
A Torre do mundo
para Carlos Drummond de Andrade
É como se escutasse lentamente,
uma torre de Minas, silenciosa,
no crepúsculo tarde iluminasse
repercutisse a sombra dos meus olhos,
que era escrito no bronze destas vozes,
se desta voz marmórea, dobres árduos,
vagamente se fossem lhe construindo
na imensidão das frestas vindos montes,
e do meu próprio olhar olvidasse,
manifestação maior, desenganada,
para quem observasse esquiva sombra,
solidão, pensamento transcendesse.
Abriu em mim majestosa ilusão,
sem que esta palmilhasse em mim,
numa estrada hirta quarta-feira,
pelos olhares árduos das entradas,
persiste este douro destas tardes,
e pela fresta exausta deste bronze
do mentar destes sinos dos abismos,
desta própria imagem jaz marmórea,
na fronte do silêncio do mistério,
Abriu da palma árvore à folhagem,
destas quantas memórias já dobravam,
a quem de os ter lembrado alertavam,
nem olharia de novo redobrá-los,
se é vão para sempre carpirmos,
os mesmos sem desejos ou roteiros,
enunciando-os a todos desta sorte,
a badalarem sobre o campo vil,
natureza soberba destes homens,
assim dobrou-se embora bronze algum,
ou sino ou eco ou simples miserável,
certificasse assim sobre semblante,
da outra tarde, noturna, e silenciosa,
em murmúrio se estava esvaindo:
“O que olvidas-te em ti ou longe dele,
do teu ser circunspecto se mostrou.
mesmo sofrendo dá se manifesta,
e a cada instante bate nestas torres,
olha, percebe ausculta essas dores,
semblante a toda a vida destes sinos,
da total expiação rastros das Minas
Nem te concebe esquivo neste olhar,
em que tua alma em vão lhe consumiu,
vê, contem pla miséria humana,
abre tua alma para olvidá-la,
guardam-lhe nos teus círios, estas pontes,
dos que nestas embora lhes suicidem”.
As mais soberbas frontes das igrejas,
das pontes em colóquio vão retraindo,
o que passado foi e logo aflige,
distância das estradas dos enigmas,
os reflexos da serra iluminados,
e as paixões sobrevoos destes tormentos,
e tudo que desenha-se terrestre,
ou se propaga até nestes semblantes,
retorna aos seres para mentar,
no sonho suscetível dos mistérios,
dá volta ao muro e torna para entrar,
depõe essa alma os desejos à verdade,
desta memória adeuses deste augusto,
da entranha geométrica existência,
tudo se apresentou destas verdades,
tudo se apresentou tão solene,
iluminou-se reino da esperança,
este anseio das paixões dos casarões.
Mas, como eu perspectiva- se apelo,
pois , visão mais mínima desse plano,
submetido à alma tão humana,
que neste dia os raios do sol se finda,
de ver desvanecida espessa espera,
destas crenças defuntas destas tardes,
as sombras convocadas destes mortos,
das serras, destes adros, destas almas,
a de novo pintar breus destes ramos,
que vou pelas estradas palmilhando,
e como se outra alma nos cerrava,
habitante de mim há tantas dores,
passasse eu perspectivar destas serras,
tardio já de mim frágil semelhantes,
das portas recitantes das fachadas,
de mim mesmo aberto à memória,
se deste brônzeo timbre se oferta,
que memória tingida repelida.
A tarde mais estreita já anunciava,
sobre entrada de Minas desvairada,
e a lembrança da tarde esvai-se tarda,
partindo lentamente decompondo,
enquanto eu sozinho edificava,
destes dobres silêncios destas torres.
Autor:Eric Ponty
Forro Cristão
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*Atrações: Crescendo com Cristo, Ministério de Música Rainha da Paz,
Ministério das Artes da Renovação Carismatica e Jumar Matos.*
*Local: AABB*
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