Com o pé direito

Dez conselhos para você começar o ano de 2012 com o pé direito

O ano de 2011 saiu como você esperava? Os planos e metas que traçou no começo do ano foram cumpridos? O final do ano é época de reflexão. Rever os erros e acertos do ano que está terminando é muito importante para organizar como será o que ainda está para começar. Manter o equilíbrio, planejar-se financeiramente e contar com a ajuda de amigos e parentes são apenas algumas das dicas que apresentamos para que você comece 2012 com o pé direito.

Apesar de ser, às vezes, bastante dolorido pensar nos erros que cometemos durante o ano, essa avaliação não pode deixar de ser feita. De acordo com a enfermeira especialista em Geriatria e Gerontologia pela UnATI/UERJ Carolina de Oliveira e o psicólogo do Instituto Sequóia, professor da UnATI/UERJ e especialista em Geriatria e Gerontologia Wallace Hetmanek, "para os planos funcionarem é fundamental entender sobre si, seus erros e desvios para, então, iniciar com os novos objetivos. Saber porque desistiu de uma meta, porque paramos no meio de algo que planejamos e como perdemos a motivação para algo que parecia tão importante antes do ano. começar"


Se você planeja um 2012 maravilhoso, Carolina e Wallace prepararam dez dicas fundamentais para quem não quer perder tempo. No entanto, eles destacam que "não existe uma fórmula ou regra básica para realizar as mudanças e buscar tais objetivos. Cada um tem o seu ritmo para fazer as coisas, mas é bom lembrar que é necessário o esforço de cada um de nós para alcançar o êxito. Pense nas dicas abaixo e utilize-as como ferramentas para desenvolver as suas próprias habilidades. Vale ressaltar que, quando priorizamos um número limitado de objetivos para um determinado período de meses, temos uma maior possibilidade de atingir as metas”.
Confira:

1- Evite frustrações e invista em motivação:
esse tópico diz respeito ao cálculo do tamanho dos passos a serem dados. Por exemplo, para quem pretende emagrecer, não pense em "perder" peso. Ninguém gosta de perder e quem perde costuma ficar procurando para achar. O mais importante é definir quanto se pretende e o porquê se deseja isso. Uma vez definidos esses dois pontos, não se esqueça de dividir por 12, que é o número de meses do ano

2- Tenha equilíbrio:
talvez ritmo seja a palavra chave aqui, pois diz respeito à motivação necessária para colocar alguma coisa em prática. É muito comum que as pessoas iniciem uma meta para o ano com vontade de completá-la em uma semana ou em dias. Isso em geral leva à frustração e à sensação de que "é tudo difícil demais"

3- Conte com a família e os amigos:
costuma ajudar muito comunicar e pedir ajuda aos parentes e conhecidos para as metas. O ano novo é precedido pelo Natal, que, em geral, é uma oportunidade de refazer laços rompidos e de se aproximar dos familiares. Dizem que é tempo de perdoar. Portanto, aproveite para praticar

4- Faça sua mente trabalhar a seu favor:
uma dica é formalizar um desejo/pedido e imaginar com seria se ele se concretizasse. Sinta como é prazeroso e bom ter o que pretende. Em seguida, agradeça pela realização do teu desejo. Costuma funcionar atrelar aos desejos uma forma de oferecer algo para as outras pessoas, talvez um trabalho voluntário, um gesto amoroso como forma de compartilhar alegria

5- Tenha saúde emocional:
sentir-se bem auxilia muito com as metas. Se a sua é um novo amor, reaproximação com um familiar ou amigo, melhor ainda, pois é chegada a hora de abrir seu coração, se emocionar e deixar de lado mágoas e rancores, assim como utilizar o poder transformador do amor a teu favor. Brinque, dê presentes, escreva cartões, faça o que for necessário para tocar o outro da maneira que ele gosta. Seja criativo e sincero

6-Tenha saúde física
: esse é um tópico importante dentro das metas propostas e que implica em mudança de hábito. Iniciar uma atividade física costuma ser um processo difícil, onde encontramos diversos empecilhos e desculpas para não iniciar a prática. Conhecer o seu corpo é essencial na escolha da atividade, assim como escolher as que te dão mais prazer. Depois do início e dos primeiros resultados use a seu favor essas alterações para se manter motivado. Não se esqueça de fazer propaganda positiva de você mesmo!!! E de beber bastante líquido durante as atividades e no dia a dia, não espere sentir sede. Tenha metas diárias de ingestão de líquido, use várias garrafas para esse fim. Costuma ser útil

7- Trace metas impossíveis
: além das metas convencionais, tenha também metas aparentemente intangíveis, como aquele ditado, "aponte no infinito que, no mínimo, acertará as estrelas". Às vezes, aquele desejo antigo de parar de fumar, com tão poucos resultados pode ser substituído pela redução gradual ao longo do ano, nem que não chegue a uma parada completa. Não se esqueça de escolher o que você quer fazer no lugar de fumar. Ou seja, depois de decidir parar, de verdade, de fumar, coloque algo no lugar, como ligar para um amigo, acessar a internet ou qualquer outra meta curta e breve. Que tal beber um copo d'água? Para os mais ansiosos, uma boa opção pode ser bochechar ou brincar com a água, para passar o tempo

8- Tenha metas:
âncoras, lembretes e gatilhos - chame como quiser, mas crie pequenas etapas dentro das próprias metas para que se mantenha motivado e que possa medir os avanços. Isso é importante para seguir em frente. Como dizia Santo Agostinho e Don Quixote, avalie seu dia e suas metas para saber se é realmente isso que deseja fazer pelo resto de sua vida – ou pelos próximos anos. Mesmo que a resposta nem sempre seja definitiva, talvez conhecer as consequências das suas escolhas possa te ajudar a desistir de hábitos não saudáveis e a engajar-se em atividades prazerosas e que lhe darão mais mobilidade, energia de vida e possibilidades de trocas afetivas

