quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Carta para o jovem Paulo

Itabuna, 04 de novembro de 2009.

Estimado Paulo:

Há mais de um mês procuro tempo para responder sua carta, a priori, quero lhe parabenizar pela sua dissertação de mestrado: “Os antagonismos exegéticos das religiões”. Li sua tese de mestrado, ponto por ponto, por isto, demorei tanto para responder sua missiva, pois sua carta é uma apresentação sucinta do seu trabalho acadêmico com os seus questionamentos e conclui com a discussão da natureza de Deus.
Surpreendi-me com o seu pedido duma análise do seu texto acadêmico, tecesse comentários, desse a minha opinião... Confesso-lhe que inicialmente, o seu pedido inflou o meu ego, senti-me um douto, um sábio, um mestre da dialética, mas tudo caiu por terra quando se acenderam os lampejos da lucidez e dei-me conta que a minha ignorância é maior do que os meus parcos conhecimentos e conclui que o estimado jovem usou o mesmo raciocínio da Pitonisa grega que declarou que dentre todos os gregos, Sócrates era o mais sábio, por ser o único que tinha consciência de sua ignorância.
Não sou um teólogo, não sou um exegeta, levo bronca do nosso pároco por ir aos domingos à missa do Senhor sem a Bíblia e recusar-me fazer a leitura dos textos bíblicos ou participar de algum grupo de oração e evangelização, mas não me incomodo, eu prefiro o anonimato, apenas um crente, um humilde servo de Jesus Cristo...
Sob a palavra de Jesus Cisto deposito a minha esperança na vida eterna e na ressurreição, Ele alimenta a minha fé num Deus criador e misericordioso que pelo poder da oração é dobrado. A história das religiões está cheia de homens e mulheres que Deus lhes tocou, foram divisores na história do pensamento e da ciência, a exemplo de Maomé, Moisés, Abrão, Salomão, Davi, Jesus Cristo, Einstein, Descartes, Galileu, Isaac Newton, Sta. Teresa de Ávila, Santa Catarina de Siena e tantos outros.
Meu caro Paulo, queixa-se da falta de fé, a fé, crença religiosa, não se transfere, não se vende em mercado, em shopping, a fé é um sentimento que se exercita dia-a-dia e se reforça pelas obras e pelo desprendimento e renúncia das coisas iníquas e condutas imorais.
A fé tem que ser sentida, eu lembro-me de um folheto, desses distribuídos pelas igrejas protestantes com mensagens significativas. O folheto narrava a história de um ateu que debochava da palavra de um pregador enquanto ele fazia sua preleção. Ele não se fez de rogado, convidou-o para o púlpito e sem delongas, descascou e começou chupar uma laranja diante do menoscabo e desdém do ateu. Ainda degustando a fruta, de chofre, perguntou-lhe se a laranja estava doce ou azeda, o que deixou o homem atarantado, sem resposta, aí, o orador concluiu que a fé assim como o sabor da fruta, tem que ser sentida, chupada, vivida...
Paulo, a fé por si só, é egoísta e inócua, veja o que diz o Evangelho de Tiago: “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2: 14 -26). Por isto, meu caro jovem, sugiro-lhe que comece pelos gestos solidários que a fé vem a reboque.
Noutro trecho de sua carta, justifica sua falta de fé, citando homens e mulheres que contribuíram para ciência, para arte, para filosofia e não encontraram Deus e foram importantes para humanidade e cita dentre outros: “Albert Camus, Schopenhauer, Augusto Comte, Carl Saga, Pablo Neruda, Simone Beauvoir, Freud, James Watson, Machado de Assis, Ângela Carter”.
Não sei se lhe tocará o coração e servirá para melhorar o seu juízo algumas informações que lhe passo agora, nem posso lhe garantir que a desdita, o vazio, a infelicidade e os desencontros desses homens e mulheres foram porque não tinham fé, acreditavam na matéria e sua evolução, mas todos eles, não tiveram uma vida serena nem uma morte tranquila, os conflitos ideológicos e os desajustes pessoais foram os seus principais estigmas.
Sou um tabaréu, não possuo sua desenvoltura científica, não tenho sua intimidade no manuseio da palavra, gostaria de ter essa facilidade para colocá-las no papel o que eu penso, cada palavra que escrevo é espremida e parida com dor, por isto, não sei se lhe estou sendo convincente na análise de sua carta, porém, prometo-lhe esforçar-me para discutir, tecer comentários, doravante, sua dissertação de mestrado: “Os antagonismos exegéticos das religiões”.
Na página 12 do seu trabalho acadêmico, primeiro parágrafo, chamou-me a atenção a proposição: “... os monoteístas atribuem-Lhe imagem e o homem Lhe é semelhante, tornando-O limitado e finito, assim o fizeram os politeístas, só que estes exageraram nos fetiches”. Meu amigo, em Timóteo II, 3:16, diz: “... toda a Bíblia é inspirada por Deus e proveitosa”. Porém, recomendo-lhe que a interpretação dos textos bíblicos não pode ser literal, ademais, a Bíblia ao longo de centenas de anos, deve ter sido modificada e acrescida de termos por força das várias traduções até Johann Gutemberg.
Se o homem continua após a morte em espírito, é esta a semelhança, pois Deus é espírito infinito sem começo nem fim, o homem como sua criatura Lhe é semelhante. Acredito, também, plagiando Rousseau, que o homem é bom por natureza e a sociedade torna-o mau, ruim e desumano, portanto, o homem Lhe é semelhante e não igual em bondade, amor ao outro e, espírito.
Paulo, embora alguns religiosos acreditem que Deus criou o homem à sua “imagem e semelhança”, conforme o livro de Gênesis (Gênesis 1: 26 e 27), salvo as justificativas no parágrafo anterior, é uma figura de estilo, uma construção retórica, um recurso simbólico, usado pelo autor do Livro Sagrado para explicar humanamente o mistério da criação por Deus.
Noutro trecho de sua tese, existe a seguinte afirmação: “... a Trindade é um axioma falso, imposto pela maioria das religiões monoteístas cristãs para explicar a divindade e a natureza de Jesus Cristo, todavia, numa análise mais acurada, três pessoas em uma, é racionalmente impossível”. Meu caro jovem à luz do pensamento lógico, da propriedade física, dou-lhe razão, inclusive, algumas religiões comungam com o seu pensamento, mas permita-me o aforismo: “religião, política e mulher, não se discute se abraça...”, pois a religião, a política e a mulher são eivados de qualidades e defeitos, se priorizarmos os defeitos ou aquilo que consideramos defeitos, por ignorância ou intolerância, nada nos satisfará... A fé nos torna mais tolerante e menos exigente, por isto, aceitemos a Trindade pela fé.
Conheci-lhe ainda imberbe, sua saudosa mãe, D. Cândida, mãe coruja como todas as mães, orgulhosa e ciosa de sua inteligência, intimamente, sofria com o seu desdém, desde cedo, pelo pouco caso que demonstrava com a sua igreja de nascimento, a sua incredulidade, o seu ateísmo, valorizando mais os fatos prováveis, o positivismo, em detrimento da fé, da sensibilidade religiosa e da crença no Criador.
