Labirintos da
inteligência
R. Santana
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Não faz muito tempo, solicitei o serviço de uma empresa de informática
para consertar e configurar o meu computador. Enquanto o técnico mexia e
remexia no CPU, observei que certas operações eram automáticas e repetitivas, o
técnico, certamente, já tinha feito aquelas operações dezenas de vezes, embora
o serviço de informática tenha o status de conduta inteligente, o raciocínio
pouco lhe era exigido no desempenho daquela tarefa, então, descobri naquele
momento, que as experiências retidas na mente de uma pessoa, são condições
necessárias para o bom desempenho da inteligência.
Se inteligência é a capacidade de resolver
problemas ou a reestruturação imediata de dados perceptivos com ingredientes
emocionais e cognitivos, a medida do QI é tão relativa e inesperada quanto um atirador
acertar na “mosca” de um estande a longa distância. A mente do ser humano não é
um pedaço de matéria sujeito à medida do homem e a sabedoria popular de que “nunca
se conhece o outro” corrobora no mistério da mente.
Para explicação de mentes como a de Einstein, Leonardo de Vinci, Darwin,
Winston Churchill, Thomas Edison, Rousseau, Maomé, e, outros gênios da
humanidade, que tiveram desempenho sofrível em determinadas atividades e foram
capazes de revolucionar o mundo quando descobriram os seus reais dons, a
ciência, hoje, recorre às teorias de Daniel Goleman, Alfred Binet, Theodore Simon,
mais recente, a teoria da Inteligência Espiritual de Danah Zohar e Iam
Marshall, pois uma só teoria não responde às perguntas que o homem faz ao longo
do tempo.
Existem coisas que quanto mais se explica, mais se tropeça em definições
e conceituações. O neófito estudante de matemática não entende quando o
professor conceitua a “Teoria dos Conjuntos” e dentre os conceitos, ele se
depara com “Conjunto Vazio” e “Conjunto Unitário” que não acepção do dia a dia,
conjunto significa várias coisas, ele não entende como “um elemento” e um
“espaço vazio” têm o significado de “conjunto”, isto vale pra explicação de
inteligência, quanto mais se conceitua ou se define “inteligência”, mais questionamentos
se suscitam.
Sem rigor científico, “inteligência” é um grande labirinto, de
compartimentos pequenos, médios e grandes, interligados (sinapses), em que o
pensamento percorre e desenvolve elementos lógicos, elementos emocionais e elementos
espirituais com potencialidades diferentes. Alguém afeito à lógica jamais irá
cultuar a digressão, porém, em condições sócio-econômicas iguais, ele terá as
mesmas possibilidades se perseguir os mesmos ideais.
O mestre chamar o discípulo de “burro”, “orelhudo”, por dificuldade de
aprendizagem, é ignorar os meandros psicológicos e mentais, não se apreende o
que não inspira prazer e significado (a percepção do menino da cidade é diferente
do menino da zona rural), se o mestre souber combinar o gosto pela aprendizagem
e o seu significado, ele não terá dificuldade de ensinar nenhum assunto.
A tradição de que a pessoa culta é mais inteligente do que a pessoa não
culta vem de longe até os dias atuais. A Grécia berço da civilização ocidental
reservava o trabalho manual, o trabalho braçal, enfim, a mão-de-obra não
qualificada, para os escravos, as mulheres e os camponeses. Os filósofos, os
oradores, os políticos, os sofistas (mestres do saber e contemporâneos de
Sócrates), eram os cultores do saber, os detentores do conhecimento, os
guardiães da justiça e do estado, a elite inteligente...
O homem comum, intelectualmente, é diferente do gênio? Potencialmente,
não! Todos têm as mesmas faculdades e as mesmas possibilidades em condições
iguais, apenas, o interesse e o significado de algo para o homem comum é
diferente do interesse e do significado de algo para o gênio.
Se alguém, por exemplo, é um gênio da música, é que a música, aliada à
disciplina e muito trabalho, foi o seu norte e sua razão de viver, se um gênio
não persegue o seu ideal, ele não é gênio, é um homem comum.
Se Darwin e Isaac Newton não perseguissem suas idéias, eles não teriam
deixado a “Origem das Espécies” nem a “Philosophiae Naturalis Principia
Mathematica”, duas referências da Ciência Moderna. Certa feita, alguém
perguntou a Thomas Edison, se seus inventos eram frutos de sua genialidade e
para surpresa do curioso, ele lhe respondeu que os seus inventos eram frutos de
“transpiração” e não de “inspiração”.
Um indivíduo de emoção instável, sob pressão, jamais terá o mesmo
desempenho de um “cuca fresca” em um exame de vestibular ou coisa que valha,
não por ser menos inteligente ou por ter menos conhecimento, decerto, a sua
memória e o seu raciocínio serão embotados por fatores emocionais instáveis,
portanto, desconfie de escalas Stanford-Binet, desconfie dessas medidas de QI,
cuidado com os aplicadores contaminados desses testes!...
Autor: Rilvan Batista de Santana
Itabuna, 10.08.2011











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