Guido Mantega: "Dilma vai manter o número de
ministérios"
O ministro da Fazenda descarta uma mudança radical no
primeiro escalão, critica quem diz que o governo gasta demais – e jura que
esteve na churrascaria onde foi concebida a Carta ao Povo Brasileiro
LUIZ MAKLOUF CARVALHO
MEMÓRIA & ESQUECIMENTO
O ministro Guido Mantega afirma que leu “em diagonal” o
livro em que Palocci, ao falar do governo Lula, praticamente omite o nome dele
(Foto: Sergio Lima/Folhapress)
Dezembro foi magnânimo com o ministro Guido Mantega no plano
profissional. Ele comemorou o cumprimento de quase todos os objetivos em sua
área. Celebrou especialmente a manutenção de uma invencibilidade: em seis anos
como ministro da Fazenda, a inflação ficou sempre dentro da meta (em 2011, como
uma bola de tênis que resvala na linha, ficou exatamente no teto, 6,5%).
Mantega também festejou quando o Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios,
uma empresa de consultoria britânica, anunciou que o Produto Interno Bruto do
Brasil ultrapassara o da Inglaterra e se tornara o sexto do mundo. Ao longo de
um mês de boas notícias na seara política, Mantega deu duas entrevistas a
ÉPOCA: a primeira no dia 2, no gabinete da Presidência da República, em São
Paulo, e a segunda no dia 29, no Ministério da Fazenda, em Brasília. A seguir,
os principais trechos.
ÉPOCA – Qual é seu balanço do primeiro ano do governo?
Guido Mantega – Atravessamos esse mar revolto da crise
internacional com relativa tranquilidade e atingimos nossos objetivos de
política econômica e social. Implantamos no país um novo modelo de
desenvolvimento, fortemente gerador de empregos. Mesmo com a economia crescendo
menos que em 2010, criamos mais de 2 milhões de empregos formais. No momento em
que o mundo está mergulhado no desemprego, com mais de 100 milhões de
desempregados no mundo, é um grande feito. É claro que a crise mundial está aí,
e nos atrapalhou.
ÉPOCA – Em que, especificamente?
Mantega – O setor industrial cresceu pouco em 2011.
ÉPOCA – Cresceu pouco e chiou muito.
Mantega – Exato. Porque é o mais atingido pela crise.
Aumentou a concorrência, e produtos estrangeiros entraram com força no Brasil.
A manufatura brasileira teve mais dificuldade para exportar.
ÉPOCA – Faz tempo que o governo vem errando em relação à
indústria. O senhor faz alguma autocrítica?
Mantega – Não tem autocrítica. É uma situação internacional,
difícil para todo mundo. O que fizemos foi criar algumas linhas de defesa,
botar a Receita Federal para fiscalizar mais, criar um departamento de
inteligência.
ÉPOCA – Outra crítica recorrente é que o governo gasta
muito, e pessimamente.
Mantega – Parece um chavão, que não tem fundamento na
realidade.
ÉPOCA – Não?
Mantega – Não. Neste ano, cortamos gastos de custeio.
Estamos fazendo mais com menos recursos. O que temos de separar do custeio são
os programas sociais. O Bolsa Família me parece um recurso muito bem gasto.
Agora, no custeio da máquina, apertamos muito. Se você pegar viagens e
passagens de todos os ministérios, cortamos 50% em diárias e passagens. E já
vínhamos cortando nos anos anteriores. Limitamos a compra de aluguéis de
prédios novos, material permanente, carros e mais não sei quê. Os principais
gastos do governo, os gastos com pessoal, estão contidos. Não foram aprovados
aumentos no Congresso nem para o Judiciário, nem para o Legislativo, nem para o
Executivo.
ÉPOCA – O senhor não acha que o número de ministérios e de
cargos de confiança é um absurdo?
Mantega – Há ministérios que respondem a questões sociais
importantes; por exemplo, o Ministério da Igualdade Racial, que olha
principalmente para a questão dos negros, ou o da Mulher, da condição feminina.
