AQUARELA DAS IDADES
Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.

A idade madura é aquela na qual ainda se é jovem,
porém com muito mais esforço.

O que mais me atormenta em relação às tolices de minha juventude, não é havê-las cometido...

É sim não poder voltar a cometê-las.

Envelhecer é passar da paixão para a compaixão.

Muitas pessoas não chegam aos oitenta porque perdem muito tempo tentando ficar nos quarenta.

Aos vinte anos reina o desejo, aos trinta reina a razão,
aos quarenta o juízo.

O que não é belo aos vinte, forte aos trinta, rico aos quarenta,
nem sábio aos cinquenta, nunca será nem belo,
nem forte, nem rico, nem sábio...

Quando se passa dos sessenta são poucas as coisas
que nos parecem absurdas.

Os jovens pensam que os velhos são bobos;
os velhos sabem que os jovens o são.

A maturidade do homem é voltar a encontrar a serenidade como aquela que se usufruía quando se era menino.

Nada passa mais depressa que os anos.

Quando era jovem dizia:
“verás quando tiver cinquenta anos”.

Tenho cinquenta anos e não estou vendo nada.

Nos olhos dos jovens arde a chama, nos olhos dos velhos brilha a luz.

A iniciativa da juventude vale tanto quanto a experiência dos velhos.

Sempre há um menino em todos os homens.

A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.
Os jovens andam em grupo, os adultos em pares
e os velhos andam sós.

Feliz é quem foi jovem em sua juventude
e feliz é quem foi sábio em sua velhice.

Todos desejamos chegar à velhice
e todos negamos que tenhamos chegado.

NÃO ENTENDO ISSO DOS ANOS:

QUE, TODAVIA, É BOM VIVÊ-LOS, NÃO TÊ-LOS.

de
Albert Camus

Tributo ao Rio de Janeiro - Aurea Domenech

Rio de Janeiro, a alma que se espraia
E estira-se na areia como espuma,
Também se ergue e arde sob o sol do estio.
Se é bom cantá-la, tanto mais é vê-la.

Assim, Cidade, da tua enorme claridade,
Eu quero, eu busco, eu acharei a tua estrela.
E então, eu cantarei a tua frágil qualidade,
Que é toda poesia e alegria e surpresa e beleza.

Forte como os temporais das tardes fumarentas -
As ferventes tempestades a tremular as linhas retas -
Ou fina, como as notas escritas nas areias por gaivotas,
Exilada de ti, cidade fluorescente, jamais serei poeta.

E eu te quero Rio, rindo mesmo sob nuvens.
Nas tuas mães, nas babás de branco, nas crianças.
Nos atletas coloridos das calçadas, nos jovens e nos anciãos;
Na felicidade orgulhosa de teus cidadãos, amável cidade.

Quero-te no sorriso de teu povo mais humilde.
Só te acredito rindo, Rio. Essa é a tua qualidade.
Passara, passara ali pelo desenho lusitano das calçadas.
Correndo a bailarina do verão a desfilar.

E, como o olor de pão francês das padarias inundasse o ar,
Chegou, em seu périplo dourado, janeiro inolvidável.
E coloriu e perfumou e fez mais jovem e bela
A alma sazonal do Rio que o revela antigo e incomparável



Aurea Domenech nasceu no Rio de Janeiro em 1956. Além de poeta, é artista plástica, tradutora e advogada. Participou de algumas exposições pelo mundo, tais como na P.T.A Art Galery em Winnetka. Em 1989, publicou o elogiado O Pescador de Sombras e prepara mais um livro para este ano

A História que ninguém conta....


Esta rara e pouco conhecida aquarela foi feita pelo artista francês Jean Baptiste Debret entre 1817/29 e consta do belo livro de Pedro Correia do Lago "Debret e o Brasil", lançado recentemente pela Editora Capivara, onde são reproduzidas mais de 1.300 obras de Debret, muitas delas inéditas.

 É este o primeiro registro iconográfico de um mau hábito carioca, o de urinar na rua, onde bem lhe aprouver. A aquarela pertence a Jean Boguici. Nenhum artista tratou desse tema, infelizmente tão atual.Anexo um texto sobre nossos porcos e velhos hábitos.

 COPROLOGIA HISTÓRICA

Recentemente, a subprefeitura do Centro lançou uma campanha de mudança dos costumes muito boa.

A municipalidade gasta verdadeiras fortunas com a limpeza e remoção de excrementos e urina dos logradouros do Rio.

A falta de educação de alguns, aliada também à falta de bons banheiros públicos, generalizou o costume incivilizado de parte da população carioca se desobrigar atrás de todas as árvores, postes, esquinas e monumentos públicos da cidade. A campanha contará com cartazes moralistas relatando que “...esta não era a educação que seus pais lhe deram”.

Apesar de a medida ser altamente meritória e necessária, os dizerem não encontram respaldo na história.

Com efeito, não são poucos os viajantes que se referem à sujeira das ruas do Centro do Rio no início do século XIX.

 As casas não tinham banheiros. No máximo, uma “casinha” no quintal, cuja fossa era limpa à noite por um escravo, o qual recolhia o conteúdo em tonéis de barro e depois conduzia esse “cabungo” na cabeça até a praia ou terreno baldio mais próximo, onde era feito o despejo.

