Saber-Literário

Diário Literário Online

Desejo de matar
R. Santana

Ano 2016, mês de Maio, Sexta-feira 13, o “Hyundai HB 20” de Dimitri Petrovich Petrov, deslizava sem pressa na Avenida Santos Dumont na cidade “X”. Ele não tinha pressa, quase não respondia às perguntas do seu sobrinho emprestado Marcos.  Marcos cuidava dos interesses comerciais de sua tia Natasha e de Dimitri. Naquele dia, ele dirigia o automóvel, enquanto seu tio ia sorumbático no banco de detrás. Para animá-lo, Marcos enchia-lhe de perguntas:
            - Tio, as câmeras do hotel irão nos flagrar?
            - Tomei todas as precauções!
            - Como assim?...
            - Segredo!
            - Segredo!? Não estamos juntos!? Se o senhor não confia em mim, que Saulo Fontes fique impune, aliás, a justiça não lhe incriminou!
            - Sua família contratou bons advogados...
            - Então!?
        
    - Seus advogados construíram álibis, nós os descontruiremos. Quando ele estiver sob a mira da minha “Glock 18”, irá se borrar de medo e frouxar... – Dimitri além de médico, dono de clínica, tinha feito CPOR/NPOR, portanto, oficial do Exército da reserva não remunerada e praticava tiro esportivo.
            - Concordo. Tio, eu estou com o senhor pra o que der e vier, mas tem que haver cumplicidade, não pode haver segredo entre mim e o senhor!
            - Já leu a história da onça e do gato?
            - Não!
            - Não? A fábula encerra que o gato escondeu da onça o pulo que lhe salvou a vida!
            - Não vejo a relação!
            - O pulo do gato nos manterá vivo, rapaz!
            - O senhor está misterioso... – Dimitri contemporiza:
            - Eu lhe trouxe porque confio em sua lealdade, além disto, você e Leyna foram criados juntos, frequentaram a mesma escola... – acrescentou:
            - E, temos em comum a morte de Saulo, não é?
            - Sim!...
            Às 23,30 h, tio e sobrinho estacionam o carro no hotel “Hollywood”. O hotel estaria em silencio se um casal jovem não o adentrasse de modo espalhafatoso, simultaneamente. Dimitri foi recebido com deferência pelo recepcionista:
            - Doutor, o seu quarto é de número 308. Boa noite... – acrescentou:
            - Ah, gostei da fábula que me recomendou: “A onça e o gato”, a onça já está aí, qualquer dificuldade, lembre-se do “pulo do gato”...
            Dimitri preferiu subir pelas escadas, dispensou o elevador (justificou claustrofobia), enquanto Marcos usou o elevador até o 3º. Andar e o aguardou deitado na poltrona da sala. Dimitri demorou mais do que o previsto e deixou Marcos irritado:
            - Porra tio, quanto tempo!? – Dimitri não lhe respondeu, puxou-o pelo braço, abriu a porta do quarto e o empurrou pra dentro:
            - As câmaras foram desligadas antes de chegarmos, não existe nenhuma imagem registrada, daqui a pouco, este andar terá um blackout de 5 minutos, tempo suficiente pra entrarmos no quarto 309 de Saulo e matá-lo!
            - O tempo é suficiente?
            - Sim!  
            - E... depois de entrarmos?
            - A luz volta ao normal e teremos mais 1 hora pra fazer o serviço e sairmos sem ser vistos... – o corredor ficou escuro, Dimitri apressou o sobrinho:
            - Rápido!
            Não foi difícil o tio e o sobrinho entrarem no quarto 309, sem luz, usaram a tocha do celular de Marcos. Saulo dormia a sono solto, assustou-se quando o blackout terminou e Dimitri apontava-lhe uma arma:
            - Leyna chora vingança...vou lhe matar, canalha! – Saulo desmaiou.