Não possuo capacidade persuasiva para lhe converter, pois sou fraco na escrita e nulo na retórica, ademais, não se converte um ateu através da palavra, talvez, essa conversão seja possível através do exemplo e a dor.
Gostaria de voltar ao assunto da Trindade e lhe dizer que não é, somente, eu e você que temos dúvidas, os padres que conheço e alguns teólogos não me deram ainda, uma explicação convincente, o próprio Jesus Cristo deixou entrelinhas, quando diz: “O Pai é maior do que eu.” (João 10: 36; 6: 57), acrescenta: “Aquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?”, completa: “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Colossenses 1: 15), São Paulo gradua a submissão de cada um: “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo (I Coríntios 11: 3), isto significa que o Pai é um e o Filho é outro... A Bíblia não fala dessa unicidade: “Pai, Filho, Espírito Santo...”, de maneira clara, mas subjacente, a exemplo de João: “Pois há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.” ( João 5:7).
Querido amigo Paulo, para justificar a minha fé, deixá-la mais racional, encontrei a minha própria interpretação sobre a Trindade e dou-lhe de graça, sem nenhum ônus, peço-lhe apenas, que não a mostre aos seus colegas nem aos seus mestres, eles irão rir da minha tosca imaginação, porém, prefiro ser ridicularizado e não sustentar uma fé vazia:
“O Pai é o Supremo Criador, enquanto o Filho é sua Primeira Criatura feita Homem e o Espírito Santo, é a essência e a natureza divina da Trindade”.
Lá, em sua dissertação, chamou-me a atenção, a tese que o jovem amigo desenvolve acerca do tempo. Achei o contraditório brilhante enquanto raciocínio científico, todos esses fatos, sobejamente comprovados com o auxílio do carbono C-14, de efeito retroativo do tempo, porém, permita-me meter o bedelho em sua tese, tomando como referência o parágrafo final do seu trabalho acadêmico: “... negar a importância da Bíblia como um dos principais livros da Historia Universal da Humanidade é tapar o Sol com uma peneira, todavia, à luz da ciência, muitos fatos não se sustentam pela incoerência do tempo, o tempo é negligenciado em todo o Velho Testamento, os teólogos argumentam que Deus é atemporal, mas os autores dos Livros Sagrados eram humanos, tinham compromissos com o tempo e a verdade dos fatos”.
Paulo, eu agradeço a Deus por ter me dado vida, muito tempo de vida, para gozar as coisas boas e ruins do mundo. As coisas mundanas se gozam na mocidade, quando não temos idéia da morte e a luxúria e os prazeres da carne tomam o nosso corpo e a nossa alma. Quando os cabelos se fazem encanecidos, as paixões diminuem e tomamos consciência da nossa fragilidade, da nossa pequenez, é que nos agarramos à esperança de vida eterna e nas promessas de Jesus Cristo. Noutras palavras, não enxergamos as coisas somente com os olhos da ciência, os olhos da fé são mais importantes, por isto, posso lhe dizer com devida vênia que o seu trabalho carece de alguns complementos, porque o tempo não é somente cíclico, o tempo também é cósmico e metafísico, Deus se mexe no tempo espiritual, em que o passado, o presente e o futuro é o agora, no livro de Pedro está escrito: “Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (II Pedro 3: 8).
Paulo, eu peço-lhe paciência, sei que todo jovem é apressado, você não é exceção, irá queixar-se do tamanho desta missiva, por isto, eu vou apressar o desfecho desta carta, não vou analisar todos os pontos de sua dissertação, porém, permita-me que eu teça alguns comentários naquilo que é mais importante: a natureza de Jesus Cristo. O seu juízo: “... Jesus Cristo não é o Filho unigênito de Deus. Nele a Igreja Católica se inspira e foi fundada há dois mil anos. Ele tem a mesma importância religiosa, filosófica e histórica de um Maomé, de um Moisés, de um Salomão, de um Davi, de um Abrão e doutros expoentes religiosos, do budismo, do hinduísmo, do confucionismo etc.” Meu amigo, eu quase caio de costa quanto li este texto, pela heresia e pela ignorância exegética dos textos proféticos e escatológicos do Antigo e Novo Testamento.
Estimado amigo, não se pode negar a importância religiosa e histórica desses homens, eles mudaram o rumo da História, porém, foram homens santos e pecadores, que por desígnios de Deus foram escolhidos, todavia, não podemos compará-los a Jesus Cristo em santidade, providência e autoridade. Se Jesus não é o Filho unigênito de Deus, toda a Escritura é uma fraude, pois sua vinda é anunciada desde o princípio dos tempos: “E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda (Is 30: 21); “E, sendo Ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que Lhe obedecem” (Hb 5: 9).
Se analisarmos a história de vida dos demais homens de Deus, veremos que eles foram guerreiros, pastores, negociantes, reis, pais de família, com mais de um casamento e muitos filhos, tomemos, por exemplo, o profeta Maomé, com o maior número de adeptos do mundo depois de Jesus Cristo.
Maomé, o maior profeta dos muçulmanos, nasceu em Meca no ano 570 a.C., foi comerciante na juventude, analfabeto, teve dois casamentos, sua primeira mulher foi Kadidja, uma viúva rica, mais velha 15 anos do que Maomé. Cultivava desde a juventude, retiro espiritual, num desses retiros, encontrou-se com o arcanjo Gabriel no monte Hirã que lhe confia à missão de falar de um Deus vivo, criador dos céus e da Terra, no meio duma cultura politeísta.
Maomé imprimiu o islamismo através da força e dos conchavos políticos. A História registra que ele participou de umas 26 batalhas e consolida sua vitória na batalha de Khandaq com um exército 10 mil homens.
Maomé morreu em Medina aos 63 anos, mas a cidade do Profeta é Meca e o seu livro sagrado é o Corão. Não realizou nenhum milagre, para os quase 2 bilhões de adeptos, ele não é santo, mas um homem santo, escolhido por Deus.
Amigo, sua tese da não divindade de Jesus Cristo não se sustenta, compará-los aos demais homens de Deus, é uma ignomínia, as Escrituras testificam – No, como o Príncipe da vida: “E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas” (Atos 3:15).
Enfim, espero que o jovem ateu amigo seja um ateu como aquele ateu dono de farmácia: por descuido, vendeu por engano, veneno a uma garota esbaforida que clamava socorro para sua mãe, assim que a garota saiu, o ateu deu-se conta da desgraça, não claudicou, ajoelhou-se e orou a Deus sua intercessão e o milagre aconteceu pouco tempo depois: a menina chorosa, que pela pressa, caiu e o frasco quebrou...
Cordialmente, o seu velho amigo,
R

