Elogio
ao Alexandrino - Sousândrade
Asclepiádeo verso: à evolução do poema
Das sestas, cadenciar d’altas
antigüidades,
já porque bipartido em fúlgidas metades
Reata em conjunção
opostos de um dilema,
E já por ser de gala a forma do matiz
Heleno na
escultura e lácio na linguagem
Reacesda, de Alexandre, em fogos de Paris:
Paris o tom da moda, o bom gosto, a roupagem;
Que desperta aos tocsins,
galo às estrelas d’alva,
Que faz revoluções de Filadélfia às salvas
E o
verso-luz, fardeur das formas, de grandeza,
o verso-formosura, adornos,
lauta mesa
Ond’ tokay, champanh’, flor, copos cristal-diamantes
Sobrelevam roast-beef e os queijos e o pudding.
Porém, mens divinior,
poesia é o férreo guante:
Ao das delícias tempo, o fácil verso ovante,
o
verso cor de rosa, o de oiro, o de carmim,
Dos raios que o astro veste em
dia azul-celeste;
E para os que têm fome e sede de justiça,
O verso
condor, chama, alárum, de carniça,
D’harpas d’Ésquilus, de Hugo, a dor, a
tempestade:
Que, embora contra um deus “Figaro” impiedade
Vesgo olhinho
a piscar diga tambour-major,
Restruge alto acordando os cândidos espíritos
Às glórias do oceano e percutindo os gritos
Réus. Ao belo trovoar do
magno Trovador
Ouve-se afinação no mundo brasileiro,
Acorde tão formoso,
hodierno, hospitaleiro,
Flamívomo social, encantador. Fulgura
Luz de dia
primeiro, a nota formosura,
Que ao jeová-grande-abrir faz novo Éden
luzir.

Joaquim de Souza Andrade, Sousândrade, (Vila dos
Guimarães, Maranhão, 9 de julho de 1832 - São Luís, Maranhão, 21 de abril de
1902). Formou-se em Letras pela Sorbonne em Paris, onde também estudou
Engenharia. Permaneceu na Europa por muitos anos, viajou muito e conheceu também
as repúblicas latino-americanas. Foi um poeta da fase romântica brasileira, e
por muitos de sua época, considerado como louco. É patrono da cadeira 18 da
Academia Maranhense de Letras.
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