***
           
25 anos antes:
           
Leyna gostava da mãe, no entanto, era mais apegada ao pai: um amor freudiano, uma admiração e confiança extremas. Natasha tinha ciúmes de sua filha caçula e compensava esse amor não correspondido com o amor dos filhos mais velhos: Yuri e Ivan. A afeição que faltava na filha sobrava nos filhos mais velhos. Os meninos eram carinhosos e prestimosos com a mãe, se lhe doesse a unha do dedo mindinho, eles ficavam solícitos e preocupados.
Leyna era o xodó de Dimitri, seu desejo era uma ordem. Seu pai, nos finais de semana, levava-a para todos os eventos infantis da cidade, casas plays, não perdia um aniversário. Nas reuniões dos pais e professores de sua escola, sua mãe quase não comparecia, mas chovesse ou fizesse sol, seu pai estava lá.
Quem censurasse o amor preferencial de Dimitri por Leyna em detrimento de Yuri e Ivan, ele apressava-se justificar: “ela é nossa caçulinha, os irmãos entendem isso, o amor é o mesmo, todos são meus benjamins”, e, era verdade, não havia preferência ostensiva, talvez, os cuidados fossem diferentes pela fragilidade do gênero feminino.
Quando Leyna completou 15 anos de idade, exigiu do pai um passeio no Disneylândia - Los Angeles - Califórnia, Estados Unidos -, o pai lhe sugeriu uma grande festa de debutante, mas ela não arredou o pé, nenhum argumento a demoveu da ideia:
- Paizinho, eu não quero festa!
- E, Yuri e Ivan?
- Virão com a gente...
- Eles estão estudando pra o ENEM!
- Então, eu, você e mãezinha, tá? – a solução foi embarcar para os Estados Unidos, um mês depois.
Leyna foi criada como princesa plebeia e os parentes seus súditos, quando atingiu a maioridade, os cuidados da família eram os mesmos de menos 18 anos de idade: afora a faculdade de medicina, todos os passos que dava, os irmãos, o pai e a mãe vinham atrás.
Começou namorar firme com Saulo Fontes quando os cuidados demais dos pais e irmãos, tornaram-se desnecessários e constrangedores... Porém, o costume do cachimbo põe a boca torta, de quando em vez, eles apareciam onde ela estava de surpresa.

Após 25 anos:

            - Filha, quem é esse rapaz?
            - Somos colegas do curso de residência médica!
            - Marcos me disse que é um “galinha”!...
            - Marcos é um despeitado, ainda não percebeu paizinho?
            - Ele lhe tem como irmã!
            - Seu ciúme me incomoda... dessa boa intenção o inferno está cheio!...

