ESTÃO JOGANDO HOJE: O TIME DE JUDAS E O TIME DE CAIM - João Batista de Paula
Na arena estão os atletas fortes,  robustos , belos e determinados, cheios de vontades e querendo se dar bem. Estão jogando: O time de Judas e o Time de Caim. A Inveja e a traição. O invejoso e o traidor.

Sabe qual time vai vencer?

Vai vencer, com certeza, aquele que você fermentar  mais. Este sim, será o vencedor, o glorioso, o vitorioso, aquele que você torcer mais. Aquele que você alimentar mais, no seu coração e na sua mente.

O vencedor: A traição ou a Inveja? Será... O time que mais receber seu apoio, sua dedicação, seu estimulo e aposta maior, oriunda do seu doce coração.

 Aquele que você aplaudir mais, batendo palmas e aplaudindo de pé; Aquele que você incentivar mais, gritar, patrocinar, vibrar e promover.

Você torcedor tem que está atento as trapaças, dribles, negociatas, rasteiras, agressões físicas e morais neste jogo secular e que permanece entre nós.

Você torcedor vai ter que deixar a luz de Deus entrar em sua vida, em seu coração, em sua casa, em sua decisão, para ter postura e determinação na hora de torcer ou fazer afirmações positivas .

João de Paula
escritor
Vai ter que ter firmeza e determinação para orar pelos jogadores da atualidade, objetivando que os mesmos não caiam em tentação, deixando prevalecer  a Inveja e a Traição.

Os dois times: Inveja e traição estão na Arena, dentro ou fora de casa, estão sempre  querendo prevalecer e reinar. A justiça divina tem que prevalecer!

Nós torcedores devemos estimular o bem e a justiça. Entretanto, devemos ficar atentos aos gigantes  da Inveja e da Traição que insistem, persistem e resistem em  conviver no meio de nós.

É tempo de torcer pelo arrependimento... É tempo de torcer pelo novo, puro, justo, limpo e de  coração benigno. É tempo de construir o novo, o amor amplo, o caminho, a verdade e a vida.

Tempo de eliminarmos a inveja e a traição, o rancor, o ódio, o ressentimento, por uma vida de luz renovada, a luz de Deus, a luz que quer entrar em tua casa. Por isso, abra bem as portas do seu coração e deixe a luz de Deus entrar.

Culpa da Bebida

Dois bêbados conversam em um bar:
— Perdi minha mulher por causa da bebida!
— Ela te largou?
— Não, foi atropelada por um caminhão da Brahma!

Abrigo - Mário de Sá-Carneiro


Paris da minha ternura
Onde estava a minha Obra -
Minha Lua e minha Cobra,
Timbre da minha aventura.
Ó meu Paris, meu menino,
Meu inefável brinquedo...
- Paris do lindo segredo
Ausente no meu destino.
Regaço de namorada,
Meu enleio apetecido -
Meu vinho d'Oiro bebido
Por taça logo quebrada...
Minha febre e minha calma -
Ponte sobre o meu revés:
Consolo da viuvez
Sempre noiva da minh'Alma...
Ó fita benta de cor,
Compressa das minhas feridas...
- Ó minha unhas polidas,
- Meu cristal de toucador...
Meu eterno dia de anos,
Minha festa de veludo...
Paris: derradeiro escudo,
Silêncio dos meus enganos.
Milagroso carrousel
Em feira de fantasia -
Meu órgão de Barbaria,
Meu teatro de papel...
Minha cidade-figura,
Minha cidade com rosto...
- Ai, meu acerado gosto,
Minha fruta mal madura...
Mancenilha e bem-me-quer,
Paris - meu lobo amigo...
- Quisera dormir contigo,
Ser todo a tua mulher!...


Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de maio de 1890 - Paris, 26 de abril de 1916) - Foi um poeta português. Foi um dos principais poetas pertencentes ao modernismo português, a chamada Geração D'Orhpeu. Começou a escrever muito cedo quando já mostrava um gênio impressionante. Foi para Coimbra estudar aos quinze anos e lá conheceu a figura mais importante na sua curta carreira literária, Fernando Pessoa. Com ele manteve intensa correspondência, enviando poemas e tratando de questões pessoais, muitas vezes, de uma forte angústia que o tomava, que, mais tarde, o levou a suicidar-se em um hotel em Paris. Mário de Sá-Carneiro, um grande poeta português.

