Foi assim: o barco saiu do cais. Vinha uma onda imensa e todos já sabiam que ela poderia chegar a qualquer momento e nem era tempo ruim, era dia bom, de luz, de sol, de nuvens esparsas, de tempo de calmaria, mar azulado e sereno. Mas, lá vinha a onda.
Os pescadores não acreditaram quando na televisão o apresentador do jornal garantiu que em vários trechos do litoral poderia ocorrer vagas gigantes. Tudo por conta do degelo na Antártida e no Ártico. Para os pescadores este negócio de degelo era coisa de filme e distante e aquecimento global era coisa bem longe e um até lembrou que ouviu nalgum lugar que até bufa de boi acaba com a camada de ozônio e ozônio era também uma coisa distante, lá do estrangeiro.
Até que um velho pescador, cujo nome não vem neste momento, tentou convencer os garotos a não saírem com o barco, mesmo com aquele dia de luz e vento quase parado, mas quem disse que eles ouviram. Ligaram o motor de centro po po po po po po e já distante da costa desceram com os tubos na boca, compressor ligado e foram atrás das lagostas e olha que era tempo de defeso e já tinham nas costas uma multa do Ibama e por um recesso no Ministério Público. Dois desceram até os arrecifes na toca das lagostas maiores. Um ficou no barco dormitando enquanto tomava conta do compressor. Os de baixo d´água ainda notaram que o mar estava com certo refluxo, parecendo que iria vazar. O de cima sequer viu quando a imensa onda levantou o barco e o levou embora. Os pescadores de lagosta ainda tiveram tempo de largar as mangueiras e nadaram rápido para cima. Não viram mais nada. A onda tinha passado e agora era só azul, verde, sol e imensidão. Nem uma onda. Nem uma referência. Nem uma nuvem.
Jolivaldo Freitas Jornalista e escritor
jolivaldo.freitas@yahoo.com.br
Os pescadores não acreditaram quando na televisão o apresentador do jornal garantiu que em vários trechos do litoral poderia ocorrer vagas gigantes. Tudo por conta do degelo na Antártida e no Ártico. Para os pescadores este negócio de degelo era coisa de filme e distante e aquecimento global era coisa bem longe e um até lembrou que ouviu nalgum lugar que até bufa de boi acaba com a camada de ozônio e ozônio era também uma coisa distante, lá do estrangeiro.
Até que um velho pescador, cujo nome não vem neste momento, tentou convencer os garotos a não saírem com o barco, mesmo com aquele dia de luz e vento quase parado, mas quem disse que eles ouviram. Ligaram o motor de centro po po po po po po e já distante da costa desceram com os tubos na boca, compressor ligado e foram atrás das lagostas e olha que era tempo de defeso e já tinham nas costas uma multa do Ibama e por um recesso no Ministério Público. Dois desceram até os arrecifes na toca das lagostas maiores. Um ficou no barco dormitando enquanto tomava conta do compressor. Os de baixo d´água ainda notaram que o mar estava com certo refluxo, parecendo que iria vazar. O de cima sequer viu quando a imensa onda levantou o barco e o levou embora. Os pescadores de lagosta ainda tiveram tempo de largar as mangueiras e nadaram rápido para cima. Não viram mais nada. A onda tinha passado e agora era só azul, verde, sol e imensidão. Nem uma onda. Nem uma referência. Nem uma nuvem.
Jolivaldo Freitas Jornalista e escritor
jolivaldo.freitas@yahoo.com.br










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