***

            - Acorda vagabundo! – Saulo acordou aturdido com as bofetadas de Marcos. Dimitri o admoesta:
            - Calma Marcos, não se humilha um homem que vai morrer!
            - Isso não é homem! É um verme, e verme se pisa, se destrói... – Saulo soergue-se (a pistola de Dimitri, continua lhe cutucando), e surpreende-os:
            - Eu não sou verme! Você que é mau-caráter, calhorda, dissimulado e baixo. Seu tio sabe que andava perturbando e chantageando Leyna? – Marcos deu-lhe outra bofetada, mas foi contido pelo tio:
            - Endoideceu Marcos!? Você não vê que ele está mentindo pra se safar!? Não acredito numa palavra deste criminoso de mulher! – Saulo o desafia:
            - Prove que fui eu que a matei? – Dimitri perde a calma:
            - Rapaz, não queira zombar de nossa inteligência, todas as evidências concorrem pra lhe culpar: foi a última pessoa que esteve com Leyna, seu RG foi encontrado em cima do corpo, suas digitais estavam presentes – baixou a cabeça envergonhado -, seu esperma também foi encontrado... além de assassino, cínico!?
            - Quem ama não mata! Eu amava sua filha... As provas que o senhor citou não provam nada, não se esqueça que estávamos num motel, a justiça não me incriminou... – Marcos intervém:
            - Aperte esse gatilho, tio! Vamos ficar aqui nesse lero-lero, quer que o mate? – puxou a pistola.
            - Calma Marcos, quer ser preso!? Guarde essa arma!
            - Deixe-me dar cabo desse miserável. A polícia não terá elementos para nos incriminar!
            - Calma Marcos, há um provérbio na terra dos meus pais que diz: ” "Quando o ódio e a vergonha se casam, a filha deles é a crueldade." Quero lhe torturar mentalmente até a morte... – Saulo o interrompe:
            - Quer me matar? Mate-me logo, não me torture! Mas, o senhor irá se arrepender pela morte de um inocente. A polícia já tem material do verdadeiro assassino, aliás – pega o celular na cama – tenho aqui algumas provas...  - liga o gravador do celular e a voz de Leyna enche o quarto:
            “Amor, Marcos vai me matar se não terminarmos o noivado...”
            “Amor tenha cuidado, novamente me ameaça, agora, usa você...”
            “Tenho medo que faça alguma maldade com paizinho, eles andam pra fazenda a sós..”
            Dimitri era todo ouvido, um sentimento de dúvida tomou-lhe a mente: “...será que irei matar um inocente?”, “...Judas Iscariotes, junto de mim!?”, sem frouxar a arma nas costas de Saulo, grita para Marcos:
            - Assassino!!! – Marcos com a arma em punho, quase chorando:
            - Eu a amava mais do que esse palerma... ela não me deu ouvido... naquela noite.. quando eles saíram do motel... antes dela entrar em casa, eu a chamei pra conversar... ela resistiu, tive que lhe pegar a pulso... – Dimitri empurrou Saulo e frente a frente com Marcos:
            - Vai morrer bandido!!! – Marcos puxa o gatilho primeiro, mas a arma... tac..tac...tac...tac... – Dimitri sem se mexer:
            - A pistola está descarregada... entende, agora, “o pulo do gato”!? Leve pra o inferno essa lição!!! – e, dispara no sobrinho uma saraivada de tiros fatais.



Autor: Rilvan Batista de Santana

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Vestígios da Idade da Pedra

Eu era menina quando, discutindo com um grupo de garotos que punham em dúvida uma história que eu contara, usei o argumento que encerrava as discussões entre eles: dei minha palavra de honra. Fui recebida com uma gargalhada sonora, e um deles, mais agressivo, provocou: “E mulher lá tem honra?” Fiquei sabendo que na cabeça dos meninos e, mais tarde dos homens, a honra é um privilégio masculino.

Às mulheres só se atribuía honra em relação com a virgindade quando se dizia de uma delas que tinha sido desonrada. A honra das mulheres se perdia com o hímen. Anos mais tarde, vi uma mulher ser assassinada e o assassino absolvido em nome da legítima defesa da honra. Explicitava-se assim o direito de matar a mulher que preferira um homem a outro.

Às mulheres cabia respeitar o seu lugar de objetos pertencentes a um senhor. Objetos são coisas, não têm honra a defender, tampouco vontade própria. O fundamento da violência endêmica contra as mulheres, qualquer que seja sua manifestação, assédio, espancamento, estupro ou assassinato, é o não reconhecimento de sua dignidade humana.

Em todos os países sobrevive, em maior ou menor grau, um sentimento ancestral, animalesco, que nega às mulheres o direito à integridade do seu corpo e à liberdade de sua sexualidade. Nas últimas décadas do século passado, nas asas do feminismo, as mulheres afirmavam que “nosso corpo nos pertence” como reivindicação primordial, fundadora da dignidade de cada uma.

Meio século depois, constatam que não só esse direito não está assegurado, mas, ao contrário, aumenta a violência, o risco que correm em casa e nas ruas. Quem as vê nas fábricas, escritórios, universidades, laboratórios de pesquisa, tribunais, custa a acreditar que persista o direito não dito à violência contra elas.

