PAÍS DO CARNAVAL

Postado por Rilvan Batista de Santana 20/02/12

PAÍS DO CARNAVAL
Acredito que não haja País no mundo que seja tão cheio de irresponsabilidades como este nosso.
Um País que se encontra de pires na mão, com milhões de desempregados, outro tanto de famintos, mendigos, analfabetos, crianças prostituídas, endividado até onde não pode, uma corrupção exacerbada e impune, País que possui uma bandidagem armada e sofisticada, mais bem municiada que a policia, um País com moeda podre e sem respaldo exterior, onde políticos aumentam ao teto que querem seus proventos, enquanto o trabalhador, aquele que realmente produz, recebe um mísero salário que é um dos menores do mundo. O Brasil é um dos Países que mais tem feriados e adora-os. Quando chega fevereiro ou março, o País para. E para pra quê? Para o Carnaval! Não bastassem as micaretas, os fortais da vida, as perifolias, todos os carnavais inconseqüentes fora de época, as festas espalhadas em todos os confins megas bandas, os fins de semana prolongados, chega o bendito ou maldito Carnaval!
Todos os setores da Nação, parados. Até os que produzem, como é o caso das fábricas, indústrias, setores agropecuários e também os que nunca trabalham e aproveitam a época para o continuísmo, como é o caso de Brasília.
Tudo isso para que se possa garantir a gandaia, a sacanagem televisiva, a prostituição, os atentados ao pudor, a falta de moral e vergonha, a venda e consumo de drogas, de bebidas alcoólicas e tudo com o aval das autoridades. É realmente um BBB! A orgia brasileira!
Um País miscigenado com o que havia de pior em Portugal, em época momina, dá sua eficácia de preguiça e vagabundagem.
E na quarta-feira de cinzas, começa a voltar lentamente ao que lhe compete: País falido, todo mundo sem dinheiro, milhares de mães desesperadas pelas filhas prostituídas (pois ninguém é de ninguém) mesmo porque é a época de Sodoma e Gomorra, outros milhares de mães enlutadas pela perda dos filhos e muitas mulheres viúvas em decorrência de brigas, batidas, viradas, atropelamentos que são tão comuns nesta desnecessária overdose de folia.
É muita falta de seriedade em um pais deste tamanho.
Pelo bom senso que falta a todos que comandam esta Nação, bastaria que todos trabalhassem até sexta-feira ao meio dia, com retorno previsto para segunda-feira à tarde, sem exceção, a começar pelo Congresso Nacional, que na verdade é quem primeiro dá o mau exemplo.
Seriedade! É só isto que falta, seriedade!
Como despontar desenvolvimento numa Nação de terceiro mundo como a nossa, se tudo é motivo para festas e feriados, paralisando totalmente os setores produtivos?
Para se ter um exemplo, o Japão tomou duas bombas atômicas, quase se acaba, recentemente um destrutivo e impiedoso terremoto ( já está de pé e de cabeça erguida) e é um dos países mais ricos do mundo tecnologicamente. Procure saber quantos feriados o Japão dispõe para gandaia coletiva?
Prospera porque trabalha, visa não o dia de amanhã, mas as décadas e os séculos que virão. O Brasil é realmente muito diferente, pois os dias em que se trabalha no Japão são os dias em que aqui os festejos prevalecem: shows, vaquejadas, rodeios, festas dançantes, piqueniques, dias santos, natal, dia de ano, dia do padroeiro, dia das mães, dia dos pais, dia dos namorados, dia do estudante, dia do professor, férias, folgas por luto, semana santa, férias escolares, dia do trabalho, Corpus Christi, carnaval, 1º dia do ano e tantos outros feriados que mudam de região para região, de cidade para cidade ou de Estado para Estado.
Sem contar que em Brasília, as férias se alongam desde o início das campanhas eleitorais e vão até a posse dos eleitos e com um jeitinho brasileiro, logo após, eles pedem recesso por mais sessenta ou noventa dias.
Claro que não há nem como pensar em acabar com o carnaval, afinal de contas, politicamente vivemos em um eterno carnaval, não é verdade?
Mas o bom senso poderia imperar para uma redução desta ociosidade do progresso pátrio, pois sábado e domingo já estavam de bom tamanho para toda esta farra.
Lembrando também que assim que termina o carnaval de rua e o recesso político, entram os nossos representantes, após o recesso, claro, mas com determinação em suas costuras, conchavos, ideologias e muita, mas muita demagogia para este povão embriagado ainda pelas festas.
E o povo que estava pulando, dançando, se prejudica sem tomar nenhum conhecimento do que se passa nas cabeças e atos espúrios que temperam a pizza em Brasília.
É do jeito que mo diabo gosta e o brasileiro adora. Mas que povo preguiçoso e cego, meu Deus do Céu!


Carlos Cardoso
Radialista/Escritor/Poeta


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