Como, freqüentemente, esse tonel vazava e tingia o infeliz de malcheirosas manchas, o povo apelidava esses pobres escravos de “tigres”.

A urina, por sua vez, era despejada das janelas das casas em urinóis, em plena rua. Uma lei de 1776 obrigava apenas ao arremessante a bradar antes a advertência: “água vai!”.

 Quanto ao povo, este se desobrigava em qualquer lugar.  Não existiam pudores ou restrições. Afinal de contas, eram poucas as mulheres que saíam às ruas e, quando saíam, era aos domingos, e sempre acompanhadas de seus maridos ou pais.

 Nas ruas do Rio, no dia-a-dia de 1800, somente homens e escravos perambulavam. Para piorar a situação, o mau exemplo vinha de cima. Vinha do próprio Rei!

D. João VI comia muito, muito e mal. Diabético e doente, nem por isso se continha à mesa, devorando, por vezes, de quatro a seis frangos por refeição. Quando o Rei partia do Palácio de São Cristóvão em direção ao Centro, em sua carruagem não poderiam faltar um urinol, penico e os respectivos criados responsáveis pela sua higiene. No trajeto, a carruagem parava ao menos duas vezes.

 Quando era a vez do Rei “obrar”, a carruagem estancava, um criado montava o “trono” portátil e a guarda cercava Sua Majestade, impedindo os curiosos de ali passar. D. João sofria de flatulência, soltando gazes em todas as ocasiões, solenes ou não. Coitado do criado que esboçasse um riso ou gracejo. Seria cortado do serviço no Paço!

Vieira Fazenda, historiador carioca, relata o caso duma procissão de Corpus Christi em que o Rei arriscou um flato e este veio “acompanhado”; o que obrigou D. João a correr para uma casa na Rua Direita (atual Primeiro de Março), atrás de um “trono”.  D. Pedro I herdou esse problema.  A diarréia histórica mais famosa que conhecemos é a que acometeu o Príncipe, às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo , a 7 de setembro de 1822.

 Os historiadores citam que a viagem se retardara muito porque D. Pedro tinha de “...se apear do cavalo de meia em meia hora para obrar”. Estava nessa situação quando o correio Paulo Bregaro lhe entregou as cartas do Conselho de Estado, que pediam nossa Independência.

D. Pedro se conteve como pôde, reuniu a guarda, informou-os da situação e deu o famoso brado que nos libertou de Portugal.

 Em 1824, D. Pedro I assistia a uma parada dos soldados mercenários alemães na Fortaleza da Praia Vermelha, quando pediu desculpa aos oficiais, se agachou perto dum muro e “obrou” na frente dos embasbacados militares.

 Um desses militares alemães escreveu um diário onde relata que, quando ainda jovem, o Príncipe D. Pedro costumava urinar do alto da varanda do Palácio de São Cristóvão nos soldados que passavam embaixo.

 Nas cartas que enviou à sua amante, Marquesa de Santos, D. Pedro cita por várias vezes seus problemas gástricos.

 Numa missiva do Imperador datada de 13 de dezembro de 1827, existente no acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, ele conta que “...Cheguei à casa, tomei a tisana (remédio) e obrei até agora cinco vezes e muito.” Noutra carta, esta sem data, mas igualmente da coleção do IHGB, ele conta que “...Eu não passei muito bem... ...depois obrei e agora estou perfeitamente bom...” Nem todas as cartas de D. Pedro eram assim. Numa delas, datável de julho de 1826, ele até escreveu no envelope um poema à sua amada:

 “Este lindo passarinho canta,”  “brinca, pica e fura,” “mas quando torna a repicar,”  “é mais doce a pica dura.”  A Marquesa era até informada dos problemas coprológicos das filhas do Imperador. Na carta datada de 23 de setembro de 1827, da coleção Caio de Mello Franco, D. Pedro relatava que a filha de ambos, Duquesa de Goiás, “...tomou um purgante de óleo de mamona, com que obrou três vezes e deitou uma lombriga.”

Afinal, no meio dessa literatura “tão romântica”, D. Pedro pediu perdão à sua Marquesa pelos assuntos tão particulares assim relatados, justificando-se, na carta de 13 de dezembro de 1827, de que nele “A fruta é fina, posto que a casca seja grossa”. Portanto, se a subprefeitura for contar com a educação de nossos antepassados, - estamos roubados!

 Autor: Milton de Mendonça Teixeira. (HISTORIADOR)

CERES - Entrevista ao CLUBE UNIVERSAL DE POETAS E ESCRITORES - CUPE e ao GRUPO DE POETAS DO AMOR E DA AMIZADE 3
Quem é ?(ceres + sobrenome) fazer um pequeno resumo de sua pessoa
R: Sou Ceres Marylise Rebouças de Souza, nasci no sul da Bahia em 07/09/1946.
 "... O tempo nunca é generoso, sempre marca na pele e nas entranhas,  guardando o eco dos prantos   

e dos risos transbordados, os quais já não têm para mim, sabor de derrota ou de vitória.
Minhas histórias, estas nunca se apagarão, porque estão gravadas  no coração e suas cores  nunca poderão ser mudadas.
 Ando entre o mergulho e o voo, entre a incerteza e o medo da certeza. A essa altura da vida
 desejo muito pouco: amar a todos com franqueza e lealdade; poder abraçá-los em todas
as geografias, raças e idiomas.
Gosto do mundo onde me evoluí e fascina-me o poder de comunicação pela aprendizagem que