Nossas espantosas estatísticas de estupro e assassinato falam por si. Perguntem, leitores, a qualquer mulher, se alguma vez na vida temeu ou conheceu uma forma de violência sexual. Machismo é uma palavra insuficiente para descrever a gravidade da ameaça que pesa sobre metade da Humanidade.

A violência contra as mulheres é um crime contra a Humanidade a ser reconhecido por cada país e pela comunidade internacional com a mesma indignação que exige a erradicação da tortura. Leis e repressão não acabarão com o ódio contra as mulheres, mas hão de puni-lo e coibi-lo, encarcerando os criminosos dessa guerra suja e sem adversário — as mulheres não estão em guerra contra ninguém — que autoriza a estuprar e matar.

Violentadas, mortas, suas vítimas continuam a ser culpadas. No Brasil, que assistiu horrorizado ao estupro de uma jovem “compartilhado” nas redes sociais, se culpa a cultura machista, que explicaria desde os desrespeitos cotidianos, dentro e fora de casa, até os crimes mais abjetos como o estupro.

Essa leitura, verdadeira, submete à lentidão das mudanças culturais o fim dessas abjeções. Eu era menina, e o estupro coletivo já existia, chamava-se curra. É mais do que tempo de sociedade, polícia e Justiça implantarem tolerância zero face à violência sexual. Quem teria, então, medo de sair à rua não seriam as mulheres, e sim os agressores.

Estancar a violência contra as mulheres é, em qualquer país, e nós somos responsáveis pelo nosso, essencial à democracia. Urgente porque o que está em curso é uma contrarrevolução. É a vingança da barbárie contra a revolução que, no século XX, quebrou o paradigma milenar que sujeitava as mulheres aos homens e deu, assim, um passo adiante no processo civilizatório.

Aumenta a violência porque a crescente liberdade e autonomia das mulheres atinge em cheio o direito de propriedade sobre a sexualidade feminina que era e continua a ser a lei escrita em certos países, não escrita em outros, vigente em todos os continentes como a regra mesma do mundo.

Essa regra, desafiada, deixou de ser senso comum, revelou-se como o que é, um crime. Refugiados sírios fizeram, na noite de 31 de dezembro, em Colônia, na Alemanha, um ataque sexual contra alemãs que celebravam o Ano Novo. Os despossuídos de tudo traziam bem guardado o sentimento de poder sobre as mulheres do país que os acolheu.

Donald Trump opta por achincalhar as mulheres, estimula o conflito de gênero como pilar de sua campanha contra Hillary Clinton. Acredita — e tomara que não tenha razão — que o homem médio americano se identifica com a visão debochada que ele tem do sexo feminino. Pensar que a Presidência dos Estados Unidos possa se definir por reflexos herdados da Idade da Pedra não é só ultrajante. É assustador.

O Globo, 18/06/2016

http://www.academia.org.br/artigos/vestigios-da-idade-da-pedra

Rosiska Darcy de Oliveira - Sexta ocupante da cadeira 10 da ABL, eleita em 11 de abril de 2013, Rosiska Darcy de Oliveira é escritora e ensaísta. Sua obra literária exprime uma trajetória de vida. Foi recebida em 14 de junho de 2013 pelo Acadêmico Eduardo Portella, na sucessão do Acadêmico Lêdo Ivo.

Fonte: Itabuna Centenária (RSIC)

Poema em linha reta
Fernando Pessoa 
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Olá, Rilvan
Tudo bem?

O rapper Genival Oliveira Gonçalves, conhecido como GOG, é um dos grandes convidados para a nova temporada do programa Manos e Minas, da TV Cultura. Ao lado de Victor Victrola, o músico é a atração principal do episódio que vai ao ar em 2 de julho, às 19h.

