas decisões que precisam ser tomadas no trabalho. E penso que você vai concordar que conhecimento e entendimento também são importantes no processo de tomada de decisões. Achei interessante descobrir textos da Bíblia que fazem referência simultânea à sabedoria, conhecimento e entendimento. 

Essas três palavras têm significados diferentes, mas as Escrituras salientam que elas se completam. Elas dizem que o entendimento vem pelo estudo da Palavra de Deus. O conhecimento vem das experiências e habilidades que Deus nos dá. E sabedoria resulta do acúmulo do entendimento e conhecimento que recebemos no decorrer do tempo. Porém, as três provêm de Deus: “Porque o Senhor  dá a sabedoria, e da Sua boca vem o conhecimento e o entendimento.”  Provérbios 2.6

Para compreender como eles se relacionam vamos examinar cada termo individualmente, começando por Entendimento. O significado hebraico é definido como, “discernimento de um critério com habilidade para julgar”. Um cliente certa vez me consultou, pedindo a mim e a outros consultores que o ajudássemos numa questão. Um deles recomendou um plano que era imoral. O tempo que eu tinha passado com a Palavra de Deus foi o que me capacitou a ter consciência dos perigos daquela escolha e a ter entendimento da situação, o que resultou numa solução bem melhor. 

Jó 28.28 ensina: “No temor do Senhor está a sabedoria, e evitar o mal é ter entendimento.” Para ter entendimento precisamos usar nossos sentidos para ouvir e observar. Porém, a habilidade para julgar de forma apropriada vem do entendimento da Palavra de Deus.

Conhecimento vem de Deus por meio das experiências, habilidades, talentos e dons que Ele fornece, permitindo que enfrentemos a vida e aprendamos, se tivermos humildade para nos deixar ensinar. 

Quando jovem, como funcionário da área de empréstimos de um banco, meu primeiro empréstimo para Administração de Pequenas Empresas foi um desastre. Esse tipo de empréstimo exige muita atenção aos detalhes e o desafio de dúzias de documentos.  Sem nenhuma experiência, fiz confusão com o formulário de pedido de empréstimo e fui criticado pelo meu líder pela minha atuação. Humildemente reconheci minha falha.  E essa falha proporcionou o conhecimento que eu precisava para que eu me tornasse um excelente analista de empréstimo para pequenas empresas. “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina” (Provérbios 1:7). Temor do Senhor — respeito reverente — proporciona a humildade necessária para obter conhecimento e se tornar excelente.

Sabedoria surge do conhecimento e entendimento que obtemos ao longo dos anos.   Depois de termos cometido erros, o conhecimento adquirido nos capacita a ter sabedoria. Poderíamos dizer que a aplicação da sabedoria é estratégica, enquanto que o conhecimento é mais tático. Meu primeiro negócio começou com um empréstimo empresarial de 21% de juros. As dolorosas lições aprendidas com aquele empréstimo e meus clientes bancários que financeiramente extrapolaram seus limites de crédito, me proporcionaram sabedoria para aconselhar outras pessoas com risco de incorrer em débitos. 

Aplicar as lições que aprendemos com o tempo, pavimenta o caminho para adquirirmos sabedoria, mas, de novo, exige humildade. Como resume Provérbios 9:10:  O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento.” 

Questões Para Reflexão ou Discussão  

1. Como você define e distingue entre conhecimento, entendimento e sabedoria?

2. O que você pensa da forma como o autor fez distinção entre os três termos? As diferenças são importantes? Explique.

3. Você concorda com a afirmação que os três provêm de Deus? Por quê?

4. Em sua opinião, qual dos três é mais importante?

Desejando considerar outras passagens da Bíblia relacionadas ao tema, sugerimos: Provérbios 3:13-15; 10:14-15; 14:8; 15:7, 21; 16:16, 21; 18:4; 19:20. 

Próxima semana tem mais!

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