São ministérios pequenos.
ÉPOCA – O senhor é favorável a um enxugamento?
Mantega – Não sou favorável. Esses ministérios gastam muito
pouco e têm um diálogo social importante com esses segmentos da população. Dão
representatividade.
ÉPOCA – O senhor sente que a presidente Dilma quer reduzir o
número de ministérios?
Mantega – A presidenta Dilma vai manter o número de
ministérios.
ÉPOCA – Por que o senhor aumentou os impostos para os carros
importados?
Mantega – Para proteger a indústria, a produção nacional, o
emprego nacional. Para dar uma defesa, porque estávamos sendo invadidos.
ÉPOCA – Há quem diga que não havia invasão nenhuma, risco,
absolutamente nada disso, a não ser o forte lobby das montadoras.
Mantega – Posso te convencer do contrário. Na indústria
automobilística, a importação estava crescendo 40%. No setor têxtil, 40%.
ÉPOCA – Mas, no setor automobilístico, o que eles estavam
ganhando estava num padrão internacional bastante razoável...
Mantega – Mas não é o que estavam ganhando. Não estou
preocupado com isso. Quero que eles ganhem cada vez menos, que ganhem no
volume, não numa quantidade pequena. Essa é uma filosofia: todo aumento de
demanda era atendido por importação. Significa zero de crescimento da produção
brasileira.
ÉPOCA – Essa medida não incentiva a preguiça da indústria
brasileira, que não melhora a qualidade do carro, não investe em melhoria
tecnológica? Não prejudica o consumidor, que quer um carro melhor, que as
montadoras daqui não têm condição de oferecer?
Mantega – Não, porque temos aqui 15 montadoras. Quase todas
as mais importantes estão instaladas no Brasil. Elas concorrem entre si. Olha a
evolução do preço dos carros novos no Brasil. É abaixo da inflação. Eles estão
reduzindo o preço pelo menos nos últimos cinco anos.
ÉPOCA – O que se diz é que essa medida só atendeu a um lobby
da Anfavea e dos sindicatos, sem nenhuma explicação do ponto de vista técnico.
Mantega – Isso é bobagem. Por que estimulamos a indústria
automobilística? Ela representa 23% do PIB industrial. É o setor que mais gera
o efeito multiplicador na economia. Estimulamos também construção civil,
eletroeletrônico, móveis, têxtil, praticamente os setores mais importantes. Que
história de lobby é essa? Não entendo. Temos uma câmara criada em 2008, com 40
entidades de classe. Estão Abimaq, Abinee, Abit, Anfavea, todos lá, todos com o
mesmo direito de chorar. Não é lobby. Eu ouço o setor. Agora, em 2008, não
precisei conversar com a indústria automobilística. Somos economistas
profissionais faz tempo. Você olha a economia e sabe o setor que gera mais
dinamismo, puxa a demanda, traz o efeito multiplicador.
ÉPOCA – Se houve tantos ganhos para o país, por que então há
tantas críticas ao governo?
Mantega – Talvez haja mais entusiasmo nas críticas ao
governo petista, porque o PT vem dos trabalhadores, tem ligação com o
sindicalismo, e as elites nunca gostaram muito do Lula. Tem também algum
preconceito contra o desenvolvimentismo. Passamos por um período de muita
ortodoxia. Tudo o que não era ortodoxia tinha de ser criticado. E nunca fomos
ortodoxos. Eu, particularmente, sempre mantive a mesma linha.
"No noticiário sobre a campanha de 2002, apareço muito
mais que o Palocci. Eu é que falava com os empresários"
ÉPOCA – Uma vez o senhor chegou a dizer que jamais cometeria
um ato ortodoxo.
Mantega – Não me lembro. Mas não podemos confundir. Precisa
saber bem o que é desenvolvimentismo e o que é ortodoxia. Ortodoxia é aquela
política burra de fazer ajuste fiscal recessivo, em que você derruba a
economia. Ou pegar uma crise e fazer uma política para derrubar mais ainda. É
claro que, em algumas situações, você não tem saída, vamos reconhecer.
