Por
vezes não raro - Eucanaã Ferraz
Por vezes, não raro,
basta um gesto, sua borracha,
um quase nada de
alvaiade,
um rasgo e só.
No entanto, o carvão
de certas palavras,
de alguns nomes,
não se
apaga fácil.
Afogá-lo, inútil:
o maralto traz
de volta cada sílaba
em sal
fortalecida.
Enterrá-lo? Logo renascerá:
árvore alta, trigo, praga.
No fogo,
irrompe a letra,
inda mais sólida liga.
Há que esperar do esquecimento
o dente miúdo
e lento roer a nódoa na
língua,
o travo no peito.
Autor: Eucanaã Ferraz nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de maio
de 1961. É professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal do Rio de
Janeiro. Publicou os livros de poemas: Cinemateca em 2008, Rua do mundo 2004,
este publicado em Portugal em 2006, Desassombro em 2002, livro que ganhou o
prêmio Alphonsus de Guimaraens, da Fundação Biblioteca Nacional e também
publicado em Portugal em 2001, também publicou Martelo em 1997. Esteve na
antologia Esses poetas de Heloisa Buarque de Hollanda.










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