UMA GRANDE SAUDADE: CLODOMIR XAVIER DE OLIVEIRA, MEU MESTRE



 A ÁRVORE DA ESPERANÇA
       
                  A neblina densa cobria a cidadezinha com um véu diáfano. Luz difusa, por trás da cortina definia as formas. Dr.Cordeiro Lima, misto de médico e fazendeiro-de-cacau, já de botas e esporas, aguardava o Maroto - vendedor de doce transformado em camarada-de-viagem, por força da puberdade...
Já montado, a besta "queimada" castanholando "picado"na estrada calçada, ruminava decisão firme de suspender todos os serviços da fazenda, mesmo os de rotina.
       O Dias, gerente de firma exportadora, dera-lhe as piores notícias sobremercado de cacau. A noite a televisão confirmara, anunciando baixa na Bolsa deMercadorias de Nova Iorque. Na roda de amigos na esquina, era só em que se falava. Até o Freitas, recém chegado da capital, saíra de seu otimismo costumeiro para anunciar a crise que se esboçava. O Dr. Osvaldo - representante dos produtores - não trouxera boas notícias da África.
      -Só tem um jeito: parar tudo. Evitar despesas. Não se vai arriscar num negócio, sem pelo menos saber-se em que vão parar as cousas. Pensava.
A Bolsa de Mercadorias de Nova Iorque, espécie de fantasma indefinível, distante, ninguém entendia. O cacau sobe baixa sem causa sabida.
Por que sobe? Por que baixa?
       -Coisa lé dos gringo. Ninguém entende - diziam mateiros, acomodando os pensamentos.
        -Eu sou mateiro de anel, pensava o médico. Conhecia de perto o divórcio daescola com a vida prática. Fizera todos os cursos preparatórios para atingir o de medicina. Possuía boa bagagem de cultura geral, afirmada inclusive pela aprovação "plenamente"conseguida em todos os exames escolares, tanto escritos como orais. Mas em todos esses currículos não estavam incursos crédito bancáriobolsas de mercadorias, formação de preços, exportação, e todo um complexo de conhecimentos que a prática da vida exige. Ele, o médico; o homem que estudara latim, matemática, química, física, história natural, geografia, história da civilização e do Brasil, literatura, desenho, francês, inglês, português , instrução moral e cívica, botânica, estava alí incapaz de compreender cousa que deveria ser tão simples. Imaginava os mateiros semi e os totalmente analfabetos...
       -Somos todos presa fácil dos espertos. Ninguém sabe nada a respeito de seu próprio produto. Ele mesmo, ledor de revistas e livros técnico-agrícolas: mantedor de conversas e mesmo correspondência com sessões especializadas; fazendo também suas pesquisazinhas, orientadas pelo Dr.Augusto Silva, agrônomo lido e experimentado, que escapou da burocracia; levava sempre a pior quando comerciava o seu produto.Estava convencido de que para o produtor de cacau, eram indispensáveis os conhecimentos de finanças. Estes sim.
      -Cacau é menos agricultura que comércio -pensava.Normalmente todo produto agrícola só se transforma em mercadoria quando entra no mercado. O cacau não. Entra no mercado antes de ser produto. É vendido ou apenhado antes mesmo de ser flor. A hipótese de flor já é mercadoria no comércio internacional.O raciocínio de Dr.Cordeiro Lima levava-o à comprovação de que lavoura de cacau não é agricultura, é comércio.
       -Já afirmou isto o Governo, meus senhores, quando entregou o controle do cacau ao Ministério da Fazenda.
Pensou em tom de discurso. Quase gritou, enfático, como se estivesse num comício.Não o fez por causa das proximidades de uma casa.Tinha arroubos de oratória sempre que viajava a cavalo. O som repetido da andadura da besta; o silêncio da estrada estreita na densidade vegetal, talvez despertasse o orador inflamado e arrogante, que os preconceitos e as conveniências amordaçavam.Quantos discursos violentos fez na intimidade da mata. Mais das vezes contra o Governo, embora estivesse militando no partido situacionista. Convencia-se de que era melhor orador no lombo de um burro de que no palanque dos comícios ou na tribuna da câmara, quando vereador.
Chegara. Não sentiu na fazenda a alegria de outras vezes. Talvez a preocupação íntima que levava influísse tristeza até na paisagem que tanto lhe alegrava a vista.As árvores decorativas que plantara, imagin ando os efeitos, pareceram-lhe tristes naquela hora. As flores das cássias javânicas (papilonáceas para os botânicos) pareceram-lhe tristes, como tristes lhe pareceram as acácias mimosas (para os botânicos mimos&aacu te;ceas). Trouxera-as de longe para alegrarem a paisagem. Depois lembrou-se que as flores exprimem não o sentimento delas, mas de quem as observa...
Ao apear no terreiro foi logo dizendo para o capataz:
       -Olha, Bastos, vamos parar todo o serviço aí. Quantos homens temos na fazenda?
        -Vinte e ... deixe vê... (contou nos dedos). 
         Zé Pequeno, Geraldino,Tonho,Chico, Mirto...vinte e oito, doutor.
        -Temos que dispensar quase todos. Talvez fiquem uns quatro.
        -Mas doutô. Quatro?!
       -Não pode ser mais. Vem aí uma crise dos diabos. Fala-se até em seca. Olha o preço, caiu estupidamente. O cacau cada hora vale menos. Esboça-se uma crise de proporções incalculáveis e além de tudo, o Dr.Adalício, entendido em meteorologia, disse-me que tudo indica que teremos uma seca este ano. Além da queda, coice. Vamos parar tudo. Vá se agüentando aí como puder mas vamos parar tudo.
        O Bastos entristeceu e pensou:
        -É, órde é órde...Logo agora que a lavoura tá prometendo...é?!
         Resoluto resolveu perguntar ao patrão:
        -Doutô, vosmicê vai na roça?
        -Vou.Vamos aqui nas roças de perto, porque eu não posso demorar.
Saíram. O caminho estreito infletia para a roça que se via por trás do aceiro da manga. Havia lama nos covoados.
       -Tem chovido aqui?
       -Graças a Deus.É quaji todo dia. Chuva é o que não farta não. Doutô...
O médico seguiu calado, observando tudo, um tapete de folhas secas se estendia sob o docel denso de copas verdejantes. A madeira escura dos cacaueiros viçosos, se pontilhava de flores de um lilás disfarçado; de bilros verdes, t esudos; de frutos lisos e já grandes esboçando umas pinceladas de amarelo-claro.
     -Logo agora-arriscou o Bastos-que percisa abri essa valeta, prá secá esse embrejado!...
     -Faça a valeta! - ordenou o doutor.
Adiante apresentou-se um grupo de cacaueiros coberto de frutos, bilros e flores.
O Doutor, maravilhado, perscrutava as copas, procurando cacau na ramada. Os bilros espalhavam-se pelos galhos até o cimo das árvores.
   -Também essa prancha, doutô,tá pôde.Era mió um carçamento nesse atolêro.Aí sim era prá filhos e netos...
   -Faça.Chame o Horácio e mande fazer. Diga a ele que faça um calceteamento bom. Você sabe que eu não regateio, mas exijo trabalho bom.
Já de volta um cacaueiro frondoso, destacando-se do grupamento pelo viço, apresentou-se pleno de frutos verde cana, bilros pontudos e de gomos profundos, imensa floração promissora.
O doutor parou, quase num êxtase. Os olhos brilharam sob a cintilação das lentes. O silêncio o envolveu num instante. Em seguida uma onda de rubor afluiu-lhe no rosto e, como um possesso,colocou um pé para trás e bateu agressivo a mão no pulso:
       -Tome! Tome! Tome!
Baixou a cabeça e seguiu para casa sem dizer mais palavra. Só ele compreendeu a significação do gesto.
Cacaueiro é mesmo a árvore da esperança.

