DONA ARANHA

Era uma vez uma aranha. A Dona Aranha vivia tentando construir sua casa. Mas a coitada, às vezes, nem conseguia terminar. Vinha alguém e destruía “a teia de aranha” como costumávamos chamar. Mas ela não desistia e tentava em outro lugar.

Um dia, a Dona Aranha estava muito contente. Tinha conseguido, finalmente, terminar o seu trabalho. Estava instalada, pronta para atacar os insetos que por ali passassem. Ela, com muita agilidade, os agarrava. E, assim ia seguindo a lei da sobrevivência: os fortes se apoderam dos mais fracos.

Naquela casa onde a Dona Aranha havia construído sua morada, habitava o Sr. Joaquim, um homem já velho que nunca quis casar-se. Morava sozinho naquele casarão. Não se comunicava com ninguém, tinha muito poucos conhecidos e não fazia nada pra ninguém. Vivendo de sua aposentadoria se bastava a si mesmo. Quando se encontrava com alguns de seus companheiros de trabalho, aproveitava para falar mal de algum...

Um dia o Sr. Joaquim descobriu a teia de aranha. Ficou parado, olhando o trabalho da Dona Aranha. De repente disse-lhe: “Espere aí sua safada; acabo com a sua alegria.” E foi buscar a vassoura. Dona Aranha tremeu de medo e rezou: “Meu Deus! Fazei que este homem se esqueça de mim!” Parece que Deus ouviu a prece da Dona Aranha porque o Sr. Joaquim, ao pegar a vassoura pensou: “Meu Deus, nunca fiz nada de bom. Esta aranha não está me incomodando. Vou deixá-la em paz.” E foi curtir sua solidão em frente da televisão.

Algum tempo depois, o Sr. Joaquim morre. Chega à porta do céu, encontra São Pedro que o recebe sorrindo: “Joaquim, chegou o dia. Vou olhar aqui no Livro da Vida, na sua página, o que você fez de bom na terra.” O Sr. Joaquim tremeu. Ele tinha consciência de que não havia feito nada de bom. São Pedro, depois de ler e reler a página do Sr. Joaquim, disse-lhe: “Joaquim, não vejo nada aqui. Mas procure lembrar-se de algo de bom que você tenha feito na terra.”

O Sr. Joaquim, antes de São Pedro, já tinha constatado esta realidade. Mas como por encanto, apareceu-lhe a lembrança da aranha. “Ah! São Pedro! Fiz uma coisa boa. Não destruí a teia de aranha; deixei que ela permanecesse em minha casa.” “Pois esta aranha vai tirar-lhe do inferno. Quando você chegar lá, vai tentar descobrir um fio de aranha. Este fio vai salvar-lhe, mas com uma condição: você vai permitir que todas as almas que o descobrirem possam salvar-se também”, disse São Pedro.

Sr. Joaquim, ao chegar ao inferno, ficou apavorado com os gritos e a multidão de almas que sofriam. Mas restava-lhe uma esperança: o fio prometido por São Pedro. E passou a olhar de um lado para outro tentando descobri-lo. Atento, muito atento buscava-o, sem cessar e, de repente, Sr. Joaquim o encontra, lá num cantinho. Aproxima-se timidamente e o segura com muita ansiedade. Tenta subir por ele e vai conseguindo. Aos poucos, vai deixando aquele ambiente de horror, sentindo-se aliviado e saboreando um pouco de alegria. Mas resolve olhar para trás. E vê que, aproveitando o fio dele, muitas almas estavam saindo do inferno. “O que é isto? O fio é só meu. Fui eu que salvei a aranha”. E sacudiu o fio. Este se partiu, as almas caíram e, com elas, também o Sr. Joaquim.

Esta estória, eu a ouvi em minha infância. Não conheço o autor. Ele que me desculpe, pois, como diz o ditado, “quem conta um conto aumenta um ponto”. Contei à minha maneira. Penso que podemos aprender muito com ela. A Dona Aranha nos dá um belo exemplo de paciência. Quantas vezes tentou construir sua casa! Ela nos ensina que o importante é a persistência. E que, todas as vezes que cairmos, devemos levantar-nos e continuar. O Sr. Joaquim, coitado, não conseguiu descobrir o amor. E que amor é vida, é comunicação. O ato de amor não é um ato solitário. Por isso, quando ele sentiu um pouco daquele amor, precisou comunicá-lo a alguém e, instintivamente, olhou para trás, mas, infelizmente, o seu egoísmo era maior e não suportou repartir o seu fio.

O céu e o inferno começam aqui. Vamos aprender a ter a paciência da aranha. Sem precisar ir ao inferno, vamos descobrir o nosso fio aqui, hoje, agora mesmo. E, se percebemos que outros também o descobrem e nos seguem, alegremo-nos.

Vivendo a fraternidade, teremos levantado uma escada para o céu.


ARCO ÍRIS

Marília Benício dos Santos





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