encerra, sobretudo, pela possibilidade de compartilhar..."
 (Fragmentos de CHEGO AOS SESESSENTA ANOS - Ceres Marylise)
Em suas veias corre sangue poético hereditário?
 R: Não tenho conhecimento
Como e quando você chegou até a poesia?
R:Desde criança gostava de ler e declamar poesias em ocasiões comemorativas.
 Como surgiu sua primeira poesia? Foi escrita em momento de emoção?
 R: Em 2004, quando perdi um dos meus filhos e incentivada por Elisa Santos, uma das diretoras do BACEN (Banco Central) naquela época,  webdesigner e também poetisa.
 Qual o seu tema preferido?
R: Existencialismo, mistérios do universo.
É romântica ? Chora ao escrever?
R: Sou muito emotiva, choro por qualquer coisa que mexa com meus sentimentos mas geralmente não choro quando escrevo, e sim, ao reler o texto algum tempo depois, a depender do tema que o inspirou.
Qual sua religião?
R: Sou de família tradicionalmente Católica Apostólica Romana.
Hoje, por ser estudiosa de muitas religiões e sabedora das atrocidades fanáticas e lucrativas usadas em nome de Deus, creio NELE; não, em igrejas.
 Um Ídolo?
R: Deus
Você lê muito? Qual seu autor preferido?
R: Leio bastante, sou muito eclética em relação a autores. Só não me são convidativos à leitura, textos que se resumem a um amontoado de palavras usadas sem logicidade e coerência.
Quais seus sonhos como poetisa?
R: Não tenho muitas pretensões, senão compartilhar meus versos, mas gostaria de ter meus próprios livros editados e publicados. Além das poesias que compartilho nos grupos de poetas e entre os membros das academias a que pertenço, possuo dezenas delas, inéditas, talvez, as mais bem elaboradas. Ultimamente, quase nada tenho escrito.
Como e onde surgem suas inspirações?
R: Geralmente do cotidiano, mas as dores humanas me inspiram mais.
Você já escreveu algo que depois de divulgado tenha se arrependido?
R: Sim, algumas poesias sensuais que escrevi atendendo pedidos, contudo, não é minha área.
Qual o filme que marcou você?
R: São muitos, impossível nomeá-los agora.
Como é o amor para você?
R: Sentimento indispensável

M A R É

 Ali

 a uns metros da praia

 vejo-te todos os dias

 a bem dizer amo-te ao por-do-sol

 quando as areias parecem ser puxadas

 e invadidas

 por fragmentos de ondas

 que se achegam gra cio sa mente

 na verdade

 ali sempre estarei

 quem sabe desenrola-te de uma dessas ondas

 [ao acaso

 e terminas por deitar-se

 em colo meu?

 Eliana Mora, 02/11/2009

 [Baú]

QUE EU NÃO PERCA ...
 Que Deus não permita que eu perca o ROMANTISMO,
 mesmo eu sabendo que as rosas não falam.
 Que eu não perca o OTIMISMO ,
 mesmo sabendo que o futuro que nos espera não é assim tão alegre.
 Que eu não perca a VONTADE DE VIVER,
 mesmo sabendo que a vida é, em muitos momentos, dolorosa...
 Que eu não perca a vontade de TER GRANDES AMIGOS,
 mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas...
Que eu não perca a vontade de AJUDAR AS PESSOAS,
 mesmo sabendo que muitas delas são incapazes de ver, reconhecer e retribuir esta ajuda.
 Que eu não perca o EQUILÍBRIO,
 mesmo sabendo que inúmeras forças querem que eu caia.
 Que eu não perca a VONTADE DE AMAR,
 mesmo sabendo que a pessoa que eu mais amo, pode não sentir o mesmo sentimento por mim...
 Que eu não perca a LUZ e o BRILHO NO OLHAR,
 mesmo sabendo que muitas coisas que verei no mundo,
 escurecerão meus olhos...
 Que eu não perca a GARRA,
 mesmo sabendo que a derrota e a perda são dois adversários extremamente perigosos...
 Que eu não perca a RAZÃO,
 mesmo sabendo que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas.
 Que eu não perca o SENTIMENTO DE JUSTIÇA,
 mesmo sabendo que o prejudicado possa ser eu...
 Que eu não perca o meu FORTE ABRAÇO,
 mesmo sabendo que um dia meus braços estarão fracos...
 Que eu não perca a BELEZA E A ALEGRIA DE VER,
 mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos
 e escorrerão por minha alma...
 Que eu não perca o AMOR POR MINHA FAMÍLIA,
 mesmo sabendo que ela muitas vezes me exigiria esforços incríveis para manter a sua harmonia.
 Que eu não perca a vontade de DOAR ESTE ENORME AMOR que existe em meu coração, mesmo

sabendo que muitas vezes ele será submetido e até rejeitado.
 Que eu não perca a vontade de SER GRANDE,
 mesmo sabendo que o mundo é pequeno...
 E acima de tudo...
 Que eu jamais me esqueça que Deus me ama infinitamente,
 que um pequeno grão de alegria e esperança dentro de cada um
 é capaz de mudar e transformar qualquer coisa, pois....
 A VIDA É CONSTRUÍDA NOS SONHOS
 E CONCRETIZADA NO AMOR

Pacto com passarinho - Aurea Domenech

Tenho pacto com os passarinhos:
Arlequins, palhaços, querubins.
Sobressaltada, eu mostro minhas armas.
Ninguém me assalta, pois eu sou assim:

Não temo nada e esse fuzilamento
A que me entrego nesta vida minha
É um bom indício que no meu caminho
Jamais serei uma mulher sozinha.