ÉPOCA – O que o senhor pode dizer sobre dois ortodoxos de
carteirinha, seus amigos Antonio Palocci e Henrique Meirelles? Ficou famoso seu
“Viu, Meirelles?” na festa de lançamento do PAC.
Mantega – É uma característica minha. Antes de vir para o
governo, eu era professor, dava aula. E não fazia aquelas aulas monótonas, em
que todo mundo começa a bocejar. Gosto de fazer uma piada. Não perdia uma
brincadeira. Então, toques de humor são necessários para que a vida seja mais
leve.
ÉPOCA – E o Palocci?
Mantega – Não acho que o Palocci seja um ortodoxo.
ÉPOCA – Não?
Mantega – Não.
ÉPOCA – Mas o senhor não acha que ele fez uma política
ortodoxa?
Mantega – Veja bem: quando começou o governo, era necessário
fazer aquela política. Era uma política de ajuste, nem vou dizer que era
ortodoxa. Quando começamos o governo, em 2003, eu era ministro do Planejamento.
Quem fazia os cortes era o Ministério do Planejamento. Acertava com a Fazenda,
vendo o tamanho da encrenca, depois praticávamos. Fui totalmente favorável
àquela política. Naquele primeiro ano de governo, não tínhamos escolha. Seja
ortodoxo, seja heterodoxo, seja desenvolvimentista, tinha de fazer aquilo.
ÉPOCA – O senhor estava plenamente de acordo com aquilo?
Mantega – Plenamente de acordo. Naquele ano, tinha de fazer
redução de despesa, havia um surto inflacionário que vinha do ano anterior,
2002, a inflação, anualizada em dezembro, estava em 25%. Havia uma desconfiança
em relação ao novo governo do presidente popular, sindicalista. Tínhamos de
restabelecer a confiança, mostrar que seríamos mais sérios até que nossos
antecessores na política fiscal. O Palocci veio com essa missão, de fazer essa
transição e depois promover o crescimento.
ÉPOCA – Relendo o livro do ministro Palocci, Sobre formigas
e cigarras, que aliás o senhor já disse que é uma porcaria...
Mantega – Eu disse onde?
ÉPOCA – A um colega seu...
Mantega – Eu não me lembro disso, não (risos).
ÉPOCA – Mas seu colega se lembra. No livro do ministro
Palocci, o senhor, a rigor, não existe. Não participa de nada relevante. Só
aparece em três páginas. Não existe na campanha e está absolutamente por fora
da fundamentalíssima Carta ao Povo Brasileiro.
Mantega – E eu participei da elaboração da Carta aos
Brasileiros. E participei intensamente da campanha.
ÉPOCA – Por que o ministro Palocci é tão econômico em
relação ao senhor?
Mantega – Você tem de perguntar a ele, não a mim. Não fui eu
que escrevi o livro.
ÉPOCA – O senhor leu o livro?
Mantega – Eu olhei, em diagonal.
"Em 2002, o Palocci fez uma conexão com o setor
empresarial e financeiro que de fato eu não tinha. Ele era diferente de
mim"
ÉPOCA – E tem algum motivo para o senhor mal aparecer no
livro?
Mantega – Você tem de perguntar a ele. Como é que vou
responder, se foi ele quem escreveu? Na campanha de 2002 fui muito atuante. Nos
relatos da imprensa, apareço muito mais que o Palocci. Ele não deu uma palestra
em 2002. Eu era coordenador do grupo de economia. O Palocci chegou depois que
morreu aquele menino, o Celso Daniel. Ele chegou por agosto, setembro, não me
recordo. Até então eu era o economista mais conhecido da campanha. O presidente
Lula me chamava nas reuniões, reunia empresários e tudo mais e eu é que ia lá,
falava aos empresários. Não me lembro do Palocci.