À disposição para mais informações.

Abraços,

Assinatura_Ana Luísa


RAPPER GOG E MÚSICO VICTOR VICTROLA SÃO DESTAQUES NA TEMPORADA 2016 DE MANOS E MINAS

O programa da TV Cultura receberá os músicos no próximo dia 2, às 19h

Manos e Minas - TV Cultura 12


Crédito: Jair Magri

O rapper Genival Oliveira Gonçalves, conhecido como GOG, é um dos grandes nomes da cultura hip hop nacional. Com 30 anos de carreira, suas músicas, cheias de engajamento, ecoam em todo o Território Nacional, além de conquistar diferentes gerações. No dia 2 de julho, às 19h, o artista será a atração principal, ao lado de Victor Victrola, do Programa Manos e Minas, da TV Cultura.

Ao lado do Projeto Nave e Robinho Tavares, GOG e Victor Victrola levam aos telespectadores músicas do seu último trabalho, como O Peso da Palavra, Nós Por Nós e Buque de Espertirina, além de clássicos como Brasil com P.

No ar pela TV Cultura desde 2008, o programa apresenta a cada episódio, uma grande atração musical com vertentes do hip hop, rap, reggae, funk e soul, além de reportagens com temáticas da cultura de rua. A nova temporada será apresentada pela atriz, poeta, pesquisadora, diretora teatral, musical e ativista, Roberta Estrela D’Alva.

Ana Luísa Almeida | ana@baobacomunicacao.com.br
Patrícia Martins |  patricia@baobacomunicacao.com.br
Baobá Comunicação, Cultura e Conteúdo
Rua Porangaba, nº 149, Bosque da Saúde
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Poesia triste

A poesia é triste,
quando amamos alguém
que não nos corresponde
no sentimento no amor
e ficamos noites acordados,
remoemos nosso coração
uma dor profunda, e
vem a agonia
das noites em claro,
dos olhos molhados,
do coração quebrado
por uma dor profunda
 que não tem fim...



Anjopoesia

A democracia refém das delações premiadas
Candido Mendes de Almeida

Só se acentua, nos últimos dias, o crescimento da reação internacional contra o impeachment de Dilma, no protesto formal em organizações latino-americanas, e, já agora, atingindo as Nações Unidas. Vem de par com a perplexidade diante da alegação de crime, por Dilma, quando as ditas “pedaladas” já se registravam como rotina nas apropriações orçamentárias do governo Fernando Henrique Cardoso.
 
A mesma acusação se estende ao governo Temer, diante da generalização dos regimes de propina, atingindo contundentemente o ex-ministro Jucá. Nem de propósito, a seguir, e numa exasperação do confronto, é o próprio ministro da Transparência, Fabiano Silveira, que cai. Não há mais que se comprovar a culpabilidade; remete-se à presunção e à saída da pasta.

A sequência consolida a opinião pública emergente, na inconfiabilidade do regime Temer, e na busca do fortalecimento pelo estrito desempenho econômico e social, por força, a demorar, sem créditos de espera. Mais ainda, a sofrer a oposição gritante do PT, pela primeira vez, há mais de década, no antagonismo, e com o quadro de incertezas, desenha-se a retração dos votos certos contra Dilma, a reforçar uma eventual surpresa na sentença do Senado.

Só se adensam os novos espantos, diante da potencialidade das revelações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. O que mostram estas semanas é o quanto os recursos ao impeachment pretendem destituir o governo, em curto-circuito, diante das práticas constitucionais assentadas na força do voto e das maiorias eleitorais.

No âmbito dessas surpresas, cresce, ainda, a presente indefinição de senadores que votaram pelo debate, mas não pela manifestação, já, da culpabilidade da presidente. Está longe de se configurar, ainda, o impacto total da Operação Lava Jato, frente à apropriação dos dinheiros públicos pelos detentores do poder.