Texto de Clodomir Xavier de Oliveira, natural de Itacaré (BA) em 16 de maio de 1910. Faleceu em Ubaitaba em 30 de Julho de 1995. Homem de letras, autodidata, foi professor de desenho, educação e expressão, compositor, poeta, autor teatral, artista plástico, charadista, encadernador de livro e cacauicultor. Exerceu as funções de presidente da Associação Rural e do Sindicato Rural de Ubaitaba. Fundador e presidente, por seis períodos, do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau, o CNPC. Escrivão de paz por duas vezes, agrimensor prático, colaborador de periódicos da região e da capital, foi vereador e prefeito de Ubaitaba, diretor de ginásio, fundador e presidente da Companhia Nacional das Escolas da Comunidade (CNEC), na cidade de Ubaitaba onde sempre viveu. Ocupou a Cadeira 15 da Academia de Letras de Ilhéus


Obras: Cacau e Leite, Método Voisin para principiantes, Estórias de Ubaitaba, além de Pulu , em sua 3a edição (esgotada),Grapiunas pictures. Trad.Fernando Gramacho. Essex: Essex University,1977. Ocupou a cadeira número 15 da Academia de Letras de Ilhéus cujo patrono é Domingos Rodrigues Guimarães.

*Colaboração de Eliane Sabóia.
Clodomir Xavier de Oliveira é um dos patronos da ALITA 

Fonte: http://academiadeletrasdeilheus.blogspot.com.br

Fonte (II): Academia de letras de Itabuna -ALITA

Capítulo 166

NÃO sinta medo, para não atrair críticas. Se tem certa maneira de comportar-se que sabe que está certa, mas os outros julgam errada, não tenha medo. Se tiver, atrairá uma onda de críticas e maledicências. Se não tiver medo, ninguém terá coragem de falar de você. O medo irradia forças negativas, que atraem críticas. Se você não teme, paralisa a crítica nos outros, que se sentem tolhidos e dominados por sua força mental positiva.

Do livro MINUTOS DE SABEDORIA, de C. Torres Pastorino
Ed. Vozes

Diz o ditado: "Quem planta ventos, colhe tempestades."

Jesus lava os pés dos discípulos
Jo 13, 1-15
 
Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Foi durante a ceia. O diabo já tinha seduzido Judas Iscariotes para entregar Jesus. Sabendo que o Pai tinha posto tudo em suas mãos e que de junto de Deus saíra e para Deus voltava, Jesus levantou-se da ceia, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a à cintura. Derramou água numa bacia, pôs-se a lavar os pés dos discípulos e enxugava-os com a toalha que trazia à cintura. Chegou assim a Simão Pedro. Este disse: "Senhor, tu vais lavar-me os pés?". Jesus respondeu: "Agora não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás". Pedro disse: "Tu não me lavarás os pés nunca!". Mas Jesus respondeu: "Se eu não te lavar, não terás parte comigo"... Disse aos discípulos: "Entendeis o que eu vos fiz? Vós me chamais de Mestre e Senhor... Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais assim como eu fiz para vós".
 