Eu tenho pacto com um passarinho
E quero dele imitar o canto
Na vida plena que a paz lhe dá.

Estou bem perto desse bem supremo
De ver que o Bem é bem mais poderoso,
E o amor é mais que o sol e o mar.



Aurea Domenech nasceu no Rio de Janeiro em 1956. Além de poeta, é artista plástica, tradutora e advogada. Participou de algumas exposições pelo mundo, tais como na P.T.A Art Galery em Winnetka. Em 1989, publicou o elogiado O Pescador de Sombras e prepara mais um livro para este ano.

O olhar de Verissimo sobre o BBB



Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB  é a pura e suprema banalização do sexo.

Luis Fernando Veríssimo
É cronista e escritor brasileiro
 Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB  é a realidade em busca do IBOPE. 
 Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
 Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
 Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.
 Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
 Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
 O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
 Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
 Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.
 Esta crônica está sendo divulgada pela internet a milhões de e-mails.











A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO

 O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.
Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:
- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito aquilo comigo.
Desejo tudo de ruim para ele!
Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:
- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito! Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola!
O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado. Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo q ue ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:
- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço.
Depois eu volto para ver como ficou.
O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra.
O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo.
Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai que espiava tudo de longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:
- Filho, como está se sentindo agora?
- Estou cansado mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.
O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe fala:
- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.
O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Zeca só conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos. O pai, então, lhe diz ternamente:
- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você.
O mau que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

Enviado por e-mail por Eugênio José de Santana - Salvador - BA


TODAS AS GUERRAS SÃO IGUAIS
Ceres Marylise
Sou tragédia secular
Que assombra a humanidade.
Língua áspera de areia
Que lambe o rosto da paz
E a primeira a cuspir
Minha flecha de amazona.
A que disfarça ambições
Dos senhores insensatos
E ecoa entre as masmorras,
Cativa da ignorância.

O mundo inteiro ouviu
O soar dos meus tambores,
E o céu, muitos gemidos,
Sufocados nas trincheiras.
Finquei em cada nação,
A cor da minha bandeira
Deixando em cada lugar
Só espanto e cicatrizes
Que conheceram de perto
Minhas noites sem fronteiras.

Lutei contra todo acordo,
Disseminei muitas dores.
Parindo todos os filhos,
Reguei meu sangue na Terra,
E assim eu sigo amando,
Feliz a cada conflito
Que acontece nos campos,
Nas nações e nas famílias:
Sou todo tipo de guerra
E cresço sem me dar trégua.
***
RECANTO DAS LETRAS

Cerejeiras de Washington - Aurea Domenech

Vieram por mar, invasores,
Os tiranos do poder,
Travestidos de soldados
Que não querem mais viver.
Avançam sobre a cidade
Que arde em cores metálicas;
Avançam na noite de estrelas
E, deixando-as sem ponteiras,
Acham que é “um bom trabalho”.
E sob um céu já queimado,
Armam suas vis trincheiras.
Vêm com bandeiras e cruzes
E, assim, pensam incoerentes,
Legitimar o ataque
Sobre a cidade que dorme,
Sobre as crianças do Iraque.
E, assim, no sangue se banham
Sabendo que é sangue inocente,
Mas obedecem à loucura
Do imperador tresloucado,
Que tem orgulho do feito
E que reina, vampiresco,
Em total ilegitimidade...
Vêm com fogo, vêm com mísseis,
Com suas tochas de aço
E inauguram o terror
No Dezenove de Março.
Enquanto isso em Washington
A primavera retorna
Da mesma forma de sempre:
- Fazendo florir cerejeiras
Que bebem das águas serenas
Do Potomac tranquilo.
Retorna o rosa das flores,
Retornam os cervos, esquilos,
Que nada entendem de guerra,
Que ignoram o déspota louco
Que não é seu Presidente.
Enquanto isso em Washington
A maldade é covarde e altiva,
Veste-se de artilharias,
Promete raros ataques
De proporções jamais vistas.
São os homens que são nada
E não entendem a coragem
Do repúdio pacifista.
Pedem ao mundo apoio
E que fechem embaixadas.
Repetem anteriores desastres,
Invadem a terra dos outros
Como fizeram em Granada.
E a isso chamam República,
A vera democracia;
Assim legitimam essa fraude
Tão desigual e oposta
Ao vorticismo de Pound.
Já não bastam os escândalos
E os tantos Suplícios de Tântalo,
A esse homem mordaz,
Que envenenou as papoulas
Do pobre Afeganistão.
Arma incríveis ciladas,
Ameaça com mil tanques
Os desarmados que a ONU
Deixou sem a menor proteção.
E ao mundo inteiro inclina
A ameaça da guerra,
(aos ânimos já alquebrados
(Pela fome e por miséria).
Que será das verdes palmeiras
Tão belas, tão altaneiras;
Que será das companheiras
Das cerejeiras de Washington,
Que mesmo distantes são próximas
No resistir, na beleza?
Que será da Botânica inteira
Que geme aos olhos de Alá?
Que será das moças, crianças,
Dos homens bons, solidários,
Dos Pounds, dos tantos poetas,
Dos sonhos de Bagdá?