9- Faça um planejamento financeiro:
ter controle e anotar gastos não tem nada de complicado. Começa pelo básico o que "ENTRA" e o que "SAI". Lembrando que isso inclui tudo. Entrada é quando recebemos nosso pagamento, achamos dinheiro no chão ou alguém nos dá dinheiro para ajudar com alguma conta. Saída é aquilo que gastamos com as coisas, alimentação, transporte, simples assim. O principal, no início, é começar e depois manter. Para essa meta e para as outras, lembre-se que a perfeição não está em jogo, pelo menos não no começo. Sempre que possível, divirta-se com suas metas e destine parte da sua receita (entrada) para o lazer (por exemplo, 10% de sua renda) e gaste tudo que se propor. Nada de poupar para o lazer. Essa é uma forma inteligente de poupar e se manter livre de excessos

10- Adapte suas metas à sua realidade:
lembrando a primeira dica, não exagere e transforme tudo em sua vida numa meta ou uma competição de desempenho com os outros. Encontre a calma necessária para manter suas metas no seu tempo, com respeito a você e suas emoções. Lembre-se de brindar a vida, focar em desfrutar e se divertir.




SONHO DE ANO NOVO

PARA O ANO NOVO
VOU LEVANDO UMA RESERVA DE TERNURA,
E O DESEJO DE CONTRIBUIR PARA REVERTER
OU PELO MENOS DIMINUIR
A DISTORÇÃO SOCIAL.

LEVO A CONVICÇÃO DE QUE VALE A PENA VIVER E LUTAR
SABENDO QUE NEM TUDO SÃO ROSAS,
PORÉM NÃO DEIXANDO QUE
PREVALEÇAM OS ESPINHOS, QUE MACHUCAM.

TRIPUDIADA, HUMILHADA
POR AMAR E PROTEGER?
- VERGONHOSO SERIA
SER APLAUDIDA POR ODIAR E VILIPENDIAR!

SONHO COM UM MUNDO DE PAZ,
ALMAS EM PAZ SEMEANDO A PAZ,
CRIANÇAS RESPEITADAS E CONFIANTES,
PROTEGIDAS POR ADULTOS SEM TEMORES.

SONHO COM JOVENS SERENOS
NA PLENITUDE DE SEUS VÔOS JUVENIS
AMANDO E CURTINDO A FASE MAIS BELA DA VIDA,
LONGE DE VÍCIOS, DESTEMIDOS, AUDACIOSOS
E LIBERTOS DE SENTIMENTOS FÚTEIS!

QUERO CONTEMPLAR MEUS FILHOS
VIVENDO NA ESPERANÇA E DE ESPERANÇA,
CORAÇÕES ÍNTEGROS, SEM MEDO DE SEREM FELIZES
TRABALHANDO POR UM MUNDO MENOS HOSTIL.

QUERO SEGUIR APAIXONADA PELA POESIA
E POETANDO VIDA AFORA COM AMIGOS POETAS,
PERCEBENDO NOS OLHARES E SORRISOS CARINHOSOS
A AFEIÇÃO PELA NOSSA ARTE.

QUERO SE POSSÍVEL,
PARTICIPAR DE UM ENGAJAMENTO
PELA MELHORIA DA SAÚDE DO MEU POVO!

LEVANTAR A VOZ PARA SER OUVIDA
E CLAMAR POR UMA PAZ SEM TRÉGUA,
POR UMA LUZ SEM SOMBRAS,
POR UMA VELHICE SEM SOLIDÃO E
PARTICIPANTE DA VIDA EM FAMÍLIA
TENDO VEZ E VOZ.

E AO FINDAR O ANO
QUERO TER A VENTURA
DE CELEBRAR A VITÓRIA DO BEM,
SER PREMIADA COM UMA CONSCIÊNCIA TRANQUILA,
CORAÇÃO PULSANDO SEM MÁGOAS,
SINCRONIZADO COM UMA ALMA ALEGRE
NA GOSTOSA SENSAÇÃO DO DEVER CUMPRIDO!

CONTINUAR AMANDO E
FAZENDO FELIZ! E SENDO FELIZ!

- AFINAL NÃO CUSTA SONHAR...


Eglê S. Machado

FELIZ ANO NOVO !


Imagem: Google



HÁ UMA SEVERA ESCASSEZ DE VIDA INTELIGENTE NA USP
J. R. Guzzo*

Dos tumultos que um grupo de estudantes provocou recentemente na Universidade de São Paulo falou-se bastante; foram apontados, sempre com toda a razão, seu deslumbramento com a desordem, sua confusão mental e sua violência vazia. Nada os absolve, mas também nada há de novidade no que fizeram.
Estudantes, de tempos em tempos e pelo mundo afora, têm mesmo esses acessos de excitação, com graus variados de radicalismo. A turma da USP não chega nem perto, por exemplo, de propor algo parecido à bandeira de um bando ultraextremado do “Maio de 1968″ – na França queriam que fosse eliminada a iluminação pública, que a seu ver não passava de um instrumento da burguesia para proteger a propriedade privada durante a noite. O que mais chama atenção, no caso de São Paulo, é o comportamento de uma parte dos professores. Por medo dos estudantes, ou para aproveitar a oportunidade de fazer cartaz sem correr riscos, ficaram a favor da “ocupação da reitoria” e do movimento para banir a presença da polícia no câmpus. Não é um papel bonito, mas o que se há de fazer? A vida tem dessas coisas. O problema, na atitude dos professores, é a sua tentativa de justificar-se com raciocínios. O principal deles é especialmente cômico: com a PM no câmpus, alegam, bloqueiam-se a livre produção e a circulação de ideias, fator essencial para a existência de qualquer universidade. Com certeza há hoje em dia uma severa escassez de vida inteligente na USP; o risco de aparecer por ali algo parecido a uma ideia original, ou, uma simples ideia, é remoto. Mas o que a polícia tem a ver com isso? Não é o estado-maior da PM que escolhe os professores, monta os currículos ou dá as aulas. A culpa pela baixa qualidade das ideias está na ignorância, preguiça e falta de talento de quem é pago para tê-las – e só aí.

