Quando eu morrer - Eucanaã Ferraz
ficarei rosa como uma menina
(você não deve ralhar ou querer que eu minta
porque tudo será exato, sem mesmo carecer de ensaio).
como um príncipe que beijasse
a boca do nada (você vai achar bonito
esse quadro de tintas longínquas).
Pensarão que sou uma menina, um barco,
um pombo. Todo o meu doce virá à tona.
Veja pai, sou um mineral,
intacto e sem passado.
Eucanaã Ferraz nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de maio de
1961. É professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de
Janeiro. Publicou os livros de poemas: Cinemateca em 2008, Rua do mundo 2004,
este publicado em Portugal em 2006, Desassombro em 2002, livro que ganhou o
prêmio Alphonsus de Guimaraens, da Fundação Biblioteca Nacional e também
publicado em Portugal em 2001, também publicou Martelo em 1997. Esteve na
antologia Esses poetas de Heloisa Buarque de Hollanda.











Este belo Poema emocionou-me. Ele diz respeito a cada um de nós, obviamente. Ele traduz, na perfeição, a consciência da inevitabilidade de morrer e da redução do corpo a coisa cadavérica que apodrece e vira "(...)um mineral/intacto e sem passado".
Parabéns, Poeta!
Cordiais saudações
Maria João Oliveira