Dedicatória"Este meu livro é todo teu, reparaque ele traduz em sua humilde glóriaverso por verso, a estranha trajetóriadesta nossa afeição ciumenta e rara!Beijos! Saudades! Sonhos! Nem notaratanta cousa afinal na nossa história...E este verso - é a feliz dedicatória...onde a minha alma inteira se declara...Abre este livro... E encontrarás entãoteu coração, de amor, rindo e cantando,cantando e rindo com o meu coração...E se o leres mais alto, quando a sós,é como se estivesses me escutandofalar de amor com a tua própria voz!J. G. de Araujo Jorge
"A Dor Maior"Não quis julgar-te fútil nem banale chamei-te de criança tão-somente,- reconheço, no entanto, infelizmente,que, porque te quis bem, julguei-te mal.Pensei até, ( e o fiz ingenuamente...)ter encontrado a companheira ideal...Quis julgar-te das outras diferente,e és como as outras todas afinal...Hoje, uma dor estranha me consomee um sentimento a que não sei dar nomefaz-me sofrer, se lembro o amor perdido...A dor maior... A maior dor, no entanto,vem de pensar de Ter-te amado tantosem que ao menos tivesses merecido!...J. G. de Araujo Jorge
"A Espera"Ela tarda... E eu me sinto inquieto, quandojulgo vê-la surgir, num vulto, adiante,- os lábios frios, trêmula e ofegante,os seus olhos nos meus, linda, fitando...O céu desfaz-se em luar... Um vento brandonas folhagens cicia, acariciante,enquanto com o olhar terno de amantefico à sombra da noite perscrutando...E ela não vem...Aumenta-me a ansiedade:- o segundo que passa e me tortura,é o segundo sem fim da eternidade...Mas eis que ela aparece de repente!...- E eu feliz, chego a crer que igual venturabem valia esperar-se eternamente!...J. G. de Araujo Jorge
A Luz"Ela veio...( E a minha alma tinha a portaaberta, e ela entrou...Casa vaziae estranha, esta que em plena luz do dialembrava a tumba de uma noite morta...)Que ela havia chegado, eu nem sabia...Mas, pouco a pouco, e a data não importa,minha alma, por encanto, se conforta,e há risos pela casa...E há alegria...Quem abrira as janelas? Quem levarao fantasma da dor sempre ao meu lado?Os antigos retratos, quem rasgara?E acabei por fazer a descoberta:- ela espantara as sombras do passadoe a luz entrara pela porta aberta!J. G. de Araujo Jorge
"A Vida"II". . Tem sido assim e assim será... Mais tardeo que hoje pensas chamarás: - quimera!E esse esplendor que nos teus olhos arde,será a visão de extinta primavera...Escondido à .traição, como uma fera,bem em silêncio, e sem fazer alarde,o Destino que é mau e que é covarde,naquela sombra adiante já te espera! E num requinte de perversidadefaz de cada ilusão, de cada sonho,a ruína de uma dor... e uma saudade...E se voltares, notarás entãodesesperado, ao teu olhar tristonhoque em vão sonhaste... e que viveste em vão!..."J. G. de Araujo Jorge
"A Vida"I"...Mudarás, todos mudam, e os espinhoscom surpresa verás por todo lado,- são assim nesta vida os seus caminhosdesde que o homem no mundo tem andado...Não hás de ser o eterno namoradocom as mãos e os lábios cheios de carinho,- hoje, juntos os dois... tudo encantado!- amanhã, tudo triste... os dois sozinhos!...E sentindo o teu braço então vazio,abatido verás que não resistesà inclemência do tempo úmido e frio!Rolarás por escarpas e barrancos:sobre o epitáfio dos teus olhos tristestrazendo a campa dos cabelos brancos!"J. G. de Araujo Jorge
"A Dor Maior"Não quis julgar-te fútil nem banale chamei-te de criança tão-somente,- reconheço, no entanto, infelizmente,que, porque te quis bem, julguei-te mal.Pensei até, ( e o fiz ingenuamente...)ter encontrado a companheira ideal...Quis julgar-te das outras diferente,e és como as outras todas afinal...Hoje, uma dor estranha me consomee um sentimento a que não sei dar nomefaz-me sofrer, se lembro o amor perdido...A dor maior... A maior dor, no entanto,vem de pensar de Ter-te amado tantosem que ao menos tivesses merecido!...J. G. de Araujo Jorge
"A Espera"Ela tarda... E eu me sinto inquieto, quandojulgo vê-la surgir, num vulto, adiante,- os lábios frios, trêmula e ofegante,os seus olhos nos meus, linda, fitando...O céu desfaz-se em luar... Um vento brandonas folhagens cicia, acariciante,enquanto com o olhar terno de amantefico à sombra da noite perscrutando...E ela não vem...Aumenta-me a ansiedade:- o segundo que passa e me tortura,é o segundo sem fim da eternidade...Mas eis que ela aparece de repente!...- E eu feliz, chego a crer que igual venturabem valia esperar-se eternamente!...J. G. de Araujo Jorge
A Luz"Ela veio...( E a minha alma tinha a portaaberta, e ela entrou...Casa vaziae estranha, esta que em plena luz do dialembrava a tumba de uma noite morta...)Que ela havia chegado, eu nem sabia...Mas, pouco a pouco, e a data não importa,minha alma, por encanto, se conforta,e há risos pela casa...E há alegria...Quem abrira as janelas? Quem levarao fantasma da dor sempre ao meu lado?Os antigos retratos, quem rasgara?E acabei por fazer a descoberta:- ela espantara as sombras do passadoe a luz entrara pela porta aberta!J. G. de Araujo Jorge
"A Vida"II". . Tem sido assim e assim será... Mais tardeo que hoje pensas chamarás: - quimera!E esse esplendor que nos teus olhos arde,será a visão de extinta primavera...Escondido à .traição, como uma fera,bem em silêncio, e sem fazer alarde,o Destino que é mau e que é covarde,naquela sombra adiante já te espera! E num requinte de perversidadefaz de cada ilusão, de cada sonho,a ruína de uma dor... e uma saudade...E se voltares, notarás entãodesesperado, ao teu olhar tristonhoque em vão sonhaste... e que viveste em vão!..."J. G. de Araujo Jorge
"A Vida"I"...Mudarás, todos mudam, e os espinhoscom surpresa verás por todo lado,- são assim nesta vida os seus caminhosdesde que o homem no mundo tem andado...Não hás de ser o eterno namoradocom as mãos e os lábios cheios de carinho,- hoje, juntos os dois... tudo encantado!- amanhã, tudo triste... os dois sozinhos!...E sentindo o teu braço então vazio,abatido verás que não resistesà inclemência do tempo úmido e frio!Rolarás por escarpas e barrancos:sobre o epitáfio dos teus olhos tristestrazendo a campa dos cabelos brancos!"J. G. de Araujo Jorge











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