Elis, o fino da bossa

Arnaldo Niskier
O médico examinou o menino João Marcelo Bôscoli e o desenganou. Tem uma doença rara, ligada à lactose, e não há recursos da medicina para salvá-lo. A mãe, Elis Regina, não se conformou com o veredito. Pegou o filho no colo e passou a noite cantando para ele. No dia seguinte, quando o médico voltou, não entendeu nada. Quando soube do que se passara – e ele estava melhor – diagnosticou que a voz salvara a vida do filho. Foi um milagre.
Pode estar aqui a síntese perfeita do que Elis representou para a música brasileira, da qual é considerada a maior intérprete de todos os tempos. Começou a sua fulgurante carreira aos 14 anos de idade, em Porto Alegre, no Clube do Guri. Veio para o Rio na década de 60, trazida por Carlos Imperial, que era um conhecido caçador de talentos. Foi então que tive o prazer de entrevistá-la para a revista “Manchete”, em 1964, quando ela contou parte dos seu sonhos. Queria ser cantora, mas não desprezava o curso de formação de professores que havia feito em sua terra. “Quem sabe, posso fazer as duas coisas?” 
O seu destino estava traçado. Cantou no “Beco das Garrafas”, no Rio, e logo depois foi para São Paulo, onde brilhou no programa “O fino da bossa”, já então dirigida pelo produtor e meu amigo Ronaldo Bôscoli, ao lado de Luís Carlos Miele. Abandonou o cabelo estilo “bolo de noiva” e foi convencida a adotar o modelo “Joãozinho”, bem curto, com o qual se consagrou. A influência de Bôscoli foi tão forte que acabaou se apaixonando por ele. Casaram, tiveram o filho João Marcelo, hoje produtor musical, mas foi uma vida de muitas brigas. Dois temperamentos difíceis e houve a separação. Elis ficou com muita raiva de Ronaldo e impediu que ele visse o filho.
Foi aí que entrei mais uma vez na vida deles. Um dia, o Ronaldo me liga e pergunta se conheço um determinado Juiz de Família. Era meu amigo de infância. “Preciso que ele autorize as visitas ao meu filho, estou morrendo de saudade.” Falei com o amigo, que foi sensível ao meu apelo. Consegui aplacar a ira da grande cantora que, enquanto isso, acumulava prêmios em programas de rádio e televisão, com sucessos como “Madalena”, “O Bêbado e a Equilibrista” e “Águas de Março”.
Jobim, Tim Maia, Ivan Lins, Edu Lobo, Jair Rodrigues e outros astros. Todos elogiavam a sua incrível afinação, como demonstrou cantando “Arrastão”, em 1965, no Festival da TV Excelsior. Variou da bossa nova ao samba, ao rock e ao jazz, com estilo nitidamente influenciado pela grande Angela Maria.
Elis não foi longe. Morreu aos 36 anos de idade, em São Paulo, diante da comoção nacional. Deixou três filhos e uma legião de aficionados, que agora curtem no Rio de Janeiro ( Teatro Oi Casa Grande ), pela poderosa voz de Laila Garin, toda a felicidade e amor, a melancolia e o mistério da nossa maior intérprete.

Jornal do Commercio - RJ, 24/01/2014

Fonte

Minha infância
(Freudiana)

Éramos quatro as filhas de minha mãe.
Entre elas ocupei sempre o pior lugar.
Duas me precederam – eram lindas, mimadas.
Devia ser a última, no entanto,
veio outra que ficou sendo a caçula.
Quando nasci, meu velho Pai agonizava,
logo após morria.
Cresci filha sem pai,
secundária na turma das irmãs.
Eu era triste, nervosa e feia.
Amarela, de rosto empalamado.
De pernas moles, caindo à toa.
Os que assim me viam – diziam:
“- Essa menina é o retrato vivo
do velho pai doente”.
Tinha medo das estórias
que ouvia, então, contar:
assombração, lobisomem, mula sem cabeça.
Almas penadas do outro mundo e do capeta.
Tinha as pernas moles
e os joelhos sempre machucados,
feridos, esfolados.
De tanto que caía.
Caía à toa.
Caía nos degraus.
Caía no lajedo do terreiro.
Chorava, importunava.
De dentro a casa comandava:
“- Levanta, moleirona”.
Minhas pernas moles desajudavam.
Gritava, gemia.
De dentro a casa respondia:
“- Levanta, pandorga”.
Caía à toa…
nos degraus da escada,
no lajeado do terreiro.
Chorava. Chamava. Reclamava.
De dentro a casa se impacientava:
” – Levanta, perna-mole…”
E a moleirona, pandorga, perna-mole
se levantava com seu próprio esforço.
Meus brinquedos…
Coquilhos de palmeira.
Bonecas de pano.
Caquinhos de louça.
Cavalinhos de forquilha.
Viagens infindáveis…
Meu mundo imaginário
mesclado à realidade.
E a casa me cortava: “menina inzoneira!”
Companhia indesejável – sempre pronta
a sair com minhas irmãs,
era de ver as arrelias
e as tramas que faziam
para saírem juntas
e me deixarem sozinha,
sempre em casa.
A rua… a rua!…
(Atração lúdica, anseio vivo da criança,
mundo sugestivo de maravilhosas descobertas)
- proibida às meninas do meu tempo.
Rígidos preconceitos familiares,
normas abusivas de educação
- emparedavam.
A rua. A ponte. Gente que passava,
o rio mesmo, correndo debaixo da janela,
eu via por um vidro quebrado, da vidraça
empanada.
Na quietude sepulcral da casa,
era proibida, incomodava, a fala alta,
a risada franca, o grito espontâneo,
a turbulência ativa das crianças.
Contenção… motivação…Comportamento estreito,
limitando, estreitando exuberâncias,
pisando sensibilidades.
A gesta dentro de mim…
Um mundo heroico, sublimado,
superposto, insuspeitado,
misturado à realidade.
E a casa alheada, sem pressentir a gestação,
acrimoniosa repisava:
” – Menina inzoneira!”
O sinapismo do ablativo
queimava.
Intimidada, diminuída. Incompreendida.
Atitudes impostas, falsas, contrafeitas.
Repreensões ferinas, humilhantes.
E o medo de falar…
E a certeza de estar sempre errando…
Aprender a ficar calada.
Menina abobada, ouvindo sem responder.
Daí, no fim da minha vida,
esta cinza que me cobre…
Este desejo obscuro, amargo, anárquico
de me esconder,
mudar o ser, não ser,
sumir, desaparecer,
e reaparecer
numa anônima criatura
sem compromisso de classe, de família.
Eu era triste, nervosa e feia.
Chorona.
Amarela de rosto empalamado,
de pernas moles, caindo à toa.
Um velho tio que assim me via
dizia:
“- Esta filha de minha sobrinha é idiota.
Melhor fora não ter nascido!”
Melhor fora não ter nascido…
Feia, medrosa e triste.
Criada à moda antiga,
- ralhos e castigos.
Espezinhada, domada.
Que trabalho imenso dei à casa
para me torcer, retorcer,
medir e desmedir.
E me fazer tão outra,
diferente,
do que eu deveria ser.
Triste, nervosa e feia.
Amarela de rosto empapuçado.
De pernas moles, caindo à toa.
Retrato vivo de um velho doente.
Indesejável entre as irmãs.
Sem carinho de Mãe.
Sem proteção de Pai…
- melhor fora não ter nascido.
E nunca realizei nada na vida.
Sempre a inferioridade me tolheu.
E foi assim, sem luta, que me acomodei
na mediocridade de meu destino.