Comentário do Evangelho
Jesus celebra a sua última ceia
 
Jesus celebra a sua última ceia com seus discípulos um dia antes da Páscoa dos Judeus. É a ceia da sua glorificação (Jo 17,1), culminando o seu longo e dedicado ministério na Galiléia e territórios visinhos. O evangelho de João não menciona a partilha do pão e do vinho. O sentido da eucaristia, contudo, está expresso no ato do lava-pés. Jesus ensina aos discípulos o caminho do desapego e do serviço. É este o caminho que leva à glória do Pai. 
É servindo e doando-se que os discípulos, em todos os tempos e povos, se unem a Jesus e se tornam a imagem do Deus que é amor. 
 
Oração


Pai, ajuda-me a superar os esquemas mundanos que rompem a fraternidade e me reduzem aos esquemas do pecado, impedindo que eu me faça servidor do meu próximo. 

Fonte:www.paulinas.org.br 

Comentários sobre a Agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto das Oliveiras – Parte I



No momento em que acaba a Santa Ceia e Nosso Senhor e os Apóstolos se dirigem para o Horto das Oliveiras. Então, diz:
“Depois dessas palavras, tendo recitado o hino de ação de graças, saiu Jesus com os discípulos para além da corrente do Cedron. Dirigindo-se para o monte das Oliveiras segundo costumava, chegaram a um lugar chamado Getsemani, onde havia um jardim em que entrou com seus discípulos. Chegando a esse lugar, disse-lhes Jesus: ‘Sentai-vos aqui, enquanto vou ali fazer oração; orai também para que não entreis em tentação’”.
Vê-se que há uma delimitação clara entre a festa da instituição da Eucaristia e da primeira Missa, e depois a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quer dizer, a Santa Ceia tem um caráter festivo sobre o qual já se projetam as sombras e as tristezas dos acontecimentos trágicos que virão depois.
Em certo momento o caráter festivo cessa: Nosso Senhor, terminada a Ceia, faz a ação de graças e a festa cessou. A partir do momento em que a festa cessou, Ele começa então a enfrentar a dor, o drama, a grande luta da vida dEle; uma vida que já fora toda ela de lutas, mas que chegou nesse momento ao seu auge e ao seu apogeu.
Nós devemos, para bem saborear os acontecimentos que o Evangelho narra nessa linguagem tão simples, imaginar o estado de alma de Nosso Senhor Jesus Cristo e as disposições do Sagrado Coração de Jesus ao longo desses fatos.
A Santa Ceia para Ele foi triste a dois títulos. Em primeiro lugar porque Ele via a Paixão que viria depois dela, da qual já tinha todo o conhecimento. Mas era triste também por causa da situação tristíssima dos Apóstolos.
A todo o momento nós vemos na narração da Santa Ceia aparecerem manifestações da mediocridade dos Apóstolos, da insuficiência deles. Isso deveria cortar o Sagrado Coração de Jesus, traspassá-lo mais do que a lança de Longinus: a infidelidade dos Apóstolos, o insucesso da obra que Nosso Senhor tinha começado com eles. Quer dizer, chegado o fim e Nosso Senhor lhes dando a maior manifestação de seu amor até aquele momento, que era de instituir a Santa Ceia e de dar-se a Si próprio em comunhão a eles, Ele vê aquelas almas receberem esse dom incomparável com aquela frieza que nós vemos.
São Pedro, ao mesmo tempo exagerado e superficial; Judas, nas condições abomináveis que não vale a pena sequer referir; os outros Apóstolos, se preparando, depois desse supremo dom, para a fuga…
Há aquele episódio tão bonito de São João Evangelista, discípulo amado, que reclina a cabeça sobre o peito de Jesus e perguntou a Ele quem era o traidor. E Nosso Senhor então disse quem era.
Diz o Evangelho “o discípulo a quem Jesus amava”. Esse discípulo que Jesus amava ia fugir como os outros. É verdade que ele aparece depois no alto da cruz. Mas dizem muitos intérpretes que aquele moço de que fala o Evangelho, que saiu deixando a capa nas mãos dos que prendiam a Nosso Senhor, era São João Evangelista, tomado de pânico. O apóstolo virgem, o apóstolo casto por excelência, o apóstolo preferido, foge! – e foge em que condições! – deixando o Divino Mestre.

Quer dizer, tudo são sombras que vão baixando. Ao mesmo tempo em que os clarões da Missa se vão acendendo, e que Nosso Senhor Jesus Cristo – que conhecia todos os tempos e tudo quanto havia de acontecer – se deleitava com a ideia de toda a glória que a Missa daria ao Padre Eterno até o fim dos tempos, com todas as adorações que Ele receberia de todos os santos, de todas as almas eleitas até o fim do mundo na Sagrada Eucaristia e na Missa.

