Tive pais analfabetos e fui criado por tios semi-alfabetizados, além duma vida de carências intelectuais e materiais. As circunstâncias do meio tornaram-me mais estudioso. Com visíveis dificuldades de aprendizagem e sem muitos recursos intelectuais, cheio de lacunas, sem talento e sem genialidade, sublimava as minhas limitações de aprendizagem triplicando o gosto pela leitura e cobrando mais do meu lento raciocínio.
O talento e a genialidade são produtos da inspiração, não advêm do trabalho, da persistência ou se nasce com eles ou não. O trabalho intelectual, a persistência, o estudo e a pesquisa nos darão embasamento para discernir, separar o joio do trigo, mas jamais contribuirão na definição do processo de criação. Por isso, acho que os meus textos têm valor estimativo e não servem de modelos literários. Diria que são leituras palatáveis, textos que podem não ter uma mensagem sui generis, mas que trazem mensagens do dia-a-dia, história do cotidiano de alguém conhecido ou história de “ouvi dizer”.
Não se tira leite da pedra. Toda história, toda narrativa, tem um percentual embasado na realidade e um percentual de ficção que também não deixa de ser realidade, produto do nosso inconsciente e a sabedoria popular é taxativa quando se refere a isso com a máxima: “quem conta um conto, aumenta um ponto”. Porém, faz-se necessário registrar que isso é diferente de plágio. O plágio é uma imitação, é quase uma cópia às avessas. O plagiador é um falsário, um ladrão das idéias alheias. É diferente daquele que conta uma história que pode já ter sido contada, todavia, a roupagem e a estamparia são exclusivas.
Não se pode afirmar em nenhum momento que a vida e a obra de Jesus Cristo foram plagiadas no Novo Testamento. Os textos da Mateus, Lucas, Marcos e João são tão parecidos que alguém poderia perguntar: “quem plagiou quem?”, mas observa-se amiúde que embora seja a mesma história, cada autor faz sua exegese da palavra.
Enfim, se o eventual leitor dos meus escritos não se enfadar com as primeiras páginas do meu livro e folheá-lo até a última página, agradeço-lhe e dar-me-ei por satisfeito pelo esforço e coragem que tive de submeter-me às críticas dos que não irão gostar por quaisquer motivos ou o ataque ferrenho dos críticos que por preconceito compreensível não vão gostar.










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