Autor: Rilvan Batista de Santana
Gênero: carta.

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Brilhando através da Literatura - Paulo Barbosa

Para Refletir...( 10-11/11/ 09)Brilhando Através Da Literatura

"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para quevejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, queestá nos céus" (Mateus 5:16).Nós podemos brilhar na literatura que nós fazemos circular.Spurgeon disse: "Eu muito raramente dava um Novo Testamentode presente. Achava isso um desperdício". No mês passado,porém, eu tive uma grande surpresa. Ao pagar a conta a umtaxista que havia me levado até em casa, ouvi dele oseguinte comentário: 'Já faz muito tempo que o senhor nãousa o meu taxi'. 'Eu não me lembro do senhor', disseSpurgeon. "Eu Acho que faz uns quatorze anos', disse otaxista, 'e creio que se lembrará deste Novo Testamento'. Emseguida ele puxou o pequeno Testamento de seu bolso. 'Fui euquem lhe deu este Novo Testamento?' 'Oh, sim', disse ele, 'eo senhor falou comigo sobre minha alma e minha salvação.Nunca alguém havia falado daquela maneira para mim'. 'E eleestá ainda bem conservado, depois de tanto tempo'. "Eu otenho utilizado com todo carinho, pois, é para mim muitoprecioso'. Ele o havia guardado, realmente, com muitocuidado."É uma grande bênção para nós, e para quem recebe, quandopresenteamos aos nossos amigos com uma literatura cristã. Àsvezes gastamos nosso dinheiro e nosso tempo procurando poralgo que possa alegrar o coração daqueles a quem queremosbem e não conseguimos. Podemos gastar muito dinheiro e oresultado não ser o melhor.Por que não dar de presente uma Bíblia, ou um NovoTestamento, ou um bom livro. São presentes que poderãomarcar o início de uma nova vida e a transformação de todauma família.O Para Refletir tem bons livros, e existem muitos outros quecertamente iluminarão o caminho de muitos e, principalmente,o seu. Conhecer a Cristo e o caminho da vida eterna é umaexperiência que nunca esqueceremos, e, levar a outros paraeste mesmo caminho, produz um regozijo quase semelhante ànossa própria salvação.Será que alguém se lembrará de você por uma blusa ou umperfume recebido há mais de dez anos? Se você der um livrocapaz de mudar-lhe a vida, mesmo que se passem cinquentaanos, jamais esquecerá!*****Caso tenha um amigo que deseja receber as reflexões diáriase não participar de listas, basta preencher o link indicadono final e assinar a lista de envio de apenas uma mensagemdiária.*****

Paulo Roberto Barbosa

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Esquina dop mundo - a hora do cão lobo







Esquina do Mundo - A hora do Cão Lobo

Cláudia Magalhães

Três amigos; Um bar!
Amores, amizade, inveja, traicões...
O acaso rege o destino de homens e mulheres
Na esquina do Paraíso com o Inferno
Onde a hora é sempre dezoito horas
Hora do cão lobo
A esquina do Mundo
Um mundo à beira da tragédia
Regidas não por mãos humanas
Mas pelo incompreensível.
(Trecho da peça teatral "Esquina do Mundo - A hora do Cão Lobo")
Dezoito horas... Esquina do Paraíso com o inferno... Há pouco, o Sol beijou a lua e sob o canto suave da Ave Maria, eles fizeram juras eternas de amor. A Rainha da noite, excessivamente romântica, cheia de saliva, fez amor nos astros e estrelas, deliciou-se na boca do seu amante, virou música, verso, prosa... Ele vai embora. Vazio. Há pouco, ele a pegou por trás e ela sentiu toda a sua paixão escorrer pelo seu sexo, descer até a terra e formar um mar de sangue...
Esse sangue nos revela um prédio de um vermelho extravagante, onde, no térreo, funciona um bar popular, destes encravados nos becos das grandes cidades. De um lado funciona o salão com mesas e cadeiras muito simples, posters de time de futebol e cartazes com dizeres como "Protegido por Deus" e "Fiado só amanhã", do outro lado, separada por um enorme balcão, uma pequena cozinha. Em cima, dois kitnets, um de Rato e o outro de Zé e Ceição. Nos vários sets a vista: Esperança arruma o quarto de Rato e se arruma, incansavelmente; Zé, no seu quarto, bebe e olha fixamente para o relógio de parede; Gardênia cantarola na cozinha, exultante; No salão, Patrícia toma café com bolacha e escuta Rato, que sentado com os pés na lama, canta um chorinho acompanhado por dois boêmios que estão em uma mesa próxima; Teobaldo está sentado no meio da escada observando a lua que brilha incansavelmente no céu, cheia de tristeza, melancolia, poesia, contrastando, e por isso mesmo, enaltecendo a decadência do lugar.
(Salão do bar)
RATO:Não me condene, não sou vagabundoNem tampouco vigaristaSou um boêmio, um sonhadorEu tenho alma de artista.Na mistura do céu e do infernoEncontrei a esquina do mundoDa vida, do poeta,Do doutor, do moribundo.Aqui ele ri, ele chora,Toma cana com limão e melToma rum com coca-colaCom os pés na lamaOlhando para o céuDesabafa, se esfolaVai afogando a sua dor.É a Ribeira dos becosDa lama, da amarguraOnde tudo se mistura:
Fé, Cajú,
Sangue, Coentro,Papa-Figo, Urubu,Medo, Tormento,Black-Out, Gentileza,Virtude, Desalento,Badalo, Fineza,Tristeza, Lamento.
Cascudo, História, Siqueira, Poesia,Djalma, Vitória,Navarro, Alegria.
Tributino, Destreza,Carrapicho, Flores,Zé Areia, Esperteza,As Marias, Os Amores.
Coragem, Velocidade,Loucura, Lambretinha,Óvni, Verdade,Nazi, Meladinha.
É do resultado dessa mistura
Que se faz esse lugar.Venha, amigo, se sentarNão precisa documentoBasta só ter sentimentoE entre uma alegria e outraUm pouco de lamentoPorque daqui ninguém sai isentoSem vontade de chorar!