( Cora Coralina )


(Poema conferido e digitado por mim mesmo e Rebeca dos Anjos em 28 de outubro de 2012, retirado do livro Melhores Poemas; seleção e apresentação Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 3a edição, 2008. 4a reimpressão, 2011. ps. 95 a 100)

O Sermão da Montanha
Mt 5, 1-12a
 
Quando Jesus viu aquelas multidões, subiu um monte e sentou-se. Os seus discípulos chegaram perto dele, e ele começou a ensiná-los. 
Jesus disse: 
- Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é delas. 
- Felizes as pessoas que choram, pois Deus as consolará. 
- Felizes as pessoas humildes, pois receberão o que Deus tem prometido. 
- Felizes as pessoas que têm fome e sede de fazer a vontade de Deus, pois ele as deixará completamente satisfeitas. 
- Felizes as pessoas que têm misericórdia dos outros, pois Deus terá misericórdia delas. 
- Felizes as pessoas que têm o coração puro, pois elas verão a Deus. 
- Felizes as pessoas que trabalham pela paz, pois Deus as tratará como seus filhos. 
- Felizes as pessoas que sofrem perseguições por fazerem a vontade de Deus, pois o Reino do Céu é delas. 
- Felizes são vocês quando os insultam, perseguem e dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e felizes, pois uma grande recompensa está guardada no céu para vocês.

Comentário do Evangelho
Bem-aventuranças
 
Mateus, no seu evangelho, apresenta, didaticamente, cinco coletâneas de textos extraídos das tradições das primitivas comunidades cristãs, formando cinco discursos de Jesus. O "Sermão da Montanha" é o primeiro destes discursos, em vista do anúncio do Reino dos Céus. Este Sermão inicia-se com as nove bem-aventuranças. 
A subida à montanha é uma alusão ao lugar do encontro com Deus e a Moisés que recebeu os mandamentos da Lei na montanha (Sinai). Moisés, agora, cede lugar a Jesus, que apresenta as bem-aventuranças do Reino dos Céus. Os mandamentos da Lei eram expressos em forma categórico-imperativa. Contudo, as bem-aventuranças proclamadas por Jesus são uma oferta amorosa de felicidade a ser encontrada na união de vontade com Deus, através de práticas acessíveis a todos. 
As bem-aventuranças não indicam um estado de felicidade de alguém que se aplica em crescer nas virtudes pessoais, mas sim a felicidade da comunhão com os irmãos, particularmente os mais excluídos, em um processo de libertação e integração social, e, nesta comunhão com os irmãos, a felicidade da própria comunhão com Deus. 
A primeira bem-aventurança apresenta a pobreza, na forma de desapego concreto dos bens terrenos, como a característica genérica do Reino. As duas bem-aventuranças seguintes apontam para as vítimas da sociedade injusta: os que choram e os submissos ("mansos") aos quais o amor de Deus traz a libertação. Seguem-se quatro bem-aventuranças ativas, em vista da transformação da sociedade: a fome e sede da justiça que é a vontade de Deus, a misericórdia que impulsiona à ação solidária, a pureza do coração que supera a pureza ritual e acolhe a todos, e os promotores da paz em vista da construção de um mundo sem a ambição e a violência daqueles que tiram o alimento dos pobres para transformá-lo em armas de destruição maciça. As duas últimas bem-aventuranças retomam o tema da justiça, advertindo sobre a repressão a que estarão sujeitos os que a buscam e exaltando sua grandeza. 
Pela prática das bem-aventuranças, na plenitude do amor, somos, de fato, filhos de Deus (segunda-leitura). Nelas encontramos valores universais, que podem ser entendidos e acolhidos entre todos os povos, chamados a formar "uma multidão imensa, que ninguém podia contar, gente de todas as nações, tribos e línguas" (primeira leitura). As bem-aventuranças são o caminho concreto para a transformação deste mundo em um mundo de fraternidade, justiça e paz.
 
Oração
 

Pai, move-me pelo Espírito a trilhar o caminho da santidade, colocando minha vida em tuas mãos e buscando viver as bem-aventuranças proclamadas por teu Filho Jesus. 
Fonte:www.paulinas.org.br 

Em Flagrante

Trabalhavam juntos três amigos: um italiano, um brasileiro e um português. Começaram a notar que o chefe saía mais cedo, até que certo dia eles resolvem sair logo depois do chefe, pra ter a tarde livre. 
O brasileiro aproveitou e foi no boteco tomar umas cervejas. O italiano foi para casa e preparou uma bela macarronada. O português foi para casa descansar e ao chegar abriu a porta do quarto bem devagar e viu a sua mulher na cama com o chefe! 
Mais do que depressa, ele fechou a porta e saiu de fininho, decepcionado. No dia seguinte, os seus amigos resolveram repetir a dose, já que o chefe não tinha desconfiado de nada, então foram chamar o português, que respondeu:
— Não... Desta vez eu não vou!
— Mas por que? — perguntam os amigos, aflitos.
— Saibam que ontem eu cheguei em casa e quase fui pego pelo chefe!