Fonte: Revista Veja edição 2244 – 23/11/2011

*J. R. Guzzo é diretor editorial do grupo EXAME e colunista das revistas EXAME e VEJA



PEDIDO DE UMA CRIANÇA A SEUS PAIS


Não tenham medo de serem firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que eu me sinta mais segura.

Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo o que peço. Só estou experimentando vocês.


Não deixem que eu adquira maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo, o que é errado.


Não me corrijam com raiva, nem na presença de estranhos. Aprenderei muito mais se me falarem com calma e em particular.


Não me protejam das conseqüências de meus erros. Às vezes eu preciso aprender pelo caminho áspero.

Não levem muito a sério as minhas pequenas dores. Necessito delas para poder amadurecer.

Não sejam irritantes ao me corrigirem. Se assim o fizerem, eu poderei fazer o contrário do que me pedem.

Não me façam promessas que não poderão cumprir depois. Lembrem-se que isto me deixa profundamente desapontada.

Não ponham à prova a minha honestidade. Sou facilmente levada a dizer mentiras.

Não me apresentem um Deus carrancudo e vingativo. Isto me afastaria d'Ele.

Não desconversem quando faço perguntas, senão serei levado a procurar as respostas na rua todas as vezes que não as tiver em casa.

Não se mostrem para mim como pessoas infalíveis. Ficarei extremamente chocada quando descobrir um erro de vocês.

Não digam simplesmente que meus receios e medos são bobos. Ajudem-me a compreendê-los e vencê-los.

Não digam que não conseguem me controlar. Eu me julgarei mais forte que vocês.

Não me tratem como uma pessoa sem personalidade. Lembrem-se que eu tenho o meu próprio modo de ser.

Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam. Isto irá criar em mim, mais cedo ou mais tarde, o espírito de intolerância.

Não se esqueçam de que eu gosto de experimentar as coisas por mim mesma. Não queiram ensinar tudo pra mim.

Não tenham vergonha de dizer que me amam. Eu necessito desse carinho e amor para poder transmiti-lo à vocês e aos outros.

Não desistam nunca de me ensinarem o bem, mesmo quando eu parecer não estar aprendendo. Insistam através do exemplo e, no futuro, vocês verão em mim, o fruto daquilo que plantaram.


(Desconheço a Autoria)


Mar de rosas - Ericson Pires

Moro na cidade com mãos atadas peito aberto ouvidos atentos
Todos os caminhos já me são conhecidos
Não sei mais se posso escapar como posso escapar

(escapar)

A cidade contínua envolvendo completamente
Seus mil olhos de quem não me vê
Seus tantos braços de quem não me ouve inteiro

completamente

A cidade segue sendo fluxo ininterrupto das horas
E eu já não sei mais onde estou nem onde estive
Que horas são como vai você quem é você nunca soube

horas

A cidade passa por mim
E eu espectador passivo tento manter meu olhar atento
Ela fluida imaginária concreta bate na minha cada com seu

dissabores

A cidade se bifurca
E na medida em que me lanço sobre ela
Esqueço onde estive nunca soube com quem era sempre

há pouco

A cidade são cidades impossível retê-las em um só punhado
Não moro mais na cidade
Quero o agora
nos jardins dos instantes

Autor: Ericson Pires

PALAVRAS DE LUZ


Não desanime jamais:
Mantenha acesa a chama do seu ideal.

Tenha coragem:
Você vencerá todas as dificuldades.

Leia mais:
O bom livro é o nosso melhor amigo.

Aproveite o momento presente:
Comece a construir seu futuro.

Não perca a sua serenidade:
conserve a paz interna.

Trabalhe com amor:
do trabalho depende o seu futuro.

Tenha paciência:
a irritação estraga a saúde.

Cultive o otimismo:
a alegria é o segredo da vitória.

Seja alegre:
a vida continua sempre,
já que a morte não existe.

Proteja as crianças:
dê-lhes o que desejaria para si.

Procure Deus:
Ele habita dentro do seu coração.


Acenda sua luz:
ilumine a todos com o seu otimismo.

Viva sorridente:
a vida é um canto eterno de beleza.

Não pare:
cada degrau de subida é uma vitória.

Faça seu filho orgulhar-se de si:
dê-lhe exemplos vivos de
honradez, trabalho e bondade.

Obedeça sua consciência:
é por ela que Deus nos fala.

Diga palavras de conforto:
O carinho ajuda mais que um fortificante.


Carlos Torres Pastorino
Do livro: Sugestões Oportunas
"Não importa o que fizeram a você.
O que importa é o que você faz com
aquilo que fizeram para você".
Jean-Paul Sartre (1905-1980)
Filósofo francês

Uma nova linguagem

 R. Santana







            Os meios de comunicação são cada vez mais sofisticados, com o advento da informática e da Internet, é possível registrar fatos em tempo real com imagem e voz em qualquer ponto da Terra em fração de tempo.  Não existe mais segredo neste mundo de meu Deus!...

Hoje, os ditadores são desmascarados à luz do dia, poucos se sustentam quando a sublevação do povo é pra valer, exemplo recente é Kadafi, claro que os líbios tiveram o apoio da OTAN, mas foram as imagens de um povo sofrido e as denúncias por email que chegaram primeiro em todos os recantos da terra que minaram o regime de 42 anos e contribuíram para derrocada do ditador.

Quem no mundo não tomou conhecimento das imagens bélicas e revolucionárias do Egito, da Tunísia, de Bahrain e do Iêmen? Todos os cidadãos do mundo foram testemunhas em tempo real das atrocidades que essas ditaduras praticaram, inutilmente, para se manter no poder.

Porém, caro leitor, o nosso objetivo não é tecer loas ao avanço da tecnologia da comunicação de tais feitos, não temos “know how” para analisar esses avanços tecnológicos modernos herdados dos pioneiros de comunicação à distância como Samuel Morse e do nosso padre cientista – o Brasil ainda não lhe fez justiça – o padre Landell de Moura, mas fazer uma reflexão da linguagem de email.