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Cláudia Magalhães Um velho sobrado com paredes e teto de vidro. Ao redor, árvores altas, frondosas, em meio a inúmeras folhas secas que completam o cenário sépia, banhado pela luz da lua e do Sol que se despede deixando no ar uma aura de tristeza, de melancolia. Ao adentrarmos no teto de vidro, observamos uma mulher, Dolores. Os seus olhos olham fixamente para o homem com os pulsos cortados, sentado numa velha poltrona a seu lado. Pedro, seu grande amor. Ele foi embora, deixando um olhar sereno, doce. O amor dorme ao sabor dos ventos e seguindo os caprichos de Deus ou do Diabo ele pode dormir no céu e acordar no inferno, ela pensa, imóvel, sentada sobre o chão frio. Nenhuma lágrima. A dor velha, agora, flutua de mãos dadas com a loucura e sente-se feliz. Seus olhos cansados comprovam as inúmeras noites em claro em que andou pela casa como uma morta viva. Desvia o olhar e observa sobre a mesa, o pequeno aquário, que ganhou no início do relacionamento, com dois peixinhos, um azul e um vermelho. Eles são parecidos conosco: o azul é você, tranqüilo... e o vermelho sou eu, afogueada, acelerada... . disse, certa vez, com alegria. Eles se amavam demais. Era um amor forte, belo, verdadeiro.. . O paraíso. Fugiam de tudo e de todos, eles se bastavam. Caminhavam sempre juntos, ela com o pé direito sobre o pé esquerdo dele. Comiam do mesmo prato, bebiam do mesmo copo... O amor perfeito... Perfeito demais... Até que veio o medo quase incontrolável da perda e passaram a cobrar provas constantes de amor, no início controláveis, depois perderam o freio. O amor estava ameaçado... Descobriram o inferno... A casa perdeu o perfume, ficou fétida, as paredes mofadas de lágrimas virou um ninho de vermes. Os pés, que antes flutuavam em perfeita sintonia, agora, andavam grudados no chão com suor e saliva onde se arrastavam cobras com línguas afiadas e gargalhadas alucinantes. .. Deitavam, todas as noites, com as mãos entrelaçadas sobre o peito, feito cadáveres. Adormeciam e acordavam na mesma posição. Dormiam a noite inteira e amanheciam com olheiras... Não tinham sonhos.. Até que passaram a não dormir mais... Dolores aproxima-se de Pedro, segura o seu pulso esquerdo com as mãos, leva-o até a boca... Como é doce, pensa. Fecha os olhos e lembra dos últimos momentos com o seu amor:
- Antes de você, eu só fazia envelhecer. Você trouxe a vida e a partir desse momento eu só desejei a morte. Você entrou por uma porta que eu não sabia existir. Vi o teu amor se aproximar e entrar em mim com a ternura de uma lâmina afiada. Sangrei e chorei. Quanto mais aumentava a tua doçura, mais eu me cortava. Quanto mais eu sangrava, mais eu te amava. Queríamos o céu e entramos no inferno. Cortamos os pés com os restos de nossas vidas e nos mutilamos com as nossas mãos de céu... – ela disse com tristeza - Estamos diante do abismo, em busca da morte...
Silêncio.
- É o que você quer? – ele falou com ternura.- É o que eu mais desejo.
Ele se levanta num impulso violento. Com passos largos, segue em direção ao armário da cozinha e retira de uma das gavetas uma faca. Ela o observa com as feições e a postura de quem ama demais, característica essencial para as maiores desgraças. Ele volta à sala e corta, sem titubear, os pulsos. Ela sorri agradecida.
- Eu te amo, Dolores... Acredita em mim?- Sim, eu acredito...
Ele se foi. Sentia-se, novamente, feliz e amada. Ela levanta, segue em direção ao velho baú e retira uma corda. Volta à sala e com a ajuda de uma cadeira, prende-a num lastro de madeira do teto. Vê o seu corpo tingir-se de vermelho. Enlaça a corda no pescoço e joga-se no abismo como quem deseja voar... Sente o coração acelerado livrar-se das dores e das saudades... Nada mais importa, os peixes do aquário estão mortos.

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Vale a pena ler!!! kkkk...



VERÍDICO E EXCELENTE- Bom dia, é da recepção? Eu gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre um paciente. - Queria saber se certa pessoa está melhor ou piorou... - Qual e o nome do paciente? - Chama-se Celso e está no quarto 302. - Um momentinho, vou transferir a ligação para o setor de enfermagem... - Bom dia, sou a enfermeira Lourdes... O que deseja?
- Gostaria de saber as condições clínicas do paciente Celso do quarto 302, por favor! - Um minuto, vou localizar o médico de plantão. - Aqui é o Dr. Carlos plantonista, Em que posso ajudar? - Olá, doutor. Precisaria que alguém me informasse sobre a saúde do Celso que está internado há três semanas no quarto 302. - Ok, meu senhor, vou consultar o prontuário do paciente... Um instante só! Hummm! Aqui está: ele se alimentou bem hoje, a pressão arterial e pulso estão estáveis, responde bem à medicação prescrita e vai ser retirado do monitor cardíaco até amanhã. Continuando bem, o médico responsável assinará alta em três dias. - Ahhhh, Graças a Deus! São notícias maravilhosas! Que alegria! - Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, certamente da família!? - Não, sou o próprio Celso telefonando aqui do 302! É que todo mundo entra e sai desta merda deste quarto e ninguém me diz porra nenhuma. Isso aqui é uma zona, eu só queria saber como estou......

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Da pressa à pobreza - Rick Boxx






Você já se deparou com um vendedor extremamente persuasivo e insistente, tentando convencê-lo que se não efetuar a compra naquele dia, tudo estará perdido? Esta é a sensação que tenho experimentado ultimamente, quando as estratégias adotadas em muitas partes do mundo não passam de tentativas e paliativos para lidar com os males da persistente crise econômica global. Temos visto líderes pressionar e estimular eleitores e legisladores a apoiar seus planos de resgate financeiro. Embora tais propostas, na maioria das vezes, careçam de um plano de ação claro e específico, eles continuam a advogá-los, insistindo e induzindo as pessoas a aceitarem seus projetos, e quanto mais rápido, melhor. A premissa aparenta ser, em essência: “Este é o único plano possível; se não o transformarmos em lei nesta semana, o céu vai desabar.” Infelizmente essa abordagem tão comum, concentra o foco sobre o medo e a ansiedade, tomando lugar de uma consideração lógica, sensata e cuidadosa. Em algum momento todos nós já passamos por isso de diferentes formas e fizemos um investimento precipitado, porque uma decisão rápida era exigida, decisão da qual nos arrependeríamos mais tarde. Talvez tenhamos feito isso ao comprar uma casa, um imóvel ou um carro, ao entrar em uma sociedade ou assumir outro tipo de compromisso significativo. Nessas ocasiões procuro me apegar à crença que tem provado sua exatidão repetidas vezes: "Ação precipitada é receita certa para o desastre." Uma boa regra prática é que, se você não tem tempo suficiente para pensar com cuidado a respeito de uma decisão importante, deve recusar a oportunidade. Descobri que é melhor errar por precaução, arriscando não ter um ganho substancial, do que agir sob compulsão e sofrer grande perda de que seria difícil se recuperar.
Na Bíblia, Provérbios 21.5 ensina: “Os planos bem elaborados levam à fartura, mas o apressado sempre acaba na miséria” . Muitas vezes as questões são complicadas e, ocasionalmente, corre-se riscos ao não agir prontamente. Mas creio que os riscos são ainda maiores se insistirmos em um plano que não foi cuidadosamente elaborado, em que não se deu ampla atenção aos aspectos positivos e negativos do problema. Se você tiver que tomar decisões importantes – e fazemos isso com mais frequência do que gostaríamos - não se renda às pressões nem aja impetuosamente, fazendo algo que provavelmente se arrependerá mais tarde. Antes, aborde o problema com cuidado e racionalmente, gastando o tempo que for preciso buscando conselhos sábios. A Bíblia também ensina: “Sem diretrizes a nação cai; o que a salva é ter muitos conselheiros” (Provérbios 11.14). Isto aponta para o perigo de tomarmos decisões importantes mais depressa do que deveríamos: sem tomar tempo para obter conselhos que podem ser úteis para determinar o que devemos fazer. Para cada indivíduo ou empresa que progrediu devido a uma decisão tomada às pressas, sem deliberação adequada, existem dúzias, se não centenas, que foram arruinados pela pressa e por decisões imprudentes. Se esforce para não se tornar um deles!

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

HUMOR!!!