ABL elege o jornalista e escritor Zuenir Ventura para sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna

A Academia Brasileira de Letras elegeu hoje, quinta-feira, dia 30 de outubro, o novo ocupante da Cadeira 32, na sucessão do Acadêmico, dramaturgo, poeta e romancista Ariano Suassuna, falecido no dia 23 de julho deste ano. O vencedor foi o jornalista e escritor Zuenir Ventura, que obteve 35 votos. Votaram 18 Acadêmicos presentes e 19 por cartas. Concorreram com ele mais dois postulantes: Thiago de Mello e Olga Savary (um voto cada).
Os ocupantes anteriores da cadeira foram: Carlos de Laet – que escolheu como patrono o poeta, professor, jornalista, diplomata e teatrólogo Araújo Porto-Alegre –, Ramiz GalvãoViriato CorreiaJoracy Camargo e Genolino Amado.
Saiba mais
O novo Acadêmico
Bacharel e licenciado em Letras Neolatinas, Zuenir Ventura é jornalista, ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
É colunista do jornal O Globo e ingressou no jornalismo como arquivista, em 1956. Nos anos 1960/61 conquistou bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. De 1963 a 1969, exerceu vários cargos em diversos veículos: foi editor internacional do Correio da Manhã, diretor de Redação da revista Fatos & amp; Fotos, chefe de Reportagem da revista O Cruzeiro, editor-chefe da sucursal-Rio da revista Visão-Rio.
No fim de 1969, realizou para a Editora Abril uma série de 12 reportagens sobre “Os anos 60 – a década que mudou tudo”, posteriormente publicada em livro. Em 1971, voltou para a revista Visão, permanecendo como chefe de Redação da sucursal-Rio até 1977, quando se transferiu para a revista Veja, exercendo o mesmo cargo. Em 1981, transferiu-se para a revista Isto É, como diretor da sucursal. Em 1985, foi convidado a reformular a revista Domingo, do Jornal do Brasil, onde ocupou depois outras funções de chefia.
Em 1988, Zuenir Ventura lançou o livro 1968 - o ano que não terminou, cujas 48 edições já venderam mais de 400 mil exemplares. O livro serviu também de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, produzida pela TV Globo. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.
Em 1989, publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, que lhe valeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog. Em 1994, lançou Cidade partida, um livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro, traduzido na Itália, com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Reportagem. Em fins de 1998, publicou O Rio de J. Carlos e Inveja – Mal Secreto, que foi lançado depois em Portugal e na Itália. Já vendeu cerca de 150 mil exemplares. Em 2003, lançou Chico Mendes – Crime e Castigo. Seus livros seguintes foram Crônicas de um fim de século e 70/80 Cultura em trânsito – da repressão à abertura, com Heloísa Buarque e Elio Gaspari. No cinema, codirigiu o documentário Um dia qualquer e foi roteirista de outro, Paulinho da Viola: meu tempo é hoje, de Izabel Jaguaribe. Suas obras mais recentes são Minhas histórias dos outros1968 – o que fizemos de nós e Conversa sobre o tempo, com Luis Fernando Verissimo. Seu livro mais recente é o romance Sagrada Família.
Em 2008, Zuenir Ventura recebeu da ONU um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”. Em 2010, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.
Ao comentar sua série de reportagens sobre Chico Mendes e a Amazônia, The New York Review of Books classificou o autor como “um dos maiores jornalistas do Brasil”. A revista inglesa The Economist definiu-o como “um dos jornalistas que melhor observam o Brasil”.
Outras opiniões sobre o jornalista: “Ele nunca foi visto do lado errado. Foi sempre um tremendo batalhador. E só se torna amigo de um político depois que ele deixa o poder” (Elio Gaspari); “Ele tem uma tendência inata a renovar, a reformular o que não está bom” (Amílcar de Castro); “Um dos renovadores da linguagem e da feição gráfica do jornalismo brasileiro” (Luis Carlos Barreto).
Sobre o livro 1968, o ano que não terminou: “É um clássico” (Antonio Houaiss); “É muito bom o livro de Zuenir Ventura. O texto é cuidadíssimo, quem escreve sabe que aquilo que lá está foi reescrito ‘n’ vezes. É a melhor coisa que Zuenir já escreveu” (Paulo Francis); Sobre o livro  Inveja – Mal Secreto: “Zuenir criou uma obra original, emocionante e invejável” (Maurício Stycer); “Nesse corajoso livro de Ventura, o eu também dá lugar aos outros (...) Resultou numa obra surpreendente” (Marcelo Pen);  “...O jornalista Zuenir Ventura prova que domina a arte de prender o leitor, da primeira à última linha, o que já se sabia desde seus trabalhos anteriores” (Luiz Zanin Oricchio).
Zuenir Ventura tem 83 anos e há 51 é casado com Mary Ventura, com quem tem dois filhos: Elisa e Mauro.

A um ausente

Carlos Drummond de Andrade
 
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
 
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
 
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
 
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
 
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
 


   

Herói de Portugal, Guerreiro e Santo: conheça a incrível vida de São Nuno Álvares



