PORTA-RETRATO
Olho tristemente para mim
Olho tristemente para mim
Em busca de mim mesma
Procuro e vejo....ah!
Estou vazia!
Abortei com desilusão
Um amor condenado
Ao naufrágio dos tropeços
E da incompreensão
Nos perdemos em vão...
Perdemos o rumo
Nos lamentos e tempestades
Infundados...
Mergulhamos em sorvedouros
Ah!
Sinto-me exausta.
Tirei do porta-retrato
Tirei do porta-retrato
A tua foto comigo abraçado
Momentos de afetos e sonhos sonhados
Foram-se embora em águas de amargura.
Tento tirar-te da moldura do meu coração
Esta foto, confesso...
Ainda não sei....está cravada
A mágoa assentou-se
E como cupim, destruiu
Laços fecundos de afeição
Meu coração em luto,
Ferido pelo dardo da ingratidão,
Sofre como a desfolhação do outono.
Seu rosto sério
Seu rosto sério
Levo na lembrança
Na retina dos meus olhos tristes
Meu semblante fotografa minha alma
Desbotada,
Vestida na cor cinza
Que agora revela-se
No porta-retrato
Que ficou vazio.
Vazio de luz
Vazio de alma
Vazio de amor.
Lucrécia Rocha
Lucrécia Rocha











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