ÉPOCA – Mas isso até a Carta ao Povo Brasileiro. O senhor
não foi contra ela?
Mantega – Eu não era contra. Participei da elaboração da
Carta aos Brasileiros. Foi feita onde? Deixa eu me lembrar. Foi feita fora de
São Paulo. Fizemos uma reunião, deixa eu me lembrar...
ÉPOCA – Em Ribeirão Preto, segundo o livro do Palocci, numa
churrascaria que estava fechada.
Mantega – Exatamente.
ÉPOCA – No relato do Palocci, o senhor não aparece nessa
reunião. Ele cita todos os que estavam, mas não o senhor.
Mantega – Mas eu estava lá.
ÉPOCA – Jura, ministro?
Mantega – Juro. Absolutamente. Eu estava na churrascaria.
ÉPOCA – Então a omissão de seu nome no livro do Palocci foi
deliberada?
Mantega – Acho que é uma questão de memória.
ÉPOCA – Parece óbvio que não é.
Mantega – Eu não era contra a Carta, participei e eu estava
na churrascaria.
ÉPOCA – Ministro, o senhor estava à esquerda das posições
defendidas na ocasião, não?
Mantega – Eu estava mais à esquerda que o Palocci,
exatamente.
ÉPOCA – Mas agora o senhor está dizendo o contrário...
Mantega – Estamos falando em 2002, vamos deixar claro. Em
2002, o Palocci fez uma conexão com o setor empresarial e financeiro, que de
fato eu não tinha, porque eu era mais crítico. Em 1999, 2000, 2001, fiz várias
críticas. No ano da eleição, eu era marcadamente um crítico de certas coisas,
por exemplo, do ministro da Fazenda, do presidente do Banco Central. Eu tinha
posições. O Palocci, ele não tinha nem posição. Naquela época, ele não tinha
atuação na área econômica. Em 2002, entrou com uma linha mais de aliança com o
setor financeiro e tudo mais. Portanto, era diferente de mim. Depois que
começou o governo, não havia nenhuma divergência quanto à estratégia a
implantar. Tinha de fazer corte de despesa, tinha de combater a inflação, tinha
de consertar a economia. Posteriormente, pode ser que surgissem divergências em
relação a ele.
ÉPOCA – Por que o ministro da Fazenda não foi o senhor, que
desde 1992 era o braço direito do Lula nas questões econômicas?
Mantega – Porque foi privilegiada uma solução de compromisso
que dava mais segurança ao setor principalmente financeiro e empresarial. E o Palocci
representava mais isso.
"Quero que eles (o setor automotivo) ganhem cada vez
menos, que ganhem no volume, não na quantidade pequena"
ÉPOCA – E sua escolha para substituir o ministro Palocci,
como foi?
Mantega – Bom, o ministro Palocci estava sofrendo uma crise.
Havia problemas com ele, discussões, aquele negócio ali de Brasília, da casa,
não sei o quê. A nomeação para ministro da Fazenda foi absolutamente surpresa.
O Lula não me consultou, não falou comigo na véspera. Mas é como ele age. Era
uma segunda-feira, eu estava despachando no BNDES com o David Feffer. Aí recebo
um telefonema da chefe da Casa Civil, a Dilma, dizendo para eu ir direto a
Brasília, da forma mais reservada possível. E fui para lá. Cheguei umas 3 horas
da tarde, aí ela me falou: “Olha, o presidente vai te convidar para ser
ministro, estamos esperando o Palocci assinar a carta de demissão”.
ÉPOCA – O senhor esperava, desconfiava?
Mantega – Desconfiei de alguma coisa porque o Palocci vinha
sofrendo um desgaste. Quando cheguei, o presidente falou: “Você vai assumir”
(risos). O presidente não convidava, ele determinava. Não perguntou se eu
queria ou se eu não queria. Finalmente, 6, 6 e meia da tarde, o Palocci redigiu
a carta e aí fui dar uma entrevista coletiva.