Condestável de Portugal, São Nuno Álvares Pereira.
Nascido em 1360, no Castelo de Sernache de Bonjardim, filho de um dos mais ilustres senhores do reino, D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior da Ordem Militar dos Hospitalários, teve D. Nuno a educação militar dos nobres.
Aos 16 anos casou-se com D. Leonor de Alvim, muito virtuosa e tida como a mais rica herdeira do reino. Tiveram três filhos: dois meninos, que morreram cedo, e uma menina, D. Beatriz, que foi tronco da Casa de Bragança.
Porém Nuno não se satisfazia com ser pacato castelão. Lembrava-se do dia em que fora armado cavaleiro, dos juramentos solenes que fizera, e perguntava a si mesmo: “Passarei toda a vida assim? Para isto recebi tão solenemente a espada, sobre a qual fiz tão sérias promessas?”
O Rei D. Fernando, o formoso, entregara grande parte do reino ao invasor castelhano, sem qualquer resistência; homem apático, mole, desfibrado, mereceu de Camões o severo juízo: “um fraco rei faz fraca a forte gente”.
E havia também o “grande desvario”: Fernando ousara colocar no trono de Sta. Izabel, como Rainha de Portugal, a legítima esposa de um fidalgo que exilara — D. Leonor Teles, “a aleivosa”.
As guerras tinham esgotado o tesouro real, levando o Rei a alterar o valor da moeda — espécie de inflação da época — logo acarretando carestia, câmbio negro e fome.
Em 1373 o exército castelhano invade o sul do país, a esquadra lusitana é fragorosamente derrotada em Saltes, Lisboa é cercada. O Rei D. Fernando não tem força moral para resistir, os fidalgos da fronteira se desinteressam da defesa, bandeiam-se. O reino agoniza.
Herói da Independência de Portugal
Nuno, aos 22 anos de idade, participa da defesa de Lisboa. Uma incursão fora dos muros, contra as tropas castelhanas que pilhavam os vinhedos, o coloca subitamente, com seus 50 homens, face a 250 inimigos.
Não conseguindo levantar o ânimo apavorado dos cavaleiros portugueses com exortações, ele se atirara sozinho contra os espanhóis.
Ataca-os, é cercado, derrubado e atacado a lançadas — que entretanto resvalam pela armadura — até que os seus, arrebatados pela sua coragem, abrem caminho para salvá-lo e lançam-se sobre os inimigos num ímpeto avassalador, que só termina com a fuga destes a nado, pelo rio.
Ano de 1384. Para sustentar as pretensões de D. Beatriz, Castela invade Portugal pelo sul. Nuno acode com um exército mal formado e desesperançado.
Começa por erguer o ânimo dos soldados, fazendo-os assistir à Missa em ordem militar, exortando-os a serem inflexíveis no lutar pela causa justa, dando ele próprio o exemplo ao afirmar que não reconhece como tais a dois irmãos seus, que marcham na vanguarda do exército inimigo.
Mais tarde se poderá dizer que os acampamentos de seus comandados mais pareciam mosteiros de religiosos reformados, tal a ordem e a piedade que neles dominavam.
No campo de Atoleiros os dois exércitos se defrontam. Nuno forma os seus num quadrado cerrado, ponteado de lanças. Contra este se atira a cavalaria castelhana, e atrás dela a peonagem, sem conseguir varar a muralha que as lanças formam, enquanto de dentro chovem flechas e pedras.
Aos poucos o ímpeto do invasor vai arrefecendo, e então o jovem capitão ordena o ataque. Abre-se o quadrado e dispara a cavalaria portuguesa, animada por D. Nuno, que se atira sobre os castelhanos até desbaratá-los completamente.
Para agradecer à Mãe de Deus a vitória, Nuno vai em peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Assumar e encontra-o profanado, transformado em estrebaria. Com suas próprias mãos ele o limpa e o entrega novamente ao culto.
A vitória de Atoleiros desanima os invasores, que levantam o cerco de Lisboa e se retiram de Portugal.
Novamente Castela invade Portugal, agora pelo norte. São 30 mil homens contra os 8 mil de que dispõe D. João I. O conselho real recomenda não dar combate. Colérico, Nuno abandona a corte, até obter do Rei a permissão de ir ao encontro do invasor.
Nos campos de Aljubarrota vai se travar a batalha decisiva para a soberania de Portugal. É o dia 14 de agosto, vigília da Assunção. O Bem-aventurado forma seus homens numa garganta estreita, oferecendo assim pequena frente ao ataque. Ao meio-dia surge o exército inimigo, tendo a flor da nobreza e o próprio Rei D. João.
Só às seis horas os gritos de guerra cortam o ar, e a cavalaria castelhana arremete em disparada contra a muralha formada pelos portugueses. Estes resistem firmes sob o comando do Condestável.
Nova carga, e a ala esquerda começa a ceder. Nuno voa para lá, reanima os soldados e recupera a posição. Entrechocam-se as lanças, saltam os cavalos, bradam os guerreiros, clamam os feridos, e no fragor da batalha os espanhóis começam a recuar. Neste momento, novamente o Condestável ordena o ataque.
Abrem-se as fileiras, e ele rompe à frente dos cavaleiros sobre o inimigo, que não mais lhes resiste. Aos poucos o recuo vai se transformando em fuga desabalada, enquanto os portugueses gritam vitória pelos campos, que o sol do crepúsculo ilumina docemente. Em menos de uma hora fora ganha a batalha decisiva.
Aproveitando o ímpeto vencedor, Nuno atravessa a fronteira e invade Castela, em busca do exército que ele quer desbaratar completamente. Conquista facilmente Parra, Zafra, Fuente del Maestre, Usagre e Vila Garcia.
Por fim oferecem-lhe combate em Valverde. Forma seu quadrado clássico, mas ao invés de esperar na defensiva, investe em bloco contra os outeiros em que se entrincheiram os inimigos.
Ao contrário das anteriores, a batalha é longa, já dura dois dias. Dois dos outeiros são conquistados, o terceiro resiste firme. Neste momento o Condestável desaparece.
Desconcertados, seus cavaleiros o procuram. Teria morrido? Afinal Ruy Gonçalves encontra-o atrás de umas pedras, rezando.
Pede, insiste que venha logo, que os portugueses vão ser dispersados. “Ainda não é o momento — responde D. Nuno — deixai-me terminar de orar”. E permanece longo tempo ainda em oração.
Depois levanta-se, o rosto iluminado, os olhos brilhantes. Monta a cavalo e se atira como uma flecha no meio dos inimigos, abre caminho impetuosamente, e sem que o consigam deter, atinge a bandeira do Mestre de Santiago, comandante castelhano.
Atrás dele os portugueses, eletrizados pela sua audácia, irrompem igualmente por entre os adversários. Atônitos, estes debandam sem esboçar mais qualquer resistência.
A vitória de Valverde consolidou definitivamente a independência de Portugal.
Nos anos que se sucederam, D. Nuno ocupou-se em reorganizar de forma estável e definitiva o exército português. Fez edificar várias igrejas em honra da Virgem, sendo a mais importante a de Nossa Senhora do Vencimento, em Lisboa.
Herói na Vida Monástica
Foi nesta igreja, confiada aos padres carmelitas, que ele se apresentou em 1423 pedindo para ser admitido como irmão donato na Ordem.
E como o Superior, Padre Afonso da Alfama, insistisse em recebê-lo ao menos como irmão leigo, numa posição um pouco menos desconforme à sua dignidade, respondeu: “Vim à Religião para me empregar nos humildes ministérios dos que professam a vida ativa, e não quero outro hábito que o dos serventes“.
A 15 de agosto de 1423, 38º aniversário da batalha de Aljubarrota, D. Nuno Álvares Pereira, Condestável de Portugal, professou votos solenes perante a comunidade dos frades, o Rei, a família real e toda a corte. Recebendo o hábito carmelita, passou a se chamar simplesmente Frei Nuno de Santa Maria.
Nos anos que passou no convento, sua pureza imaculada, seu amor à oração, sua devoção ao Santíssimo Sacramento, a dureza com que mortificava seu corpo inocente, e sobretudo sua caridade, empenhada em servir aos pobres com a mesma dedicação com que antes combatia os inimigos, tornaram-no querido por toda a população de Lisboa.
A vida religiosa em nada abateu seu ânimo guerreiro.
Visitado pelo embaixador castelhano, este perguntou-lhe se haveria alguma coisa que o levasse novamente a pegar em armas, ao que o Bem-aventurado respondeu: “Se o Rei de Castela outra vez mover guerra contra Portugal, enquanto não estiver sepultado servirei juntamente à Religião que professo e à Pátria que me deu o ser”.
Afastando em seguida o escapulário, abriu o hábito e mostrou por baixo deste a couraça de cavaleiro.
Quando se preparava nova expedição militar a Ceuta, que não chegou a se concretizar, Frei Nuno dispôs-se a participar desse que prometia ser um duro feito de armas.
Alguns frades chamaram-lhe a atenção, dizendo que aos 70 anos já não teria mais o vigor de um jovem cavaleiro. O venerável ancião tomou de uma lança e violentamente arremessou-a, do alto da colina em que estava, noutra em frente: a arma cravou-se a fundo numa árvore e ali ficou vibrando.
Ante a surpresa dos assistentes, disse calmamente:
“Em África a poderei meter, se for ainda necessário que eu exponha a vida em perigos, em honra da Pátria ou em defesa da Religião”. Daí se originou o dito “meter uma lança em África”, significando praticar feito valoroso.
Oito anos viveu Frei Nuno no Carmo. No dia em que se assinava a paz definitiva entre Castela e Portugal, paz que ele conquistara com seu rijo ânimo e sua rija espada, teve um ataque repentino de febre.
Sentindo próximo o fim, comungou pela última vez, renovou os votos, renunciou novamente a todos os seus bens e pediu apenas como esmola “uma mortalha e uma cova para o corpo”. Recebeu a visita do Rei, que chorando o abraçou afetuosamente.
No dia 1º de novembro de 1431, festa de Todos os Santos, Nuno recebeu o Extrema Unção. Pediu, num último murmúrio, que lhe lessem a Paixão segundo S. João. Durante a leitura, entrou em agonia.
E no momento em que se pronunciavam as palavras de Nosso Senhor a Maria Santíssima. — “Ecce filius tuus” — cerrou docemente os olhos.