Aurea Domenech


Quem é Hilda Persiani de Oliveira)

R:Nasci  em Ribeirão Claro,  Norte pioneiro do Paraná,  em 20 de janeiro de 1929 .Filha de Afonso Persiani e Esther Marques Persiani. Sou professora e Assistente Social, profissão que exerci por 32 anos.
Tenho uma filha, Hilda Maria, advogada, casada, residente na Itália.
Sou viúva de Clênio Cesar de Oliveira, desde 2007.
Em suas veias tem sangue poético hereditário ?
R:Não me lembro

Como e quando você chegou até a poesia?
R:A convite da saudosa OLGA KAPATTI

Como surgiu sua primeira poesia e se ela foi feita em momento de emoção?
R: Pelo pedido da AVPB- Tema: IMPOSSÍVEL

Qual o seu tema preferido ?
R:Coisas simples, do cotidiano.

É romântica ? Chora ao escrever?
R:Êra romântica ( agora já nem sei mais o que eu sou...), Não choro ao escrever.

Qual sua religião?
R:Sou católica, acredito no espiritismo e respeito todas as religiões que levem á Deus
.
Um Ídolo?
R:Meu pai.

Você lê muito? Qual seu autor preferido?
R: Na minha infância meu pai lia para nós ( minha mãe e meus irmãos), o livro do
      italiano Edmundo de Amicis " CORAÇÃO", eu o tenho guardado até hoje; 
      naquele tempo não havia Televisão, o Rádio tinha muita descarga, ouvia-se muito
      mal, então a leitura e o cinema eram os preferidos para as horas de lazer.
      Na adolescência lia José de Alencar, Machado de Assis. Nos anos de 1945 , lia os livros de Maria
     José Fleury Monteiro Dupré ( Mme. Dupré):- Éramos Seis, Luz e Sombra, etc...
    Emi Bulhões Carvalho da Fonseca:- Bodas de Solidão( 1956)
     Raquel de Queiroz, Lígia Fagundes Telles etc.
     Li poesias de todos os autores consagrados.
   Quais seus sonhos como poetisa?
   R:Não creio que eu seja poetisa e na minha idade já não se sonha mais...
   Como e onde surgem suas inspirações?
   R:De repente sinto uma vontade imperiosa de escrever e eu vou passando da cabeça para o papel.
  Você já escreveu algo que depois de divulgado tenha se arrependido?
  R: Não me lembro.
  Qual o filme que marcou você?
  R:" E o Vento Levou..."( Assisti 10 vêzes...)
  Como é o amor para você?
  R:-- Alguém já o definiu?!!!

Colar de perolas
 Lágrimas
 Eu e você
 Receita




OS MÉDICOS E AS PUTAS...
Você trabalha em horários estranhos.
Que nem as putas!

Pagam pra você fazer o cliente feliz.
Que nem as putas!

Seu trabalho sempre vai além do expediente.
Que nem as putas!

Seus amigos se distanciam de você, e você só anda com outros iguais a você.
Que nem as putas!

Quando vai ao encontro do cliente, você tem de estar sempre apresentável.
Que nem as putas!

Mas quando você volta, parece saído do inferno.
Que nem as putas!

O cliente quer sempre pagar menos e que você faça maravilhas.
Que nem as putas!

Todo dia, ao acordar, você diz: “Não vou passar o resto da vida fazendo isso!”
Que nem as putas!

Se as coisas dão errado, é sempre culpa sua.
Que nem as putas!

Você sempre acaba fazendo serviços de graça para o chefe, os amigos etc.
Que nem as putas!

Apesar de tudo isso, você trabalha com prazer.
Que nem as putas!

Porém, na verdade:

– O médico tem uma vida pior do que puta!
– Puta não atende convênio.
– Puta recebe na hora.
– Puta não dá recibo nem nota fiscal.
– Puta não declara seus clientes para o Imposto de Renda.
– Puta não preenche guias e papeladas.
– Puta não precisa ter contador.
– Puta não paga sindicato, associações nem Conselho Regional.
– Puta não segue código de ética.
– Puta não precisa ir a congressos e cursos.
– Puta não precisa revalidar título de especialista.
– E tem muita puta por aí ganhando mais do que médico!
PQP!

Recebi sem identificação da AUTORIA.

As palavras - Aurea Domenech

Todas as palavras precisam ser escritas.
Não creio que mesmo os palavrões
Devam ser extintos.
Por que tudo, criação cultural humana,
Necessita de registro.
Ocorre que, o meu arquivo,
Escrínio sensível da beleza,
Recusa-se a fazê-lo.
Que repousem nos dicionários...
Eu prefiro as doces, elegantes e deliciosas
Palavras leves, palavras breves, palavras belas.
Eu prefiro a poesia verdadeira.





