Água azul - José
Saramago
Altos segredos escondem
dentro de água
O reverso da carne, corpo ainda.
Como um punho fechado ou um bastão,
Abro o líquido azul, a espuma branca,
E por fundos de areia e madrepérola,
Desço o véu sobre os olhos assombrados.
O reverso da carne, corpo ainda.
Como um punho fechado ou um bastão,
Abro o líquido azul, a espuma branca,
E por fundos de areia e madrepérola,
Desço o véu sobre os olhos assombrados.
(Na medida do gesto, a
largueza do mar
E a concha do suspiro que se enrola.)
E a concha do suspiro que se enrola.)
Vem a onda de longe, e
foi um espasmo,
Vem o salto na pedra, outro grito:
Depois a água azul desvenda as milhas,
Enquanto um longo, e longo, e branco peixe
Desce ao fundo do mar onde nascem as ilhas.
Vem o salto na pedra, outro grito:
Depois a água azul desvenda as milhas,
Enquanto um longo, e longo, e branco peixe
Desce ao fundo do mar onde nascem as ilhas.
José de
Sousa Saramago (Azinhaga, Golegã, Portugal 16 de novembro de 1922 -
Tías, Lanzarote, Espanha, 18 de junho de 2010) - Além de escritor, foi
contista, dramaturgo, jornalista e poeta português. Ganhou o Prêmio Nobel de
Literatura em 1998, assim como o Prêmio Camões de Literatura. Dentre sua vasta
obra, publicou três livros de poemas: Poemas Possíveis (1966), Provavelmente
Alegria (1970) e O Ano de 1993 (1975).











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