A maioria dos gramáticos e lingüistas tradicionais resiste à nova linguagem que se caracteriza pela rapidez e sem convenção. No e-mail valoriza-se a comunicação, independente da forma e da técnica gramatical, se a mensagem for inteligível, isto é, comunicar, é de somenos importância, as conhecidas regras gramaticais vigentes e as técnicas de redação, não que não se preze a língua clássica e tradicional, é que o internauta valoriza mais a linguagem simbólica, cotidiana.

Diferente da carta, às vezes, com duas ou três laudas e quando prolixas muito mais, o e-mail é sucinto, geralmente, de uma a três linhas a comunicação se encerra, porque a quantidade, a velocidade e os meios de comunicação são diversos e democráticos (o acesso é livre), portanto, não é necessário alguém tecer comentário longo em assunto cujo significado é imediato.

Eis, abaixo, alguns e-mails à guisa de esclarecimento:

“Tio, tou morrendo de saudade. Bjos. Amanda”



“Obrigado, amiga: O que foste buscar! Hehehehe. Cuac para ti! Jorge”



“Mary, me liga, vc tá cada vez mais gostosa!!! kkk...”



“AFFF MARIA! O QUE É ISSO?... E assim foi povoada a Bahia...**..será verdade..????..rssrsr (e sem Viagra, hein?!). Ceres”



 “Na Ficha Cadastral enviada no e-mail anterior, faltavam 2 itens. Fiz a correção e estou reenviando a Ficha. Desculpem. Sabem aqueles 70?... Ruy”



“... Que a Paz do Deus Menino esteja no coração de todos. Que a Harmonia, o Amor, a Prosperidade, a Bondade, a Saúde sejam uma constante na vida de cada um no ano que se aproxima. Grande abraço a todos! Lurdes”



Faz-se necessário esclarecer antes de fechar este artigo que o e-mail não é o único meio de comunicação de textos concisos, as redes sociais e a telefonia (torpedos), também, usam uma linguagem escrita rápida e descomprometida, além da voz e da imagem, os japoneses, por exemplo, usam mais as mensagens de textos na telefonia do que a voz, portanto, essa nova forma de texto simplificado veio pra ficar.

Certamente, os cultores do idioma mais tradicionais, acostumados às convenções e ao formalismo da língua, resistirão à nova codificação do idioma e ao uso menos formal da grafia, porém, terão que reconhecer que o e-mail como dispositivo eletrônico dos tempos atuais, deu origem a uma nova linguagem.


Autor: Rilvan Batista de Santana



29.12.2011




A VOCÊS AMIGOS


O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o aqui e o agora.
Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais...
Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio.
Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões.
Normal. Às vezes se espera demais das pessoas. Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.
O ano que vai entrar não vai ser diferente. Muda o ano, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com seu dia? Com seu bom humor?
Com sua esperança? O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Desejo para você esse olhar especial.
O ano que vai entrar pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades
e egoísmos e dermos a volta nisso.
Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
O ano que vai entrar pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... Ou... Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Feliz olhar novo!!!
Que o ano que se inicia seja do tamanho que você fizer.
Feliz Olhar Novo para o Ano que se inicia!!! Em cada problema um novo desafio...
Em cada dor um novo aprendizado... Em cada dia um novo momento.


Carlos Drumonnd de Andrade

FELIZ ANO NOVO!

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Transitivos - Ericson Pires

(brincadeira da pega da capota)

para Gervásio Pires

Cada criança tem direito de saber se as coisas possuem nome
ou os nomes que detém as coisas
Cada criança anseia por tocar no momento em que ela não
será mais criança
Cada criança aponta o dedo numa direção querendo estar
em vários lugares
Cada criança consegue esquecer que ela esqueceu que ela
segue sendo criança
Cada criança sugere não existir um momento em que as coisas
são só coisas
Cada criança sabe que ser pequeno é questão de tempo
tempo, tempo
Cada criança sobe em árvores esperando chegarem lugares
de criança
Cada criança adivinha que nem tudo que existe são coisas
como coisas
Cada criança suspeita, percebe, anuncia que todos os tempos
e todos os lugares
são mesmo do mesmo e cada mesmo é um próprio e cada
próprio é um jardim e
cada jardim são muitas possibilidades, muitos equívocos
muitos encontros, muitos
enganos, que cada jardim não é próprio,
é criança.

O CAÇADOR DE ESTRANGEIRISMOS

 Mal assentaram praça em Santana do Lavradio, os carrancudos sessenta anos do juiz de direito Tiburcino Lopes já não foram gostando. Ao percorrer os primeiros metros da Rua das Acácias, ele logo deu de cara com a mania do pessoalzinho da cidade de botar nome estrangeiro em tudo quanto era estabelecimento, público ou privado, arrumadinho ou avacalhado.
 Em cada canto, só se viam placas, plaquetas e tabuletinhas com a afrontosa misturação de letras alienígenas. Assim é que, sobre a porta da mais reles serralheria, ia escrito “McArthur, The Iron Man”, a sapataria era “Le Soulier Bleu”, comia-se no “La Belle Époque” ou no “L’Innamorata Verona”, comprava-se no armarinho “El Torero”. No comercinho santanense grassava um arrevesado linguístico de todas as nacionalidades, até o sânscrito deu sua contribuiçãozinha, já que também o bordel tinha o sugestivo nome de “Kama Sutra”. Mas as meninas e seus predicativos eram genuinamente nacionais...
 Aquilo foi um golpe traiçoeiro na boca do estômago da sensibilidade patriótica do Dr. Tiburcino, formado que era na cátedra vernácula do Prof. Alfredo Gusmão, a maior autoridade metonímica e prominalística daqueles idos tempos. Bastou atravessar uma minúscula passagem de madeira sobre o modesto riacho Vermelho e ver escrito “Pont Neuf”, para o insigne magistrado quase ter um troço:
 - Com que, então, esse povinho medíocre é metido a desrespeitador das belezas imemoriais da Língua Pátria brasileira, a língua de Camões e de Vieira! Deixa estar, que, para esse tipo de doença, Tiburcino tem medicina.
 Às margens lodosas do riacho, do alto de sua categoria de membro vitalício da Academia Jatobense de Letras, o juiz, empunhando uma invisível espada legalista, proclamou ali mesmo, sentencioso:
 - Navegar é preciso, viver não é preciso!
 A manhã seguinte só fez aumentar o furo no pisante do meirinho Anacleto, encarregado de distribuir por toda a cidade uma circular normativa de caráter judicial. Nela se ordenava a mudança de toda a terminologia estrangeira no prazo de uma semana, a poder de multa diária, custas processuais e até prisão, com direito a corretivo de borracha.
 O povo de Santana do Lavradio gostava muito de sofisticação vocabular, mas gostava ainda mais de cumprir determinação regulatória de ameaçar o bolso e avermelhar costado. Foi assim que em poucos dias o idioma nacional estava ali bem-representado na serralheria “Artuzinho Ferreira, Ferreiro”, na sapataria “O Sapatão”, no botequim “Comido Ninguém Pode”, na casa de carnes “Deu no Lombo”. Até Sueli Viçosa, proprietária da já mencionada casa de tolerância, resolveu se ajustar à nova ordem: o bordel adquiriu o nome de “Cama Sua”.
 E o juiz Tiburcino Lopes pôde afinal dormir tranquilo nos braços maternos da nacionalidade castiça.
 Autor: Fernando Bueno
 Fernando Bueno mora em  Belo Horizonte e é funcionário público. Não tem trabalhos publicados