Muito decepcionada com as atitudes do filho, Dona Antônia, uma mulher muito religiosa, foi pedir auxílio ao padre da paróquia que freqüentava. — Ai, padre! Eu não sei mais o que eu faço com o meu Joãozinho! Ele anda falando muitos nomes feios! — Hum... Acho que tenho uma solução, Dona Antônia! A senhora anota em um bloquinho todos os palavrões que ele disser e, no final do mês, faça ele doar para a igreja dez centavos por cada palavrão! Assim ele vai aprender a se controlar... — Ótima idéia, padre! — disse ela, animada — Vou começar hoje mesmo! E voltou para casa, confiante. Um mês depois o padre foi até a casa dela e perguntou: — Então, Dona Antônia? O garoto falou muitos nomes feios? — Bastante, padre... Eu até já fiz as contas e deu nove reais e noventa centavos. Então Joãozinho apareceu com cara de poucos amigos, tirou uma nota de dez reais da carteira e entregou ao padre, que disse: — Muito bem... Mas infelizmente eu não tenho 10 centavos pra te dar de troco agora, Joãozinho... — Ah, então o senhor vai tomar no c... e fica tudo certo!

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domingo, 8 de novembro de 2009


Paraíso,
Talvez!
Simbiose,
Quem sabe?
Natureza Mulher...
Mulher Natureza...
Uma: mãe dadivosa,
Exibe o que tem
Consciente do que faz.
Outra: filha, esposa, mãe...
Continua o papel,
Amando,
Procriando,
Cuidando.
Mulher Natureza...
Natureza Mulher...
Se confundem,
Se entrelaçam
Exalando sedução.
Beleza irresistível
Parte da criação.
Natureza Mulher...
Mulher Natureza...
Fortes,
Fracas,
Carentes.
Sementes do bem,
Milagres do AMOR.
Origem: Tânia Suzart

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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

HUMOR!!!


FEIA! FEIA... FEIIAAAAAA!!!
O camarada estava andando em um taxi quando o motorista disse:- Olha que mulher bonita!... Nossa, ela é um avião!E o passageiro respondeu, gritando:- Feia!O motorista:- Feia nada! Ela é gostosona prá caramba!E o passageiro, de novo: - Feia!!!!- Que feia o quê!!! Tá louco??? - retrucou o motorista.E o passageiro, aos berros:- Feia!... Feia!... Feia!!!O motorista, que não estava olhando para a frente, bateu em outro carro. Ficou louco da vida e exclamou: - Pô, cara! Você viu que eu ia bater!!! Por que não me avisou?E o passageiro, histérico:- Aralho!!! Eu ava alando há ua hora: feia, feia e ocê não feiô. É ... urdo, é.... seu ilho da uta!!!

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Em pedaços - Cláudia Magalhães


Em Pedaços
Cláudia Magalhães A noite corria doce. As águas do rio lembravam calda de açúcar e as nuvens do céu, tufos de algodão. Ele esperava por seu amor na ponte dos desejos, sentindo-se um novo homem. Cantarolava a sua música preferida, com a felicidade no peito alcançando as notas da loucura, que em seguida, perdiam-se no vento, num vôo belo e insano. Sentia-se livre de todos os erros. Paria a si mesmo e fazia-se anjo. Milagres do amor... Ela chegou na hora marcada. Era alta, branca, de cabelos pretos e olhos amarelos. Vestia um vestido de algodão com estampa de flores miúdas que lhe ia até os pés. Ele aproximou-se, segurou-lhe a cabeça com as duas mãos e beijou-lhe a testa, o que a fez levar a mão esquerda até os lábios, num gesto de timidez. Ele é tão gentil!, Pensou entregando-lhe a mão. Venha, vamos caminhar um pouco, ele pediu com doçura. Com trinta e poucos anos, sentiu-se uma adolescente. Nunca foi feliz no amor, embora tivesse tido vários relacionamentos. Todos terminaram de forma pacífica, sem grandes traumas, exceto o último, o grande amor da sua vida, mas que a abandonara com violência, deixando-a em pedaços que agiam como se fossem independentes, correndo, se humilhando por uma migalha daquele amor, destruindo a sua essência, reduzindo-a a carne e ossos. Agora, um ano depois, estava ali. Talvez, estivesse sendo muito ousada em se entregar a um estranho daquela forma, afinal, só trocaram algumas poucas palavras quando ele ligou para o seu número por engano. Que importa? Ainda estou doente e nenhuma dor pode ser maior que a minha, pensou tentando afastar a tristeza.Caminhavam conversando amenidades quando começou a chover fortemente. Ele segurou firme a mão dela, atravessaram o pátio de um parque abandonado e seguiram até uma pequena casinha. Venha, aqui estaremos protegidos da chuva, disse abrindo uma porta velha de madeira. A casinha resumia-se a uma salinha, com uma pequena mesa de madeira e um imenso espelho na parede de entrada, e a um pequeno banheiro.
- Não conhecia esse lugar... - cometou sentindo muito frio.- Faz, mais ou menos, um ano que esse parque está abandonado. – Falou tirando o enorme casaco e colocando-o sobre a mesa. Aproximou-se dela e olhou-a profundamente por alguns segundos.- Você quer fazer sexo comigo? – ela perguntou num impulso.- Eu quero te amar... - respondeu cheio de desejo.- Sexo sem amor... - baixou os olhos e sorriu com amargura.- Eu quero a mesma coisa que você. Pode ter certeza, o amor está incluído nisso...
Ele beijou-lhe os dois olhos e a boca. Ele é apenas um estranho, ela pensou tentando controlar o desejo que aumentava violentamente. Fechou os olhos, e através daqueles carinhos, tentou materializar a saudade do amor perdido. Sentiu a temperatura de seu sexo subir rapidamente, acumulando calor, tal qual uma panela de pressão prestes a explodir, a devorar-lhe as carnes com a sua água de fogo, e queimar-lhe os ossos até restar-lhe somente o pó. Ainda com os olhos fechados, ela tirou a roupa revelando as suas carnes brancas. Vem, amor! Nossos corpos foram feitos um para o outro. Vem, logo! Que esse amor está me matando!, Pensou deitando no chão frio, abrindo levemente as pernas. Era-lhe tão grande o desejo que sentiu uma enorme vontade de chorar. Como você é bela!, Ele disse, pensando na imensidão do amor escondido por trás daquela porta, daquela flor em carne. Sentiu o perfume doce do amor invadir a pequena sala. Caiu de joelhos e abocanhou-lhe o sexo. Precisava preparar-lhe o caminho, desenrolando o tapete liquido, sorvendo cada gota daquela água santa para dentro do seu corpo, benzendo-o. No início, com cuidado e carinho, enchendo o ambiente de gemidos baixos, doces, até tornar-se um ato desesperado, cheio de ansiedade. Pare, está doendo!, Ela gritou, causando, nele, grande alteração no espírito. Mordeu-lhe o sexo com força, Ele não poderia escapar, não daquela vez. Ela soltou um grito animal quebrando o silêncio da noite. Em desespero, estendeu o braço direito, pegou um dos seus sapatos e com o salto fino desferiu-lhe vários golpes na cabeça, até conseguir desvencilhar- se e correr para o lado oposto daquele pequeno inferno.
- Louco! Você é um louco!- Eu amo você! - Disse olhando-a intensamente.- Eu quero ir embora!- Não torne as coisas mais difíceis pra mim. Diga que me ama...- Eu não posso amar você, nos conhecemos há poucas horas.- Por favor, diga que me ama...- Eu não amo você! – gritou com desespero.
Nesse momento, ele teve a absoluta certeza. O que ele procurava não estava naquele coração. Tirou uma faca do casaco e enfiou no peito dela. Ela caiu trêmula no chão. Observou-a com cuidado. Ela já não estava mais ali. O esconderijo do amor estava, finalmente, arrebentado. Começou, então, a sua busca, partindo-o, deformando-o. Aonde você está? Na cabeça, nos fazendo perder o juízo, a razão? Na boca, que guarda o céu e cospe obscenidades? Nas mãos, atado em suas linhas tortas? No sexo, que chora no amor e na masturbação? Nos pés, que correm com sede de lama?, Procurou desesperadamente até a exaustão, até entender que ele se escondera num lugar que ele não teria acesso. Ele fugiu da vida. Com a dor, escorregadio e sem forma, entrou no sono dela, e se escondeu em seus sonhos..., pensou, com tristeza. O amor havia surgido em sua vida para, novamente, horas depois, deixar somente carne, sangue e vísceras. Observou, pela janela, a noite se recolhendo para dormir. Precisava agir antes que amanhecesse. Colocou toda aquela sujeira num saco. Olhou-se no espelho, estava com uma aparência horrível, sujo de sangue e suor. Tomou um banho demorado e vestiu a mesma roupa. Pegou o casaco que ficara sobre a mesa, tomando o cuidado de abotoá-lo por completo, dos joelhos até o pescoço, a fim de esconder as manchas de sangue. Com a mente em branco e com o seu amor em pedaços, retornou a ponte dos desejos e, guiado pelo instinto, jogou o saco no rio. Era a terceira vez, naquele ano, que saía com o Sol, cheio de desejos e sonhos e voltava na madrugada, oco, vazio. Não podia se queixar de solidão. Misturado aos seus inúmeros e bons amigos, logo, logo, estaria recuperado. Seja um bom menino!, Lembrou com carinho das últimas palavras da sua querida mãe antes de sair de casa. Precisava comprar pão fresquinho e preparar-lhe o café. Dormiria, pelo menos, uma hora, em seu colo, antes de ir para o trabalho. As águas do rio, agora, refletiam o céu em vermelho, destruindo a vaidade de Deus. Tentou cantar. Não conseguiu, a sua língua estava presa no céu , com gosto de sangue. Então, chorou. Os seus olhos deram a sua boca o gosto amargo da vida, o sal que mantém sobre a terra somente a carne e os ossos, mas que é inimigo do amor, que ele tanto amava, mais que qualquer outra pessoa. Agora, precisava dormir. Com a luz do Sol, talvez o encontrasse novamente, então cantaria a sua canção preferida, sonhando com um final feliz.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