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Aurea Domenech nasceu no Rio de Janeiro em 1956. Além de poeta, é artista plástica, tradutora e advogada. Participou de algumas exposições pelo mundo, tais como na P.T.A Art Galery em Winnetka. Em 1989, publicou o elogiado O Pescador de Sombras e prepara mais um livro para este ano

DESABAFO

Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.
Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em "meio ambiente", mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

Ricardo Kohn
Consultor em Gestão da Sustentabilidade

Enviado por e-mail por Eugênio José de Santana - Salvador-BA


25 de Janeiro - Aniversário da cidade de São Paulo para onde migram milhares de baianos e outros nordestinos, anualmente

Situada a uma altitude de 860 metros, no planalto de Piratininga, sudeste do Brasil, a cidade de São Paulo é a capital do estado do mesmo nome, o mais populoso do país. A cidade ocupa hoje uma área de 1.525 km2. Ela surgiu de um núcleo que se formou em torno da inauguração do Colégio da Companhia de Jesus, por um grupo de jesuítas, no ano de 1554.

Num dia 25 de janeiro, os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta rezaram a primeira missa daquele assentamento então existente. É a data em que hoje se comemora a fundação da cidade.

Por que a Companhia de Jesus?

Fundada em Roma, em 1539, pelo espanhol Inácio de Loyola, a Companhia de Jesus tinha o principal objetivo de combater a reforma protestante e foi uma instituição muito atuante na colonização do Brasil. Os primeiros jesuítas vieram para o Brasil em 1549, quando desembarcaram na Bahia junto com o governador geral Tomé de Souza.

Segundo os historiadores, os jesuítas fizeram um trabalho relevante com os indígenas, em geral, mas em relação à escravidão, não se envolveram tanto assim.

Costumavam agrupar os índios em aldeias que eram classificadas como Missões. Nessas missões, os índios eram catequizados e trabalhavam no cultivo da terra. Os jesuítas administravam vastas extensões de terra. O excedente do que era produzido negociavam com os colonos.

Anchieta e Nóbrega, os dois jesuítas presentes à fundação de São Paulo, trabalharam com os índios no Brasil de forma diferente. José de Anchieta dominava várias línguas e foi responsável pela elaboração de uma gramática de língua nativa (chamada de língua brasílica). Manoel da Nóbrega participava menos nas letras e mais como líder, segundo consta, por seu temperamento enérgico e diplomático.

Ares frios e temperados como os da Espanha

Foi o que acharam do planalto de Piratininga quando o alcançaram ao escalarem a serra do Mar, os padres Nóbrega e Anchieta. Consideraram a localização boa quanto ao aspecto de segurança, uma colina alta e plana cercada por dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú. Ao redor do colégio que ali fundaram surgiu o núcleo inicial da cidade, as primeiras casas de taipa que deram origem ao povoado de São Paulo de Piratininga.

Dali partiam as bandeiras

No século XVII, as bandeiras, expedições organizadas para aprisionar índios e procurar minerais preciosos no interior do Brasil, foram responsáveis pela ampliação do território brasileiro, mas não pelo crescimento econômico daquela área. Saíam de São Paulo, explorando sul e centro-oeste, além do estado de Minas Gerais. Importantes rodovias que hoje partem de São Paulo foram inicialmente trilhas abertas pelos bandeirantes: rodovia Anchieta, rodovia dos Imigrantes, via Dutra, rodovia Fernão Dias.

Distante do litoral e isolada Em 1560, São Paulo já era uma Vila, mas não iria se desenvolver rápido. Sofreu um isolamento comercial porque estava distante do litoral e seu solo não era propício ao cultivo dos produtos que àquela época eram exportados.

Até o século XIX, o núcleo se desenvolveria apenas em torno de um triângulo que hoje é chamado de Centro Velho de São Paulo, onde ficam os conventos de São Francisco, de São Bento e do Carmo. Nas ruas Direita, XV de Novembro e de São Bento, estavam o principal comércio e os serviços da cidade.

Impulso dado pela lavoura do café

Em 1681, São Paulo era a cabeça da Capitania de São Paulo e, em 1711, a vila foi elevada à categoria de cidade. Com a abertura de duas novas ruas, a Líbero Badaró e a Florêncio de Abreu, a área urbana foi sendo ampliada.

Foi na época da independência do Brasil que São Paulo, como capital da província, com a criação da Academia de Direito e da Escola Normal, acordou para as atividades culturais, intelectuais e políticas, porém somente no final do século é que a cidade iniciou realmente o processo de crescimento econômico, com o desenvolvimento da cultura do café.

A região recebeu muitos imigrantes europeus com qualificação profissional (principalmente italianos) o que viria a possibilitar o acúmulo de capital e a sua industrialização.

O café mudou o perfil socioeconômico da província: abriu um bom mercado de trabalho, o que atraiu também a vinda de brasileiros de outras regiões do país, criando o fenômeno da urbanização na região.

Como São Paulo se urbanizou

A urbanização se expandiu para além do triângulo dos conventos, surgiram as linhas de bondes, os reservatórios de água e a iluminação a gás. O Brás e a Lapa eram os bairros operários, estavam ali as indústrias, próximas à estrada-de-ferro inglesa. No Bexiga fixaram-se os imigrantes italianos e nas áreas elevadas e arejadas da avenida Paulista, aberta no final do século XIX, foram construídos os palacetes dos cafeicultores.

