Escrever
é um ato solitário
R. Santana
R. Santana
Quem rebusca as páginas das escolas
literárias, irá encontrar escritores com passagem por mais de uma escola, a
exemplo de Machado de Assis que teve um pé fincado no Romantismo por influência
de José de Alencar, Bernardo Guimarães, Gonçalves de Magalhães, e, terminou os
seus dias enterrado até o pescoço no Realismo e se vivesse mais tempo, teria,
certamente, construído outros caminhos geniais, contudo, ele ainda influenciou
os escritores como Bilac e Lima Barreto, expoentes do parnasianismo, no verso e
na prosa.
Mas,
essa evolução de estilo e de forma não representam demérito do escritor, poucos
escritores na história literária, foram best seller no seu primeiro livro, às
vezes, o escritor duma extensa obra, é reconhecido, apenas, em um ou dois
livros, Franz Kafka, por exemplo, tem uma obra significativa, mas os seus
livros: “O processo” e “A Metamorfose” que lhe deram notoriedade.
Numa entrevista televisiva recente,
uma escritora (não me lembro de seu nome), queixou-se da dificuldade que os
jovens têm de colocar no papel uma boa história, enquanto na linguagem oral e
cênica, eles falam e desempenham com facilidade qualquer texto que lhes chega
às mãos. Essa dificuldade, ela atribuía a falta de leitura, a linguagem corrida
da Internet e a substituição da escrita pela imagem.
As escolas de escritores que se
proliferam, ultimamente, ajudam na formação de um redator, mas o processo de
criatividade do escritor é diferente, é inato, é vocação, é perseverança, é
suor, é objetividade, é perseguição dum ideal. Não se faz um escritor, nasce um
escritor com suas potencialidades, a experiência intelectual e o tempo definem
sua genialidade.
Um jovem solicitou por e-mail a
determinado escritor, as regras necessárias para elaboração de bons textos de
prosa e poesia, grande foi o seu desapontamento com a resposta que se segue:
“...
não tenho a receita do que tu me pedes, creio, também, que ninguém a possui com
as exigências que tu me solicitas, pois, é fácil ensinar gramática e técnicas
de redação na escola, porém, na escola não se ensina pensar, pouco se usa a
imaginação e tornou-se pior com o advento da Internet, da informática, a
garotada que antes estudava, hoje, faz de conta que pesquisa e aprende.
Atualmente, as informações são mais democráticas e mais acessíveis, mas não
ensinam refletir, pensar é um exercício de paciência que exige disciplina e
desprendimento”.
Particularmente,
acho o ato de escrever além de solitário, sofrido, pela preocupação correta da
gramática e dos censores de plantão. Além de a língua ter suas regras e normas
convencionais, qualquer que seja o idioma, ela não escapa às interpretações pessoais
de acordo o entendimento do sujeito pelo fato dela ser viva e dinâmica. Quem
leu as Réplicas e Tréplicas de Rui Barbosa e Ernesto Carneiro
Ribeiro, encontra ali, exemplos gritantes, não de erros, mas de concepções e
interpretações pessoais diferentes.
Porém,
o escritor compulsivo, escrever é um vício, aquele que é impelido criar, pouco
se lixa para essas firulas dos detentores do saber linguístico, pior do que
escrever ruim, é não escrever, pior do que escrever sem a gramática, é não
produzir, é não ter ideias criativas, aqui, vale o pensamento: “Quem não sabe
ensina, quem sabe faz”.
Autor: Rilvan Batista de Santana
Itabuna:
28/06/2011











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