ÉPOCA – Mas o senhor disse, pelo menos, “tudo bem,
presidente, eu aceito”?
Mantega – Nem respondi, porque ele falou: “Você vai assumir
o Ministério da Fazenda”.
ÉPOCA – Mas o senhor poderia ter dito “não quero, obrigado”.
Mantega – Poderia. Mas não faria muito sentido, porque era
uma necessidade que ele tinha. Você não pode deixar um país sem ministro da
Fazenda.
ÉPOCA – Nos bastidores, dizem que o senhor ajudou naquela
crise contra o Palocci. Que podia ter feito alguma coisa e não fez...
Mantega – Me diga o que é que eu podia ter feito? Eu estava
totalmente por fora, no BNDES, não tinha nada a ver com tudo aquilo que
aconteceu. Como é que eu poderia ter ajudado?
ÉPOCA – E em relação ao Meirelles? Vocês trombaram
publicamente várias vezes. Ele era um adversário seu, e houve um momento em que
o senhor lutou para que ele saísse do governo. O Lula convidou até o
(economista Luiz Gonzaga) Belluzzo.
Mantega – Há política fiscal e política monetária. A
política monetária sempre tende a ser mais conservadora. O Banco Central é mais
conservador, assim como a Fazenda é mais conservadora que os outros
ministérios. Posso ter divergido do Meirelles em relação a alguns momentos em
que ele subiu a taxa. Ele tinha autonomia e fazia o que achava correto,
discutia com o presidente. Não vou negar que houve pontos de vista diferentes.
Mas era totalmente civilizado.
ÉPOCA – O senhor não gostava do trânsito direto que o
Meirelles tinha com o presidente Lula, sem passar pelo senhor?
Mantega – Não é verdade.
ÉPOCA – E o convite do Lula ao professor Belluzzo?
Mantega – Não tenho o direito de falar sobre isso, porque é
o presidente Lula que tem de falar.
ÉPOCA – Mas o senhor fez peso na balança para que o professor
Belluzzo substituísse o Meirelles?
Mantega – Eu sou muito leve (risos).
ÉPOCA – A que setores e a que interesses o senhor desagradou
como ministro?
Mantega – Em 2007, quando caiu a CPMF, aumentamos a
contribuição sobre o lucro líquido dos bancos. Você acha que os bancos
gostaram? Você acha que eles puseram um retrato meu na sala da presidência? Até
colocaram, mas para jogar setas em cima do ministro da Fazenda (risos).
ÉPOCA – Não vamos exagerar, ministro. Os bancos estão
felicíssimos. Nunca foram tão felizes.
Mantega – Exatamente. Tem gente que chora de barriga cheia.
"Você acha que os banqueiros puseram um retrato meu na
parede? Só se for para jogar setas no ministro da Fazenda"
ÉPOCA – Mas eles nem estão chorando...
Mantega – Mas quando aumentamos a contribuição sobre o lucro
líquido, eles passaram a pagar mais que o setor produtivo como um todo.
Evidentemente, não devem ter gostado. Quando começou esse ano, alguns segmentos
do mercado financeiro tinham uma reação que nem era publicada. Podem ter dito impropérios
em relação a mim.
ÉPOCA – Última pergunta: quem é o senhor?
Mantega – Quem sou eu?
ÉPOCA – O senhor continua sendo um enigma.
Mantega – Um enigma? Você conhece minha vida melhor do que
eu.
ÉPOCA – Mas como o senhor se define?
Mantega – Eu me defino com tudo isso que falamos aqui
durante várias horas. Sou um militante político que acredita na transformação
social do país e que teve a chance de pôr em prática uma parte das suas
crenças. Sou uma pessoa privilegiada, afortunada, porque pude praticar aquilo
que pensava desde a juventude. É claro que aggiornato, tudo isso atualizado e
adaptado, porque a gente pensava muita bobagem também, na juventude.
Origem: Revista ÉPOCA
Origem: Revista ÉPOCA











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