Fonte: Revista “Catolicismo”, nº 44, agosto de 1954

Cuidado com a saudade

Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça
A observação é de Euclides da Cunha "É difícil lidar com a saudade? Cuidado com a saudade". A saúde é fogo lento. A dor do fogo vai queimando o coração, devagarinho.
Nestes tempos de final de ano e de começo de outro, costumamos Maria do Carmo, Rodrigo Otaviano, Taciana Cecília e eu concentrar o pensamento em Marcantonio, o filho e o irmão que resolveu partir mais cedo. Esse pensamento é o de saudade.

Nabuco, sempre ele, disse em feliz reflexão: "Mas como traduzir em sentimento o  que, em língua alguma, a não ser na nossa, se cristalizou numa única palavra? Consideramos e proclamamos esse vocábulo o mais lindo que existe em qualquer idioma, a pérola da linguagem humana. Ele exprime as lembranças tristes da vida, mas também suas esperanças imperecíveis. Saudade é a hera do coração, presa as suas ruínas e crescendo na própria solidão'.
O nosso Marcantonio era um estardalhaço de vida. O desaparecido que veneramos a sua memória é o mais presente e poderoso vivo. Ganhou, pelo trabalho obstinado e competente, nome aqui e lá fora.
Os pais não praticam um ato ritualístico para retocar perfil, nem erguer estátua, pois Marcantonio está cheio de eternidade. O que fazemos é recordação, mesmo em respeito etimológico, pois recordação é trazer de novo ao coração. O que queremos ressaltar é o seu talento em ver permanente o quotidiano passageiro. Estamos cheios de esperanças, alegrias, pois confiamos na ressurreição. Esta é a força e a coragem que compõe a consolação.
Quando louvamos o filho morto estamos, de fato, a orar por ele. E não só orar, mas olhá-lo como o eterno menino pois a morte não envelhece ninguém. Os prêmios de arte plástica, os livros, as exposições, as galerias com a seu nome o remoçam continuamente pois esta é a vontade de Deus e a determinação dos homens.
Temos dó dos que ficaram pelo caminho sem compreender, depois dos 11 anos desde a sua partida, na viagem reta como se fora a Itaca. Sem compreender que seu reconhecimento é cada vez maior, cada vez que na sua terra seja menos avaliado. Ninguém é profeta em sua terra. Como disse o poeta, "naveguemos, mais se vê".
A cartografia associada a sua figura de homem de cultura só é menor que os territórios machucados de saudade dos seus pais e de tantos amigos.