As fotografias


As Fotografias

Cláudia Magalhães
O mal-estar que sinto antecipa o erro que estou prestes a cometer. Clarice, cega há um ano, devido ao acidente que sofreu com Paulo, seu atual marido, precisa do meu relato. Tenho medo, mas não vejo outra saída. Encontrei-a, alguns meses atrás, saindo de um restaurante japonês com a sua mãe, e tornei-me, novamente, sua grande amiga. Falou da sua eterna paixão pela cozinha italiana e japonesa. Para meu espanto, estava segura e feliz com seu novo amor. Ele se tornou mais carinhoso e mais apaixonado. O amor que recebo é tão grande e verdadeiro que, depois de cega, passei a enxergá-lo. Ele tem a forma mais-que-perfeita e a palavra esperada como guia. Diante da vida, ele é tudo. Quando calmo e sereno, me faz chorar de emoção, e quando chateado, faz uma cara tão feia que me dá vontade de rir. Todos os dias, sem susto, ele queima minhas inseguranças, me livra de futuras cicatrizes, me deixa leve a carne, em fogo, pronta para cheirar as cores, pra enxergar o que não pode ser visto, pronta para o amor, disse-me, certo dia, com lágrimas nos olhos.
Observo, agora, sua vulnerabilidade e uma espécie de coceira na alma, que não consigo descrever bem, me impulsiona a falar:- Eles chegaram. É uma bela mulher!- Como ela é? Não me poupe dos detalhes, por favor! – implora com docilidade.- Ela usa um vestido azul, justo, que revela um belo corpo e sandálias altas deixando-a na mesma altura que ele, que está de calça jeans e com uma camisa verde de mangas curtas...- Eu dei essa camisa de presente a ele quando completamos dois anos de casados. É a minha cor preferida... – parou com a voz embargada. Respirou fundo e pediu - Continue.
- Ele a abraça com ternura e ela retribui o carinho cobrindo-o de beijos no rosto, até alcançar-lhe a boca. Quanta paixão eles exalam. Ela, agora, cochicha algo em seu ouvido arrancando-lhe um enorme sorriso. Isso me faz lembrar Carlos, de quando estamos em nossa intimidade e sussurro palavras picantes ao seu ouvido, ele fica louco de desejo...
- Pare! Não quero ouvir mais nada.- Entendo.
Ela chora baixinho por alguns segundos. Abre a bolsa nervosamente, retira um elástico e prende os cabelos negros, que tanto realçam sua pele clara, num rabo de cavalo. Não resisto e começo a chorar, afinal, conheço bem essa dor. Quando ligo o carro para irmos, ela segura em meu ombro e implora:
- Vamos ficar mais um pouco. Continue, preciso recorrer às suas palavras, ao menos elas serão fiéis aos fatos e darão a medida exata da dor que devo sentir.
Continuo narrando sabendo que a natureza da minha ação não é bondosa. Desejo fugir, mas a minha vontade de ficar pesa e esmaga o meu medo. Uma vontade machucada, e por isso, inteligente, criativa. Agora, não é somente essa vontade que pesa, mas todo o meu corpo. Algumas pessoas dariam o nome de “maldade” a esse peso, mas na verdade é somente um meio de salvação. Olhando para o vazio, continuo inventando uma paixão rica em detalhes. Criando uma situação que não existe, me vingo, destruo o amor cego de Clarice.Uma hora depois, paro o carro em frente à sua casa. Por um instante, tenho a vontade de lhe contar uma história bonita, de voltar atrás.- Chegamos, amiga – digo com ternura.
- Não queria me separar de você. Não queria ficar só – fala com voz trêmula.
- Gostaria de ficar e te fazer companhia, mas infelizmente preciso ir. Carlos deve estar me esperando para o jantar. O que você pretende fazer?
- Ainda não sei. De qualquer forma, obrigada por tudo – fala entregando-se a um choro profundo.
- É para isso que servem as amigas, querida – Nos abraçamos por um bom tempo. Ela estava nitidamente abalada. Sabia que rumo sua mente tomaria de agora em diante. Se antes era capaz de acreditar no sofrimento das flores, agora pregaria a inexistência de Deus. Parti me sentindo suja, vil, pérfida. Mas a certeza que tenho, minutos depois, de que o amor é realmente cego, esmaga a minha violência, a minha injustiça.Chego em casa antes das seis da tarde. Carlos ainda não chegou do trabalho. Vou direto ao guarda-roupa e retiro, debaixo de uma pilha de casacos, duas fotografias. Na primeira, Clarice e Carlos sentados na areia de uma praia que costumamos freqüentar. Ele está lindo, com um sorrido doce, encantador. Na outra, uma foto nossa, também sentados na mesma praia, onde ele sorri com amargura. Amargura, talvez, imperceptível para alguns, mas não para mim. Através dessas duas fotografias descobri o seu segredo. O seu olhar, a sua postura, o seu sorriso na primeira, revelam o real motivo de continuarmos freqüentando, sempre, a mesma praia, da sua paixão por comida italiana e japonesa e da cor verde nas paredes do nosso quarto. Choro, agora, diante da nossa fotografia. Pintei meus cabelos de negro e há muito não tomo sol. Talvez eu fosse mais feliz se fosse sozinha, não precisaria dar beleza ao que deveria desprezar. Escuto o barulho da porta se abrindo. Segundos depois, Carlos entra no quarto, me beija apaixonadamente e diz que sou a mulher da sua vida. Fala tão docemente que chego a ter total certeza do seu amor. Lembro de Clarice, e nesse momento ela não é mais inatingível, não é maior ou melhor que eu. Eu a atingi no peito e fui embora, deixando-a em sua casa e no meu passado, até chegar o momento de, novamente, encarar as fotografias.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