Diante das vicissitudes do nosso amadurecimento democrático, o presente debate, no impeachment, criou uma nova ameaça ao nosso Estado de Direito: a de um governo permanentemente refém das delações premiadas, e sua imprevisível munição.


Fonte: Jornal do Comercio (RS) / ABL

ÍNTIMOS CAMINHOS
 Florisvaldo Mattos

"Não sei para onde vou / - Sei que não vou por aí!"
(José Régio: Cântico negro", in Poemas de Deus e do Diabo, 1925)
Não. Nada de penhascos irreais,
Tampouco de florestas invisíveis!
Por aqui tudo fala à sensação;
Ao olhar, ao aroma, à língua, ao tato,
Ao som. Feliz de quem os tem. Ó vós,
Que ditais pelos montes de onde venho,
Por trás de sombras como que vazias?
Enquanto me desfaço de meus fardos
Ancestrais, meu cabedal de fadigas,
Lábios trazem clarões de frescas auras,
Meus pés sibilam sobre sendas rudes,
Mas com promessa de horizontes novos.
Se me pedes que siga o teu caminho,
Descansa. Sei que não vou por aí!

Fonte: SSA/BA, 1º de maio de 2013





Piada do Dia: O Computador Supersincero

Um dos cientistas de computação mais famosos do mundo acaba de concluir o mais moderno projeto de computador já realizado. A supermáquina é capaz de realizar pesquisas inteligentes apenas com comandos verbais, com respostas 100 por cento precisas. O chefe do projeto, para garantir a perfeição do produto, faz uma pergunta:
— Onde está o meu pai?
O computador dá a resposta imediatamente:
— Seu pai está pescando na praia.
O chefe do projeto fica arrasado. Depois de tantos anos de pesquisa e trabalho, a primeira resposta do computador está errada. Ele diz ao seu assistente:
piada do computador sincero
— Tem um bug, algum erro em algum lugar. Meu pai morreu há 10 anos! A pergunta era uma armadilha para ver se ele estava funcionando perfeitamente.Toda a equipe reestuda e restaura o projeto todo. Na hora de refazer o teste, um dos profissionais da equipe sugere:— Que tal formular a pergunta de outro jeito? Talvez o computador tenha feito uma interpretação errada.O chefe do projeto refaz a pergunta:— Onde está o marido de minha mãe?O computador responde com sua voz metálica: "Ele morreu, mas seu pai ainda está pescando na praia"



Fonte: Tudo por e-mail

ASAS PARTIDAS
Ceres Marylise

Pobre mulher

de asas alquebradas!

No rosto desamparado,

o eterno canto calado.

A liberdade é pra ti,

o rumo do suicídio,

nos regimes seculares

de crueldade e machismo.

Aviltam teu corpo são,

anulam-te a alma sadia,

no sofrimento perpétuo

dessa vida em agonia.

Mulher de burca,

nunca pude ver teu riso,

és um pássaro enjaulado

pelo fundamentalismo:

resignado soluço

de uma terrível injustiça!


*Ceres Marylise
Pedagoga, poetisa e membro efetivo da ALITA

Piada do Dia: Obrigado pelo Apoio, mas...


A esposa dedicada passara a vida inteira cuidando do seu marido. Ele estava entrando e saindo de um coma há vários meses, mas ela ficou sempre ao seu lado, todos os dias.
 Um dia, quando ele voltou à consciência, fez um sinal para ela aproximar-se. Ela sentou-se perto e ele lhe disse: "Você esteve comigo em todos os momentos ruins da minha vida. Quando eu fui demitido, você estava lá para me apoiar. Quando o meu negócio faliu, você estava lá. Quando eu levei um tiro, você também ficou do meu lado. Quando perdemos a casa, você me deu apoio. Quando minha saúde começou a falhar, você ainda estava ao meu lado. Você sabe de uma coisa?"

"O quê, meu querido?", ela pergunta gentilmente.