Carlos Nejar em poema assombroso de beleza optou por um refrão dirigido a Marcantonio: "Fica mais um pouco". Ele atendeu ao poeta acadêmico e foi ficando mais um pouco. Mais um pouco.


Jornal do Commercio (PE), 30/12/2011 

Às vezes se tem a impressão de que a literatura está morrendo porque ela não se movimenta dentro da vida. Às vezes bate à porta a ideia de que somente um “leitor literário” pode amar a literatura, o que seria o primeiro sintoma de sua doença final. A secura muito amada de Graciliano Ramos não se movimenta dentro da vida: na vida só se é seco por artifício, a vida é barroca, um monstro de formas  dilaceradas. O barroquismo intelectual de José Geraldo Vieira está num exagerado altiplano de linguagem para a maioria. O oposto deles poderia ser o barroquismo simplório e desgovernado de Jorge Amado: mas ele é superficial demais em suas tiradas poéticas. Então surge, no meio destas leituras brasileiras de autores que amo e que me ensinaram quase tudo o que sei das letras pátrias, o americano Jack Kerouac e seu romance On the road (1957), escrito praticamente como um impulso vital, algo como se o francês Marcel Proust saísse de seus salões de Haussmann para a beira do Sena com seus ciganos e negros prontos para o assalto ou como se o irlandês James Joyce esquecesse o departamento de linguagem que exacerba a vida.
Não se dirá aqui que Kerouac é superior a Graciliano ou a José Geraldo. Mas ele é mais rico contador de histórias que Amado. O essencial, porém, é que o texto voluptuoso, ingênuo, tortuoso, direto em seus detalhes mas enviesado em seus cruzamentos de frases é um texto necessário à sobrevivência da literatura como irmã da vida ou como um barco que pode singrar a vida.
Kerouac é suficientemente desconcertante em ir alinhavando personagens secundárias. As características autobiográficas de sua narrativa facilitam os modelos desta criação ativada pela memória imaginativa. Outro escritor norte-americano, Henry Miller, fazia algo parecido, transformando sua própria vida em arte. Mas o processo era diverso. Kerouac tem origens mais claras no universo rueiro, irônico do também americano Mark Twain. A isto Kerouac acrescentou a embriaguez duma determinada geração do século XX. As inserções de múltiplas criaturas ao longo de On the road vai criando um caleidoscópio narrativo vertiginoso, a que corresponde também algumas evocações de cenários e ambientes maravilhosas, como: “Era domingo. Baixou uma grande onda de calor; era um dia lindo, o sol avermelhou por volta das três da tarde.” É curiosa a forma como Kerouac capta a descontinuidade da visão na vida para dar organicidade narrativa a seu texto. Diz-se que o texto original foi rejeitado por difuso, confuso e subliterário. No texto agora final permanecem os elementos naturais de difusão, confusão e sub-arte, mas coordenados com mestria de narrador.
O que pulsa mesmo em todos os vocábulos de On the road é a Vida. Por isso a frase emblemática do texto do romance é: “ ‘Oh,  sinta só o cheiro dessas pessoas’, gritou Dean com o rosto para fora da janela, fugindo. ‘Oh! Deus! A Vida!’”. O símbolo romanesco de On the road passa por esta captação: meter a linguagem na vida, chegar à literatura móvel, sem estaticidade estética.
P.S.: Cerca de cento e oitenta páginas deste romance fabuloso eu as li durante o voo Rio-Paris em julho de 2012, umas dez horas e quarenta minutos, uma noite de insônia em que me inquietava como iria eu descobrir o Velho Mundo.

(Eron Duarte Fagundes – eron@dvdmagazine.com.br)

Resposta de um nordestino contra o preconceito viraliza na internet
“É muito fácil julgar o voto de um povo pobre dirigindo uma Hilux até o escritório de sua empresa”. Resposta de cearense contra as manifestações de ódio e intolerância aos nordestinos se torna viral na internet
O cearense Braulio Bessa Uchoa resolveu responder aos incontáveis ataques direcionados aos nordestinos após a abertura das urnas no primeiro turno das eleições de 2014. As manifestações de preconceito ocorreram em razão da vitória de Dilma Rousseff na região.
Braulio – fundador da Nação Nordestina no Facebook, página que conta com mais de 1 milhão de curtidas – inicia seu vídeo-resposta lendo algumas mensagens de ódio e de intolerância que se disseminaram nas redes sociais, como as que sugeriram que o Nordeste fosse separado do Brasil, para em seguida rebatê-las com uma sensatez que é, naturalmente, incompreensível pelos ignorantes e cegos de preconceito. No Facebook, o vídeo se tornou viral e já foi compartilhado por mais de 135 mil usuários. Assista abaixo.


Fonte: Facebook




Nem sempre é clara a fronteira entre as disfunções mentais que atingem a raça humana, especialmente os idosos. Afinal, o que é demência, o que é doença Alzheimer, doença Parkinson? Qual a diferença entre esses termos? Bem, vamos explicar.

Demência é um termo amplo, um guarda-chuva sob o qual se incluem todos os sintomas físicos e mentais que são graves o bastante para interferir com as funções diárias de uma pessoa. Como o Alzheimer afeta a memória e o Parkinson descontrola as funções motoras, podem ambas ser definidas como demências.


 Eis os principais sintomas visíveis que caracterizam uma demência, segundo definição da clínica Mayo (Minnesota, EUA): dificuldade na fala, perda de memória, falta de poder de decisão, confusão e mudanças na personalidade e no humor. Pessoas com demência também podem perder sua capacidade de resolver problemas ou controlar suas emoções. É o caminho para o qual se encaminha, geralmente, a doença Alzheimer.

Outros sintomas incluem a dificuldade de coordenação e as funções motoras, paranóia, agitação e alucinações, com prejuízo no trabalho e nas atividades sociais. Nesse caso, são indicativos de uma possível doença Parkinson.

Os médicos usam uma bateria de testes para determinar a causa da demência. São exames de sangue, avaliação do estado mental, testes neuropsicológicos e tomografias cerebrais. Em 90% dos casos, atualmente, os médicos podem diagnosticar com precisão a causa de sintomas de demência. Mas não se pode generalizar o termo: algumas doenças cerebrais, que estão relacionadas a fatores orgânicos (como desordem na síntese de proteínas), mas não são demências propriamente ditas.

