Que me deixem passar - eis o que peço
diante da porta ou diante do caminho.
E que ninguém me siga na passagem.
Não tenho companheiros de viagem
nem quero que ninguém fique ao meu lado.
Para passar, exijo estar sozinho,
somente de mim mesmo acompanhado.
Mas caso me proíbam de passar
por seu eu diferente ou indesejado
mesmo assim eu passarei.
Inventarei a porta e o caminho
e passarei sozinho.
Autor: Ledo Ivo
É filho de Floriano Ivo e de Eurídice Plácido de Araújo Ivo. Casado com Maria Lêda Sarmento de Medeiros Ivo, tem o casal três filhos: Patrícia, Maria da Graça e Gonçalo. Estudou no Colégio Americano Batista, no Grupo Escolar D. Pedro II e no Colégio Diocesano de Alagoas. Transferindo-se para o Recife em 1940, estudou no Instituto Carneiro Leão e passou a colaborar na imprensa local e a conviver com um grupo literário de que fazia parte Willy Lewin, o qual haveria de exercer grande influência em sua formação cultural. Dedicou-se à vida literária, participando do I Congresso de Poesia do Recife em 1941. De volta a Maceió, concluiu o curso complementar no Liceu Alagoano. Em 1943, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se matriculou na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil e passou a colaborar em suplementos literários e a trabalhar na imprensa carioca, como jornalista profissional. Foi redator da Tribuna da Imprensa e da revista Manchete, colaborador de O Estado de São Paulo e editorialista do Correio da Manhã. Estreou na literatura em 1944, com o livro de poesias As imaginações. No ano seguinte, publicou Ode e elegia, distinguido com o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, o primeiro de uma série de prêmios que Lêdo Ivo irá obter, nos anos subseqüentes, com a publicação de obras de poesia, romance, conto, crônica e ensaio. Em 1949, proferiu, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a conferência "A geração de 1945". Formou-se naquele ano pela Faculdade Nacional de Direito, mas nunca advogou, preferindo continuar exercendo o jornalismo.











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