MEU MÉDICO!!!



Achei o MEU MÉDICO!!! Dr. Paulo Ubiratan, de Porto Alegre, RS, em entrevista a uma TV local, foi questionado sobre vários conselhos que sempre nos são dados... Pergunta: Exercícios cardiovasculares prolongam a vida, é verdade?
Resposta: O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes e só ... não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo gasta-se eventualmente. Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais: isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa. Quer viver mais? Tire uma soneca !!! P: Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?
R: Você precisa entender a logística da eficiência... O que a vaca come? Feno e milho. O que é isso? Vegetal. Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos? Coma frango. P: Devo reduzir o consumo de álcool?
R: De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinho destilado, o que significa que eles tiram a água da fruta de modo que vc tire maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos. Pode entornar! P: Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?
R: Minha filosofia é: Se não tem dor ..tá bom! P: Frituras são prejudiciais?
R: VOCÊ NÃO ESTÁ ME ESCUTANDO!!! ... Hoje em dia a comida é frita em óleo vegetal. Na verdade ficam impregnadas de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para você?P: Flexões ajudam a reduzir a gordura?
R: Absolutamente não! Exercitar um músculo faz apenas com que ele aumente de tamanho. P: Chocolate faz mal?
R: Tá maluco? !!!! Cacau!!!! Outro vegetal!! É uma comida boa pra se ficar feliz !!!E lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado. Melhor enfiar o pé na jaca - Cerveja em uma mão - tira-gosto na outra - muito sexo e um corpo completamente gasto, totalmente usado, gritando: VALEU !!! QUE VIAGEM!!! P S.: SE CAMINHAR FOSSE SAUDÁVEL O CARTEIRO SERIA IMORTAL! BALEIA NADA O DIA INTEIRO, SÓ COME PEIXE, SÓ BEBE ÁGUA E É GORDA!LEMBRANDO: COELHO CORRE, PULA E SÓ VIVE 15 ANOS. TARTARUGA NÃO CORRE, NÃO FAZ NADA E VIVE 450 ANOS!

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O teu sorriso...




O teu sorriso devorava encantadoramente os meus pensamentos, contrastando e, por isso, enaltecendo, o som melancólico da música Send in the clowns, na voz inconfundível de Carmem MacRae, enquanto eu dirigia embevecida, em direção ao nosso apartamento. Será esse sorriso que ele me dará como grata recompensa quando eu lhe mostrar a grande surpresa da noite: As nossas passagens para a Terra dos Sonhos, Paris! A nossa primeira viagem depois de dois anos de casados. Lá, na terra mágica, ele me fará um filho, Vinícius, ou uma filha, Diadorim... Pensei, deixando-me embriagar, sem rédeas, pelo encanto da tua bela imagem que me guiava. Ah, o teu sorriso... A minha ligação com o divino. Nele, se acham contidas todas as leis do amor, todo o poder dos sentidos... Ele estava tão presente, tão luminoso em meus pensamentos, que não enxerguei o carro a minha frente... Escuro. Perdi os movimentos do corpo. Deitada numa cama, em tempo integral, passei a viver sob os cuidados de terceiros. Nos três primeiros meses, chorávamos juntos, todas as noites... Um dia, acordei com um suave beijo na testa. Abri os olhos devagar e vi o teu rosto. As mesmas feições, os mesmos gestos, o mesmo nome... Mas não era você! Procurei algo humano em teu olhar, piedade talvez, mas foi um grande vazio que encontrei. Depois de um longo e pesado silêncio, você chorou... E o teu choro confirmou o que eu já sabia... Você lançou um olhar vago pelos arredores do quarto, deu-me as costas e partiu. Tentei gritar, mas a voz me escapava. Incapaz de realizar o menor gesto de espanto e de dor, paralisada, enrijecida, recebi a tua ingratidão e o escárnio do destino. O vazio que você deixou encheu o quarto e tornou-se o meu universo.Um ano se passou. O meu coração transformou a saudade, o horror do nada, numa aliada esperança. Fazendo uso das sete cores, dá vida ao passado que chega até a mim em forma de sonhos... Sonhos de amor, sonhos de loucura... Entro neles através do teu sorriso. Ele vira o teto do mundo. Derrete a mobília, derruba as paredes do quarto e nos revela a terra dos sonhos... Estamos em Paris... Fazendo amor como quem faz poesia. Rompendo os limites da carne, confundindo as nossas almas, fazemos um filho... E o fim transcende o nada e torna-se começo. Sei da existência de amores nobres. Eles correm pela vida. Raramente coincidem. Vivem uma série de enganos e morrem com o seu próprio veneno! Estou morta. O meu coração, louco, rejeita a minha condição. Fiel ao seu sentimento, tentando tornar perfeito o imperfeito, alimenta-se de sonhos, das lembranças do gosto das maçãs e, com grande pressa, continua batendo...


Autora: Cláudia Magalhães

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Coração noturno


Coração Noturno
Raul Seixas
Composição: Raul Seixas , Kika Seixas e Raul Varella Seixas
Amanhece, amanhece, amanhece, amanhece, amanhece o dia Um leve toque de poesia Com a certeza que a luz que se derrama nos traga um pouco, um pouco, um pouco de alegria ! A frieza do relógio não compete com a quentura do meu coração Coração que bate 4 por 4 sem lógica, sem lógica e sem nenhuma razão Bom dia sol !!! Bom dia, dia! Olha a fonte, olha os montes Horizonte Olha a luz que enxovalha e guia A Lua se oferece ao dia E eu, E eu guardo cada pedacinho de mim prá mim mesmo Rindo louco, louco, mais louco de euforia Bom dia sol !!!Bom dia, dia! Eu e o coração Companheiros de absurdos no noturno no soturno No entanto, entretanto e portanto... Bom dia sol !!! Bom dia, sol !