CORTAR O TEMPO...


"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,

 a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

 Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

 Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

 Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,

com outro número e outra vontade de acreditar

 que daqui para diante vai ser diferente".

 Autor: Carlos Drummond de Andrade

Prólogo

(terra)

Como. O céu continua azul. Chove. Às vezes. Mastigo com
os dentes. O corpo é boca. Me contaram. Sentado, descanso.
Ou espero, ou rumino, ou vou embora. Sempre vou embora.
Sempre fico aqui. Engulo. Agora aquilo que era outro sou eu.
Dançar. Tenho vontade. Daqui firmo raízes, forço galhos, abro
as minhas pernas sem cansaço, viro um pássaro: não sei can-
tar. Voar. Não: me espraio. Viro mar sem fundo, viro fundo
sem fundo, viro o mar sem mar e viro e dobro e viro, mergu-
lho na dobra do meu macacão. Só superfícies... espaço. Es-
paços, espaços, espessuras, texturas. Quente. Espaços den-
tro e fibras e frisas e filas e fluidos e liquens. Uma multidão,
uma colônia, uma epidemia, uma epifania, um contato Con-
tagio-me. Todas as coisas estão em mim. Eu não existo. Insis-
to em tudo. Persisto nas linhas, trajetos, fugas. Persisto lá,
onde a terra acaba, e o mar acaba, e o deserto acaba, e a
floresta acaba, onde o onde acaba, lá. Faço meu jardim. Aqui
começa os jardins.



Ericson Pires nasceu no Rio de Janeiro. É poeta, performer. Fundador do Grupo Hapax, também é editor da Revista Global Brasil e militante da Rede Universidade Nômade. Doutor em Estudos de Literatura pela Puc-Rio é Professor Adjunto do Instituto de Artes da UERJ e participa do PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea) da ECO-UFRJ. Publicou Cinema Garganta, em 2002; Cidade Ocupada, 2007 e Pele Tecido em 2010


A Amizade


É a essência da Vida,

É a forma suprema de Amar,

É doar-se inteiramente,

Sem nada em troca esperar.

É falar-se no silêncio,

Com a ternura de um olhar.

É estar disposto a tudo:

De aprender, a ensinar.

É ter um só propósito:

Ver o outro se alegrar.

É estar sempre ao lado,

E se necessário, também chorar.

É viver em comunhão,

Doando-se sem medidas.

É ser mais que irmãos,

E descobrir que esse Amor,

É o que dá sentido à Vida.

Ana J.M. Luz

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde

Mensagem de despedida aos amigos
Até aqui viajamos juntos.
Passaram vilas e cidades, cachoeiras e rios, bosques e florestas...
Não faltaram os grandes obstáculos.
Freqüentes foram as cercas, ajudando a transpor abismos...
As subidas e descidas foram realidade sempre presente.
Juntos, percorremos retas, nos apoiamos nas curvas, descobrimos cidades...
Chegou o momento de cada um seguir viagem sozinho...
Que as experiências compartilhadas no percurso até aqui sejam a alavanca para
alcançarmos a alegria de chegar ao destino projetado.
A nossa saudade e a nossa esperança de um reencontro aos que, por vários
motivos, nos deixaram, seguindo outros caminhos.
O nosso agradecimento àqueles que, mesmo de fora, mas sempre presentes, nos
quiseram bem e nos apoiaram nos bons e nos maus momentos.
Dividam conosco os méritos desta conquista, porque ela também pertence a
vocês. Uma despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez.
Que nossas despedidas sejam um eterno reencontro.
desconhecido

 
 
...seios

As pontas dos meus dedos são os alfobres
onde nascem os cumes dos teus seios.

Ali os beijo porque afagados
já nasceram
criados
que são
nas polpas dos meus dedos.

Teus seios tu
tens
tu
nas pontas das ternuras
que te dou.

Todo eu sou tu
então
enquanto me desfaço
nas profundas
profundezas
dos teus seios.

A minha boca então é doce
e sumarenta
é
mergulhada nas ondas
dos teus seios.

Ela se afoga neles
e morrendo
morre a dizer :

Não há melhor viver
do que morrer
assim.

Autor: Geraldes de Carvalho

FELIZ OLHAR NOVO


"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
 O grande lance é viver cada momento como se a receita de felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais..., mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
 Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. Às vezes a gente espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.
 O ano que vai entrar vai ser diferente. Muda o ano, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com o seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
 O que desejo para todos é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim... Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3. Ou mude-o de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
 O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro): CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.
 Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam bem diferentes.
 Desejo para todo mundo esse olhar especial.
 O ano que vai entrar pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. O ano que vai entrar pode ser o bicho, o máximo, maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho! Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!!
 Feliz olhar novo!!! Que o ano que se inicia seja do tamanho que você fizer.
 Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!"
  