Ou seja, todos esses sentimentos entravam no Coração dEle e constituíam um claro-obscuro de tristeza e de alegria. Mas há um momento em que o claro-obscuro fica obscuro. O claro se retira. Nosso Senhor, então, vai entrando cada vez mais nas sombras de Sua dor e de Sua morte, cada passo que se aproxima é mais trágico do que o outro. Se isto se pudesse dizer de Nosso Senhor, se diria que é mais sinistro do que o outro.
E caminha, mas caminha seguramente sem um minuto de distensão, sem um minuto de alívio a não ser na hora em que Ele recebeu o Anjo que O consolou; a não ser na hora em que Ele viu Nossa Senhora e teve a presença dEla, sem nenhuma outra forma de alívio, sem nenhum outro minuto de alívio, até o alto, no momento extremo em que Ele morreu no auge da dor, exclamando: “Meu Pai, meu Pai, por que me abandonaste?”
É o começo de um Salmo em que está predita a Ressurreição dEle; e em que Ele, dizendo “por que me abandonaste” deixa implícita a previsão, a profecia de que Ele haveria de ressuscitar. Então, no auge do abandono, implicitamente Ele previa a Ressurreição dEle.
Mas até isso, até o “consummatum est”, em que Ele diz “tudo está pronto, está sofrido tudo quanto era para sofrer, está co
mpleto tudo”, até esse momento nós vemos que as coisas vão se tornando para Ele trevas que se vão tornando cada vez mais densas.
Então, nós podemos imaginá-lo que vai com os Apóstolos, triste de dentro da Ceia, acabou a Ceia. Ele vai andando pelas ruas de Jerusalém até o Getsemani.
Começa a agonia - “agonia”, em grego, quer dizer “luta”; eles chamavam os atletas de “agonistas”, porque eram os que lutavam na arena. Então, começa a agonia, quer dizer a grande luta dEle, que Ele vai travar sozinho. E a solidão é exatamente uma das tragédias dEle durante a Paixão, até o momento em que Nossa Senhora aparece. A agonia dEle começa assim…

Plínio Correa de Oliveira – Excerto do “Santo do Dia”, 30 de março de 1972 (Sem revisão do autor)

Feliz Páscoa

Venho desejar a você, seus familiares e amigos, uma Feliz Páscoa. Com a presença amorosa e o bálsamo do Divino Pai Eterno.

É tempo de amor e paz.
É tempo de renovação!
É tempo de Esperança.

Peça a Deus, meu nobre amigo,  para renovar sua força de vontade, sua fé, esperança, seu amor por todas as coisas boas e belas.

Que o Divino e Amado Jesus Cristo retire  de sua mente e do coração qualquer  vestígio de mágoa, sofrimento, tristeza; e o dia seja de renovação e esperança, para vencer sempre.
... E iluminar a vida daqueles que necessitam de você, de sua atenção, do seu amor, da sua fidelidade, da sua sinceridade e daquele amo altruísta.

Que a nossa fé seja renovada, agora... Que o  amor seja renovado, nesta quarta-feira santa. Que a esperança e o amor sejam renovados, nesta sexta-feira santa.
Que o amor de Deus esteja sempre presente em seu lar doce lar. O amor de Deus  que é amplo, amor a humanidade, amor universal, amor beleza.
 
Desejamos amor e paz para vocês. Um fraternal abraço de: 

João de Paula e Expedita Maciel - Poetas da vez. 


Mosquitos

Um menino chamou o pai no meio da noite e disse:
—Pai, tem muitos mosquitos no meu quarto!
—Apague a luz que eles vão embora, filhote! — diz o pai, carinhosamente.
Logo depois apareceu um vaga-lume. O menino chamou o pai outra vez:
—Pai, socorro! Agora os mosquitos estão vindo com lanternas!


Soneto de amor - Mário de Sá-Carneiro


Que rosas fugitivas foste alí:
Requeriam-te os tapetes - e vieste...
- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apar'ceste -
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço -
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor

Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de maio de 1890 - Paris, 26 de abril de 1916) - Foi um poeta português. Foi um dos principais poetas pertencentes ao modernismo português, a chamada Geração D'Orhpeu. Começou a escrever muito cedo quando já mostrava um gênio impressionante. Foi para Coimbra estudar aos quinze anos e lá conheceu a figura mais importante na sua curta carreira literária, Fernando Pessoa. Com ele manteve intensa correspondência, enviando poemas e tratando de questões pessoais, muitas vezes, de uma forte angústia que o tomava, que, mais tarde, o levou a suicidar-se em um hotel em Paris. Mário de Sá-Carneiro, um grande poeta português. Fonte: Noblat