A mais notória entre as demências é mesmo a doença de Alzheimer. Segundo uma pesquisa norte-americana, representa entre 50% e 70% das disfunções cerebrais em pessoas com mais de 65 anos. No entanto, é só após a morte, quando o cérebro já está na autópsia, que o Alzheimer pode ser identificado com precisão, o que dificultou a vida dos médicos por muito tempo.

No caso do Alzheimer, são proteínas que impedem o funcionamento do cérebro, afetando e limitando as porções do cérebro que controlam a memória, o pensamento abstrato, capacidade de julgamento, comportamento, movimento e linguagem. Em casos mais graves, a pessoa chega até a perder a capacidade de reconhecer a si mesmo e seus familiares. [Life's little mysteries].


Fonte:

http://hypescience.com/qual-e-a-diferenca-entre-o-mal-de-alzheimer-e-a-demencia/

    Um Milagre maior que a partilha dos pães e dos peixes – conheça a grandeza do Santíssimo Sacramento


São Padro Julião Eymard

Se a Eucaristia é a obra de um amor imenso, esse amor teve a seu serviço um poder infinito: a onipotência de Deus.
Santo Tomás chama a Eucaristia, a maravilha das maravilhasmaximum miraculorum. Para convencer-se, basta meditar o que a fé da Igreja nos ensina sobre Este mistério.
A primeira das maravilhas que se operam na Eucaristia, é a transubstanciação:
Jesus primeiro, depois os sacerdotes, por sua ordem e instituição, tomam pão e vinho, pronunciam sobre essa matéria as palavras da consagração, e imediatamente desaparece toda a substância do pão, toda a substância do vinho, acha-se mudada no Corpo Sagrado e no Sangue adorável de Jesus Cristo!
Sob a espécie do pão como sob a do vinho, acha-Se verdadeira, real e substancialmente o Corpo glorioso do Salvador.
Do pão, do vinho, restam somente as aparências: cor, sabor, peso; para os sentidos, é pão, é vinho. A fé nos diz que é o Corpo e o Sangue de Jesus velados sob os acidentes que só por um milagre subsistem.
Milagre que só o Onipotente pode operar, pois é contra as leis ordinárias existirem as qualidades dos corpos sem os corpos que as sustentam. Eis a obra de Deus; Sua vontade é a razão de ser dessa obra, como a razão de nossa existência. Deus pode tudo quanto quer: isto não Lhe exige mais esforço que aquilo.
Eis a primeira maravilha da Eucaristia.
Outra maravilha, que se contém na primeira, é que esse milagre se renova à simples palavra de um homem, do Sacerdote, e tantas vezes quantas ele o queira.
Tal é o poder que Deus lhe comunicou; quer que Deus esteja sobre este altar, e Deus está! O Sacerdote faz absolutamente a mesma maravilha que Jesus Cristo operou na Ceia Eucarística, e é de Jesus Cristo que recebe o poder, e em Seu Nome que age.
Nosso Senhor jamais resistiu à palavra de Seu Sacerdote. Milagre do poder de Deus: a criatura fraca, mortal, encarna Jesus sacramentado!
Jesus tomou cinco pães no deserto: abençoou-os e os Apóstolos tiveram com que alimentar cinco mil homens: pálida imagem dessa outra maravilha da Eucaristia, o milagre da multiplicação.
Jesus ama todos os homens; quer dar-Se todo inteiro e pessoalmente a cada um; cada um terá a sua parte no maná da vida: é, pois, necessário que Se multiplique tantas vezes quantos são os comungantes que querem recebê-l’O, e cada vez que o quiserem; é necessário, de certo modo, que a Mesa Eucarística recubra o mundo.
É o que se realiza por Seu poder: todos O recebem todo inteiro, com tudo o Que Ele é, cada hóstia consagrada O contém.
Dividi Essa santa hóstia em tantas partes quanto quiserdes, Jesus acha-se todo inteiro em cada uma das partes; em vez de dividi-l’O, a fração da hóstia O multiplica.
Quem poderá dizer o número de hóstias que Jesus, desde o Cenáculo, colocou à disposição de Seus filhos!
Mas Jesus não somente Se multiplica com as santas parcelas; por uma maravilha conexa, acha-se ao mesmo tempo em um número infinito de lugares.
Nos dias de Sua vida mortal, Jesus estava em um só lugar, habitava uma só casa: poucos ouvintes privilegiados podiam gozar de Sua presença e de Sua palavra.
Hoje, no Santíssimo Sacramento, acha-Se por toda parte, por assim dizer. Sua humanidade participa, de certo modo, da imensidade divina que tudo enche. Jesus acha-Se todo inteiro em um número infinito de templos e em cada um.
É que, sendo todos os cristãos, espalhados pela superfície da terra, os membros do corpo místico de Jesus Cristo, é bem necessário que Ele, Sua alma, esteja por toda parte, espalhado em todo o corpo, dando a vida e conservando-a em cada um de Seus membros.
“Os soberanos desta terra nem sempre, nem com facilidade concedem audiência; mas o Rei do Céu, ao contrário, escondido debaixo dos véus Eucarísticos, está pronto a receber a qualquer um…” (Santo Afonso Maria de Ligório)

Fonte: saopiov.org

Os Efeitos do Uísque

E naquela festa grã-fina o garçom oferece, gentilmente, uma bebida para uma das convidadas:
— A senhorita aceita mais um uísque?
— Não, obrigada... Me faz mal para as pernas...
— Elas adormecem? — pergunta o garçom.
— Não... Elas se abrem!