Autor: Carlos Drummond de Andrade

Canto de abertura de caminhos

(oju-oritá e/ou conversas de Merleau-Ponty)

Quando você abre os olhos

Você pode ver tudo
Pensar que vê tudo
Tudo pode ser visto
Ver-se em nada que é visto

Quando você abre os olhos

Pode tentar pegar coisas com olhos
Pegar pensamentos nos olhos
Partir do momento onde os olhos
Param de saber que são olhos

Quando você abre os olhos

As coisas perdem os nomes
O tempo é sempre presente
E o presente são os nomes
Nomes do presente

Fluxo
Tempo

Você abre os olhos e vê

Você está

Jardins...



Autor: Ericson Pires nasceu no Rio de Janeiro. É poeta, performer. Fundador do Grupo Hapax, também é editor da Revista Global Brasil e militante da Rede Universidade Nômade. Doutor em Estudos de Literatura pela Puc-Rio é Professor Adjunto do Instituto de Artes da UERJ e participa do PACC (Programa Avançado de Cultura Contemporânea) da ECO-UFRJ. Publicou Cinema Garganta, em 2002; Cidade Ocupada, 2007 e Pele Tecido em 2010.

A FESTA DE BABETTE


Um dos meus prazeres é passear pela feira. Vou para comprar. Olhos compradores são olhos caçadores: vão em busca de caça, coisas específicas para o almoço e a janta. Procuram. O que deve ser comprado está na listinha. Olhos caçadores não param sobre o que não está escrito nela. Mas não vou só para comprar. Alterno o olhar caçador com o olhar vagabundo. O olhar vagabundo não procura nada. Ele vai passeando sobre as coisas. O olhar vagabundo tem prazer nas coisas que não vão ser compradas e não vão ser comidas. O olhar caçador está a serviço da boca. Olham para a boca comer. Mas o olhar vagabundo, é ele que come. A gente fala: comer com os olhos. É verdade. Os olhos vagabundos são aqueles que comem o que veem. E sentem prazer. A Adélia diz que Deus a castiga de vez em quando, tirando-lhe a poesia. Ela explica dizendo que fica sem poesia quando seus olhos, olhando para uma pedra, veem uma pedra. Na feira é possível ir com olhos poéticos e com olhos não poéticos. Os olhos não poéticos veem as coisas que serão comidas. Olham para as cebolas e pensam em molhos. Os olhos poéticos olham para as cebolas e pensam em outras coisas. Como o caso daquela paciente minha que, numa tarde igual a todas as outras, ao cortar uma cebola viu na cebola cortada coisas que nunca tinha visto. A cebola cortada lhe apareceu, repentinamente, como o vitral redondo de catedral. Pediu o meu auxílio. Pensou que estava ficando louca. Eu a tranquilizei dizendo que o que ela pensava ser loucura nada mais era que um surto de poesia. Para confirmar o meu diagnóstico lembrei-lhe o poema de Pablo Neruda "A Cebola", em que ele fala dela como "rosa d'água com escamas de cristal". Depois de ler o poema do Neruda uma cebola nunca será a mesma coisa. Ando assim pela feira poetizando, vendo nas coisas que estão expostas nas bancas realidades assombrosas, incompreensíveis, maravilhosas. Pessoas há que, para terem experiências místicas, fazem longas peregrinações para lugares onde, segundo relatos de outros, algum anjo ou ser do outro mundo apareceu. Quando quero ter experiências místicas eu vou à feira. Cebolas, tomates, pimentões, uvas, caquis e bananas me assombram mais que anjos azuis e espíritos luminosos. Entidades encantadas. Seres de um outro mundo. Interrompem a mesmice do meu cotidiano.
 Pimentões, brilhantes, lisos, vermelhos, amarelos e verdes. Ainda hei de decorar uma árvore de Natal com pimentões. Nabos brancos, redondos, outros obscenamente compridos. Lembro-me de uma crônica da querida e inspirada Hilda Hilst que escandalizou os delicados: ela ia pela feira poetizando eroticamente sobre nabos e pepinos. Escandalizou porque ela disse o que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer. Roxas berinjelas, cenouras amarelas, tomates redondos e vermelhos, morangas gomosas, salsinhas repicadas a tesourinha, cebolinhas, canudos ocos, bananas compridas e amarelas, caquis redondos e carnudos (sobre eles o Heládio Brito escreveu um poema tão gostoso quanto eles mesmos), mamões, úteros grávidos por dentro, laranjas alaranjadas (um gomo de laranja é um assombro, o suco guardado em milhares de garrafinhas transparentes), cocos duros e sisudos, pêssegos, perfume de jasmim do imperador, cachos de uvas, delicadas obras de arte, morangos vermelhos, frutinhas que se comem à beira do abismo... Minha caminhada me leva dos vegetais às carnes: linguiças, costelas defumadas, carne de sol, galinhas, codornizes, bacalhau, peixes de todos os tipos, camarões, lagostas. Os vegetarianos estremecem. Compreendo, porque na alma eu também sou vegetariano. Fosse eu rei decretaria que no meu reino nenhum bicho seria morto para nosso prazer gastronômico. Mas rei não sou. Os bichos já foram mortos contra a minha vontade. Nada posso fazer para trazê-los de volta à vida. Assim, dou-lhes minha maior prova de amor: transformo-os em deleite culinário para que continuem a viver no meu corpo. De alguma maneira vivem em mim todas as coisas que comi. Sobre isso sabia muito bem o genial pintor Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), que pintava os rostos das pessoas com os legumes, frutas e animais que se encontram nas bancas da feira. (Dê-se o prazer de ver as telas de Arcimboldo. Nas livrarias, coleção Taschen, mais ou menos quinze reais).
 Meus pensamentos começam a teologar. Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária.
 Comer é uma felicidade, se se tem fome. Todo mundo sabe disto. Até os ignorantes nenezinhos. Mas poucos são os que se dão conta de que felicidade maior que comer é cozinhar. Faz uns anos comecei a convidar alguns amigos para cozinharmos juntos, uma vez por semana. Eles chegavam lá pelas seis horas (acontecia na casa antiga onde hoje está o restaurante Dali). Cada noite um era o mestre cuca, escolhia o prato e dava as ordens. Os outros obedeciam alegremente. E aí começávamos a fazer as coisas comuns preliminares a cozinhar e comer: lavar, descascar, cortar — enquanto íamos ouvindo música, conversando, rindo, beliscando e bebericando. A comida ficava pronta lá pelas 11 da noite.
 Ninguém tinha pressa. Não é por acaso que a palavra comer tenha sentido duplo. O prazer de comer, mesmo, não é muito demorado. Pode até ser muito rápido, como no McDonald's. O que é demorado são os prazeres preliminares, arrastados — quanto mais demora maior é a fome, maior a alegria no gozo final. Bom seria se cozinha e sala de comer fossem integradas — os arquitetos que cuidem disso — para que os que vão comer pudessem participar também dos prazeres do cozinhar. Sábios são os japoneses que descobriram um jeito de pôr a cozinha em cima da mesa onde se come, de modo que cozinhar e comer ficam sendo uma mesma coisa. Pois é precisamente isto que é o sukiyaki, que fica mais gostoso se se usa kimono de samurai.
 Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas... Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças... Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida...