Chapa de oposição

Merval Pereira, O Globo

A definição de que a chapa PSB e Rede é uma resposta ao autoritarismo do governo petista, que tentou inviabilizá-la de todas as maneiras, é uma postura de combate do ex-governador Eduardo Campos e mostra bem a linha de atuação que ele e a ex-senadora Marina Silva terão durante a campanha eleitoral.
Com o lançamento da chapa Campos-Marina, fica definido um dos principais postulantes pela oposição à sucessão da presidente Dilma, acabando a especulação de que Marina não aceitaria um posto inferior na chapa, ela que estaria em 2º lugar na corrida presidencial se fosse candidata isolada.
Marina aceitou ser vice de Campos, mas não se considera em plano inferior politicamente, tanto que disse que caminhará “lado a lado” com ele. Essa visão, antes de ser um complicador para a composição da chapa, é uma solução para que os eleitores “marinistas” não se sintam desprestigiados e possam trabalhar para a transferência de votos de Marina para a chapa que o ex-governador de Pernambuco encabeça.
Campos, em entrevista prévia ao lançamento da chapa “pura” — Marina filiou-se ao PSB depois de ter sido negado o registro da Rede e repetiu ontem as críticas ao governo por tentar inviabilizá-la —, teve uma boa saída para explicar sua dissidência, depois de ter participado dos dois governos Lula e dos primeiros anos do de Dilma: “Esse governo decepcionou não só a mim, mas a muitos dos outros milhões que nele votaram”.
A outra postura que marcará a campanha da dupla foi definida pelo economista Eduardo Gianetti: essa chapa é a terceira via, uma alternativa para os eleitores que já estariam cansados da polarização entre PT e PSDB que vem marcando as disputas para a Presidência desde 1994. Seguindo a linha de seus líderes, Gianetti disse que os avanços construídos tanto por FHC quanto Lula não foram seguidos por Dilma, frustrando assim o eleitorado.
Caberia agora a Campos e Marina dar prosseguimento a esses legados, com uma visão nova que incorporaria o melhor dos dois partidos. Essa postura, se levada ao pé da letra, pode isolar a chapa Campos e Marina, que ficaria sem apoios políticos para o segundo turno. Como pedir o apoio dos tucanos se eles forem alvos de ataques no primeiro turno?
Na carta de princípios esboçada está o compromisso de não fazer ataques pessoais aos adversários, o que poderá levar a que tanto Campos quanto Marina façam suas críticas no campo programático, o que seria uma novidade em eleições presidenciais recentes.
Foi esse estilo, porém, que levou Marina a ter grande votação em 2010, sem atacar mesmo a então candidata Dilma, com quem se desentendeu no governo Lula. O próprio Lula comentou recentemente que compreendia a dissidência de Marina, pois acompanhou suas desavenças com Dilma.
Colocada como de oposição, a candidatura de Campos caminha para tentar receber a maioria possível de votos dos eleitores de Marina e terá na vice uma candidata atuante, que poderá ocupar palanques alternativos durante a campanha.
Há na política a definição de que vice não dá voto a ninguém, mas pode tirar. Marina está desafiada pelas circunstâncias eleitorais a provar o contrário quanto à transferência de votos. Mas terá de ter cuidados para não tirar votos de Campos em setores delicados na relação dos dois, que, segundo ela, ainda está sendo construída.
O agronegócio é um desses temas delicados que podem provocar desavenças na campanha, assim como a relação com os evangélicos. Marina citou ontem o fato de ser uma “mulher de fé”, mas garantiu que não faz do púlpito palanque. Tem a seu favor a campanha de 2010, em que não usou a religião para se promover, mas mesmo assim recebeu uma votação maciça dos evangélicos.
O problema para ela nesta eleição é que o pastor Everaldo (PSC) está em campanha assumidamente como candidato evangélico, e, quando um irmão é candidato, a maioria dos votos vai para ele, como demonstram as pesquisas do professor Cesar Romero Jacob, diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, que lançou o e-book “Religião e Território no Brasil: 1991/2010”, da Editora PUC.
Ao analisar as transformações no perfil religioso da população, com o crescimento do número de evangélicos no país, esse trabalho é útil para o entendimento do cenário eleitoral. Marina não fez campanha como evangélica, mas as igrejas evangélicas fizeram campanha para ela, o que significou boa parte de seus votos, que agora serão disputados pelo pastor Everaldo.
 
Fonte: NOBLAT

“Questão de Gênero?”


Enquanto nestes dias as redes sociais, com estardalhaço, publicavam as mais variadas opiniões sobre uma mal fadada pesquisa do IPEA a respeito do estupro, em Brasília, deputados se mobilizavam para votar um projeto de lei que regulamenta no Plano Nacional de Educação “respeito pela questão de gênero”.
Ao mesmo tempo, na Capital da República, outra novela se desvela alheia aos olhos de milhões de cidadãos brasileiros que são as investigações a respeito de corrupção na outrora maior empresa de petróleo do mundo (orgulho de ser patrimônio nacional).
Dentro deste contexto, a Igreja Católica nesta porção do Povo de Deus na Diocese de Jequié, vem se manifestar peremptoriamente contrária a esta ideologia do partido que governa a nação que deseja “impor” pela maioria de sua base aliada um projeto que quer eliminar a ideia de que os seres humanos se dividem em dois sexos, afirmando que as diferenças entre homem e mulher não correspondem a uma natureza fixa, mas são produtos da cultura de um país, de uma época.

Algo convencional, não natural, atribuído pela sociedade, de modo que cada um pode inventar-se a si mesmo e o seu sexo.

