Poema
a boca fechada - José Saramago
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado
ficarei,
Pois que a língua que falo é doutra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vasa de fundo em que há raízes
tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que
não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais boiam, mortos,
medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde
sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quanto me
calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
ALERTA TOTAL NO MEIO DO POVO - 2012
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A equipe do Alerta Total agradece a cada um de vocês que estiveram
presentes no evento e aqueles que estavam em casa assistindo pela TV.
Marcelo, Tiffany ...
4 horas atrás











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