Rubem Alves

 O texto acima foi publicado no jornal "Correio Popular", Campinas (SP), com o qual o educador e escritor colabora.

Ganhe um “Mulligan”
Por Robert J. Tamasy
Embora não jogue golfe, existe um aspecto do jogo que me atrai: o “mulligan”. Em um jogo amistoso os competidores recebem uma segunda chance para dar uma tacada - dar um mulligan. Pode acontecer depois de uma tacada muito ruim ou é simplesmente dada pelos demais jogadores para que a pessoa tente pela segunda vez passar por um ponto crítico do percurso. Em qualquer evento, o mulligan – o “faça outra vez” – é uma chance para corrigir uma tacada infeliz.
Seria muito bom se, de tempos em tempos, a vida nos oferecesse um mulligan, não é? Uma oportunidade para avaliar uma decisão ou ação específica e concluir: “Eu não gosto do resultado. Posso tentar outra vez?”
Ao terminar mais um calendário anual você pode estar desejando que lhe ofereçam um mulligan para algo que você fez: uma decisão financeira desagradável, um relacionamento danificado, uma escolha profissional deficiente, uma estratégia ou plano de negócios mal concebido ou oportunidade desperdiçada. “Posso fazer de novo?”, você gostaria de poder perguntar.
Infelizmente, pelo menos até que inventem a máquina do tempo, não podemos voltar atrás. A vida não oferece a chance de “fazer outra vez”, nem nos convida a “dar um mulligan”. Devemos enfrentar e viver com as conseqüências das nossas decisões e ações erradas, bem como colher os benefícios do que fizemos corretamente. Apesar disso, quando um ano termina e outro está para começar, não podemos deixar de fazer uma “revisão”, avaliando o que foi e o que não foi tão bom assim nos últimos 12 meses.
Assim, enquanto celebramos os triunfos no ano que passou e sacudimos de nossos ombros os fracassos, eis alguns princípios extraídos da Bíblia que nos podem ser úteis:
Não se deixe distrair. Atualmente as pessoas têm grande prazer em realizar múltiplas tarefas. Mas diz o ditado que se você se torna “pau para toda obra” geralmente acaba por não dominar nenhuma. Determine o que você faz melhor e se concentre nisso. “Suporte comigo os meus sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus. Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou” (2Timóteo 2.3-4).
Concentre-se em um propósito preponderante. Por que você está aqui? Qual seu propósito? Estas perguntas o capacitarão a se concentrar. “Não estou querendo dizer que já consegui tudo o que quero ou que já fiquei perfeito, mas continuo a correr para conquistar o prêmio, para isso já fui conquistado por Cristo Jesus” (Filipenses 3.12).
Olhe adiante, nunca para trás. Um corredor que olha freqüentemente para trás não corre em linha reta. De igual modo, se continuarmos a olhar o que está no passado e não o que vamos encontrar no futuro, provavelmente nos desviaremos do objetivo. No mínimo o ritmo de avanço será menor. “Porém, uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que esta na minha frente” (Filipenses 3.13).
Tenha em vista o final desejado. O fracasso não é necessariamente o fim: ele pode nos instruir quanto ao que mudar ou fazer melhor, nos ajudando na busca pelo sucesso. “Corro direto para a linha de chegada a fim de conseguir o prêmio da vitória. Esse prêmio é a nova vida para a qual Deus me chamou por meio de Cristo Jesus” (Filipenses 3.14).


Liberdade

      Paul Éluard       Carlos Drummond de Andrade e

       Manuel Bandeira



  Carlos Drummond de Andrade

100 anos: 1902-2002

Bandeira e Drummond


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Além de ser um poema magnífico do ponto de vista literário, "Liberté", de Paul Éluard, carrega consigo o peso da História. Escrito em 1942, com o título "Une Seule Pensée" (Um Único Pensamento), esse texto foi transportado clandestinamente da França, ocupada pelos nazistas, para a Inglaterra.
 Em 1943, traduzido para vários idiomas, o poema foi distribuído como um panfleto, lançado por aviões aliados nos céus da Europa conflagrada. 
 O responsável por contrabandear essa preciosidade da França ocupada para a Inglaterra foi um brasileiro, o pintor pernambucano Cícero Dias (1907-2003). Em reconhecimento a essa proeza, Dias foi condecorado pelo governo francês com a Ordem Nacional do Mérito, em 1998.
 Paul Éluard — nom de plume de Eugène-Émile-Paul Grindel (1895-1952) —  foi um dos expoentes da poesia surrealista. Membro do partido comunista francês, participou da Resistência aos nazistas na Segunda Guerra Mundial.
 Além do ato heróico de Cícero Dias, Éluard tem outro ponto de contato com o Brasil. Em 1913-14, foi colega do poeta Manuel Bandeira num sanatório em Clavadel, na Suíça. Lá, ambos se tratavam de tuberculose.
Google
Aqui, o poema "Liberté", ou "Une Seule Pensée", aparece numa tradução escrita a quatro mãos, ainda nos anos 40, por Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.
Compreensivelmente, existe uma profusão de traduções deste poema. Em minha opinião, esta é, de longe, a melhor. Há outras também competentes, como a de Guilherme de Almeida. Mas a internet está cheia de versões groCentenário do poeta:
31 de outubro de 2002