A consequência desse nefasto projeto é a mais completa dissolução do grande valor da dignidade do ser humano e da família. Imaginemos tantas crianças e adolescentes em escolas públicas ou particulares “aprendendo” que tudo é apenas uma questão de escolha.
Tudo isso baseado na análise marxista da história como luta de classes, dos opressores contra os oprimidos, sendo o primeiro antagonismo aquele que existe entre o homem e a mulher no casamento monogâmico. Uma ideologia que procura desconstruir a família e o matrimônio como algo natural. A voz que clama dentro de nós, é a da nossa consciência, reta, sincera e verídica a gritar: o ser humano possui dignidade. Devemos nos atribuir o real valor que possuímos,mesmo que seja isso politicamente incorreto e contrariando o modismo imposto pela mídia e pelo governo. Recordando as palavras de Santo Anastácio: “se o mundo for contra a verdade, eu serei contra o mundo”.

Jequié, 04 de abril de 2014.
Dom José Ruy G. Lopes, OFMCap
Bispo Diocesano de Jequié
_____________

Fonte: Fanpage da Mitra Diocesana de Jequié

HÁ UMA FORÇA QUE NINGUÉM PODE TIRAR DE VOCÊ. João Batista de Paula – Colaborador do Planeta Letras.
 
 
Há uma força que ninguém pode tirar de você. É só saber viver e compartilhar o amor, a bondade, a cortesia e a gentileza. Há uma força que ninguém pode tirar de você, basta orar e vigiar, segurar firme na corda da salvação. É importante nunca deixar ninguém tirar de você a alegria de viver, a pureza, a inocência, a fé e a esperança naquilo que você acredita.

Deixe que retire de você, o seguinte: a doença, a pobreza e o conflito, para que você tenha o merecimento de viver a gloria de Deus.
 
Há uma força que ninguém pode tirar de você...

Teu amor.
Tua presença.
Tua companhia.
Tua fé.
Teu sonho.
Teu pensamento.
Teu amor.
Tua esperança.
Tua beleza.
Teu sorriso.
Teu elogio.
Teu viver.
Tua paz.
Tua sinceridade.
Tua dedicação.
Tua verdade.
Teu otimismo.
Tua alegria de Viver.
Tua vitória.
Teu Deus.
Teu pensamento.
Tua dignidade.
Tua bondade.
Tua virtude.
Teu olhar.
Tua energia.
Tua luz.
Teu foco.
Teu conhecimento e saber.
Tua doação.
Tua naturalidade.
Teu brilho próprio.
Tua impressão digital..
Teu poema.
Tua canção.
Tua mensagem.
Tua gratidão.
Teu regozijo.
Tua compaixão.
Tua sombra.
Teu testemunho.
Tua mão santa.
Tua voz para Deus.

Lembre-se: Você é Importante. Sua vida só você a vive.

Nada resiste a beleza e o amor, a fé e a esperança, a boa saúde, o dinheiro e a Deus. Há uma força que ninguém pode tirar de você: sua alma e espírito, sua razão de ser, filho amado de Deus pai Todo Poderoso.

A queda das batinas! (Ficção)
Antonio Nunes de Souza*

Aproveitei o gancho da “queda da bastilha” na revolução francesa, para chamar a atenção de todos sobre o movimento que não tardará acontecer, em função dos novos comportamentos que exigem mudanças radicais com relação a diversas regras, hábitos, costumes e determinações sem maiores sentidos que, nos dias de hoje, não deixam de ser obsoletas e demonstração de atrasos, levando a transtornos bem mais absurdos e imperdoáveis. Os tradicionalistas certamente acharão que sou um herege, pecador profundo, profano e cheio de idéias maledicentes. Mas, não é nada disso, pois estou apenas vislumbrando algo que já vem acontecendo sutilmente e, sem dúvida, acontecerá numa proporção que não se poderá mais deixar de mudar as regras descabidas do jogo!
Estamos no ano de 2051, nas ruas e avenidas encontram-se várias passeatas reivindicadoras, pois isso jamais parará de acontecer, atrofiando o trânsito que, enfrentado buzinas e apitos, continua parado sem poder andar. Dentre as passeatas havia uma que se destacava pela cor preta das suas vestes e a organização criteriosa e educada, mesmo com suas faixas, bandeiras e cartazes, com pedidos que batiam de testa com a Igreja e o Vaticano, mas, objetivos e claros nos seus desejos de mudanças. Aprendi na faculdade que o juramento de castidade (celibatário) foi criado e instituído por um Papa (não lembro o nome), para que os padres quando morressem não tivessem herdeiros e os seus bens ficavam diretamente para a Igreja! Naquela época já era um absurdo, mas, como a igreja era parceira dos reis e tinha um poder de mando sensacional, ser padre, mesmo com esse sacrifício, valia a pena pelo estatus que lhe davam exercer essa função.
Dentre todas as reivindicações dos padres, a mais veementemente solicitada era a liberdade de terem o direito de se casarem, constituir famílias, dando-lhes a liberdade de viverem como cidadãos comuns com direitos de igualdade aos demais homens, pois, curiosamente, a igreja católica é uma das raríssimas no mundo que não permite o casamento dos seus ministros. As faixas e cartazes eram claros e objetivos: Queremos ter o prazer com uma mulher! – Basta de provocar o homossexualismo! – Vamos oficializar nossas amantes escondidas! – O casamento não nos fará deixar de sermos padres! – Precisamos de padres, mas essa condição espanta os homens! E assim por diante, todos caminhando para a Catedral, vizinha a casa do Bispo, onde farão uma manifestação com discursos fortes e exigentes, com promessas de abandono das batinas (já pouco usadas) e procurarem uma nova atividade que lhe qualifique como um homem dentro da igualdade social.
Parece uma loucura da minha cabeça, mas, tenham certeza que, possivelmente esse fato ocorrerá até o ano de 2051. Ou quem sabe, pode ser até bem antes disso!
O curioso é que, lá no fim da passeata havia uma freira com uma tabuleta onde se lia: Eu também quero essa liberdade seu Bispo!   

