De novo o Ar
Da janela do Atlas
vejo o sol batendo na terra,
como sombra
ocultando a memória;
- Onde houve laranjas e pão
e tudo o que apetecesse
às filhas do homem;
- Hespérides,
Iráklion não vos arrebate
mais do que o fruto
doce, do génio que domou
o que era selvagem,
e o tornou interpolável
na protohistória
do deus a ocidente de nós.
Tudo são círculos
à roda da pedra que,
entre duas tempestades,
bate na água
turvando o passado
com as suas letras secretas.
Quantas vezes virá o dilúvio,
até que se revele
o antigo porto que,
da orla da montanha,
dava passagem
a todos os mares do mundo?
gonçalo b. de sousa










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