Assim como a abertura da avenida Paulista, em 1891, também foram importantes obras urbanísticas na cidade, em 1892, o Viaduto do Chá (ligando o centro velho à cidade nova); em 1825 foi inaugurado o primeiro jardim público de São Paulo, que é hoje o Jardim da Luz e, em 1901, a nova estação da SÃO PAULO Railway, a Estação da Luz. Em 1911 São Paulo ganhou o seu Teatro Municipal.

Alguns marcos do crescimento urbanístico de São Paulo Na década de 20, época de crise do café mas de grande impulso na industrialização, a cidade cresceu muito.

Em 1922, no Teatro Municipal, acontece a Semana de Arte Moderna, símbolo do movimento modernista em que intelectuais como Mário e Oswald de Andrade e Luís Aranha movimentaram as idéias assimilando as mais modernas técnicas artísticas internacionais.

Essa fase da história da cidade trouxe mudanças marcantes no campo da cultura e, na década de 30, conflitos entre a elite política e o governo federal resultaram na Revolução Constitucionalista de 1932. Foram criadas aí a escola Livre de Sociologia e Política e a Universidade de São Paulo. Essa é também a época em que foi inaugurado o maior prédio já construído na América Latina: o Edifício Martinelli, com 26 andares, o primeiro da série de arranha-céus que marcariam a futura paisagem da cidade.

Mudanças deram início à invasão dos autóveis Na década de 40, São Paulo teve uma intervenção urbanística baseada no "Plano de Avenidas" do prefeito Prestes Maia, que investindo maciçamente em seu sistema viário, possibilitou que a cidade priorizasse a circulação de automóveis, intensificada também pelo estabelecimento dessa indústria na década a seguir.

Em 1954, num aniversário da fundação, foi inaugurado o Parque do Ibirapuera, a principal área verde da cidade, com edifício projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Foi nessa época que começou a mudança do parque industrial da cidade para os municípios vizinhos, até que na década de 70, essa mudança se acentuou.

Hoje, a cidade de SÃO PAULO concentra as suas atividades no setor de prestação de serviços, com centros empresariais de comércio como os diversos shopping centers e hipermercados.

Fonte: IBGE

Aniversário da Cidade de São Paulo

25 de Janeiro

São Paulo, da taipa ao concreto

São Paulo é a maior cidade do país, com área de 1525 km2 e mais de 10 milhões de habitantes.


Avenida Paulista, coração da cidade

Muita coisa mudou desde que SÃO PAULO era um pequeno amontoado de casas feitas de taipa de pilão, de onde partiam os bandeirantes rumo a Minas Gerais, em busca do ouro, e onde os jesuítas encontraram um clima fresco semelhante ao europeu e fundaram o Real Collegio.

O pequeno amontoado de casas é hoje uma metrópole de 10,4 milhões de habitantes, uma das mais populosas do mundo. O clima fresco de 451 anos atrás hoje está bem mais quente, graças ao concreto, aos automóveis e à escassa arborização.

Até a famosa garoa, que consagrou a cidade, está se tornando coisa do passado. A cidade assistiu a uma transição da chuva fraca e contínua para aquelas intensas e rápidas, que provocam as já também famosas enchentes.

São Paulo demorou para se desenvolver. Até 1876 a população local era de 30 mil habitantes. Com a expansão da economia, graças especialmente ao café, em menos de 20 anos este número pulou para 130 mil. Mesmo pequena, a cidade pensava grande.

O Viaduto do Chá foi inaugurado em 1892 e, em 1901, foi aberta a Avenida Paulista, a primeira via planejada da capital. A via, que viria a se tornar endereço dos barões do café, não tinha nenhuma casa na época, mas o engenheiro responsável pela obra, Joaquim Eugênio de Lima, profetizava que ela seria a via que conduzirá SÃO PAULO ao seu grande destino .

Outras grandes obras, como a Estação da Luz e o Theatro Municipal, comemoraram a entrada no século XX e marcaram uma nova fase na vida da cidade. SÃO PAULO se industrializava e, para atender à demanda, imigrantes de diversos países da Europa e do Japão adotaram uma nova pátria, fugindo das guerras.

Entre os anos de 1870 e 1939, 2,4 milhões de imigrantes entraram no estado de São Paulo, segundo dados do Memorial do Imigrante.

Italianos, japoneses, espanhóis, libaneses, alemães, judeus. Dezenas de nacionalidades estabeleceram comunidades em SÃO PAULO e contribuíram para que a cidade se tornasse um rico centro cultural e um exemplo de como povos com histórico de guerras e disputas podem viver em paz.

Isso sem falar dos migrantes, que ainda hoje saem de seus estados e municípios em busca da terra da prosperidade e do trabalho, onde todos vivem com pressa. Como diz a música Amanhecendo , de Billy Blanco: Todos parecem correr/ Não correm de/ Correm para/ Para SÃO PAULO crescer .

Muitos prosperam na cidade mais rica da América Latina, mas outros tantos engrossam a lista de desempregados, que oscila em torno de 17% da população economicamente ativa. Sem emprego ou em subempregos, essas pessoas entram também na estatística dos habitantes que vivem em favelas mais de 1 milhão, de acordo com dados da secretaria de Habitação. O desafio de SÃO PAULO é continuar correndo para reduzir estes números.

São Paulo é grande porque tem.