*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras de Itabuna – antoniodaagral26@hotmail.com

 A cobra e a minhoca
R. Santana


O velho Tanaguchi não é a rainha persa Xerazade, mas sua criatividade não tem limite, toda vez que o encontro, ele tem uma história pronta para me contar, e, se o papo se prolonga noite adentro ou ao longo do dia, seu repertório parece que não tem fim, o homenzinho é um repositório de saber, aliás, ele dispensa o “saber” e substitui por “sabedoria”... Justifica que quase não teve escola e o pouco que sabe, ele aprendeu com a leitura do mundo.
            Naquela manhã, o encontrei numa praça de jardim bisbilhotando as páginas de um livro, então, provoquei-o:
            - Eis aí o homem dos livros!
            - Meu caro Narvil, eu te confesso que é através do livro que viajo pelo mundo passado, presente e futuro. Meus pais foram mal alfabetizados pelos meus avós, naquele tempo, um braço a mais na lavoura era vital, portanto, quando o menino sabia ler e escrever e as quatro operações aritméticas, ao invés de uma nova caneta e um novo livro, era lhe dado uma enxada, uma estrovenga, um facão... Mas, que tu fazes aqui, não trabalhas mais!?
            - Oh, Esopo dos tempos modernos! Não lembras que como tu, eu sou um vadio institucional?
            - Não vos dizeis bobagens, eu e tu já produzimos muito para este país de homens de má fé, é legal e justo que no ocaso da vida, quando não somos mais força de trabalho, morramos... – eu o interrompi:
            - Meu velho, tu deixes de churumelas e me conte uma boa história!
            - Não sei se é boa, mas gosto muito da história da cobra e da minhoca que ocorreu no tempo em que os animais falavam e a cobra não tinha a visão perfeita de hoje!
            - Desembuches, ó homem!

***

A cobra e a minhoca

            - Bom dia, dona Cobra! – a cobra olhou o impertinente por cima dos óculos...
            - Quem és tu?
            - A Minhoca!
            - Como atreves verme sujo, perturbar o meu ócio!
            - Eu não sou sujo, estou sujo, a terra é meu suor!
            - Além de verme desprezível, és insolente!
            - Na natureza dona Cobra, cada espécime tem o seu lugar, somos responsáveis pelo seu equilíbrio, todos nós somos necessários!
            - Eu sou o símbolo da medicina, da enfermagem, eu represento o bem e o mal, a esperteza, tu és, apenas, isca de peixe! – cheia de empáfia.
            - É o ciclo da natureza: eu me alimento de húmus, deixo o vento e a água passarem pelos meus túneis, assim, levo vida à terra e aos vegetais, sou dada ao peixe, o homem se alimenta de peixe, morre e volta pra terra!
            - Tu queres posar do bem, mas tu estragas barragens e diques com o teu fuça-fuça e prejudica o homem. O meu cuspe dá vida e serve para minha autodefesa, afora me alimentar de espécimes nocivos à natureza. Tu nunca vais ser mais útil!
            - O meu fuça-fuça estraga o concreto, mas não mata o homem, além disto, dou-lhe saúde e beleza, jamais lhe feri de morte nem nunca o atraiçoei...
            - Verme nojento, tu não conheces a história da vida, não sou traiçoeira, ajo em autodefesa, quem traiu o homem no Éden não foi a serpente, o Diabo a usou para que Eva e Adão cometessem o primeiro pecado!
            - Há 500 milhões de anos conheço essa história de desobediência a Deus, porém, vós não deixastes de ferir o calcanhar do homem e tua cabeça esmagada, além da maldição de vos rastejardes sempre!
            - Ser desprezível, nunca houve maldição... O Diabo usou a serpente para o seu propósito espiritual, cada ser tem sua natureza e forma, tu, por exemplo, és asquerosa e segmentada, nunca vais ser cobra, tua sina é furar a terra, portanto, ides antes que me aborreça! – não demorou, surgiram alguns caçadores na mata, a cobra preparou o bote, mas foi advertida pela minhoca:
            - Se ferirdes um, serás cortada em pedaços pelos demais, não sejais imprudente, dona cobra!
            - Faço o quê!? – apavorada...
            - Penetres comigo naquele túnel!...



***







MORAL


A necessidade diminui a diferença, o orgulho, o preconceito, excita a prudência e o bom senso.


Autor: Rilvan Batista de Santana

Licença: Creative Commons 

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