Da disciplinaridade para a transdisciplinaridade: uma proposta pedagógica

Tarcísio Padilha
A universidade está em crise de identidade, e sempre estará. Este futuro aparentemente sem saída é precisamente o seu único caminho a trilhar. Isto porque a vida universitária vive e respira a atmosfera do questionamento. E jamais devemos temer a dúvida metódica. Questionar é afastar de vez o fantasma do dogmatismo, das verdades feitas a serem apenas assimiladas pelos espíritos superficiais. A consistência intelectual pressupõe a contínua busca de sentido que sempre foge ao primeiro olhar inquiridor e, muita vez, não se deixa entremostrar à avidez legitima de quantos se entregam à aventura de viver perigosamente.
Não é de hoje que nos perguntamos sobre o futuro da universidade. Vêmo-la enredada na burocracia pedagógica, na articulação geométrica de currículos e programas, na repetição de erros metodológicos que sempre recebem novas roupagens. É um linguajar espesso que se retrata na pobreza grandiloqüente de conteúdo e mesmo de expressões havidas como esclarecedoras (. "a nível de..", "colocar...", "em termos de... ).
Justamente preocupados com o andar da carruagem, um grupo de pesquisador de escol, em colaboração com a UNESCO, entendeu de estruturar o Centro Internacional de Pesquisas e Estudos Transdisciplinares, em 1995. De lá para cá, prosseguiram os encontros de que daremos alguma notícia para clarear a problemática desafiante.
Com Edgar Morin e outros pensadores assistimos ao alerta necessário de que o paradigma da simplicidade não pode mais ser acolhido hodiernamente. O pensamento complexo é um imperativo do avanço significativo do saber e de suas conseqüências para o humano saber e viver.. O que se impõe é fazer com este pensamento complexo e o transdisciplinar se adentrem na vida universitária, penetrando fundamente em seu tecido.
A grande novidade da proposta consiste em demonstrar que a transdisciplinaridade e a paz guardam entre si uma relação de íntimo parentesco. O que eqüivale a dizer que à adoção da transdisciplinaridade e sua vigência universitária decorrerá a paz como um espécie de consectário. Não, é certo, no automatismo das relações imbricadas essencialmente, mas na fixação das sementes de aproximação entre os homens, pela respiração do saber, do fazer e do conviver na mútua compreensão da complexidade evolutiva da humanidade em sua perseguição conjunta das três áreas referidas.
Longe dos proponentes oferecer uma solução mágica para os males da universidade. Seu escopo é o de abrir a instituição a um fecundo experimentalismo, bem distante da acomodação de uma entidade nascida para criar e mesmo revolucionar e que se compraz na paz celestial, somente acordando freneticamente para a pseudo autonomia de cunho ideológico, o mais das vezes cediça.
Em verdade, havemos que discernir a disciplinaridade vigente da intedisciplinaridade ainda por vir e, bem além, da transdisciplinaridade desejável. A disciplinaridade supõe uma clara definição dos contornos dos diversos saberes. Respira a tranqüila aragem de um saber com fronteiras definitivas, e em obediência a uma metodologia com limites igualmente demarcados. É a física, a química, a filologia, a literatura, etc. A verdade se revela bem aliciante, na medida em que o aprofundamento de uma questão pervade uma outra área do saber e, com isso, se vê significativamente iluminada. É a negação da aritmética, pois aqui um mais um é igual a três ou quatro. O aporte das contribuições de diversos saberes a respeito de um mesmo problema alumia o caminho para novas descobertas e para oferecer, não uma mera imago composita, como uma justaposição de dados de diversificada procedência, mas uma tentativa mais lúcida de resposta aos sadios questionamentos nascidos de uma determinada área do saber.
A complexidade emergente gera o fenecimento da hierarquia. Em decorrência, nasce a era da heterarquia, em que não a autoridade investida se imporá por si mesmo, mas terá de competir com a autoridade de quem sabe mais. E quem sabe muito? A resposta é: ninguém. Assim, estamos a ver surgir um inédito capítulo da história humana, que implica na fragilidade do centro decisório que, porre definição, Não mais pode deter os conhecimentos amplos e variados que o processo decisório exige.
Poder-se-ia imaginar que a pluridiscipinaridade estaria à disposição. Mas ela não se afasta inteiramente da disciplinaridade, uma vez que se trata de um estudo que envolve várias ciências a partir de uma única que ainda assim comanda o processo. É um enriquecimento do estudo, mas não uma abertura plena à sua compreensão. Já a interdisciplinaridade atira a barra mais longe. Ela concerne à transferência de métodos. Exemplo: os métodos da física nuclear podem beneficiar o tratamento do câncer, como duas ciências, ao se aproximarem, geram uma nova.
A transdisciplinaridade se situa simultaneamente entre as disciplinas e visa a compreensão do mundo, a partir da unidade do conhecimento. Não uma unidade abstrata e epidérmica, mas a compreensão de que, no subsolo dos saberes, há um fio condutor, uma unidade invisível que tece diuturnamente a realidade e a sua explicação, no sentido etimológico de desdobramento.
Isto porque vários são os níveis de realidade. Não há vazios entre os saberes, mas uma espaço transdisciplinatr que abriga as verdades ocultas a uma metodologia formal e rígida. Se há níveis de realidade, não se pode obscurecer a lógica do terceiro termo incluso. Fugindo ainda uma vez ao logicismo que domina a mentalidade vigente, deve-se considerar a hipótese da remanência do talvez na sinalização excessiva da contradição. Assim, a oposição da contraditoriedade cederá sua vez à compreensão da finitude do homem e também de sua inteligência. A isto se adicione o condimento da complexidade e estaremos ante um novo universo cognoscitivo à espera da luminosidade do homem a lhe decifrar os enigmas.
Cabe ao homem contemporâneo acreditar que se impõe gradativamente o itinerário fecundo do aprender, do fazer e do conviver. É por esta razão que a emergência da transdisciplinaridade pode ajustar os mecanismos capazes de nos fazer desembocar nos altiplanos da paz, da convivência e do respeito mútuo entre homens, instituições povos.

Longe de tais pensadores estabelecer compartimentos estanques entre a pluridisciplinaridade, a interdisciplinaridae e a transdisciplinaridade. Elas podem e devem conviver pacificamente e abrir os espaços à compreensão de sentido do real, sem prejuízo da densidade criativa do ideal, do ficcional, do imaginário que tanto opulentam o olhar perplexo do homem ante a magnitude do desafio de simplesmente captar os sinais vitais de tudo o que o envolve, sobre ele atua e lhe oferece de mão beijada o permanente milagre de ver e de viver-convivendo.


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