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Atenção!!!


Amigo (a):
Além dos textos postados nesta página, gostaríamos de sua visita nos nossos “links”. Temos sites de utilidade pública, a exemplo do site da Previdência Social -INSS, Correios, Telefones Públicos, Site de Concurso etc. Os principais jornais, 97 textos em “link” de crônicas, contos, cartas do prof. Rilvan Batista de Santana, meu pai, e mais 08 livros: Atir; O DNA de Emanuel; O enviado; Retalhos da vida, Hanna; O juiz; O empresário e Maria Madalena – divulgue-os!...
No “link” Melodia da Palavra, você encontrará textos de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Vinícius de Moraes, Maria João, Fernando Pessoa etc.

Dê uma olhada!...

Anne Glace
Co-administradora

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Poema de finados


POEMA DE FINADOS
Amanhã que é dia dos mortos

Vai ao cemitério.

Vai

E procura entre as sepulturas

A sepultura de meu pai.
Leva três rosas bem bonitas.

Ajoelha e reza uma oração.

Não pelo pai, mas pelo filho: O filho tem mais precisão.
O que resta de mim na vida é a amargura do que sofri.

Pois nada quero, nada espero.

E em verdade estou morto ali.

Manoel Bandeira

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O velho sábio e o ladrão


O VELHO SÁBIO E O LADRÃO
A tarde estava suave e amena. Um velho sábio no moroso cavalo árabe, companheiro de muitos anos, saiu de sua casa e foi, a esmo, pela estrada deserta. De repente ouviu um gemido. Estacou, apeou pressuroso e foi descobrir o doente à beira do caminho. Este era, porém, um ladrão, que se levantou de um salto e, rapidamente, se apoderou do cavalo. O sábio, com dor funda no coração, segurou as rédeas e disse lentamente:- Sou um velho, nada posso fazer para tomar-te o cavalo. Pagaste o bem com o mal. Não importa. Dou-te o cavalo com uma condição: não digas a outrem o que fizeste, porque amanhã poderá alguém cair doente à beira da estrada e, com receio de um logro, ninguém descerá para prestar-lhe socorro. O ladrão envergonhou-se da ação má, que acabava de praticar, apeou do cavalo e restituiu-o ao sábio. Obs.: Apesar de ser uma história antiga, se encaixa muito bem nos dias atuais. Quantos de nós não vemos pequenos furtos ou mesmo pequenos abusos contra outras pessoas e ficamos estáticos, com medo de ajudar e acabar tornando-nos vítimas também. Pergunto em que mundo estamos vivendo? Como pode um semelhante sofrer algum tipo de revés sem que possamos fazer nada?
Fica aqui o questionamento para nossa reflexão.

Recebi sem informação quanto à AUTORIA

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O Grilo



O Grilo: Gióia Jr. Numa noite clara, de Lua redonda como um queijo branco no prato do céu,do meio do mato uma voz ouvi, que falava sempre: CRI... CRI... CRI...Vestido de noite, perdido no escuro, parado num canto que não descobri, seu corpo comprido, de inseto elegante, confesso não vi... Só ouvi seu canto na perdida sombra: CRI... CRI... CRI... Estava sozinho, sem algum amigo com quem conversasse; então decidi: Com o grilo alegre vou travar conversa.- Ei, grilo, não temas, que eu não sou de briga! Creste no que eu disse? ...e o grilo, do escuro, respondeu na hora, como se endendesse: CRI... CRI... CRI... Fiquei muito alegre, ele me entendia e me respondia com satisfação... Pus-me a contar fatos que o deixaram quieto, prestando atenção: "Uma vez, amigo, veio ao mundo um homem muito meigo e puro perdoando a todos, libertando escravos, saciando pobres e curando enfermos; homem tão bondoso como igual não vi..."- Creste no que eu disse? ...Respondeu-me o grilo, como se entendesse:CRI... CRI... CRI..."... Pois o tal profeta (Ele era profeta), como fosse humano, dedicado e amigo, recebeu dos homens o pior castigo que já conheci: numa cruz pesada foi crucificado, suas mãos sangraram, rasgadas, feridas, sua fronte clara foi lavada em sangue, padeceu torturas como nunca vi..."- Creste no que eu disse?..Respondeu- me o grilo, como se entendesse: "...Mas, um dia, um belo dia de domingo, Esse homem puro, que nenhum pecado no mundo provou, rompeu as cadeias da morte gelada, e ressuscitou. .. Seu corpo, na pedra do escuro sepulcro, ninguém mais achou...o nome bendito do Ser soberano da glória e da luz soa como um hino, às vezes humano, às vezes divino, o nome é ... JESUS... Esse doce amigo que sofreu assim padeceu castigo e morte por mim. Para ser sincero, devo confessar: Ele foi ferido para me salvar..."- Bem, já se faz tarde,vou dormir, amigo, boa-noite, Grilo... Mas, ó companheiro, tu creste de fato no que eu disse aqui?.. Respondeu-me o grilo, como se entendesse: CRI, CRI, CRI, CRI, CRI!!!

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Tomando seu lugar


Tomando Seu Lugar Depois de uma grande batalha, e com a possibilidade de outra no dia seguinte, o exército francês descansava no acampamento. Mas Napoleão, sabendo que o inimigo estava próximo não conseguia dormir. Ele se levantou e com um oficial fez uma visita de inspeção no acampamento, onde sentinelas armadas vigiavam junto às suas fogueiras no acampamento, prontas para dar o alarme. Quando o imperador vistoriava a tropa, ele encontrou um sentinela que estava profundamente adormecido. Isto era um crime para o qual a sentença era a morte. Mas o Imperador reconheceu que o homem tinha estado privado de seu descanso, e seu coração se moveu em misericórdia para com ele. Então erguendo sua arma caída, ele permaneceu no lugar do sentinela adormecido até o dia amanhecer. Quando o soldado despertou, e viu o Imperador ao seu lado, ele tremeu, mas não havia necessidade, pois, seu lugar tinha sido preenchido, e seu trabalho feito por outro. Então a lei foi cumprida, e ele estava livre. "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-semaldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro" (Gálatas 3:13) Abraços, Paulo Barbosa

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domingo, 1 de novembro de 2009

Compatibilidade de Gênios!!!



A mulher resolveu se separar do marido.O juiz perguntou a ela qual seria a principal razão para essa separação do marido Edu.- Compatibilidade de gênios. O juiz estranhou: - A senhora deve estar querendo dizer "incompatibilidade de gênios..." - Não, não. É compatibilidade mesmo!- Eu gosto de passear, Edu também gosta.- Eu gosto de ir ao cinema, ele também gosta. - Eu gosto de pizza aos sábados, ele também gosta.- EU GOSTO DO ATLÉTICO, ELE TAMBÉM GOSTA.- Eu gosto de homem, ele também gosta, aliás, ADORA !!!
Origem: Postado por IPIÁU NOTICIAS

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Divulgando Trabalhos Literários (Livros,Contos, Crônicas)

"Divulgando Trabalhos Literários (Livros,Contos, Crônicas e Poesias)"

Contos, Crônicas e Romances Postados

Reportagem

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