"Eu acho que você me traz má sorte!"




Fonte: Tudo por e-mail

'Città Dolente'
Carlos Heitor Cony

Seria cômico se não fosse trágico. A atual situação política é um saco de gatos em que todos miam enquanto o país parece naufragar num mar de corrupção generalizada. Há exceções, mas o grosso da manada está dependente de falcatruas em que delatores e delatados se acusam entre si, ao mesmo tempo em que a nação mergulha na "città dolente" que Dante colocou na porta do inferno.

O Brasil já passou por crises iguais e até piores, bastando lembrar o suicídio de Getúlio Vargas e o movimento militar de 1964. Contudo, nesses casos, faltou o componente cômico que mantém a plateia consumidora num estado de permanente curiosidade para saber o final da novela. Um final que inclui personagens anedóticos, como Tiririca, que canta um forró numa reunião de políticos, e o Congresso exibe malabarismos que certamente darão em nada.

Por mais que acusadores e acusados se esbofem em clarificar os escândalos que nem sempre são inéditos, a impressão indica que o país nunca esteve tão exposto internacional e internamente às críticas e até mesmo às zombarias que colocam o Brasil na boca das Matildes.

Temos uma presidente afastada e um presidente interino que em poucas semanas perdeu três ministros recém-nomeados.

Nenhum político, empresário ou administrador está livre de uma delação nem sempre provada, mas possível. Não só da cúpula (e cópula) atual, como no passado. Todos são suspeitos de alguma bandalheira que teve Pero Vaz Caminha como patrono, quando transmitiu ao rei de Portugal nossas deficiências e até excelências, como o sexo cerradinho de nossas índias.

Desconfio dos milhões de dólares que, por exemplo, subornaram um presidente da Câmara cuja caneta se limita aos atos e fatos de um dos poderes da República.


Folha de São Paulo (RJ) / ABL 

BARRAQUEIROS DO SENADO -  PIORES MOMENTOS!

O complicado dilema sobre gays enrustidos e mulheres machistas

Claro que existem mulheres machistas tanto quanto existem gays enrustidos e amargos, mas essas pessoas não podem ser as grandes culpadas pela própria opressão, não faz sentido

Por NANA QUEIROZ, do AzMina

Nesta semana eu dei um fora nas redes sociais. Quando soube do horrível ataque em Orlando, em que um homem que parecia ter conflitos com a própria sexualidade matou 49 pessoas na boate gay Pulse, soltei uma frase mais ou menos assim: “É isso que a sociedade ganha ao reprimir os homossexuais, leva as pessoas à loucura e a atos extremos.”

O que há de errado com a minha postagem? Acompanhe comigo o raciocínio que eu, alertada com muito carinho por meus amigos gays e lésbicas, também acabei de entender:ao insinuar que todo ato violento de homofobia vem dos próprios gays enrustidos, eu estava aumentando o coro que diz que eles são o câncer do mundo. Ou seja: o problema não seria a ideia de que machos heterossexuais são o suprassumo da batata doce, mas que os gays são desequilibrados quando não são aceitos.

Ajuda a compreender quando fazemos um paralelo com a ideia de mulheres machistas. Claro que existem mulheres machistas tanto quanto existem gays enrustidos e amargos, mas essas pessoas não podem ser as grandes culpadas pela própria opressão, não faz sentido. Dizer que “os homens são machistas por culpa das mães que os criam assim” e que “todo homofóbico é gay enrustido” é o mesmo que afirmar que “os negros eram escravos por culpa deles mesmos que não resistiram à escravidão”. Entende como é confortável mudar o foco do problema do verdadeiro vilão para culpar a vítima?

E, acima de tudo isso, não está confirmado que o atirador seja gay. Existe, sim, a possibilidade dele frequentar esses ambientes apenas para planejar ataques. Ódio puro e simples. Mas me permitam continuar com a possibilidade dele ser, de fato, enrustido, por força da argumentação.