O Museu de Arte de SÃO PAULO (Masp), o mais importante museu de arte ocidental da América Latina;

O Instituto Butantan, que abriga uma das maiores coleções de serpentes do mundo, além de ser o mais moderno centro de produção de vacinas e soros da América Latina;

A SÃO PAULO Fashion Week, principal semana de moda da América Latina e uma das mais importantes do mundo;

A Universidade de SÃO PAULO (USP), terceira maior instituição da América Latina e colocada entre as cem mais conceituadas no mundo;

A Bovespa, maior centro de negociação de ações da América Latina;

A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), sexta do mundo em volume de negócios, com lances médios diários de US$1,8 bilhão;

O Hospital das Clínicas (HC), maior complexo hospitalar da América Latina;

75% dos eventos realizados no País;

Uma frota de quase 5 milhões de automóveis, o correspondente a ¼ do total do País;

12,5 mil restaurantes e 15 mil bares de dezenas de especialidades, o que lhe rendeu a fama de capital gastronômica do mundo.

Mais de 1/3 do PIB (Produto Interno Bruto) do País.

Saiba um pouco mais sobre a imigração para São Paulo

Ao longo dos 451 anos de fundação da cidade de São Paulo, muitos povos chegaram a capital e assim ajudaram a formar o atual povo paulistano. As heranças desses povos podem ser vista em diversas áreas como arquitetura, culinária, e esportes, entre outras.

Atualmente, povos de mais de 70 países se unem para formar a população paulistana. Os primeiros a chegarem foram os alemães, em 1827, e se fixaram na região de Santo Amaro e Itapecerica da Serra.

No entanto, a primeira associação para incentivar a vinda de famílias européias para SÃO PAULO foi criada apenas 59 anos depois, em 1886. Os asiáticos, principalmente japoneses, começaram chegar na cidade em 1908.

A política de imigração estabelecida pelo Governo do Estado concedia passagens gratuitas para os imigrantes que viessem de terceira classe. Os navios desembarcavam no porto de Santos e os imigrantes seguiam para a capital de trem ou em lombo de animais, e se alojavam na Hospedaria dos imigrantes.

A Hospedaria, localizada no bairro do Brás (onde hoje se encontra o museu da imigração), funcionou de 1888 a 1978 e ofereceu aos recém chegados os serviços gratuitos de alimentação, cama, médicos e contatos com empregadores. Os viajantes podiam permanecer no local por no máximo oito dias, até que acertassem seus contratos de trabalho.

Com a chegada dos imigrantes, houve um aumento no desenvolvimento da cidade e diversificação dos serviços e produtos comercializados.

Na área da cultura, a música clássica foi introduzida pelos alemães e os italianos trouxeram a ópera e o canto lírico. Nas artes plásticas outros italianos, Alfredo Volpi e Victor Brecheret, contribuíram para o movimento modernista. Hoje SÃO PAULO é considerada a capital cultural da América Latina.

No comércio, os alemães e franceses importavam tecidos e eram padeiros, confeiteiros e curtidores de couro. Os alemães também eram os principais responsáveis pela produção de papel e cerveja.

Já os italianos vendiam tecidos e dominavam o comércio de ferragens, funilaria e calçados. Na indústria, eram os maiores responsáveis pelo setor alimentício e tecelagem.

Os japoneses que chegaram a SÃO PAULO no início do século XX e começaram a trabalhar como barbeiros, sapateiros, lavadeiras, diaristas, além de fazerem produtos artesanais. Se fixaram na região central, nos bairros da Liberdade e Glicério.

Os imigrantes de origem árabe, quando chegaram a São Paulo, trabalhavam como mascates. Vendiam chapéus, roupas, relógios, tecidos, jóias e outros produtos nas regiões de comércio popular, como a 25 de Março. E até hoje continuam com comércios semelhantes pela região.

Já os judeus, que vendiam roupas e tecidos de alta qualidade, fixaram suas residências na região de Higienópolis, onde residiam os principais consumidores de seus produtos, os barões do café. Hoje, o bairro ainda tem alta concentração de judeus e descendentes.

Na área esportiva, alguns dos principais clubes da cidade foram fundados por imigrantes árabes, como os libaneses (que fundaram o Monte Líbano e o Clube Homs) e os sírios, (que criaram o Esporte Clube Sírio).

O Palestra Itália (atual Sociedade Esportiva Palmeiras), o Espéria e o Juventus, foram fundados por italianos, o Pinheiros foi fundado por alemães. Os portugueses montaram a Associação Portuguesa de Desportos e os judeus criaram A Hebraica e o Círculo Macabi.

Na culinária, muitos ingredientes corriqueiros da culinária paulista tiveram origem árabe, como o arroz, laranja e berinjela, entre outros, todos eles trazidos na bagagem dos colonizadores portugueses e espanhóis. Outras comidas, como as massas e pizzas vieram da Itália e se tornaram especialidade na mesa dos paulistanos. Devido às influências de várias culinárias, a cidade de SÃO PAULO é considerada uma das capitais gastronômicas do mundo.

Hoje, SÃO PAULO se tornou exemplo de hospitalidade para outras cidades brasileiras e de outras partes do mundo. Em poucos lugares todas as religiões e todos os povos podem conviver harmoniosamente.

Diferentes culturas, hábitos, religiões e tradições foram trazidos com os primeiros imigrantes e se incorporaram na vida do povo paulistano. Agora já podem ser consideradas tradições paulistanas.


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