Sur mes cahiers d'écolier

Sur mon pupitre et les arbres

Sur le sable sur la neige

J'écris ton nom

 Sur toutes les pages lues

Sur toutes les pages blanches

Pierre sang papier ou cendre

J'écris ton nom

 Sur les images dorées

Sur les armes des guerriers

Sur la couronne des rois

J'écris ton nom

 Sur la jungle et le désert

Sur les nids sur les genêts

Sur l'écho de mon enfance

J'écris ton nom

 Sur les merveilles des nuits

Sur le pain blanc des journées

Sur les saisons fiancées

J'écris ton nom

Sur tous mes chiffons d'azur

Sur l'étang soleil moisi

Sur le lac lune vivante

J'écris ton nom

 Sur les champs sur l'horizon

Sur les ailes des oiseaux

Et sur le moulin des ombres

J'écris ton nom

 ur chaque bouffée d'aurore

Sur la mer sur les bateaux

Sur la montagne démente

J'écris ton nom

 Sur la mousse des nuages

Sur les sueurs de l'orage

Sur la pluie épaisse et fade

J'écris ton nom

Sur les formes scintillantes

Sur les cloches des couleurs

Sur la vérité physique

J'écris ton nom

 Sur les sentiers éveillés

Sur les routes déployées

Sur les places qui débordent

J'écris ton nom

 Sur la lampe qui s'allume

Sur la lampe qui s'éteint

Sur mes maisons réunies

J'écris ton nom

Sur le fruit coupé en deux

Du miroir et de ma chambre

Sur mon lit coquille vide

J'écris ton nom

Sur mon chien gourmand et tendre

Sur ses oreilles dressées

Sur sa patte maladroite

J'écris ton nom

Sur le tremplin de ma porte

Sur les objets familiers

Sur le flot du feu béni

J'écris ton nom

Sur toute chair accordée

Sur le front de mes amis

Sur chaque main qui se tend

J'écris ton nom

 Sur la vitre des surprises

Sur les lèvres attentives

Bien au-dessus du silence

J'écris ton nom

Sur mes refuges détruits

Sur mes phares écroulés

Sur les murs de mon ennui

J'écris ton nom

Sur l'absence sans désir

Sur la solitude nue

Sur les marches de la mort

J'écris ton nom

Sur la santé revenue

Sur le risque disparu

Sur l'espoir sans souvenir

J'écris ton nom

 Et par le pouvoir d'un mot

Je recommence ma vie

Je suis né pour te connaître

Pour te nommer


Liberté.

  Nos meus cadernos de escola

Nesta carteira nas árvores

Nas areias e na neve

Escrevo teu nome



Em toda página lida

Em toda página branca

Pedra sangue papel cinza

Escrevo teu nome



Nas imagens redouradas

Na armadura dos guerreiros

E na coroa dos reis

Escrevo teu nome



Nas jungles e no deserto

Nos ninhos e nas giestas

No céu da minha infância

Escrevo teu nome



Nas maravilhas das noites

No pão branco da alvorada

Nas estações enlaçadas

Escrevo teu nome



Nos meus farrapos de azul

No tanque sol que mofou

No lago lua vivendo

Escrevo teu nome



Nas campinas do horizonte

Nas asas dos passarinhos

E no moinho das sombras

Escrevo teu nome



Em cada sopro de aurora

Na água do mar nos navios

Na serrania demente

Escrevo teu nome



Até na espuma das nuvens

No suor das tempestades

Na chuva insípida e espessa

Escrevo teu nome



Nas formas resplandecentes

Nos sinos das sete cores

E na física verdade

Escrevo teu nome



Nas veredas acordadas

E nos caminhos abertos

Nas praças que regurgitam

Escrevo teu nome



Na lâmpada que se acende

Na lâmpada que se apaga

Em minhas casas reunidas

Escrevo teu nome



No fruto partido em dois

de meu espelho e meu quarto

Na cama concha vazia

Escrevo teu nome



Em meu cão guloso e meigo

Em suas orelhas fitas

Em sua pata canhestra

Escrevo teu nome



No trampolim desta porta

Nos objetos familiares

Na língua do fogo puro

Escrevo teu nome



Em toda carne possuída

Na fronte de meus amigos

Em cada mão que se estende

Escrevo teu nome



Na vidraça das surpresas

Nos lábios que estão atentos

Bem acima do silêncio

Escrevo teu nome



Em meus refúgios destruídos

Em meus faróis desabados

Nas paredes do meu tédio

Escrevo teu nome



Na ausência sem mais desejos

Na solidão despojada

E nas escadas da morte

Escrevo teu nome



Na saúde recobrada

No perigo dissipado

Na esperança sem memórias

Escrevo teu nome



E ao poder de uma palavra

Recomeço minha vida

Nasci pra te conhecer

E te chamar



Liberdade



Paul Éluard Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira



 

Drummond: 100 anos

Carlos Machado, 2002

  Paul Éluard

In Œuvres Complètes

Éditions Gallimard

Paris, 1968 In R. Magalhães Jr.

Antologia de Poetas Franceses

(do Século XV ao Século XX)

Gráfica Tupy, Rio de Janeiro, 1950

 


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