Mas agora que já fiz o mea culpa e expliquei o abacaxi todo, me permitam introduzir algumas nuances à questão. E acho isso importante porque a internet é a terra da lacração, né? Não tem espaço pra mais ou menos, é só sim ou não – e de preferência como meme ou frase quase publicitária. E nosso feminismo e luta pelos direitos LGBT não podem ser assim, justamente porque estamos lutando para que as pessoas sejam livres e não para que troquem os dogmas machistas por um novo conjunto de dogmas em formato GIF.

E a questão é que esse discurso tem limites e sabe por quê? Porque tanto as mulheres machistas quanto os gays enrustidos são pessoas com livre arbítrio e seria um tremendo desrespeito com elas imaginar que não tinham a mínima capacidade crítica para lutar contra a própria submissão. E, sim, quando uma mulher diz para seu filho pequeno que ele deve ser “pegador”, ela é parcialmente culpada pelo machismo daquela criança. O que as pessoas esquecem, no entanto, é que a culpa dela é muito, muito menor do que a culpa do pai que leva o moleque num puteiro aos 13 anos, ou do Faustão, que coloca mulheres semi-nuas feito enfeites na televisão durante toda a vida daquela criança.

Reconhecer que gays e mulheres têm um papel duplo de vilão e vítima é importante para que nós, enquanto minorias, percebamos que temos o poder de reagir.

Assim, o atirador da boate podia ter usado seu perfil no Grinder e suas visitas à Pulse para conhecer pessoas gays maravilhosas que ajudariam ele a libertar seu coração do amargor. Poderia ter buscado ajuda psicológica e até igrejas LGBT friendly – aqui nos EUA, onde eu também vivo, tem uma igreja com bandeira LGBT na porta em todos os bairros. Mas isso não tira a culpa de absolutamente ninguém que repetiu a ele, tantas vezes, que ele iria ao inferno se realizasse esses desejos. Ninguém que riu de outros gays fazendo com ele sentisse que se tratava de algo de que ele teria que se envergonhar.

No fundo, esse homem é um produto da repressão e da intolerância e disso somos todos culpados por não sermos, enquanto seres humanos, acolhedores o suficiente. É produto de uma lei capenga que permite acesso a armas a qualquer um. Mas ele também escolheu ser violento. E dizer isso, com todas as nuances envolvidas, não é culpabilizar a vítima, é empoderá-la por afirmar que ninguém está condenado a um destino de oprimido por ser minoria: há sempre um caminho pra libertação. Sem nos esquecer, jamais, que essa é sempre, um culpa socialmente compartilhada.

Nana Queiroz


A Nana é autora do livro “Presos que Menstruam” e roteirista do filme de mesmo nome que está em produção (e querendo virar série). Ela também é colunista do Brasil Post e criadora do protesto Eu Não Mereço Ser Estuprada. Entrou nas listas de mulheres mais destacadas de 2014 do UOL, Brasil Post e do think tank feminista Think Olga. Como jornalista, trabalhou nas revistas Época, Galileu, Criativa e Veja, além dos jornais Correio Braziliense e Metro. No ativismo, foi media campaigner da Avaaz. É bacharel em jornalismo pela USP e especialista em Relações Internacionais pela UnB. Tem três paixões na vida: o companheiro João, o cachorrinho Pequi e séries e filmes de zumbis.

Fonte:

http://www.geledes.org.br/o-complicado-dilema-sobre-gays-enrustidos-e-mulheres-machistas/

Foto do perfil de Douglas Eralldo
Douglas Eralldo
Imagens como estas certamente não se verão mais em épocas que autores fogem de polêmicas como do diabo da cruz, e mais um pouco. Nesta seleção de imagens de Hemingway, uma pequena amostra de sua devoção por armas:


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Fonte: Listas Literárias 
Douglas Eralldo

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