Harpa
III - Ao sol - Sousândrade
Tímida e bela e taciturna virgem
Pelos campos, na zona solitária,
Do
mar no isolamento, lá do azul
Banhando a terra de uma luta argêntea,
À
matinada sobressalta e foge:
Chama aos seios o manto, os pés retira
Da
terra e voa, descobrindo os bosques
Que estremecem, do monte a sombra
arranca
Toma à pressa os vestidos que vão soltos
E as grinaldas
d’estrelas, fugitiva.
Roda o plaustro de um príncipe, os cavalos
Vêm
nevados nos vales do oriente;
Cobre os ares a poeira do caminho
Alva como
o pó d’água; se arrepiam
No ninho as aves desatando o bico;
Brisa fresca
e geral passa acordando
Os vegetais, o oceano; belas nuvens
De marinho
coral, nuvens de pérola
Como a face de um lago os céus abriram;
Estende
o colo o pássaro cantando
Por detrás da palmeira, qual pergunta
Aos
pastores, ao gado apascentando
“Quem fez este rumor?” desliza o orvalho
Na flor, derrama o vento,o vento leva
Ondulações d’incenso; a natureza
Nas barras da manhã respira amoes:
A noiva docemente bocejando
N’alva da noite da esperança longa
Embalada nos berços conjugais.
Joaquim de Souza Andrade, Sousândrade
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