Cidade menina
R. Santana
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Tabocas de Félix do Amor Divino ou Itabuna de Firmino Alves foi amoldada
pelos braços fortes dos retirantes nordestinos, dos tropeiros, dos
trabalhadores rurais, dos mascates, dos plantadores de cacau, dos vaqueiros,
dos comerciários, dos comerciantes e dos burareiros, dos coronéis do cacau,
também, forjada com o sangue de pequenos fazendeiros que não se rendiam às
tramóias do caxixe.
É um equívoco alguém dizer que Itabuna não tem “identidade cultural”, não
tem “história” nem “memória”, é negar Jorge Amado, Valdelice Pinheiro, Plínio
de Almeida, Minelvino, Telmo Padilha, Helena Borborema, Walter Moreira, Firmino
Rocha, Zélia Lessa, dentre outros. Afirmar que Itabuna não tem “identidade
cultural” é negar a FICC, a Editus, a Litterarum, a TV Itabuna, o jornal AGORA,
o Clube dos Poetas, as escolas de capoeira e as academias ALITA e AGRAL e o
Centro Cultural Adonias Filho, onde se desenvolve dança de salão, dança de rua,
ballet, jazz, modelo e manequim, pintura, fotografia, etc., etc.
Seria importante que esta terra
respirasse cultura, tivesse educação de qualidade, um Centro de Convenção,
alguns Mecenas patrocinando artistas, escritores e cientistas. Seria importante
que Itabuna tivesse teatros, museus, salas de cinema, programas culturais em
rádio e TVs, mas é recorrente e justo o argumento que esta terra é uma cidade
menina, é uma princesinha que ainda não desabrochou e quando o seu tempo
chegar, ela irá adquirir os mesmos status de civilização de cidades do Sul e
Sudeste do país e quiçá os mesmos fumos civilizatórios do mundo.
É verdade que Itabuna tem políticos desonestos, empresários egoístas e
mercenários, porém, é verdade que homens desonestos, criminosos, corruptos,
malfazejos têm em todas as sociedades, desde que gente se entende por gente,
todavia, é verdade que qualquer sociedade, também, abriga homens trabalhadores,
corretos, de idoneidade ilibada, e, graças ao Criador, é maioria, senão,
estaríamos perdidos...
Não se pode negar o valor dos bens intelectuais, espirituais e morais na
formação de um povo e quão são necessários na definição do comportamento e no
caráter do homem, porém, o homem é corpo e alma, matéria e espírito, ambos têm
que ser alimentados, ou seja, o homem se alimenta de poesia, de prosa, de
pintura, de fotografia, de dança, de filosofia, de religião e doutras expressões culturais,
mas se alimenta, também, de pão, de leite, de café, de feijão, de arroz, de
carne, de galinha, de peixe, portanto, o homem é um ser interativo, o escritor,
por exemplo, é tão necessário quanto o padeiro, o peixeiro, o açougueiro, todos
têm sua importância na vida comunitária.
Será que um governo só de filósofos como queria Platão, resolveria os
problemas do povo? Não! Pois as coisas ficariam no mundo das idéias e a prática
é condição sine qua non da vida. Se Jesus Cristo tivesse vivido, somente, em
oração, não praticasse a cura, a multiplicação dos pães, a ressurreição de
Lázaro, não teria construído sua igreja que já tem 2000 anos.
Às vezes, certas homenagens prestadas no dia da cidade, por políticos,
entidades e indivíduos aos benfeitores
comunitários ou pessoas de destaque em determinada atividade, não são justas,
são ações bajuladoras, de caráter pessoal, elas não têm o reconhecimento da
população, são puxa-sacos, são egos feridos, políticos e intelectuais vaidosos
que usam de artifício político ou midiático para se promoverem através do outro
que já é reconhecido pela sociedade, não são homenagens verdadeiras.
Autor: Rilvan Batista de Santana
Itabuna, 02 de agosto de 2011.











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